A chegada na quente e ensolarada Birmingham, na Inglaterra, foi um alívio depois desses seis meses frios que já estou na Alemanha. Tirei o cachecol, o casaco e me preparei para começar o primeiro dia de visitas na Ipex 2010, no terceiro dia oficial da feira. Este ano, a Ipex, realizada de 18 a 25 de maio, contou com 50 mil visitantes de 135 países. Foram 1.000 expositores, distribuidores de 40 países e 500 jornalistas. O crescimento em comparação à edição de 2006 foi de 8%, número positivo se considerarmos o momento pós-crise e a atual situação econômica da Europa. Nas semanas anteriores à Ipex elaborei duas listas com tudo o que gostaria de ver na feira. A primeira incluía os principais expositores e seus lançamentos. A segunda lista, mais mental do que escrita, contava com os equipamentos, soluções e algumas promessas feitas na Drupa 2008 que eu queria confirmar se foram cumpridas. Apresento aqui o resultado desses três dias em Birmingham, do que ouvi e vi na feira e que considero uma reafirmação da última Drupa. Em resumo: estamos em um momento singular e crítico para a indústria gráfica e, mais do que em qualquer tempo, as decisões de mercado e da tecnologia a serem adotadas tornaram-se um desafio em face ao número de opções. Algumas outras considerações deixo para o fim desta matéria. Segundo Frank Romano, guru-mor do setor, no debate sobre o futuro da indústria gráfica que aconteceu durante a feira não temos de pensar se a indústria gráfica irá ou não sobreviver, mas quais produtos, em contraponto às novas alternativas de mídia, continuarão lucrativos para as gráficas. Nessa linha de raciocínio não é importante pensar em offset ou digital, cor ou PB, mas sim o que o cliente deseja em relação a prazo, qualidade e preço. Somente a partir dessa resposta é que qualquer decisão tecnológica pode ser tomada, e rápido, pois os ciclos de produtos encurtaram. A Ipex deixou isso bem claro.
Principais lançamentos
Canon A Canon levou o portfólio completo de impressão profissional, tanto cor como PB. Um dos lançamentos foi a imageRunner Advance Pro, a nova plataforma/conceito de trabalho da Canon. Três impressoras PB, voltadas para o mercado de entrada, foram lançadas: os modelos 8085, 8095 e 8105, com velocidades de impressão de 85, 95 e 105 páginas por minuto, respectivamente.
Epson
A Epson mostrou suas impressoras jato de tinta e também um novo equipamento voltado para o segmento de rótulos. Na conversa com os técnicos, percebi que a tendência de aplicações da empresa está claramente voltada para o mercado
de embalagens. A Label Digital Press SurePress L-4033A é um equipamento projetado para o mercado de embalagens e rotulagem com alta gama de suportes, inclusive materiais semibrilho de até 320 microns. A velocidade do equipamento rotativo é de 5 m/min (papel) e 1,4 m/min (filmes) em 6 cores, em suportes de oito até 33 cm de largura. A precisão da impressão segue o padrão de alta qualidade dos equipamentos da Epson. A tecnologia de impressão é micropiezo e a tinta é base água.
 A Epson Stylus Pro WT7900 é voltada para provas de contrato e principalmente direcionada para embalagens. Através de um gerenciamento de cores sofisticado, a impressora produz provas em diversos suportes, inclusive filmes flexíveis e metálicos. Uma das cores utilizada nesse equipamento é o HDR-Branco de alta densidade, fator importante em suportes transparentes.
Fujifilm A maior parte do estande da Fuji foi dedicada à produção digital de chapas offset, flexo, sistema de fluxo de trabalho e impressão digital. Apenas três novos equipamentos em toda a Ipex chamaram minha atenção a ponto de me fazer voltar ao estande mais de uma vez. Um deles foi a Jet 720, impressora jato de tinta com foco comercial e promocional. Ela produz 2.700 folhas por hora no formato B2. O nome da tecnologia empregada é curioso para os brasileiros: denominado Samba, o sistema representa um ganho expressivo em produtividade e qualidade de impressão em 1.200 × 1.200 dpi e quatro níveis de cinza. O range de suportes varia de 100 a 300 g/m² com total suporte a dados variáveis. Particularmente, o que me impressionou nesse novo equipamento foi a qualidade de impressão.
HP Nada melhor do que uma indicação para deixar um consumidor confortável ou aumentar sua disposição por essa ou aquela tecnologia. A HP dedicou duas áreas do seu estande gigante na Ipex para a voz dos consumidores HP. Empresas de todo o mundo, inclusive brasileiras, estavam presentes para contar seus cases.
 A impressora HP T200, o segundo equipamento que mereceu duas visitas tem lançamento comercial apenas para 2011 e foi uma das demonstrações mais concorridas. Voltada para os segmentos transpromo, transacional e livros, o equipamento rotativo digital com largura de 521 mm faz 821 páginas A4 em duplex a cores por minuto, com resolução de 1.200 × 600 dpi. É um modelo menor que a T300, mas ainda com uma previsão de volume de
produção/mês alta: 23 milhões de A4.
 A HP apresentou duas novas impressoras da linha Indigo. A 7500 tem um ganho de produtividade de 10% sobre o modelo 7000, maior automação e menor consumo de energia. Com sete estações de cores, o equipamento produz 120 páginas em cores por minuto. Voltado para o mercado de médias tiragens, a previsão de impressão por mês está na ordem de 3,5 milhões de páginas. Já a 3550 é o novo equipamento de entrada da linha Indigo para impressão de até 68 páginas coloridas por minuto. A resolução, menor que no modelo 7500, é de 812 × 1.624 dpi contra 2.400 dpi do modelo HP Indigo 7500.
Kodak A Kodak expôs suas séries digitais em cores e em PB. O portfólio cobre praticamente todos os níveis de exigência dos clientes de máquina digitais. A Kodak Prosper 5000KL Press baseia-se no sistema Stream InkJet. Indicada para tiragens acima de 4.000 cópias por trabalho, a impressora digital colorida tem velocidade de 200 metros por minuto, frente e verso, na largura de 62,2 cm (em A4 isso significa 3.600 ppm). O ciclo mensal é de 120 milhões de páginas A4, ou seja, mercado transacional, transpromo ou livros sob demanda. Da linha NexPress foram apresentados três equipamentos: SE2500, SE3000 e SE3600. Todas com cinco cores, resolução de 600 dpi e formato de 340 × 510 mm. A impressora suporta de 60 a 350 g/m² para papéis não revestidos e de 80 a 350 g/m² para revestidos. A diferença entre os equipamentos fica por conta da velocidade, respectivamente 5.000, 6.000 e 7.200 A4 por hora. A quinta unidade é um verniz, que reproduz com maestria efeitos de relevo e brilho. O resultado é perfeito. Enfim, o último e não menos importante lançamento da Kodak foi o Flexcel NX, sistema digital de produção de matrizes para flexografia.
Komori Eu particularmente aprecio a tecnologia simplificada da Komori. Quando falo de simplificação não significa baixa tecnologia, mas acessibilidade. O principal lançamento foi a Enthrone 29. A impressora offset de duas, quatro ou cinco cores completa a gama de equipamentos da empresa como uma máquina compacta e voltada para curtas tiragens de baixo orçamento. A velocidade da Enthrone 29 chega a 13.000 folhas por hora no formato máximo
de 530 × 750 mm.
Heidelberg Entre diversos equipamentos que ganharam melhorias e agora estão conectados ao conceito de lean manufacturing (produção enxuta), o destaque ficou para o lançamento mundial da CX 102. Situada no portfólio da Heidelberg entre os modelos Speedmaster 102 (13.300 fls/h), Speedmaster CD (15.000 fls/h) e a Speedmaster XL (18.000 fls/h), a CX-102 chega a 16.500 fls/h. No formato de 70 × 100 cm o novo equipamento é voltado tanto para impressão comercial/promocional como para embalagens. Sua novidade principal está na flexibilidade e customização — o equipamento é modular —, ou a possibilidade de aplicação de verniz antes ou depois da impressão.
Horizon A Horizon é uma empresa que chamo de descomplicada. Os equipamentos são bem focados nas tarefas a que se destinam e o portfólio cobre praticamente todas as etapas de acabamento. A empresa possui sistemas para baixas, médias e grandes tiragens, o que também facilita a escolha por parte do cliente. Com uma enorme área na Ipex 2010, a Horizon levou para Birmingham a AFC-746F, dobradeira que faz 240 metros por minuto. Desenvolvida em cooperação com a Swiss e Hunkeler, a StitchLiner 6000 Digital produz 6.000 livretos por hora com colocação de capa automática.
Ryobi Entre tudo o que ficou de boas impressões da Drupa 08 sobre a Ryobi apenas uma dúvida restava, o sistema de cura LED-UV. A tecnologia é interessantíssima e a redução do consumo de energia (cerca de 70%) faz dessa uma alternativa não só econômica, mas altamente ecológica. A redução de emissão de ozônio elimina a necessidade de dutos para escape do gás e calor. No entanto, até 2008 apenas a Toyo fornecia as tintas para o sistema UV. O bom senso sempre avisa que um único provedor de suprimentos — mesmo que seja uma empresa conhecida — não é sábio. Agora o problema está resolvido, são quatro fabricantes de tinta. Na Alemanha, a Ryobi apresentou-se no formato B3, na Print 09 foi o formato B2 e agora na Ipex foi a estreia do SR-A1 com a Ryobi 920. A máquina na configuração com cinco cores apresentada na feira também contempla quatro ou seis cores. No formato de 920 × 640 mm, a velocidade máxima chega até 16.200 folhas por hora. Os diferenciais são o sistema de secagem UV-LED e uma
interface muito amigável.
Screen

Se você está lendo até aqui para saber qual foi a terceira máquina que me impressionou, então chegou a hora. Falo da Truepress Jet SX B2 em seu lançamento comercial (o equipamento com simplex já estava na Drupa 08). A máquina traz agora impressão frente e verso com passagem única e alta qualidade, chegando a 1.440 por 720 dpi, em alta gama de suportes que variam de 80 a 400 g/m². O equipamento faz 1.620 páginas por minuto em simplex e 810 em duplex. São 108 páginas A4 por minuto. Outra máquina com demonstrações concorridas foi a Truepress Jet 2500 UV, impressora jato de tinta de grande formato com secagem UV.
Xerox O principal lançamento da empresa foi a Xerox 800/1000. Impressora de alimentação contínua colorida, suporta papéis de 55 a 350 g/m² e tem velocidade de 800 ou 1.000 ppm, no formato máximo de 330 × 488 mm. Voltada para altos volumes, o ciclo mensal do equipamento é de 1,5 milhão de páginas por mês na versão 800 e 1,75 milhões na versão 1000. A Xerox apresentou o que vem a ser sua primeira impressora jato de tinta, mas ainda em protótipo. Impressora com tecnologia drop-on-demand, tem previsão de trabalhar com 2 bilhões de gotas de tinta por segundo à velocidade de 152,4 metros por minuto.
Considerações finais Quero compartilhar algumas ideias que nós, que estamos mergulhados na indústria gráfica, pensaremos repetidas vezes ainda. Observar a tecnologia digital devorando mercados analógicos é ao mesmo tempo uma visão boa no que tange à velocidade de produção e de resposta a um mercado que conta prazo de entrega em horas e não mais dias; e uma visão assustadora para o que consideramos o símbolo da indústria gráfica: a impressão offset.
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Enquanto os fabricantes de equipamentos offset se prendem aos argumentos de perfeita resolução de imagem, registro impecável, confiança na marca e valor de revenda, os fabricantes digitais estão correndo. E talvez não exista mais espaço ou tempo ou interesse para uma retomada por parte das empresas do offset de qualquer
iniciativa na área digital.
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Nem de longe imagino um fim trágico para a impressão convencional. Falamos de grandes empresas amadas e admiradas. Quem nunca ouviu histórias de empresários que dormiram ao lado da impressora em seu primeiro dia na gráfica? Mas, essa relação não pode ser só de amor, ela tem que ser de lucro também. Nesse ponto aposto em um caminho duplo, o híbrido.
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Segundo a pesquisa da InfoTrends de 2008, Multi-Channel Communications Measurement & Benchmarking, 67,7% das empresas consultadas já utilizavam impressão personalizada em suas campanhas e 13,4% pretendiam utilizá-la em até dois anos. A surpresa é que a impressão personalizada ficou atrás apenas do marketing na internet, mas acima do canal “e-mail personalizado” e também de mensagens por celular. Ponto para a indústria gráfica e um indicador para as empresas que
planejam trabalhar com dados variáveis.
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Muito ainda é e será feito em offset. Dividi as aplicações em três categorias: - Estático, sempre estático – Offset, sempre offset. Livros, revistas, catálogos. Maiores tiragens. Edições semanais ou mensais. Comerciais de alto volume. Pré-impressos. Embalagens convencionais em cartão. Rótulos (com exceção do que é feito em flexografia ou rotogravura). - Nem sempre estático – Offset e digital. Depende do volume e da aplicação. Altos volumes e flexibilidade ainda implicam em alto orçamento. Do outro lado da moeda, os baixos volumes com conteúdo flexível correm diretamente para a impressão digital. Produções seriadas de rótulos ou embalagens especiais. Produtos de teste. Baixas tiragens. - Flexível, sempre flexível – Digital E não só. Baixas tiragens às vezes significam impressão digital, mas sem dados variáveis. O que varia não são as linhas de conteúdo, mas a peça em si. Normalmente produtos impensáveis para offset pelo alto custo inicial.
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Sinalização indoor e outdoor. Nunca vi tantas impressoras para esse tipo de aplicação juntas. Praticamente todos os fabricantes de impressão digital possuem em sua linha algum equipamento rolo a rolo, de mesa ou ambos. A qualidade é bem variável entre os equipamentos. E como não foi exatamente o foco da Ipex, vou deixar essa análise para a cobertura da Fespa na próxima edição, onde com certeza elas serão o ponto alto. Apenas um fato interessante: nas conversas com alguns clientes, entendi que muitos utilizam esse equipamento como uma impressora digital comum, ou seja, a aplicação não é exatamente sinalização. Talvez pela diversidade de suportes, talvez porque a qualidade desses sistemas aumentou muito
e tornou-se uma alternativa dupla.
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Ainda há muito confusão sobre chapa livre de químicos versus baixo consumo de químicos. Atenção: são duas tecnologias diferentes. Fique atento!
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Se um dos argumentos contra a impressão jato de tinta na Drupa era a limitação aos papéis sem revestimento, desde a Print 09 e agora na Ipex pude analisar ótimos resultados para suportes revestidos. E, é claro, melhor qualidade de reprodução.
Sandra Rosalen é técnica gráfica com especialização em Impressão Offset e formada em Administração de Empresas. Atualmente está estudando na Alemanha.
Texto publicado na edição nº 73 |