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Matérias Especiais
Da pedra ao CtP Imprimir E-mail
Escrito por Manoel Manteigas de Oliveira   
Sex, 30 de Setembro de 2016

A reprodução gráfica vem evoluindo desde o tempo das cavernas. O momento decisivo desse processo foi a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, na metade do século XV, mas ilustrações con­ti­nua­vam a ser impressas a partir de blocos de madeira ou chapas de metal gravadas ma­nual­men­te. O surgimento da litografia facilitou o trabalho, possibilitando que se desenhasse sobre a pedra ao invés de gravá-​­la com formões ou buris.
No século XIX aconteceram duas novas revoluções tecnológicas: a invenção da máquina linotipo em 1886, usada para composição mecânica de textos, e o advento da fotografia. Essa última deu um grande impulso às técnicas de reprodução, permitindo que as ilustrações originais fossem fotografadas e que os negativos e positivos obtidos fossem usados para a produção de clichês de metal e de matrizes litográficas e calcográficas. Esse foi o início da fotorreprodução que, quando aplicada à litografia, passou a ser chamada de fotolitografia. Os negativos e positivos usados nas có­pias das matrizes eram chamados de fotolitos.
No processo tipográfico, a forma de textos era feita com composição ma­nual de tipos móveis ou então com composição mecânica numa linotipo. As imagens eram impressas a partir de clichês metálicos feitos por um processo de fotorreprodução e gravação com ácido. Na impressora, os blocos de textos e os clichês eram po­si­cio­na­dos juntos de modo a serem 
impressos ao mesmo tempo.
O processo litográfico evoluiu para o offset, com a substituição das pedras por chapas de metal (primeiro zinco, depois alumínio). Com as técnicas de fotorreprodução era possível co­piar textos e imagens sobre uma mesma chapa. Para isso era necessário compor os textos ma­nual­men­te ou em linotipia, em seguida imprimi-​­los em uma única folha com alta qualidade e usar essa folha impressa como original para ser fotografado, 
da mesma forma que as ilustrações.
A junção de textos e imagens para serem co­pia­dos sobre a chapa offset era feita pela montagem dos fotolitos sobre uma mesma base plástica transparente. Tratava-​­se de cortar os filmes, po­si­cio­ná-​­los no lugar certo e fixá-​­los nas posições com fita adesiva. Em trabalhos mais complexos era necessário fazer novos filmes a partir de exposições múltiplas para 
juntar textos e imagens.
Nos anos 1940 começaram a aparecer as primeiras máquinas de fotocomposição. Nessa tecnologia, a composição do texto era feita fotografando-​­se letra por letra sobre um ma­te­rial fotossensível — filme ou papel fotográfico. A fotografia era feita projetando-​­se luz através de imagens das letras em negativo. Nas décadas de 60 e 70 esses equipamentos evo­luí­ram, passando a ser comandados por computadores muito simples (embora enormes). Um operador digitava o texto numa unidade que perfurava uma fita de papel ou gravava uma fita magnética. Essas mí­dias continham os códigos do texto pro­pria­men­te dito e também todos os parâmetros da composição — comprimento de linha, corpo, fonte, entrelinha etc. Em outra unidade, a fita era lida e os códigos interpretados, gerando comandos eletromecânicos para que a composição fotográfica fosse feita automaticamente. O resultado da fotocomposição eram tiras de filme ou de papel fotográfico que, quando reveladas, exi­biam os textos exatamente como de­ve­riam aparecer depois de impressos.
Os primeiros escâneres começaram a ser feitos ainda nos anos 1910, mas modelos utilizáveis na indústria gráfica chegaram ao mercado na década de 1960. Ini­cial­men­te eram equipamentos analógicos. Era possível transformar as va­ria­ções de tonalidades das imagens originais em sinais elétricos e estes alimentavam uma lâmpada que expunha os filmes fotográficos produzindo os fotolitos. Não havia como gerar ou armazenar um arquivo de imagem. Pos­te­rior­men­te, os equipamentos tornaram-​­se digitais, isto é, capazes de descrever e registrar em linguagem de 
computador todas as va­ria­ções tonais de uma imagem.
A fotocomposição também continuou evoluindo até se tornar computação gráfica, na qual os arquivos digitais codificam, em linguagem de computador, os textos e os parâmetros de composição. Uma vez que textos e imagens passaram a ser digitalizados tornou-​­se possível reuni-​­los em um mesmo arquivo, que pode ser en­via­do para um CtP ou diretamente para 
uma impressora digital.

Texto: Manoel Manteigas de Oliveira– publicado na ed.97

 
ABTG e Senai discutem as novidades da 16ª Drupa Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Ter, 27 de Setembro de 2016

Entre os dias 27 e 29 de junho foi rea­li­za­do, no auditório da entidade na Theo­bal­do De Nigris, o Seminário Pós-​­Drupa – A Drupa vista pelos es­pe­cia­lis­tas da ABTG. As discussões foram dirigidas por Bruno Mortara, superintendente do ONS27, diretor técnico da ABTG Certificadora e professor de pós-​­gra­dua­ção na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, e Bruno Cia­lo­ne, também docente no Senai, que acaba de assumir a presidência do Conselho Consultivo da ABTG. Cerca de 250 pes­soas assistiram às palestras.
O primeiro dia foi dedicado à embalagem, o segundo ao edi­to­rial/pro­mo­cio­nal e o terceiro à discussão de ten­dên­cias. Como sempre acontece, a feira recebeu vá­rias definições e o seminário apontou pelo menos quatro: Drupa da embalagem, do pré-​­tratamento (do papel), do papelão ondulado e Drupa do gamut estendido. Lembrando que são os donos das grandes marcas como Unilever e Procter & Gamble os nor­tea­do­res do setor e que eles vêm am­plian­do a personalização das embalagens com foco na re­gio­na­li­za­ção dos produtos, Bruno Mortara ressaltou a extensa gama de soluções para atender essa necessidade, es­pe­cial­men­te em se tratando de tec­no­lo­gias digitais. Estavam lá novas impressoras, tintas, substratos e sistemas de acabamento prontos para atender a demanda por embalagens customizadas, incluindo a impressão de QR Code e circuitos impressos NFC. Para o nicho de embalagens flexíveis e micro-​­ondulado, vá­rios fornecedores im­pri­miam direto sobre papelão e garrafas PET.
Mirando a rentabilidade, a busca por novos efeitos na impressão e no acabamento levou os substratos a um novo patamar. Filmes plásticos híbridos, substratos metálicos e especiais chegam para ­criar novas oportunidades. O mesmo aconteceu no campo das tintas, toners e vernizes, com tintas de secagem rápida e aderência em diversos substratos para embalagens de alimento e toners fosforescentes, metálicos e brancos com alta opacidade.
Presente e futuro
Bruno Mortara viu como tec­no­lo­gias já consolidadas as impressoras digitais formato B2 (500 mm × 707 mm), apresentadas como protótipo em 2012. Como exemplo ele citou a Fujifilm J Press 720S, a HP Indigo 12000, a Konica Minolta KM-1 e a Komori Impremia IS29. Adaptadas para imprimir em cartão, as novas máquinas jato de tinta — com exceção da HP Indigo 10000 e seu upgrade, a Indigo 12000 —, ajudarão a expandir o mercado, porém com a incógnita do custo dos consumíveis e dos suprimentos.
Ainda em versão preliminar, estavam expostas impressoras jato de tinta formato B1 (707 mm × 1.000 mm) como a Primefire 106, da Heidelberg, e a S10 formato B1, da Landa. Tanto as digitais B1 quanto as B2 têm em comum o fato de serem produzidas a partir da integração de empresas com ex­pe­riên­cia em transporte de papel, como Heidelberg, Komori, Ryobi e KBA, e de fornecedores de cabeçotes reconhecidamente efi­cien­tes, como HP, Kodak, Fujifilm, Konica e Xerox (Impika). “A Primefire é uma XL 106 com cabeçotes digitais”, comentou Bruno. E aqui o destaque é o cabeçote Samba, da Fujifilm, usado por pelo menos seis fabricantes, incluindo a Landa, que conseguiu aumentar 
significativamente sua velocidade.
Seguindo no capítulo impressoras jato de tinta, o es­pe­cia­lis­ta enfatizou as máquinas de alta produtividade e preços abaixo de um milhão de dólares como a Va­rioP­rint i300, da Canon, a Pitney Bowes Accelejet, a Super Web Digital Webjet 200D (com cabeçotes Memjet) e as máquinas da Xerox, 
Brenva HD (folha) e Rial­to (bobina).
Em paralelo, as jato de tinta de alta velocidade e alimentação contínua começam a alcançar os níveis de produtividade e qualidade do offset. A aplicação de primer em linha, cabeçotes de alta resolução, alta produtividade e novas formulações de tinta são os elementos-​­chave desse grupo de máquinas. Encaixam-​­se nesse patamar impressoras como a Océ Ima­geS­tream, da Canon, a HP PageWide Web Press HD, a Kodak Prosper, a Ricoh VC 60000, a ­Screen 
True­press Jet520 HD e a Xerox Trivor 2400.
Segundo dados levantados por Bruno Mortara, mais de 500 fabricantes apresentaram soluções para a conversão e embalagem. Sistemas tradicionais e digitais estão mirando as pequenas tiragens e, é claro, os digitais têm os dados variáveis como vantagem única. Em relação às embalagens já está difícil localizar a zona de transição a partir da qual o digital deixa de ser efi­cien­te economicamente e o analógico assume o espaço. No pro­mo­cio­nal/edi­to­rial essa faixa é ainda mais difusa. Para Benny Landa, a curva de rentabilidade do digital começa a cair nas tiragens próximas às 1.000 có­pias, enquanto nas máquinas por ele desenvolvidas isso só acontece depois das 5.000 có­pias.
Falando no “Steve Jobs” da indústria gráfica, para responder à questão que está na cabeça de todos — A nanografia chegou mesmo pra valer? —, Bruno Mortara foi logo apontando as empresas que a Landa divulgou como compradoras de suas soluções: Quad/Graphics e Imagine!, nos Estados Unidos, e Cimpress, Colordruck Baiersbronn e Elanders, na Europa, com ne­gó­cios somando US$ 511 milhões. Para a produção de embalagens, a Landa apresentou a Nano-​­Metallography. Sua aplicação ini­cial é o enriquecimento do impresso, como o hot stamping. Segundo o fabricante o novo processo foi projetado para ter um custo 50% menor do que os sistemas atuais de metalização, hot stamping, coldfoil etc.
Com a promessa de substituir o offset com igual, ou melhor, qualidade e efi­ciên­cia, as máquinas Landa utilizam cabeçotes pie­zoe­léc­tri­cos Fujifilm Dimatix Samba, com tecnologia MEMS, gerando gotas sob demanda numa resolução de 1.200 × 1.200 dpi, com quatro níveis de escala de cinza. Para vencer o limite de velocidade comum às digitais planas, a Landa adota uma blanqueta rotativa aquecida, sobre a qual é ejetada a tinta. O veí­cu­lo aquoso evapora e a imagem seca é transferida para o substrato. A empresa mostrou na Drupa impressoras planas e rotativas para papel cartão, impressão co­mer­cial e embalagens flexíveis, de quatro a oito cores.
Somatória
Coube a Bruno Cia­lo­ne abordar os sistemas híbridos e analógicos. Ele ressaltou o apelo ecológico nas soluções de pré-​­impressão, com chapas livres de químicos e processadoras mais robustas. “Gente, o CtP continua aí.” Se as platesetters estão vivas é porque as impressoras offset também, e Cia­lo­ne seguiu destacando algumas características encontradas nos novos modelos como a presença de densitômetros e espectrofotômetros para leitura em linha em todas as máquinas e a significativa redução dos tempos de acerto, alcançando a marca de três trocas em 10 minutos. “O setup rápido e o controle de processo mais eficaz são as armas do offset”, afirmou o es­pe­cia­lis­ta.
Para o presidente do Conselho Consultivo da ABTG, um dos movimentos mais significativos foi a junção de vá­rios processos num mesmo equipamento, sobretudo com o desenvolvimento de soluções envolvendo duas ou mais empresas. Estavam juntas, por exemplo, Landa e Komori, HP e KBA, EFI e Esko, Komori e Konica Minolta, Bobst e Kodak, Heidelberg e Fujifilm, ­Screen e BHS, Pantone e Rutherford. Da parceria entre KBA e Xerox foi mostrada a impressora que mais impactou o es­pe­cia­lis­ta: a KBA VariJet 106. Trata-​­se de uma impressora plana digital voltada ao segmento de cartões, com formato de 40 polegadas. Ela agrega a estrutura do offset aos cabeçotes digitais, possibilita a impressão em substratos plásticos, celulósicos e metalizados, podendo contar com unidade de impressão serigráfica, coldfoil e facas rotativas de corte. “A forma como a KBA se mostrou, colocando-​­se como um provedor de soluções customizadas, foi muito interessante. Vimos essa postura em vá­rios fornecedores, investindo em máquinas modulares que são cons­truí­das a partir das necessidades de cada um.” Outra das vedetes da feira foi a Bobst, que também deu um passo além de suas fronteiras com a M6, impressora UV digital flexo focada no segmento de embalagens ali­men­tí­cias em cartão e suportes flexíveis. “Ela traz um conceito novo na unidade de impressão, que eles chamam de V-​­Flower: enquanto um conjunto de clichês slee­ve está sendo usado na impressão de um trabalho, a máquina já está com outro pronto, reduzindo a troca de trabalho para apenas um minuto [tempo informado pelo fabricante].”
A primeira noite foi encerrada com um debate entre os dois Brunos e dois convidados: Hermínio Alves de Araujo, gerente in­dus­trial da Emibra Embalagens, e Ricardo Minoru, consultor da ABTG e sócio da Bytes&Types. A conversa girou sobre os sistemas de acabamento para embalagens, com a constatação do aumento da velocidade das linhas de fechamento de cartuchos, com modelos tão rápidos quanto as impressoras, e da apresentação de módulos de pós-​­impressão para serem acoplados às impressoras digitais.
No dia 28, Mortara e Cia­lo­ne abordaram os mesmos temas, contudo com o viés dos segmentos edi­to­rial e pro­mo­cio­nal. O último dia foi reservado ao debate. Mais uma vez os Brunos ini­cia­ram os trabalhos, pon­tuan­do inovações como a expansão das tintas base água (inclusive nos equipamentos Landa), a cura EB (electron beam) com unidades que podem ser acopladas às impressoras e a presença de pré-​­tratamento nas máquinas digitais jato de tinta aplicado apenas nas ­­áreas a serem impressas. O gamut expandido estava tanto nos processos convencionais quanto nos digitais. A maior gama de cores, que possibilita a substituição dos Pantones, vai dos recursos de pré-​­impressão capazes de converter cores especiais em cores de processo à presença de estações LVV (laranja, verde e vio­le­ta) nas impressoras.
Espírito renovado
Para finalizar o seminário, a ABTG convidou Jefferson Zompero, instrutor do Senai Theo­bal­do De Nigris, Miguel Troccoli, gerente geral da PTC, Hamilton Terni Costa, consultor, e Reinaldo Espinosa, diretor de Relações Institucionais da Abigraf. “Lembro que há quatro anos, nesse mesmo pós-​­Drupa, chegou-​­se a questionar se haveria outra Drupa. A edição deste ano foi diferente, vibrante, mostrando uma indústria vigorosa, descobrindo novas possibilidades e capaz de oferecer ao segmento gráfico a chance de produzir itens ainda mais relevantes. Saí otimista”, afirmou Hamilton Costa. Na visão de Reinaldo Espinosa, a feira alemã mostrou que a indústria gráfica não vai morrer, porém definitivamente não será a mesma. “Muito se fala da internet das coisas. Para mim estamos começando a viver a impressão das coisas”, numa clara referência à impressão direta em suportes não convencionais e à impressão 3D. Já Miguel Troccoli falou com humor do propalado fim do offset. “Nós brasileiros somos um tanto desequilibrados. Por conta da invasão do offset no Brasil nas décadas de 1970 e 1980, só pensamos nele. Mas vou dizer para vocês, existe vida inteligente além do offset. 
Ele não está indo mal, só está mudando.”
Antes de entrar na discussão se a impressão 3D faz ou não parte do universo gráfico, os profissionais falaram da mudança na pe­rio­di­ci­da­de da feira. Com o evento já em andamento, a Messe Düsseldorf anunciou que a próxima edição será em 2020 e não mais daqui a três anos, como divulgado em 2012. “Foi da noite para o dia. Tiraram todos os banners e a sinalização de ‘nos vemos em 2019’ e anun­cia­ram a decisão de voltar para 2020”, contou Bruno Cia­lo­ne. “Soubemos que um expositor de peso pressionou os organizadores argumentando que a antecipação representaria uma elevação de 30% ao ano em seus custos de mar­ke­ting”, comentou Hamilton Costa. Na plateia, Francisco Veloso, novo presidente da ABTG, citou a retração na economia mun­dial como outro fator a influir 
na decisão da organizadora.
O evento foi patrocinado pela Canon, representada por Aloysio Martins, gerente co­mer­cial responsável pela linha de alto volume, e Fa­bia­no Peres, supervisor de canais de venda.

Texto publicado na edição 97

 
A Drupa 2016 Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 05 de Setembro de 2016

Tanto pelo número de visitantes, mais de 260 mil pes­soas de 188 paí­ses, quanto pela presença de jornalistas e consultores, com 1.900 profissionais, de 74 paí­ses, a Drupa 2016 foi uma ótima demonstração da vitalidade do setor gráfico. A tônica da exposição foi a consolidação dos processos gráficos na forma digital, do seu nascedouro até o acabamento final. Os equipamentos analógicos, com muita eletrônica embarcada e conectados às redes digitais, con­ti­nuam responsáveis pela maior parte da produção e serão paulatinamente controlados a distância. Os equipamentos digitais, predominantemente impressão jato de tinta, foram apresentados em configurações que demonstram maturidade para substituir os processos analógicos em vá­rias aplicações, notadamente offset em edi­to­rial e embalagens, e flexografia em embalagens e rótulos e etiquetas. Outra aplicação demonstrada por diversos fabricantes foi a impressão direta em papelão, abrindo diversas oportunidades. Todas as novas soluções ainda têm que ser demonstradas na prática, oferecendo qualidade, preço e velocidade aceitáveis para o mercado, em es­pe­cial para o clien­te final.

As principais ten­dên­cias apontadas na Drupa deste ano são a digitalização de técnicas e processos de impressão, a impressão in­dus­trial e 3D e os novos consumíveis, substratos e tintas que via­bi­li­zam processos e soluções híbridas di­fe­ren­cia­das. Fluxos de trabalho cada vez inteligentes interligam máquinas e sistemas em rede, formando cadeias de processo contínuo. A qualidade do produto é monitorada na linha de produção, em tempo real, com sensores sofisticados e seguindo requisitos dentro das normas e boas práticas de alcance in­ter­na­cio­nal.Segundo alguns estudos, a impressão digital deve crescer 7,5% ao ano pelos próximos anos, se espalhando por todo o setor gráfico e em muitas aplicações industriais. Isso forçará o processo de digitalização de con­teú­dos, dos controles de processo e da gestão, pontos-​­chave para via­bi­li­zar tiragens pequenas e impressão personalizada, o que justificaria o uso da impressão digital. Para grandes tiragens, os processos analógicos con­ti­nua­rão a compor o método indicado devido a sua qualidade e baixo custo unitário. Essas integrações digitais apareceram na Drupa na forma de soluções modulares, híbridas e com integração de acabamentos em linha, possibilitando a cria­ção de centros de impressão totalmente automatizados com processos con­tí­nuos.

Enquanto isso, o segmento de embalagem prevê um crescimento na produção da ordem de US$ 140 bilhões nos próximos quatro anos, chegando a um total de quase um trilhão de dólares, globalmente. Por isso foi também um dos focos da Drupa, com tec­no­lo­gias que atendem às demandas industriais, como impressão direta em garrafas de vidro, filmes plásticos, metais, laminados, aces­só­rios e uma vasta gama de substratos. A fim de imprimir consistentemente sobre um número crescente de substratos, com alta precisão e velocidade, os fabricantes de tinta desenvolveram inúmeras soluções, im­pul­sio­na­das principalmente pelo segmento de impressão digital in­dus­trial. A impressão sobre materiais cerâmicos é um exemplo: um em cada dois azulejos fabricados em todo o mundo hoje já é impresso com jato de tinta. O mercado de tintas de impressão para jato de tinta está, inclusive, crescendo cerca de 10% ao ano, com elevada demanda de tintas base água e de cura UV. As tintas UV, curadas ou endurecidas em segundos por lâmpadas durante o processo de fabricação, estão migrando para fontes de energia 
mais efi­cien­tes como LED UV.

No campo das embalagens ali­men­tí­cias, as necessidades globais são imensas: estima-​­se que mais de um bilhão de toneladas de alimentos sejam desperdiçadas anual­men­te no planeta durante o trajeto do produtor ao consumidor. E o acon­di­cio­na­men­to inadequado é responsável por quase 40% desse desperdício. Na Drupa vimos os códigos QR, rea­li­da­de aumentada e outras ferramentas que tornam as embalagens interativas, assim como técnicas de impressão combinadas com novos materiais e tintas que ajudam a mostrar, por exemplo, a vida útil de um produto ou interrupções na cadeia de frio de um alimento perecível, afora transmissores GPS impressos para o controle do transporte de produtos de alto valor, além de hologramas e impressos de segurança que ajudam a combater as falsificações.

O grande mercado
Mais de 500 fabricantes, quase metade do total, apresentaram produtos re­la­cio­na­dos com conversão e embalagem. Entre os fornecedores, a inovação e robustez de suas soluções foram recorrentes, num mercado mun­dial que cresce a um ritmo médio de 4% ao ano. Soluções para automação e melhoria da qualidade são fundamentais para que os gráficos consigam atender a esse crescimento.
A Bobst lançou novas soluções para cartão, micro-​­ondulado e embalagens flexíveis com quatro sistemas flexo e duas impressoras de rotogravura, além de um novo sistema de facas e uma nova coladora. A UV M6 Digital Flexo tem nove cores, 670 mm de largura de banda e pode ser configurada tanto para imprimir caixas de papelão quanto embalagens flexíveis. Possui sistema digital automatizado de inspeção, ajuste e funções de controle. Para mé­dios formatos, a empresa mostrou a linha MW com impressão central, com larguras de 850 mm, para pequenas tiragens, e 1.250 mm para mé­dios volumes. Na banda larga, apresentou a 40SIX com larguras de 1.450 mm até 2.250 mm.

Para o mesmo nicho, a EFI levou a Nozomi C18000, impressora a folha, jato de tinta com cura LED, feita para imprimir sobre chapas de papelão ondulado em uma única passagem, em velocidades de até 75 metros li­nea­res por minuto. Isso representa uma produtividade de 8.100 metros quadrados por hora em placas de até 1,80 m × 3,00 m, ou 9.000 chapas de 80 cm × 60 cm por hora. A resolução é de 360 × 720 dpi com até sete cores, incluindo o branco. A máquina aceita de cartolina ou ­kraft até papelão onda tripla com a mesma velocidade.

A Heidelberg apresentou seus modelos Speed­mas­ters XL, CD e CX, máquinas offset planas com opção para rótulos e embalagens. Mas os holofotes estiveram voltados para a digital jato de tinta Primefire 106, desenvolvida com a Fujifilm para embalagens personalizadas e outras aplicações comerciais e industriais. A Primefire 106 tem formato de até 750 mm × 1.060 mm, imprimindo até 2.500 folhas por hora, em sete cores, a 1.200 × 1.200 dpi. A empresa alemã também mostrou a impressora Gallus Labelfire 340, jato de tinta UV de oito cores para o segmento de rótulos e etiquetas, disponível com corte e vinco em linha e outras opções de acabamento.

A HP, que ocupou sozinha um pavilhão da feira, expôs uma série de máquinas para rótulos e embalagens da linha Indigo, amplamente conhecidas pelo público. Além disso, a HP anunciou a nova linha HP PageWide, modelo C500 Press. Ela usa tecnologia jato de tinta térmica, denominada PageWide, e foi projetada para impressão direta sobre papelão ondulado, com qualidade offset. A impressão é feita com tintas à base de água aprovadas para embalar alimentos. A empresa espera elevar o nível de efi­ciên­cia da produção de rótulos em sistemas 
combinados com impressoras Indigo.

Um dos problemas da impressão de rótulos e embalagens com tinta à base de água está no fato de a água molhar o substrato celulósico, dificultando o registro e diminuindo a resolução, e de não secar por penetração em substrato plástico ou metálico. Os fabricantes de máquinas jato de tinta so­lu­cio­na­ram o problema com relação ao papel lançando mão do pré-​­tratamento com primers. Na Drupa, uma empresa de produtos químicos, a Kao, afirmou ter so­lu­cio­na­do a questão também com os filmes. A proposta da Kao é uma combinação de sua tinta aquosa com pigmentos de tamanho nano e um agente de dispersão semelhante ao utilizado em detergentes líquidos. Os polímeros do agente cercam as nanopartículas de pigmento e as dis­tri­buem uniformemente dentro das gotas sobre a superfície da película. Essa interação asseguraria uma impressão estável e de alta qualidade em embalagens flexíveis com tintas que não contêm compostos orgânicos voláteis. Seu sistema seria o primeiro para impressão a jato de tinta, base de água, livre de VOC, dedicado à impressão de filmes flexíveis. A empresa já está trabalhando em uma parceria com um fabricante para o desenvolvimento de uma impressora jato de tinta, rolo a rolo, de nome FXIJ‑1 Aqua, 
com resolução de 600 dpi, e banda de 540 mm.

Impressão digital
O mercado todo aguardava o anúncio de Benny Landa da disponibilidade co­mer­cial das primeiras máquinas que empregam a nanografia. E ele prometeu que serão entregues em 18 meses. A maior inovação com relação à tecnologia que marcou a Drupa an­te­rior foi a Nano-​­Metallography, voltada para a produção de embalagens. A partir de tintas compostas de partículas metálicas de tamanho de alguns nanômetros, sua aplicação ini­cial é para o enriquecimento do impresso, na linha do hot stamping. Segundo o fabricante, o novo processo foi projetado para ter um custo 50% menor do que os processos atuais de metalização. Ini­cial­men­te é cria­da uma imagem de aderência e depois o substrato entra no módulo de metalização que possui um rolo entintador e a tinta com nanopartículas metálicas.

As partículas são atraí­das para a imagem de aderência e o resultado é uma imagem metalizada.
A feira mostrou a adoção generalizada da tecnologia digital entre os fabricantes de máquinas de banda estreita a bobina, para rótulos e etiquetas. Todos os grandes fabricantes têm uma solução digital, principalmente máquinas híbridas que utilizam unidades flexográficas para aplicações de lâminas metálicas e outras formas de acabamento. Há máquinas totalmente digitais, enquanto em outras a impressão digital é usada principalmente para via­bi­li­zar as baixas tiragens, ou a personalização dos produtos, em conjunto com alguma 
unidade de impressão flexográfica.

Segundo a HP, os sistemas de impressão PageWide são “uma nova classe de jato de tinta” que podem facilmente capturar volumes e aplicações da impressão offset. De forma sistemática a HP tem di­re­cio­na­do seus esforços para o mercado edi­to­rial com livros impressos digitalmente, sob demanda ou não. A Arquitetura de Bicos de Alta Definição (HDNA) lança gotas duplas de tamanhos diferentes. Se for necessário é duplicada a velocidade de lançamento fornecendo passagens mais sua­ves e maior qualidade e produtividade na saí­da. Soluções de aplicação em linha de um primer aumentam a va­rie­da­de de substratos e deve reduzir os custos das mí­dias, tornando a PageWide mais competitiva nos mercados convencionais. Um dos modelos expostos 
promete 8.727 páginas A4 por minuto.

A Kodak anunciou sua retirada do mercado de jato de tinta, o que parece loucura, mas poderá ser visto como um movimento de bom senso se o mercado ficar muito acirrado, como tudo indica. Na Drupa a empresa apresentou o Inkjet 4, sistema ba­sea­do na sua tecnologia de jato de tinta contínuo Ul­tra­S­tream, projetado para parceiros OEM. O segmento de jato de tinta está a venda, segundo seu diretor, Phil Cullimore, uma decisão difícil para a Kodak.

Impressão industrial
Impressão in­dus­trial, es­sen­cial­men­te, é similar à impressão gráfica: um jato de tinta é esguichado sobre um substrato, embora normalmente a construção de um sistema de impressão in­dus­trial seja radicalmente diferente de uma impressora con­ven­cio­nal. Em impressão in­dus­trial o ponto de partida é o grupo de componentes, particularmente as tintas e os cabeçotes de impressão. Todos concordam que o produto que está sendo fabricado determina a tinta e o que ela deve fazer no sistema para que o processo de impressão trabalhe de forma integrada. Na maioria dos casos, a impressão in­dus­trial acompanha algum processo dinâmico de produção como componente coad­ju­van­te, a exemplo da impressão de rótulos diretamente sobre frascos que correm numa esteira de engarrafamento.

Texto publicado na edição 97

 
Nosso homem em Paris Imprimir E-mail
Escrito por Norberto Gaudêncio   
Seg, 05 de Setembro de 2016

Alguns capítulos da história parecem exercer mais fascínio do que outros. Pensemos, por exemplo, na própria história do Brasil. Ainda que tantos epi­só­dios caiam em relativo esquecimento (o leitor se recorda, por exemplo, da Guer­ra dos Em­boa­bas?), outros, como a declaração da Independência ou mesmo o tor­tuo­so pe­río­do do Regime Militar parecem dotados de maior capital simbólico no imaginário popular. Não só porque talvez sejam historicamente mais significativos, mas, principalmente, porque foram fartamente abordados por produtos da indústria cultural, como livros, filmes, ou mi­nis­sé­ries televisivas. Com a história desta que chamamos de cultura gráfica, parece ocorrer o mesmo. A venerável Bíblia de 42 linhas de Gutenberg é, naturalmente, o exemplo mais óbvio de culto. Outro capítulo de predileção dos apaixonados por tinta e papel é a chamada belle-​­époque do cartaz francês, geralmente pe­rio­di­za­da entre as duas últimas décadas do século XIX e a primeira década do século XX, e protagonizada por nomes que se tornaram figurinhas fáceis em qualquer história da comunicação impressa como Jules Chéret e Toulouse-​­Lautrec.

Muitos artigos mais competentes do que este se­riam ne­ces­sá­rios para dar conta da riqueza da história cultural desse pe­río­do, que nos legou aquilo que o se­mió­lo­go francês Roland Barthes chamou de imagística: uma reserva de símbolos culturais que servem de elo com o passado, transformam-​­se em re­fe­rên­cias, signos do imaginário de um país, de uma cidade, ou até mesmo de um bairro. Mesmo o mais desatento dos turistas, ao percorrer as ruas de Paris, sobretudo do mítico bairro de Montmartre (que se notabilizou por ter abrigado os ate­liês de muitos artistas modernistas, do já citado Toulouse-​­Lautrec a Pablo Picasso), certamente se deparará com essa imagística impressa nas mais diversas bugigangas que lhe são ofertadas: cartazetes, bonés, imãs decorativos, camisetas etc. O que muitos turistas brasileiros provavelmente desconhecem é que um artista conterrâneo, praticamente ignorado pelas páginas da história do design, residiu e trabalhou no bairro de Montmartre nesse pe­río­do. E lá se estabeleceu como um dos mais requisitados artistas gráficos devotados a atender o mundo dos espetáculos. Sim, caro leitor, tivemos o nosso homem em Paris nesse momento tão paradigmático da história da comunicação impressa.

A carreira de Cândido Aragonez de Faria é usual­men­te dividida em três pe­río­dos: o brasileiro (1866–1879), em que o artista teve uma prolífica participação nas publicações caricatas de seu tempo; o argentino (1879–1882), quanto estendeu essa atua­ção para alguns dos principais pe­rió­di­cos portenhos e, por fim, o pa­ri­sien­se (1882–1911), quando instalou um bem sucedido ateliê na então capital artística do mundo, dedicando-​­se, sobretudo, à ilustração de cartazes e partituras musicais para artistas da so­cie­da­de do espetáculo que então emergia. Foi, portanto, contemporâneo de alguns dos nomes ilustres da história da arte e do design acima citados.

Filho de um con­cei­tua­do médico, Faria nasceu em 12 de agosto de 1849 na cidade de Laranjeiras, em Sergipe. Mas o destino reservou ao seu pai uma morte prematura, em 1855, fato que obrigou a família Faria a se transferir para o Rio de Janeiro. Sua mãe faleceu pouco depois, em 1860, deixando os filhos amparados por uma pensão concedida pelo Império. No Rio de Janeiro, Faria frequentou a Academia Im­pe­rial de Belas-​­Artes. Especula-​­se que, apesar da formação acadêmica, as dificuldades financeiras o afastaram do cavalete e o levaram a se debruçar sobre as pedras litográficas, aperfeiçoando-​­se na arte da caricatura, tornando-​­se um dos artistas mais engajados no vibrante cenário das publicações ilustradas do Segundo Império, tendo colaborado com O Mosquito, O Fígaro e O Mequetrefe, dentre outras. Não se sabe o que motivou a ida de Faria a Bue­nos Aires, em 1879, onde se estabeleceu nos três anos seguintes colaborando com importantes pe­rió­di­cos ilustrados portenhos, como La Cotorra e El Gráfico. Dois pontos merecem ser destacados nessa curta estadia portenha: o primeiro contato do artista com a cromolitografia e a amizade travada com o ilustrador franco-​­argentino Carlos Clérice, que o acompanharia na travessia do Atlântico.

Os dois artistas chegaram em Paris em 1882 e não demoraram a estabelecer uma boa reputação como ilustradores. Uma nota do jornal Le Figaro, datada de 17 de junho de 1884 contava aos seus leitores como “os desenhos tão notáveis do Enfant d’une vier­ge, o romance de Alfred Sirven, cujo sucesso se acentua a cada dia, são de Clérice e Faria, artistas americanos bem conhecidos em Paris”. Mas o brasileiro brilharia por conta própria. Além da ilustração de livros, Faria colaborou para alguns pe­rió­di­cos ilustrados de renome, como La Caricature, Le Monde Illustré, Le Petit Français Illustré, La Musique pour Tous e Le Papillon. Porém, foi com a ilustração de partituras musicais e cartazes para os artistas dos entretenimentos populares do pe­río­do, sobretudo do café-​­concerto, que tornou o 
artista brasileiro notório em Paris.

Durante muito tempo a canção não foi conhecida por sua forma editada, sendo transmitida oralmente, fosse en­toa­da em cultos re­li­gio­sos, cabarés cantantes ou mesmo executadas na rua por músicos ambulantes. O século XIX na França testemunhou um processo de massificação cultural, fruto de uma vertiginosa evolução técnica, econômica e so­cio­cul­tu­ral, que possibilitou o crescimento ex­po­nen­cial do público leitor (os jornais, por exemplo, se popularizaram nesse pe­río­do) e que levou, inevitavelmente, a uma diversificação dos formatos e canais de difusão para a música impressa. Daí o desenvolvimento do chamado petit format, o mais popular dos formatos, uma partitura reduzida, medindo aproximadamente 17 × 27 cm e co­mer­cia­li­za­da ao custo de poucos centavos. Esses pequenos formatos nada mais eram do que uma folha de papel rudimentar dobrada ao meio, configurando quatro páginas. Uma vez aberta, a página da esquerda era dedicada à notação musical, que usual­men­te era inscrita apenas nos primeiros versos ou no refrão da canção, ao passo que a página da direita era quase que exclusivamente reservada para a letra. Tais partituras po­diam ser impressas em cores, apenas em preto, ou outra tinta monocromática. Ao contrário dos grandes formatos, utilizados
como partituras para pia­no, os pequenos formatos po­diam ser facilmente transportados e ma­nu­sea­dos, daí sua popularidade ter coincidido com a prática das canções en­toa­das em estabelecimentos es­pe­cia­li­za­dos, como o café-​­concerto.

As ilustrações impressas na capa dessas partituras ser­viam não só de protocolo de leitura, ilustrando a temática da canção, mas também como importante recurso publicitário para propagar a imagem dos artistas então em voga nos palcos. Muitos desses artistas pos­suíam uma imagem pública meticulosamente cons­truí­da a partir de um traje excêntrico, de um ges­tual, de efeitos vocais específicos ou de um repertório que pri­vi­le­gias­se a fácil memorização por parte do público. Ao artista gráfico cabia a tarefa de traduzir em traços e cores algumas dessas características. Como foi o caso de Paulus, considerado o mais popular dentre os cantores masculinos dos palcos de então, e que teve em Faria o maior propagador de sua imagem. Paulus era conhecido como gambillard, por emular no palco os gestos e deslocamentos de uma ma­rio­ne­te, e o artista brasileiro soube retratar com maes­tria as trocas de identidades e personagens desse performático em centenas de partituras musicais.
Além das partituras musicais, a partir da década de 1890, Faria deu início a uma prolífica carreira como ilustrador de cartazes para os entretenimentos populares que já atendia, atuan­do, portanto, no mesmo campo que consagrou nomes hoje canonizados como Chéret, Toulouse-​­Lautrec, Steinlen etc. No entanto, se comparada a esses nomes que ajudaram a cimentar uma linguagem gráfica inovadora para o design, a produção cartazística de Faria foi em certa medida mais conservadora, pois o artista, ao utilizar fo­to­gra­fias como principal re­fe­ren­cial imagético, preferiu investir no rea­lis­mo nos retratos dos personagens que retratava, fato que pode ter con­tri­buí­do para o relativo esquecimento de seu nome pela história das artes gráficas e do design. Também nessa década Faria instalou-​­se em um ateliê localizado na rua de Steinkerque, no pé da colina de Montmartre.

Porém, se o artista brasileiro não comungou plenamente dos prin­cí­pios modernistas de seus pares (ainda que fizesse uso de alguns de seus recursos), coube a ele o pioneirismo de ter ilustrado o primeiro cartaz pensado para promover in­di­vi­dual­men­te um filme em toda a história do cinema: Les Victimes de l’al­coo­lis­me, lançado em 1902 pela companhia cinematográfica Pathé. Cabe sa­lien­tar uma diferença: antes do feito de Faria já exis­tiam cartazes para o cinema, mas eles não anun­cia­vam um produto específico, apenas ilustravam o aparato cinematográfico ou mesmo a sala de projeção e o público do cinema. O brasileiro também realizou cartazes desse tipo, com resultados notáveis.

A companhia Pathé é considerada a primeira a organizar um modelo ra­cio­nal de produção cinematográfica ao investir em inovações como os es­tú­dios de filmagem, ate­liês de figurino e cenário, la­bo­ra­tó­rios de cópia e colorização, fabricação de aparelhos, além, claro, da produção de filmes dos mais diversos gêneros. Em suma, antecipou um conjunto de práticas e uma organização in­dus­trial que se tor­na­riam comuns na produção holly­woo­dia­na do século seguinte. Esse processo de pro­fis­sio­na­li­za­ção fez com que a Pathé, e outras empresas que seguiram seu modelo, investissem em métodos pu­bli­ci­tá­rios efi­cien­tes para divulgar seus produtos. A coop­ta­ção de um ateliê como o de Faria para essa tarefa é apenas um exemplo da mudança de comportamento.

Cândido de Faria foi o artista que mais colaborou com a Pathé nesses anos de gestação da linguagem cinematográfica. Ainda que distintos, uma característica une a concepção de lay­out de seus cartazes para a Pathé: a necessidade de apresentar de maneira didática a história para o espectador do cinema, ainda pouco afeito à linguagem do novo gênero de entretenimento. O cartaz de Victimes, por exemplo, apresentava didaticamente a história por meio de quadros, ou tableaus, tendo em vista as de­fi­ciên­cias narrativas desse primeiro cinema que ainda não contava com o som. Outro recurso utilizado com maes­tria pelo brasileiro foi o de congelar o tempo forte, a cena mais engajadora do filme com significativos resultados expressivos. Destaca-​­se que tais cartazes, que já não eram mais impressos com pedras litográficas mas sim com placas de zinco (que antecederam o processo de offset), po­diam chegar a formatos generosos (a Pathé trabalhava com o muito utilizado 120 × 160 cm para uma folha, 80 × 120 cm para meia folha e 240 × 320 cm para um cartaz de quatro folhas), impactando  significativamente o olhar dos transeuntes.

Quan­ti­fi­car a produção de Faria em Paris seria não só uma tarefa exaustiva como fadada ao fracasso. Uma consulta ao acervo da Bibliothèque Na­tio­na­le de France ofereceu números que apontam para o protagonismo de Faria como um dos principais desenhistas, senão o principal, es­pe­cia­li­za­do na ilustração de partituras ilustradas, com im­pres­sio­nan­tes 1.045 documentos creditados por ele. Ainda que em menor medida, essa dimensão produtiva pode ser aplicada para os seus cartazes. O autor deste artigo, que recentemente defendeu uma tese de doutorado sobre Faria, ao término do estudo carregou uma certeza: o brasileiro foi um dos artistas gráficos mais requisitados em Paris no final do século XIX, e as imagens que produziu decerto colaboraram para definir parte da imagística citada parágrafos acima. Faria pode não ser tão cul­tua­do como alguns de seus con­tem­po­râ­neos de melhor fortuna crítica, mas deixou sua marca, principalmente entre aqueles que contratavam e con­fia­vam em seu trabalho. Uma nota publicada na edição de 27 de janeiro de 1912 do jornal L’artiste lyrique, autointitulado “órgão da ­União sindical e mu­tual dos artistas líricos, espetáculos, circos e music-​­halls”, anunciou um “desmentido” sobre o boa­to da morte de Faria: “Nos meios teatrais e de espetáculos correu o boa­to que não se­riam mais vistos os belos cartazes que ­saíam do ateliê do desenhista Faria. Esta notícia está completamente equivocada, nós estamos felizes pelos artistas e pela arte do cartaz”.

O boa­to, infelizmente, era verdadeiro. Cândido de Faria faleceu meses antes desse desmentido, em 17 de dezembro de 1911. Seu ateliê manteve-​­se ativo até 1956 sob a responsabilidade de seu filho, Jacques de Faria, também artista gráfico. Os restos mortais de Cândido repousam no tranquilo cemitério de Saint-​­Vincent de Montmartre, considerado por muitos “o verdadeiro cemitério mont­mar­tria­no”, por não abrigar figuras estrelares capazes de an­ga­riar um séquito de turistas, mas sim nomes que de fato con­tri­buí­ram para consolidar a aura desse bairro boê­mio tão querido e admirado pela história

Norberto Gaudêncio é designer gráfico e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Coordena o curso de pós-graduação Planejamento e Produção de Mídia Impressa da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. Doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, é autor dos livros A Herança Escultórica da Tipografia (2004) e Cultura Gráfica (2010), publicados pela Edições Rosari.

Texto publicado na edição 97

 
A linotipo e a reprodução fotográfica Imprimir E-mail
Escrito por Manoel Manteigas de Oliveira   
Qui, 19 de Maio de 2016

Origens

A invenção da tipografia por Gutenberg foi um fato da maior importância na história da humanidade e transformou radicalmente a maneira como livros e outros documentos eram reproduzidos. Até então todos os livros tinham que ser co­pia­dos um a um, num processo muito demorado. Por isso os livros eram muito raros e somente pes­soas ricas ou poderosas po­diam tê-​­los. A esmagadora maioria da população era analfabeta porque não havia mesmo muito o que ler.
A invenção da tipografia na metade do século XV foi um grande avanço para a reprodução rápida dos textos, mas as imagens con­ti­nua­vam a ser feitas a partir de matrizes feitas à mão. Essas matrizes eram tá­buas de madeira gravadas em alto relevo (xilografia), chapas de metal gravadas em baixo relevo (calcografia) ou pedras desenhadas com subs­tân­cias gordurosas (litografia). No entanto, as técnicas de composição e impressão dos textos con­ti­nua­ram avançando, assim como os métodos de
reprodução de ilustrações.


Aula de linotipia no Senai nos anos de 1950

A segunda revolução decisiva para as artes gráficas, após a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, foi a cria­ção da composição mecânica. Na composição ma­nual de Gutenberg, os tipos eram recolhidos um a um de seus compartimentos na caixa tipográfica e agrupados para formar palavras e linhas. As linhas reunidas cons­ti­tuíam a forma tipográfica.
Em 1886 o alemão Ottmar Mergenthaler inventou a máquina linotipo. Esse equipamento permitia que a composição do texto fosse feita a partir do acio­na­men­to de um teclado e muito mais rapidamente do que no processo ma­nual. Ao digitar o texto, matrizes das letras em baixo relevo eram juntadas formando a linha. Em seguida, uma liga de chumbo, antimônio e estanho, derretida a 270° C, era injetada nas matrizes em baixo relevo e uma linha inteira era moldada.
O fun­cio­na­men­to dessa máquina é extremamente complexo. Seu projeto e construção é uma obra de gênio. Quem tiver interesse em conhecer melhor o assunto pode ver o documentário Linotype the Film, do diretor americano Douglas Wilson, e também reler artigos que já foram publicados aqui na Tecnologia Gráfica. O trailer do filme está disponível no site www.linotypefilm.com. A bi­blio­te­ca da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris tem o filme disponível em DVD e legendado. Até hoje ainda existem máquinas de linotipo em fun­cio­na­men­to em algumas gráficas, como na Fael­pa Artes Gráficas, de Paulo Cerullo, no bairro da Moo­ca. A escola também mantém em fun­cio­na­men­to uma linotipo, em parceria com a ONG Oficina Tipográfica São Paulo, que se dedica a preservar o conhecimento e as técnicas tipográficas tradicionais.


Aula de composição manual no Senai na década de 1950

A reprodução de imagens teve um grande avanço com o desenvolvimento da fotografia. A descoberta de que a luz podia modificar quimicamente subs­tân­cias e que esse fenômeno poderia ser usado para a reprodução de imagens data do início do século XVI, mas 1826 é considerado ofi­cial­men­te como o ano em que a primeira fotografia foi feita.
O inventor do processo foi o francês Joseph-​­Nicéphore Niép­ce. Nas suas pesquisas ele descobriu que algumas subs­tân­cias mudam suas pro­prie­da­des quando expostas à luz. Uma delas é o betume da Judeia, obtido a partir do petróleo, que se torna insolúvel sob o efeito da luz. Niép­ce recobriu com ele uma chapa metálica e sobre ela colocou um desenho feito em papel translúcido. Expôs tudo à luz do sol. A luz atravessou as ­­áreas transparentes e agiu sobre o betume tornando-​­o insolúvel. Onde o desenho era opaco a luz não conseguiu atingir o betume e ele não sofreu alterações. Em seguida Niép­ce revelou a imagem com um solvente adequado, que removeu apenas o betume que não tinha recebido luz. Finalmente submeteu a chapa metálica ao ataque de um ácido. A substância corroeu o metal apenas onde ele estava desprotegido porque não estava mais recoberto pelo betume. O resultado foi uma matriz, chamada de clichê, que podia ser usada para impressão.
Os clichês po­diam ser montados em bases de madeira, ficando da mesma altura dos tipos móveis e fazendo parte da forma tipográfica. Dessa maneira abriu-​­se a possibilidade de imprimir imagens e textos numa mesma operação. Tal técnica passou a ser cada vez mais aplicada. O metal mais usado era o zinco, gravado com ácido nítrico. Ao invés de desenhos feitos em papel translúcido, passaram a ser usadas fo­to­gra­fias em negativo, tiradas dos originais desenhados. Essas fotos — depois chamadas de fotolitos — eram feitas em grandes máquinas fotográficas. A escola conserva uma dessas câmeras, com o corpo ainda de madeira. O método continuou a ser usado por muito tempo, até mais ou menos 30 anos atrás, quando a computação gráfica e os escâneres começaram a substituir os processos fotolitográficos.


Câmera fotográfica

O mesmo princípio foi também usado para se co­piar imagens sobre pedras litográficas e sobre chapas de metal para calcografia. Nos dois casos recobria-​­se a superfície com betume da Judeia ou outra substância com pro­prie­da­des semelhantes. Em seguida fazia-​­se a exposição à luz através de desenhos em papel ou de fotolitos. Na pedra litográfica, após a revelação, fazia-​­se uma gravação com ácido, porém muito leve, apenas o su­fi­cien­te para ajudar na fixação da tinta gordurosa que compunha a imagem. No caso da gravação em metal, o ácido — na verdade uma solução de cloreto de ferro — cor­roía o metal em profundidade su­fi­cien­te para a retenção da tinta.

Manoel Manteigas de Oliveira é diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e diretor técnico da ABTG.

Artigo publicado na edição nº 96.

 
Indústria 4.0 e a rede digital na Drupa 2016 Imprimir E-mail
Qui, 19 de Maio de 2016

Nos 19 pavilhões do Centro de Exposições de Düsseldorf, na Alemanha, de 31 de maio a 10 de junho, a Drupa receberá cerca de 1.650 expositores, de mais de 50 países, em uma demonstração da versatilidade e força inovadora da tecnologia gráfica.


Dentro de um novo alinhamento estratégico, com o seu pe­río­do de duração reduzido para onze dias (eram 14) e a pe­rio­di­ci­da­de passando, a partir de agora, de quatro para três anos, a principal feira in­ter­na­cio­nal de impressão e crossmedia terá início no dia 31 de maio. Sob o tema Touch the Future, a Drupa 2016 coloca em foco a energia inovadora do setor e fornece uma plataforma às tec­no­lo­gias do futuro. Soluções avançadas estarão no centro das atenções, abrangendo os processos de impressão, produção de embalagens, multicanal, impressão 3D, impressão fun­cio­nal e impressão verde. “Estamos claramente no caminho certo, com essa reo­rien­ta­ção estratégica e a escolha do foco no futuro, pois a ressonância do evento junto à indústria de fornecedores internacionais é muito positiva, dissipando as dúvidas que pairavam no ar tendo em conta a difícil conjuntura do mercado”, declara Werner M. Dornscheidt, presidente e CEO da Messe Düsseldorf GmbH, organizadora do evento.

Claus Bolza-​­Schünemann, presidente da Koe­nig & Bauer AG e do comitê organizador da Drupa, ressalta que a Print 4.0 (indústria 4.0) será a tendência dominante na feira. “A Print 4.0 permite a in­di­vi­dua­li­za­ção e personalização na impressão digital. Em virtude da rápida evolução e diversificação da gama de soluções na impressão in­dus­trial1 e fun­cio­nal2 das embalagens de alta qualidade, essa integração de equipamentos e sistemas oferece a solução e a garantia para maior efi­ciên­cia e competitividade”.

Eventos técnicos paralelos
O programa de eventos técnicos da Drupa 2016, incluindo o Drupa In­no­va­tion Park, o Drupa Cube, a Pepso – Printed Electronics Products and So­lu­tions (impressão de componentes eletrônicos e soluções), a 3D fab+print (impressão 3D) e o Touchpoint Packaging (ponto de encontro da embalagem), apresenta possibilidades potenciais e inovadoras aos diferentes grupos de visitantes.
Um dos principais temas na feira será a produção de embalagens. Previsões ­atuais apontam que o mercado de embalagens chegará a US$ 985 milhões de dólares até 2018. O Touchpoint Packaging, com a participação de 20 expositores, reflete a relevância desse mercado. Ocupando o estande B53 no pavilhão 12, trata-​­se de um fórum es­pe­cial desenvolvido em conjunto, tanto na concepção quanto na execução, com a Eu­ro­pean Packaging Design As­so­cia­tion, EPDA. Para atender as necessidades específicas das diferentes in­dús­trias usuá­rias, o Touchpoint Packaging divide-​­se em quatro “la­bo­ra­tó­rios futuros”: food & beverage (alimentos e bebidas), non-​­food (não ali­men­tí­cios), pharma
(far­ma­cêu­ti­cos) e cosmetics (cosméticos).
Outro tema de destaque será a impressão 3D. Não deve ser subestimado o po­ten­cial dessa tecnologia adi­cio­nal, conforme afirma a diretora da Drupa, Sabine Geldermann: “Acima de tudo, o negócio de peças de reposição, assim como o design de embalagens, oferece grandes oportunidades para os fabricantes de equipamentos e usuá­rios, mas também para os prestadores de serviços de impressão”. O 3D fab+print, no estande C41 do pavilhão 7A, apresentará a tecnologia ­atual mais inovadora e cases das melhores práticas. Fornecedores de tecnologia e usuá­rios, expositores e visitantes, vi­sio­ná­rios e praticantes, todos podem convergir nesse espaço, absorvendo o conhecimento e participando dessa rea­li­da­de.
A impressão fun­cio­nal também aponta para o futuro, com muitos exemplos de aplicações para a impressão de componentes eletrônicos em nível mun­dial. Sensores de toque em su­per­fí­cies aparentes, alto-​­falantes blue­tooth em papel ou tintas condutoras, graças às novas tec­no­lo­gias de impressão já não são mais uma ficção cien­tí­fi­ca. A Drupa 2016 aborda esse tema si­mul­ta­nea­men­te, em diversos aspectos:
1. Vá­rios expositores apresentarão em seus estandes, sob a marca Pepso, o tema produtos de impressão de componentes eletrônicos e soluções.
2. A Organic Electronics As­so­cia­tion (OE‑A) vai detalhar o tema com seus as­so­cia­dos no pavilhão 7.0.
3. A Esma – The Eu­ro­pean for Screen­prin­ting, Digital and Flexoprinting Tech­no­lo­gies organizará nos pavilhões 6 (estande C02) e 3 (estande A70) um programa sobre as suas ­­áreas de atua­ção.
4. A VDMA, no pavilhão 7A (estande B13), oferecerá uma série de atividades dentro do seu Showcase In­dus­trial Printing.
Pequenas empresas e start-​­ups, além de protagonistas globais com soluções vanguardistas, estarão no centro do Drupa In­no­va­tion Park com avanços im­pul­sio­na­do­res e cases de ne­gó­cios em torno de soluções de impressão e edição. O Dip Energy Lounge, no pavilhão 7.0, dará destaque a inovações, soluções e exemplos de ne­gó­cios. Apresentações, palestras e entrevistas completam a proposta de cerca de 130 expositores no Dip.



O Drupa Cube terá uma abordagem di­fe­ren­cia­da, com o tema Entertaining, Educating, Engaging. O foco desse programa de eventos e con­fe­rên­cias, no estande D03 do pavilhão 6, estará voltado ao poder inovador da impressão e as múltiplas possibilidades de aplicação dos produtos impressos. Os organizadores colocam Frans Johansonn, fundador e CEO do in­ter­na­cio­nal­men­te conhecido Medici Group, como um parceiro inovador. Johansonn quebrou paradigmas e causou grande sensação com o seu livro The Medici Effect, passando a representar, desde então, o pensamento e ações fora dos parâmetros convencionais, conhecidos como o princípio out-​­of-the-​­box (fora da caixa). Além das suas duas palestras nos dias 31 de maio e 2 de junho, serão apresentadas durante a feira outras cerca de 40 palestras de es­pe­cia­lis­tas internacionais.

1 Impressão de placas eletrônicas, circuitos, layers de celulares e notebooks, etiquetas com radiofrequência, cartões de crédito com chips etc.

2 Impressão de objetos e materiais, desde tecidos, cerâmica e vidro até móveis e alimentos.

Texto produzido pela equipe da Messe Düsseldorf GmbH, organizadora da Drupa.

Artigo publicado na edição nº 96.

 
Qualidade do público: ponto alto da Fespa Brasil/ExpoPrint Digital Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Qui, 19 de Maio de 2016

Qualidade e objetividade do público agradaram os expositores. 12.816 profissionais visitaram a mostra.

Entre os dias 6 e 9 de abril foi rea­li­za­da em São Paulo a Fespa Brasil 2016/ExpoPrint Digital/Brasil Label. O evento ocupou um dos pavilhões do Expo Center Norte e recebeu 12.816 visitantes, que foram à feira para conhecer as novidades de 104 expositores voltados para os segmentos de impressão digital, comunicação vi­sual, estamparia, rótulos e etiquetas, sublimação, baixas tiragens, grandes formatos, decoração de in­te­rio­res e sinalização. Mesmo refletindo a crise, expressa no encolhimento do espaço de exposição e de participantes, o evento agradou àqueles que nele apostaram. “A Fespa 2016 superou nossas expectativas pela qualificação dos visitantes, que tinham o objetivo de rea­li­zar ne­gó­cios, na maioria pes­soas in­fluen­tes ou que real­men­te têm o poder de decisão de compra. Isso nos permitiu atender nossos clien­tes de maneira di­fe­ren­cia­da, conhecer clien­tes potenciais, fechar ne­gó­cios e propor novas ne­go­cia­ções”, afirmou Sidnei Marques, diretor de Operações da Ampla Impressoras Digitais. No dia 7, Fabio Rosa, gerente de mar­ke­ting da Ricoh, já registrava a venda de impressoras. “Ontem recebemos um número de pes­soas acima do normal para um primeiro dia e fechamos ne­gó­cios.” Para Wil­lians Lotti, gerente de produtos da Roland DG, trata-​­se de uma feira bem focada, que recebe profissionais interessados em novas tec­no­lo­gias.
Afora a apresentação dos produtos, o evento acolheu sessões educacionais. Nos dias 6 e 7 aconteceu a terceira edição do Congresso de Comunicação Vi­sual e Impressão Digital, com es­pe­cia­lis­tas do segmento debatendo ten­dên­cias, tecnologia e otimização de processos. No dia 8 ocorreu a Digital Textile Conference para discutir a estamparia digital e no último dia, pela primeira vez, o Su­bli­ma­tion Day, analisando os caminhos no setor de impressão. Conheça a seguir os principais produtos expostos.

Ampla
Única fabricante 100% brasileira no mercado de equipamentos de impressão digital para grandes formatos, a Ampla destacou sua linha de impressoras New Targa XT, com as tec­no­lo­gias solvente e LED UV. Apresentada na Serigrafia Sign, em julho do ano passado, a linha conta com recursos como o AmplaSmart para monitoramento em tempo real das principais funções do equipamento, take-​­up duplo dianteiro e traseiro, sistema AntiReverse para maior estabilidade na alimentação e no rebobinamento de mídia. As impressoras são projetadas para trabalhar em longos ciclos de produção e conta com o chassi monobloco AmplaCore que confere robustez, con­fia­bi­li­da­de e estabilidade aos equipamentos. A New Targa XT LED UV esteve em operação no estande da própria Ampla e a versão solvente no espaço da Vinil Sul, novo parceiro de ne­gó­cios da fabricante. A versão LED UV 3208, com oito cabeças de impressão, boca de 3,20 m e velocidade máxima no modo rascunho de 57 m²/h, custa R$ 329 mil. Também com largura de 3,20 m, o modelo mais rápido da série tem 16 cabeças e atinge 100 m²/hora no modo rascunho.



Mesmo sem a impressora em exposição, a empresa aproveitou o evento para divulgar aos clien­tes o lançamento da Elite 3204. Versão compacta da New Targa, produz até 80 m²/hora e representa uma opção de menor custo para o empresário que pretende ingressar no segmento de grandes formatos. O equipamento tem quatro cabeças de impressão e 3,20 m de largura de entrada das mí­dias.

Akad
O foco foi a impressora Novajet UV M6 com cabeçote Ricoh Gen5 de sete picolitros, a mais recente geração Ricoh em cabeças de impressão para tinta UV. Com alimentação de mesa (flatbed) e tamanho máximo de impressão de 2,50 m por 1,22 m, pode imprimir a uma velocidade de 40 m²/h no modo 600 dpi × 600 dpi com quatro cabeças. Existe a possibilidade de configurar a máquina com até sete cores. O sistema pode trabalhar com diversos substratos como papelão corrugado, placas de espuma, PVC, painéis com compostos à base de alumínio, MDF, pa­péis de parede, cerâmica, vidro, acrílico, madeira, metal, papel, couro, vinil ou baners. Dependendo do ma­te­rial, não há necessidade
de tratamento es­pe­cial.
Na linha de corte e gravação a laser e plotter de recorte, a Akad mostrou o equipamento de entrada da linha Novacut. Com área útil de corte de 500 mm × 300 mm, o sistema possui abertura dianteira e traseira para permitir que objetos longos possam atravessar por dentro do equipamento. Essas portas aumentam a possibilidade de adequar placas ou objetos com comprimento su­pe­rior e abre perspectivas para mercados como os de sinalização, comunicação vi­sual, serigráfico, indústria têxtil e de brindes promocionais. Com potência do laser de 35 W, é capaz de rea­li­zar trabalhos em materiais como MDF, acrílico, couro, tecidos, entre outros.

EFI
Primeira feira para o mercado brasileiro depois da aquisição da fabricante ita­lia­na de soluções para impressão têxtil jato de tinta e serigrafia rotativa, a EFI levou para a Fespa/ExpoPrint Digital a EFI Reg­gia­ni Renoir Next. Trata-​­se de uma máquina sem esteira, que suporta impressão digital em substratos de até 1,80 m de largura, tecido ou papel, para aplicações industriais em decoração e moda. O equipamento pode ser usado com tintas à base de água em dispersão direta, tintas ácidas, pigmentadas, rea­ti­vas e de sublimação, oferecendo aos usuá­rios mais flexibilidade, além de alta velocidade. Essa versatilidade está também na configuração da máquina, que pode ser comprada com quatro cabeças de impressão e chegar até 16 cabeçotes. Seu custo FOB é de US$ 200 mil.

 

Gomaq
A Gomaq, distribuidora de equipamentos de impressão e serviços de terceirização de impressão, marcou sua presença na ExpoPrint Digital com a linha de impressoras e duplicadores digitais Riso. Ênfase foi dada à linha de impressoras Riso Com­Color, que trabalham em baixa temperatura, com pouco consumo de energia elétrica e utiliza tintas biodegradáveis. Os novos modelos são indicados para empresas que precisam fazer impressões coloridas com baixo custo e necessitam alta produtividade. Os equipamentos atingem velocidade de até 150 páginas por minuto e são indicados para impressão de fôlderes, apostilas, manuais, materiais de treinamento, jornais, impressos transacionais e promocionais, entre outros. As máquinas rodam gramaturas entre 46 g/m² e 400 g/m².

HP
A HP esteve presente com seu port­fó­lio de produtos com tecnologia de tintas látex: HP Latex 310, HP Latex 330 e HP Latex 360. A série tem como público alvo os birôs de impressão, gráficas rápidas, assim como pequenos e mé­dios fornecedores de serviço de impressão. Além dos equipamentos, os visitantes puderam conhecer as aplicações e a diversidade de mí­dias e acabamentos que fazem parte do di­fe­ren­cial da tecnologia látex. A versão 310, projetada para espaços pequenos, tem velocidade de até 48 m²/h, largura de 1,37 m e produção de até 12 m²/h. A Látex 330 atinge velocidade de até 50 m²/h, produção de até 13 m²/h e largura de 1,62 m. E o modelo 360, projetado para oferecer alta qualidade e alta velocidade, chega a 91 m²/h, produção de até 17 m²/h, e largura de 1,62 m. Assim como a 330, o sistema vem acompanhado de eixo de recolhimento, só que o modelo maior tem a capacidade de ­criar perfis de cores a partir do espectrofotômetro embutido.



Afora a linha Latex, a HP também expôs a impressora Scitex FB550. O equipamento oferece maior qualidade de imagem e sangramento total em larguras máximas com a mesma capacidade de impressão em praticamente qualquer mídia rígida ou flexível (até 2,5"). Além disso, a HP Scitex FB550 amplia a produtividade em 12% no modo de impressão de sinalização para am­bien­te interno e produz pedidos rapidamente ao carregar, imprimir
e coletar mídia si­mul­ta­nea­men­te.

Konica Minolta
Com um dos maiores estandes do evento, a Konica Minolta expôs pela primeira vez para o mercado latino-​­americano a impressora bizhub Press C1100, lançada ofi­cial­men­te em dezembro, e a bizhub Press C71hc, voltada a aplicações que exigem alta qualidade de cor e imagem, como o segmento de fotoprodutos. As novidades estavam ao lado da impressora digital de alto volume PB bizhub Press 1250P, da nova mul­ti­fun­cio­nal bizhub C308, e da mul­ti­fun­cio­nal colorida para fluxos de impressão mais robustos e de maior exigência em qualidade, bizhub Pro C1060L. A C1100 marca a entrada ofi­cial da Konica Minolta no segmento de alto volume em impressão digital colorida, com 100 páginas/minuto com alta qualidade de cor e imagem. O equipamento traz, entre seus diferenciais, a tecnologia de toner Simitri HDe, que, em sua nova geração, apresenta partículas de toner menores que melhoram a qualidade em impressão de tons de pele e otimizam as tonalidades magenta, in­fluen­cian­do na reprodução de cores difíceis como o vermelho-​­bronze. A impressora pode trabalhar com diferentes gramaturas de papel, indo de 55 a 350 g/m², e sua tecnologia de fusão a baixa temperatura minimiza o tempo de preparo caso se deseje, em sequência, alterar a gramatura da mídia. O modelo tem resolução equivalente de 1.200 × 1.200 dpi para reprodução de imagens e textos com alta definição, sistema de calibração de cor e de separação de folhas por fluxo de ar, o que assegura que o processo transcorra de modo sua­ve e sem pre­juí­zo de produtividade devido ao atolamento de mídia. Por sua vez, a bizhub Press C71hc conta com velocidade de até 71 páginas por minuto e tecnologia aprimorada de ge­ren­cia­men­to de cores que, alia­da à resolução de 1.200 × 1.200 dpi e à tecnologia de toner High Chroma, permite obter um amplo universo tonal no espaço sRGB.

Oki
As impressoras C941DP, para o mercado de envelopes, e a C711DW, voltada à produção de rótulos e etiquetas foram as estrelas do espaço da Oki Data. A primeira une três be­ne­fí­cios na hora da impressão: agilidade, alta definição de cores e a possibilidade de imprimir centenas de envelopes sem a necessidade de intervenção do usuá­rio, em formatos va­ria­dos — desde cartões de 6,4 cm × 9 cm até envelopes com 33 cm de largura. Isso com a adição do novo dispositivo de alimentação. O equipamento de cinco cores também rea­li­za trabalhos com toner branco ou transparente e tem resolução de 1.200 × 1.200 dpi. O modelo, com custo de US$ 30 mil, é fornecido com o ­Fiery C9 Server, garantindo o controle preciso das cores, a inclusão de dados variáveis e a completa gestão dos documentos. A C711DW é uma solução versátil para impressão de etiquetas e rótulos coloridos. Trata-​­se de um equipamento de linha reformulado para trabalhar com bobina. Com tecnologia HD Color, a impressora conta com calibração automática de cores e correção de tonalidades, permitindo a impressão rolo a rolo de etiquetas adesivas para baixas tiragens. A impressora está sendo vendida a US$ 50 mil.

Ricoh
O destaque foi a linha Pro C9100/Pro C9110, família que representa a nova geração de equipamentos de impressão digital de produção. O equipamento imprime até 130 páginas por minuto, com resolução de 1.200 × 4.800 dpi, em mí­dias até 500 g/m² e conta com pós-​­impressão integrada. Máquina robusta e de alta capacidade de processamento, é capaz de produzir até 130 páginas por minuto. Seu custo gira em torno de R$ 1,1 milhão. Estava em exposição também a Ricoh Pro C7100x, ­ideal para pequenas e mé­dias gráficas, com sofisticado acabamento, velocidade máxima de 90 páginas por minuto e qualidade de impressão de até 1.200 × 4.800 dpi. A impressora utiliza papel com gramatura até 360 g/m² e oferece acabamento diversificado, compatível com uma vasta gama de substratos, o que permite vá­rias aplicações como embalagens, rótulos, peças de mar­ke­ting, livros, folhetos e cartões de visitas.

 

Roland DG
A Roland DG lançou sua nova linha de impressoras sublimáticas para mercado têxtil e a nova geração da VersaUV LEF para empresa do ramo de brindes. A linha TexArt conta com os equipamentos RT‑640 e XT‑640, ambos di­re­cio­na­dos ao setor têxtil. Desenvolvida exclusivamente para aplicações em tecidos, a RT‑640 oferece acabamento de alta qualidade, refinamento nos detalhes, desempenho estável e velocidade de impressão de até 48 m²/h em quatro cores. Voltada para aplicações em ves­tuá­rio, sinalização, decoração para in­te­rio­res e artigos originais, a impressora, que custa R$ 98 mil, confere aos materiais tons mais fortes e vibrantes, pretos mais profundos, gradações sutis e um leque de cores mais amplo com a adição das novas tintas laranja e vio­le­ta.


Já a XT‑640 foi elaborada especificamente para a impressão por sublimação, com alta produtividade, atingindo uma velocidade de impressão de até 102 m²/h em quatro cores e qualidade máxima de até 1.440 dpi, garantindo maior con­fia­bi­li­da­de no resultado. O modelo por ser utilizado para confecção de trajes esportivos, moda, sinalização, decoração de in­te­rio­res, propaganda, entre outros. Conta ainda com cabeçotes duplos, sistema de tinta que permite uma impressão sem monitoramento e ras­trea­men­to preciso do ma­te­rial para uma produção em alto volume. O preço da XT‑640 é de R$ 138 mil.
Para mercado de brindes a Roland DG mostrou a nova geração da VersaUV, a LEF‑300, desenvolvida para atender grandes volumes, mantendo a alta qualidade de impressão. Com área de impressão am­plia­da para 770 mm de largura por 330 mm de comprimento, a máquina é capaz de acomodar itens de até 100 mm de altura e pode imprimir em uma grande va­rie­da­de de substratos, como PET, ABS e policarbonato, além de materiais ma­cios como TPU e couro, bem como itens tridimensionais (canetas, capas para smartphone, placas, brindes personalizados, itens promocionais e capas para laptop). A LEF‑300 sai por R$ 148 mil.

T&C
A linha Epson foi o destaque, com a impressora colorida de etiquetas ColorWorks TM‑C7500G, voltada para os pequenos volumes, e a impressora de grande formato SureColor S40600. O modelo compacto permite a impressão de etiquetas em uma única etapa, reduzindo custos de pré-​­impressão e armazenagem. A máquina atinge velocidade de até 300 mm por segundo com resolução de 600 × 1.200 dpi e conta com cabeçote fixo e permanente, com sistema de manutenção automático, cujas quatro polegadas de largura cobrem toda a extensão do ma­te­rial a ser impresso. Impressora mais rebobinador saem por R$ 89 mil. A SureColor S40600, que chega para substituir a S30, incorpora a nova geração de cabeças de impressão Epson Pre­ci­sion­Core TFP e as tintas reformuladas UltraChrome GS3. Tais inovações conferem alto rendimento e precisão, maior gama de cores e menor intervenção técnica. Um jogo de cartuchos (quatro cores) é capaz de imprimir, em média, 800 m². Di­re­cio­na­da ao mercado de comunicação vi­sual e birôs de impressão, atende clien­tes com tiragens mé­dias de 500 m² por mês e para aqueles que estão ini­cian­do no segmento decorativo com a produção de papel de parede personalizado. A S40600 imprime materiais entre 45 g/m² e 1 mm de espessura, com velocidade de 19 m²/h até 58 m²/h. Com alimentação rolo a rolo, tem largura máxima de 162 cm. Pode rodar folhas soltas, com tamanhos entre 43 × 56 cm até 153 cm de largura. Seu custo é de R$ 60 mil.

Artigo publicado na edição nº 96.

 
Breve história dos processos de reprodução Imprimir E-mail
Escrito por Manoel Manteigas de Oliveira   
Qui, 25 de Fevereiro de 2016


A partir desta edição publicaremos artigos sobre as origens dos processos gráficos. Acompanhe essa trajetória.

As artes gráficas remontam a mais de 30.000 anos, quando nossos ancestrais pintavam cenas de seu co­ti­dia­no nas paredes das cavernas que habitavam. Esse pe­río­do, até cerca de 6.000 anos atrás, é considerado pré-​­histórico. O pe­río­do histórico começa com o advento da escrita, 4.000 anos antes de Cristo. Sem a escrita não era possível o registro detalhado dos fatos acontecidos, portanto não poderia haver história.
Desde então o homem tem escrito e desenhado sobre diferentes materiais, entre eles placas de argila, pedras, peles de animais, cascas de plantas, tecidos e muitos outros, até finalmente desenvolver o papel, inventado pelo chinês T’sai Lun no ano 105 d.C. No entanto, somente quase mil anos depois o papel chegou à Europa, levado pelos árabes.


Por volta de 1450 d.C. Gutenberg inventou os tipos móveis e um método para imprimir com as formas tipográficas. Esse foi, sem dúvida, um dos acontecimentos mais importantes na história e mudou radicalmente, num tempo muito curto, os destinos da humanidade. Até então, embora os suportes tivessem evo­luí­do, o método de reproduzir textos e imagens con­ti­nua­va basicamente o mesmo desde o tempo das cavernas. Cada cópia de um documento era totalmente feita à mão. Toda a história, todos os mitos, todas as doutrinas re­li­gio­sas, todas as ciên­cias, a filosofia, a literatura. Enfim, tudo o que o espírito humano tinha sido capaz de ­criar era disseminado por via oral ou por meio de manuscritos feitos um a um. Uma cópia da bíblia, por exemplo, levava de 10 a 20 anos para ser produzida.
O advento da imprensa permitiu uma explosão na difusão do conhecimento. Por dezenas de milhares de anos a humanidade viveu na escuridão da ignorância. A invenção de Gutenberg foi como uma luz brilhante e intensa, que de repente se acendeu e passou a iluminar o mundo.
Na verdade, antes de Gutenberg houve, na China e na Coreia, outros inventores dos tipos móveis. Mas esses inventos não se disseminaram e não tiveram o impacto gigantesco que teve o trabalho de Gutenberg. O momento histórico e o local — Europa — foram também determinantes para que a invenção da tipografia tivesse o poder transformador que alcançou.


Imprimia-​­se na Europa antes de Gutenberg, mas não a partir de tipos móveis. A chamada impressão tabular, ou xilografia, era usada para a reprodução de imagens de santos, pequenos textos e cartas de baralho, por exemplo. Nesse processo, textos e imagens eram entalhados numa tábua de madeira. A matriz resultante era usada para imprimir vá­rias có­pias. A técnica era boa para reprodução de imagens, no entanto não era nada prática para a reprodução de livros com muito texto, cujo entalhe na madeira seria tão trabalhoso que acabava sendo in­viá­vel. A xilografia é bem an­te­rior à tipografia. Os exemplares mais antigos são do século VI, feitos pelos chineses.
Após 1450 os textos passaram a ser reproduzidos pelo método tipográfico, enquanto as imagens con­ti­nua­vam sendo impressas a partir de tá­buas entalhadas. As técnicas de xilografia foram sendo desenvolvidas até alcançarem seu ponto máximo com as obras de Albrecht Dürer, também alemão, que viveu entre 1471 e 1528. As gravuras de Dürer tinham uma riqueza de detalhes até então inimaginável. Ele fez um grande sucesso trabalhando para editores da Europa, produzindo os blocos de madeira para as ilustrações dos livros. Além de madeira, Dürer gravava em placas de cobre, também usadas na impressão, em um método chamado calcografia.


Os tipos móveis e os blocos de madeira da xilografia são matrizes em alto relevo em que as partes elevadas recebem tinta e a transferem para o papel quando pres­sio­na­das contra ele nas prensas. O princípio básico é o mesmo do carimbo que conhecemos. Na calcografia, ou gravura em metal, as imagens são gravadas numa placa metálica, normalmente de cobre, em baixo relevo. O desenho e os textos são formados por ranhuras feitas na placa. Na impressão, a tinta (pastosa) é aplicada na chapa, recobrindo-​­a totalmente e preen­chen­do as ranhuras. Em seguida a superfície deve ser limpa com um tecido e com a própria mão nua, diretamente. Após essa etapa de limpeza, a tinta permanece apenas nas ranhuras. A prensa utilizada é diferente da tipográfica e produz uma pressão muito maior. O papel penetra um pouco nas ranhuras e retira de lá a tinta.
A calcografia permite a impressão de detalhes muito finos e muito sutis. Um risco feito com leveza sobre a placa, com profundidade de décimos de milímetro, já é su­fi­cien­te para produzir na impressão uma linha visível, muito fina e delicada. A técnica da calcografia foi desenvolvida na Europa a partir da arte da ourivesaria, provavelmente já no início do século XVI, algumas décadas depois da invenção
de Gutenberg.

Outro método para se reproduzir as ilustrações era a litografia, inventada por outro alemão, Alois Senefelder, em 1796, mais de 300 anos após o surgimento da tipografia. O processo se baseia no fato de que água e gordura não se misturam e, simplificando um pouco os conceitos físico-​­químicos envolvidos, se repelem. A matriz de impressão é uma pedra calcária, bem plana e com rugosidade adequada, cuja superfície absorve água com muita facilidade. Sobre ela a imagem a ser impressa é desenhada usando-​­se um lápis gorduroso. Durante a impressão, a matriz é primeiramente umedecida e depois entintada com tinta à base de ­óleos e, portanto, gordurosa. A água aplicada sobre a pedra não molha os grafismos feitos com o lápis gorduroso. No momento da tintagem a tinta somente vai se fixar nos grafismos uma vez que onde a pedra está umedecida a tinta é repelida. Em seguida uma folha de papel é colocada sobre a pedra e prensada para receber a imagem.
Xilografia, calcografia e litografia sobrevivem até hoje, como técnicas artísticas, mas durante séculos foram usadas regularmente, combinadas com a tipografia, para a impressão em escala dos mais va­ria­dos produtos. A litografia foi o mais prático dos processos de reprodução de imagens, em razão da facilidade de se produzir a matriz e da alta qualidade obtida. Até muito recentemente a litografia ainda era usada na impressão de alguns outdoors — estamos falando dos anos 1980!
As técnicas de confecção das matrizes de calcografia e litografia, descritas neste artigo, são básicas. Na verdade, esses métodos evo­luí­ram muito e, em certo momento, passaram a utilizar processos fotoquímicos. A xilogravura deu origem à clicheria, a calcografia deu origem ao processo de rotogravura e a litografia evoluiu para offset. Em um próximo artigo vamos contar um pouco da história dos processos de fotolitografia e como a composição dos textos evoluiu para a automação
mecânica e eletrônica.


Manoel Manteigas de Oliveira é diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris, da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e diretor técnico da ABTG.

Artigo publicado na edição nº 95

 
Paju Book City: o paraíso coreano dos livros Imprimir E-mail
Escrito por Maíra de Oliveira   
Qui, 25 de Fevereiro de 2016


Ao entrar no saguão principal da Asia Pu­bli­ca­tion Culture & In­for­ma­tion Center parecia que estava em um dos meus sonhos de infância: por todos os lados, ao longo de todo o alto pé direito, as paredes eram cobertas por livros! Sala após sala, todas tinham espaço para leitura e lindas prateleiras cheias de títulos em espanhol, francês, inglês, japonês, co­rea­no . . . Essa foi a minha primeira visão da poé­ti­ca Paju Book City, na Coreia do Sul, e ela não poderia ser mais representativa dessa cidade, onde foi rea­li­za­do o último encontro do ISO/TC 130 em novembro de 2015.
Cons­truí­da a cerca de 30 minutos de Seul, Paju Book City é uma vila com pouco mais de 1.500 km², voltada totalmente aos livros. Sua planta original é dividida entre as ­­áreas dedicadas às editoras, às gráficas e às estruturas de suporte (restaurantes, cafés, um shopping e um centro de distribuição unificado). Além do Asia Pu­bli­ca­tion Culture & In­for­ma­tion Center, também há museus, como o Museu do Papel, e a oficina de tipografia, onde são desenvolvidos workshops. Mas a cada esquina pode-​­se encontrar pequenas surpresas: ursos de bicicleta, o Pequeno Príncipe, monstros sorridentes fugidos de his­tó­rias infantis e até mesmo uma maria-​­fumaça da Alice (a do País das Maravilhas). Paju Book City é um museu a céu aberto. É uma declaração de amor ao mundo da literatura.
A cidade, fruto de um esforço conjunto entre o ministério da cultura e empresas privadas, passou 20 anos sendo planejada e começou a ser cons­truí­da em 1997, tendo sua primeira fase entregue apenas em 2007. A ideia para a construção de Paju veio do antigo conceito de hyangyak — a tradição pela qual as vilas po­de­riam se autogovernar, seguindo preceitos básicos de fazer o bem, cuidar daqueles em necessidade, corrigir erros etc. O grupo que planejou a cidade dos livros queria rea­vi­var o senso de rea­li­za­ção comunitária, presente nos fundamentos da cultura co­rea­na.
É interessante notar que o respeito e a valorização da cultura e do conhecimento presentes nos livros é algo profundamente enraizado na cultura co­rea­na. Em 1377 — quase um século antes de Gutenberg inventar a tipografia na Alemanha —, foi publicado na Coreia o primeiro livro impresso com tipos móveis metálicos. No século XV o rei Htai-​­Tjong disse, em um decreto, que “para governar é preciso propagar o conhecimento das leis e dos livros de modo a satisfazer a razão e endireitar o coração dos homens”. Ele via o investimento na produção de livros como um investimento na so­cie­da­de como um todo.
A bi­blio­te­ca real de Gyujanggak, que inspirou a construção de Paju Book City, foi cons­truí­da em 1776 e continha mais de 30 mil livros. Os antigos reis co­rea­nos en­chiam seus pa­lá­cios de livros não porque fossem artigos de luxo, mas porque se entendia que a fim de ter sabedoria e conhecimento para governar, um líder precisaria ler, pesquisar e consultar muitos livros. Além dos seus conselheiros na corte, um rei deveria contar também com os conselheiros do passado, acessando o conhecimento de inúmeras gerações imortalizado nos livros. A bi­blio­te­ca, para eles, poderia ser vista como um “mapa es­pi­ri­tual” de uma era. A construção de centros de leitura e con­fluên­cia de obras permitia não só a preservação dos registros como a multiplicação do conhecimento entre seus frequentadores.

Nesse sentido, podemos entender que o objetivo das bi­blio­te­cas não mudou tanto. Hoje não somente reis, mas todos, podemos encontrar his­tó­rias e teo­rias de diferentes eras nas prateleiras cheias de livros. Embora o acesso à informação rápida seja mais fácil pelos meios digitais, a bi­blio­te­ca oferece uma oportunidade única de desenvolvimento do conhecimento. Não apenas a existência de um espaço totalmente voltado para os livros ob­via­men­te estimula a leitura, mas também estimula o diá­lo­go. Um diá­lo­go que deve ser respeitoso, uma vez que o am­bien­te exige uma determinada conduta, mas também porque não existe nos espaços co­mu­ni­tá­rios o anonimato característico dos fóruns da internet.
Aos fins de semana Paju Book City é tomada por visitantes. Na Asia Pu­bli­ca­tion Culture & In­for­ma­tion Center não havia bagunça que incomodasse os que liam, mas também não havia nenhuma ordem de silêncio. Dentro dos corredores cheios de livros havia dezenas de crian­ças brincando, adultos conversando, um espaço cheio de vida.

Não é à toa que em 2012 a Coreia do Sul ficou em 5º lugar no Pisa (Programme for In­ter­na­tio­nal Student Assessment) — ranking in­ter­na­cio­nal que avalia a educação de jovens ao redor do mundo e pontua cada país de acordo com seus resultados nas ­­áreas de matemática, ciên­cia e, claro, leitura. No mesmo ano, os Estados Unidos ocuparam o 36º lugar, enquanto Brasil ficou em 58º.
O respeito pelo conhecimento se reflete na cultura co­rea­na, tanto na valorização dos livros como no ensino e nos professores que recebem uma formação rígida e são compensados com ótimos sa­lá­rios e um status so­cial coe­ren­te com a relevância das suas responsabilidades.
Com esse histórico e esse contexto edu­ca­cio­nal, alia­dos à dedicação característica das culturas orientais, é claro que a Coreia do Sul, hoje em 26º lugar no ranking de competitividade econômica do Fórum Econômico Mun­dial (WEF), tem todos os recursos para con­ti­nuar sua ascensão, alavancada pelo desenvolvimento tecnológico de ponta, mas fundamentada em uma tradição que valoriza o conhecimento.

Maíra de Oliveira é tecnóloga gráfica, redatora técnica na EFI Metrics. Foi secretária técnica do ONS27.

Artigo publicado na edição nº 95

 
Parceiros da qualidade Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Qui, 25 de Fevereiro de 2016

Além das gráficas, os fornecedores de sistemas, soluções e insumos, parceiros da indústria na batalha diá­ria pela elevação da qualidade, da produtividade e na conquista de novos mercados, são contemplados com o conta-​­fios dourado desde 1997. Em 2015, oito empresas foram vencedoras em 12 ca­te­go­rias, escolhidas por meio do voto das 187 gráficas que inscreveram produtos no certame. Elas ava­lia­ram os fornecedores em quatro cri­té­rios: atendimento técnico, atendimento co­mer­cial, con­fia­bi­li­da­de no produto/equipamento e cumprimento de prazos.
A HP foi a empresa mais pre­mia­da da 25ª edição do Fernando Pini, com três tro­féus nas ca­te­go­rias Equipamentos de Impressão Digital, Equipamentos para Impressão Digital em Grandes Formatos e Sistema de Provas. Com o resultado, a HP acumula 16 prê­mios Fernando Pini, mantendo a posição de quarto fornecedor mais pre­mia­do no concurso. “É a primeira vez que conquistamos três prê­mios num mesmo ano e isso nos dá força para enfrentar 2016 com o desafio de con­ti­nuar cumprindo o papel de líder de mercado”, afirma Luca Cia­lo­ne, diretor de HP Indigo e Inkjet Webpress da HP Brasil. Segundo o executivo, a HP passou em 2015 por um processo de estruturação interna que, apesar de complexo, não tirou o foco da empresa nos clien­tes. Ele prevê este como um ano difícil, mas com vá­rias oportunidades para o mercado gráfico, tendo a Drupa como catalizadora das atenções. A HP participará com o maior estande da feira, marcando presença com mais de 25 impressoras Indigo. “Todos os segmentos serão cobertos por soluções da HP e de seus parceiros e estamos con­fian­tes de que as novas es­tra­té­gias, junto aos lançamentos que acontecerão na Drupa 2016, farão deste um ano de sucesso e muitas oportunidades para novos investimentos em nossas soluções de impressão digital.”
Presença constante na lista de vencedores, a Heidelberg subiu duas vezes ao palco do Espaço das Américas como a melhor nas ca­te­go­rias Blanquetas e Equipamentos para Pré-​­impressão, Sistemas e CtPs. A marca alcança assim 34 conta-​­fios, mesma somatória da Suzano, vencedora em 2015 na categoria Cartão para Impressão com ou sem Revestimento. “A Heidelberg tem uma história de sucesso no Prêmio Fernando Pini e, sem dúvida, essa conquista foi graças à qualidade de nossos produtos e uma equipe co­mer­cial e de serviços treinada e motivada para atender os clien­tes da melhor forma possível”, comenta Magno Santos, gerente sê­nior da Heidelberg do Brasil. As atenções da tra­di­cio­nal fabricante alemã neste ano também estão voltadas para a Drupa, afora produtos e serviços que serão oferecidos ao mercado brasileiro. Entre as novidades, o gerente sinaliza com uma nova impressora digital formato folha inteira, um novo soft­ware de fluxo de trabalho e maior automação nos diversos sistemas.
De acordo com Leo­nar­do Grimaldi, diretor co­mer­cial da Unidade de Ne­gó­cios de Papel da Suzano, 2015 foi um ano muito importante para a companhia. “Evo­luí­mos em nosso modelo de atua­ção e consolidamos uma nova proposta de atua­ção no setor. Esse prêmio mostra que estamos no caminho certo.”

 

Inovação
Outra habitué do concurso, a Agfa levou a melhor nas ca­te­go­rias Chapas para Impressão e Soft­ware de Ge­ren­cia­men­to de Cores. De acordo com Eduar­do Sousa, gerente de mar­ke­ting para a América Latina, o di­fe­ren­cial da empresa está no fato de ser a única fornecedora mul­ti­na­cio­nal de chapas offset no mercado latino-​­americano com fábrica local e na robusta estrutura de atendimento. Ele enfatiza ainda a questão da sustentabilidade, ao lembrar que a Agfa conseguiu eliminar a utilização do solvente na família de chapas offset Azura. Para 2016, a empresa sinaliza com lançamentos em pré-​­impressão e em sistemas inkjet, bem como a retomada de campanhas na área de serviços, que se mostraram exitosas no ano passado. A Agfa conta agora com 19 prê­mios Fernando Pini.
Bem po­si­cio­na­da no ranking de fornecedores, com 10 tro­féus, a Actega Overlake foi mais uma vez a escolhida na categoria Vernizes. “Atri­buí­mos mais essa conquista a toda a equipe, que se dedica para que nossos produtos cheguem aos nossos clien­tes com qualidade. A Actega sempre busca novas tec­no­lo­gias e investimentos para atender o mercado cada vez mais dinâmico e exigente”, disse Bruna
Maculet, assistente da diretoria.
A In­ter­na­tio­nal Paper foi apontada pela quinta vez consecutiva como o melhor fornecedor de Papel para Impressão – Não Revestido. “Trata-​­se de um reconhecimento que mostra que a empresa está no caminho certo e que estimula a nossa equipe a buscar, cada vez mais, o melhor atendimento às necessidades dos nossos clien­tes, mantendo o foco na excelência, produtividade e desenvolvimento sustentável dos ne­gó­cios”, afirma Jefferson Leite, gerente geral co­mer­cial.
Dois fornecedores foram escolhidos pela primeira vez: Adecol, na categoria Adesivos, e Flint Group, em Tintas. Alexandre Kiss Segundo, diretor co­mer­cial da Adecol credita a vitória ao pro­fis­sio­na­lis­mo e à dedicação da equipe da Adecol, assim como a três es­tra­té­gias: desenvolvimento de produtos customizados, consultoria e flexibilidade no atendimento. “A Adecol vive um momento de expansão. Mesmo com a crise, con­ti­nua­mos crescendo ao longo dos anos e em 2015 não foi diferente. Para 2016 o segmento gráfico pode esperar uma Adecol ainda mais agressiva, com investimentos no setor e fortalecimento da equipe técnica.”
Ressaltando o re­la­cio­na­men­to da empresa com os clien­tes e a abrangência na­cio­nal de seu atendimento, Joaquim Dias, gerente na­cio­nal de vendas Print Media da Flint, apontou como projetos para 2016 a inauguração de uma fábrica automatizada de conversão de blanquetas, similar à planta da Flint no México, objetivando aumentar a participação da companhia no mercado brasileiro. A empresa planeja também desenvolver novos produtos
em parceria com os clien­tes.

Artigo publicado na edição nº 95

 
Inovação e controle de processo em primeiro lugar Imprimir E-mail
Escrito por Denise Góes   
Qui, 25 de Fevereiro de 2016

25ª edição do Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini destacou em 2015 o trabalho de 34 empresas. No total, 66 prê­mios foram dis­tri­buí­dos, valorizando a dedicação de gráficas de sete estados (Cea­rá, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo), mais o Distrito Federal. Foram inscritos no concurso um total de 1.340 trabalhos, desenvolvidos por 187 gráficas, das quais 302 peças de 98 empresas passaram para a segunda fase.
As gráficas P+E, de São Paulo (SP), que conquistou 10 tro­féus, e ­Fac­Form, de Recife (PE), ganhadora de cinco ca­te­go­rias, foram as principais vencedoras, seguidas pelas paulistas Escala7, Ipsis, Log&Print, Plural e RR Donnelley, e a paranaense Multipla BR, cada uma com três conta-​­fios dourados.
Os vencedores foram conhecidos durante a festa rea­li­za­da no Espaço das Américas, no dia 24 de novembro, com a participação de 1.300 pes­soas.
A seguir, conheça os detalhes de produtos que superaram seus concorrentes em algumas das
ca­te­go­rias mais técnicas do certame.

Categoria: Inovação tecnológica
Produto: Sobrecapa Caras
Gráfica: Pigma
Cliente: Editora Abril

Em julho de 2015, 25 mil leitores, assinantes da revista Caras, participaram de uma ação de mar­ke­ting inovadora. Na edição 1133 da publicação eles receberam uma amostra dos lenços demaquilantes Neutrogena Deep ­Clean, da Johnson & Johnson. Até aí, nenhuma novidade. O que os surpreendeu, porém, foi a possibilidade de testar o produto na própria capa da revista, na rea­li­da­de na sobrecapa, removendo a maquiagem da garota-​­propaganda da marca, Gio­van­na Ewbank. A ação tornou-​­se um case de sucesso tanto em termos promocionais quanto gráficos, num trabalho conjunto envolvendo clien­te, agência de propaganda e gráfica, que apostaram na ideia de interagir com o leitor de maneira inteligente e inusitada.
O projeto começou na agência DM9DDB, que pensou em uma forma de sair do con­ven­cio­nal com “uma peça interativa, que daria ao consumidor o poder de protagonizar a campanha”, como relatou ­Adrian Ferguson, vice-​­presidente de Mídia da DM9, pois seria ele, leitor, quem iria ma­nu­sear, testar, comprovar e ava­liar o resultado.
Para que a cria­ção da agência se concretizasse foi fundamental contar com tecnologia de ponta. O desafio era o leitor, ao remover a maquiagem, encontrar o rosto da modelo limpo. Ou seja, a impressão teria de ser perfeita para manter as características e para que não perdesse a qualidade após a aplicação do produto. “Precisávamos que a impressão tivesse real­men­te um aspecto de maquiagem e que a remoção da tinta não deixasse manchas”, explicou Flávio Tomaz Medeiros Ju­nior,
diretor co­mer­cial da Pigma.
Para responder a essa expectativa, a Pigma conciliou a impressão tra­di­cio­nal com a tecnologia digital da HP Indigo, empregando um equipamento que possibilita recursos especiais como impressão em relevo e efeitos texturizados. “Toda a ação foi planejada. Depois de um mês de testes, fizemos em primeiro lugar a impressão offset, com a imagem totalmente sem maquiagem. Aplicamos então a laminação e finalmente imprimimos a maquiagem na HP Indigo”, explicou Flávio Medeiros. Segundo ele, a HP não recomendava a impressão sobre a laminação, pois provavelmente essa impressão não teria uma boa ancoragem. “Nosso grande desafio, sem dúvida, foi manter a definição da maquiagem sem que a impressão ficasse ‘chapada’”, relembra o diretor co­mer­cial. Por isso a importância dos testes para se conseguir chegar ao perfeito registro das cores, sem deixar que a cara da modelo ficasse com excesso de maquiagem e um aspecto extremamente falso. “O ma­te­rial foi impresso em offset sem o aproveitamento completo da área de impressão para possibilitar a visibilidade total do registro de impressão. A aplicação da laminação foi feita reservando a borda das folhas para não alterar o di­men­sio­nal e permitir a impressão digital com total registro. Foram ne­ces­sá­rios quatro dias para a impressão da revista”, explicou o diretor da Pigma. Um detalhe importante: segundo Flávio Medeiros, a impressão da maquiagem só foi possível porque a HP Indigo usa tinta líquida e não toner em pó.
Para ele, a Pigma soube utilizar de maneira efi­cien­te uma fraqueza da tecnologia digital: a não ancoragem sobre su­per­fí­cies laminadas. A de­fi­ciên­cia transformou-​­se num trunfo, possibilitando fixação satisfatória das cores, que puderam ser retiradas quando foi preciso. “Antes se usava massa raspável sem nenhuma qualidade, de uma única cor, para cobrir qualquer impressão. Hoje isso pode ser feito com cobertura em quatro cores de ótima qualidade. É possível manter a informação ao consumidor, mesmo com cobertura”, comentou o diretor da Pigma. A impressão da Sobrecapa Caras foi a primeiro trabalho da Pigma utilizando esses recursos e o resultado atendeu plenamente o anun­cian­te. Segundo o vice-​­presidente de mídia da DM9, o anúncio gerou uma grande repercussão, tanto na­cio­nal quanto in­ter­na­cio­nal.

Categoria: Complexidade técnica do processo
Produto: Caixa Cofrinho Itaú
Gráfica: P+E
Cliente: Itaú

A gráfica paulistana P+E foi a maior vencedora do Prêmio Fernando Pini de 2015 (ver matéria na página 40). Com o produto Caixa Cofrinho Itaú, conquistou o primeiro lugar em três ca­te­go­rias: Melhor Livro Infantil ou Juvenil, Complexidade Técnica do Processo e o Grand Prix de Melhor Acabamento Cartotécnico. O sucesso do projeto foi resultado de um trabalho que envolveu processos complexos. De acordo com Eden Ferraz, diretor financeiro da P+E, o ma­te­rial teve de ser muito bem pensado antes de a gráfica ini­ciar sua produção. A ideia ini­cial de unir livro e cofrinho partiu do departamento de cria­ção da agência DM9DDB em uma ação para o Banco Itaú. A pedido do clien­te, a agência procurou con­ci­liar o trabalho que o banco desenvolve de incentivo à leitura com o projeto de educação financeira. Daí surgiu o livro que também é um cofrinho. Com ele a crian­ça se diverte ao mesmo tempo em que aprende a poupar. “­Criar uma ação para um público tão es­pe­cial quanto as crian­ças foi real­men­te um desafio muito grande. Conseguimos desenvolver uma forma inédita de aproximação com elas, falando sobre um tema importante e es­sen­cial para o Itaú, mas com uma linguagem ­atual e muito adequada ao público”, ava­lia­ram Leo Ma­cias e Zico Farina, diretores de cria­ção da DM9DDB.
Com esse espírito nasceu o livro As Aventuras de Tostão que conta a história de um menino que tinha muitos sonhos. Para conseguir rea­li­zá-​­los ele ganha de presente do pai um porquinho que adora engolir moe­das. Ao longo das páginas, as crian­ças acompanham a história do porquinho ao mesmo tempo em que são estimuladas a preen­cher os espaços magnéticos com moe­das de R$ 1. No fim do livro, a barriga do Tostão está tão cheia que o pai leva a crian­ça para um es­pe­cia­lis­ta es­va­ziar o cofrinho; o dinheiro arrecadado é exatamente a quantia
necessária para abrir uma poupança.
Para dar forma a esse plano, a agência contratou a ilustradora Bruna Assis Brasil e a gráfica P+E ficou responsável por tornar real a ­união entre livro infantil e cofrinho. Eden Ferraz conta que para chegar ao produto final foram ne­ces­sá­rios dois meses, com algumas dificuldades no caminho. “Tivemos de fazer vá­rios mocapes até chegar a um resultado em que o livro pudesse ser ma­nu­sea­do, tivesse uma abertura de 180 graus e não rasgasse facilmente. A solução foi a impressão em papel couché 210 g/m², com laminação.” Ele relembra que para a simulação do cofrinho foram cria­dos berços, locais em que a crian­ça é convidada a colocar as moe­das para o porquinho engolir. A opção foi fazer empastamento em papelão, de forma que o próprio vazado do ma­te­rial fosse o berço. Para fixar as moe­das foi feito então o empastamento com dois papelões, sendo um deles o berço interno para colocação do ímã que segura a moe­da.
Também foi solicitado à gráfica que fizesse nos berços das moe­das a impressão interna semelhante ao restante do livro. “Tivemos de fazer a impressão interna do berço e aplicar o hot stamping na posição exata para que a moe­da não ficasse inclinada para a direita ou esquerda.” Para o diretor da P+E, fazer que os espelhos dos berços das moe­das ficassem perfeitos em relação às páginas do livro, tanto na cor quanto no po­si­cio­na­men­to, foi sem dúvida o maior desafio.
Para o principal interessado, o Itaú, o livro-​­cofrinho foi um sucesso. “Trata-​­se de um jeito diferente de abordar a educação financeira e para nós foi um teste, ainda restrito, que servirá de ex­pe­riên­cia para futuros projetos de con­teú­dos mais lúdicos”, avaliou Eduar­do Tracanella, superintendente de mar­ke­ting do Itaú.

Categoria: Conformidade com a Norma NBR NM ISO 12.647‑2 – Impressão em Offset Plana e Rotativa Offset Heatset
Produto: Etiqueta Evolution Turbo Eletrônico Branco 220V/7500W
Gráfica: Nitoli
Cliente: Lorenzetti

Em 2015, o vencedor do prêmio na categoria Conformidade com a Norma foi a paulistana Nitoli, com a Etiqueta Evo­lu­tion Turbo Eletrônico Branco 220V/7500W, da Lorenzetti. “Foi o reconhecimento por um trabalho de equipe”, afirmou Carlos Vinícius Gonçalves, técnico de pré-​­impressão da Nitoli e um dos responsáveis pela implantação da norma na empresa. A ISO 12.647 é um conjunto de normas específicas para o setor gráfico que engloba parâmetros e metrologia para impressão offset plana e rotativa heat­set, coldset. Segundo Carlos Vinícius, ao seguir tais padrões, a gráfica tem todas as condições de reproduzir na impressão exatamente o resultado que o clien­te aprovou na prova con­tra­tual. A principal vantagem disso, de acordo com Ra­fael Peterman, também técnico gráfico, que trabalhou na Nitoli até 2014 e com Carlos Vinícius desenvolveu a aplicação da norma na embalagem da Lorenzetti, é a reprodutibilidade e a repetibilidade.
A primeira versão da norma é de 1996. Ela foi rapidamente adotada nos processos comerciais em gráficas do mundo todo. Nos dias ­atuais é um dos requisitos básicos para quem quer exportar. “No caso de embalagens, a grande vantagem é que ao padronizar pela ISO 12647‑2, o clien­te pode imprimir a mesma embalagem no Brasil e na China com a mesma qualidade”, explica Ra­fael Peterman.
A embalagem da Lorenzetti foi o primeiro produto a ser impresso na Nitoli em conformidade com a ISO 12.647‑2. Ra­fael Peterman conta que para isso foi necessário, em primeiro lugar, conhecer e estudar bem todos os parâmetros e, em seguida, adequar as máquinas já existentes aos padrões exigidos e procurar fornecedores de tinta e papel que pudessem satisfazer as exi­gên­cias da norma. “Não adian­ta imprimir se as ma­té­rias-​­primas não forem de qualidade, pro­ve­nien­tes de fornecedores
qualificados”, concorda Carlos Vinícius.
O técnico observa que a mentalidade do setor com relação às normas ainda precisa mudar, pois atualmente são poucas as gráficas que as adotam. “É claro que o processo é mais trabalhoso, é preciso ter organização e saber utilizar as ferramentas adequadas, mas o resultado final vale a pena.” Para ele é importante que as gráficas entendam que a implantação da norma beneficia não só o clien­te, mas a própria gráfica. “A adoção de normas traz uma série de ganhos tanto no aspecto final do produto como na questão financeira, gerando
mais lucro para a empresa.”

Artigo publicado na edição nº 95

 
Serigrafia Sign celebra 25 anos Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Ter, 22 de Dezembro de 2015

Com o mesmo número de marcas, 650, e área de exposição, 40 mil m², foi rea­li­za­da entre os dias 21 e 24 de julho no Anhembi, em São Paulo, a 25ª Serigrafia Sign FutureTextil, voltada para os mercados de serigrafia, comunicação vi­sual, sinalização, sublimação, impressão digital, impressão têxtil, materiais promocionais, brindes e personalização. Segundo a organizadora, a BTS Informa, o evento recebeu 36.380 visitantes únicos, registrando crescimento de 5% na visitação geral, somando 44 mil pes­soas neste ano, contra 41 mil em 2014.
Veja a seguir as principais novidades.

Akad



Em seu espaço, a Akad mostrou a linha Novajet Eco-​­Solvente, composta por três modelos diferentes, com largura máxima de impressão de 1,50 m, 2,20 m e 3,20m. As impressoras são compatíveis com cabeças de impressão Epson DX7 e imprimem com qualidade de até 1.440 dpi trabalhando com tintas ecossolvente. A empresa apresentou também a UV Novajet M6 com cabeças de impressão Ricoh geração cinco e área máxima de impressão de 2,5 m × 1,22 m (modelo flatbed). A impressora conta com alta qualidade de impressão, mais velocidade e uma vasta gama de aplicações com tinta UV para rígidos e flexíveis. Já a impressora solvente de grande formato Novajet 3308 série K512, com alta performance e uma excelente relação custo × benefício, possui largura útil de impressão de 3,20 m e imprime imagens de alta qualidade de até 720 × 1.440 dpi; dependendo da necessidade pode ser comprada com quatro ou oito cabeças Konica, mantendo a mesma qualidade de impressão.

Ampla



A terceira geração das impressoras Targa XT foi a atração da Ampla na feira. A New Targa XT, nas tec­no­lo­gias solvente, UV e sublimação incorpora componentes como computador in­dus­trial integrado de alta performance para monitoramento em tempo real das principais funções do equipamento, CLP in­dus­trial e interface de operação IHM touchscreen, take-​­up duplo dianteiro e traseiro, sistema AntiReverse para maior estabilidade da alimentação e rebobinamento de mídia, encoder rotativo de alta precisão, encoder li­near magnético de alta resolução, entre outros.
Projetada para trabalhar em longos ciclos de produção, a família New Targa XT possui chassi monobloco AmplaCore, utilizando em sua fabricação componentes industriais de alta qualidade, conferindo robustez, con­fia­bi­li­da­de e estabilidade ao equipamento. A principal impressora da linha é a New Targa XT tecnologia solvente, disponível nas larguras de 1,80 ou 3,20 m, com 4, 8 ou 16 cabeças de impressão in­dus­trial, resolução de 1.200 dpi e velocidade de até 320 m²/h.

Canon Océ



A empresa expôs três impressoras com foco principal em comunicação vi­sual e em engenharia. A principal foi a Arizona 6170 XTS, capaz de imprimir em diversos substratos, como vidro, madeira, vinil e metal, tendo como foco a comunicação vi­sual. Mostrada em março na Fespa Brasil, a impressora de mesa é capaz de produzir 33 placas no formato 1,22 × 2,44 m por hora. As impressoras ColorWave 700 e PlotWave 500, mostradas em suas novas versões, estão focadas no segmento de engenharia e construção, conferindo qualidade para os mínimos detalhes, necessidade típica de projetos dessa área. A diferença entre as duas impressoras é que a primeira trabalha com projetos coloridos, muito usados para projetos em Auto Cad 3D, e a segunda imprime em preto e branco, valorizando velocidade e volume.

Epson


A atração foi a impressora de sublimação têxtil Epson SureColor F9200, que possui duas cabeças de impressão com a tecnologia Pre­ci­sionCo­re, reduzindo o tempo de impressão pela metade, com velocidade de até 100 m²/h sem comprometer a qualidade da impressão. A impressora conta com um novo sistema de tinta UltraChrome DS, em que o preto de alta densidade pro­por­cio­na impressão em tons de preto intensos, neutros e sombras densas, ­ideal para a indústria têxtil na produção de estampas em tecidos de alta qualidade, com fidelidade de cor e para utilização na moda de alta costura, esportiva, praia e artigos de decoração. Entre outros recursos, o equipamento conta com um secador op­cio­nal e um sistema de take-​­up altamente preciso, evitando que o usuá­rio perca tempo esperando as impressões secarem. A Epson também mostrou outros dois lançamentos da sua série F: a SureColor F6270 e SureColor F7270. Ambas são voltadas para a produção em níveis industriais e equipadas com a tecnologia mais recente em impressão de imagens de alta performance, como o sistema de cabeças de impressão exclusivo Epson Mi­croPie­zo TFP e o sistema de tinta UltraChrome DS, incluindo a nova tinta preta de alta densidade, resultando em impressoras para sublimação de alto desempenho que permitem máxima lucratividade para o negócio.

Fujifilm


Acuity e Mutoh foram as linhas valorizadas pela Fujifilm na Sign Serigrafia. A jato de tinta Acuity LED 1600 é capaz de imprimir até 63,7 polegadas de largura, pro­por­cio­na alta qualidade de imagem para impressão de materiais de alto valor agregado como: displays de vitrines, back-​­lit, front-​­lit e embalagens do produto. Utiliza sistema LED para cura UV de baixa energia e ainda conta com o benefício de baixo custo ope­ra­cio­nal. Já o último modelo da impressora solvente Mutoh 1638x é ­ideal para produzir materiais para sinalização e comunicação vi­sual como pôsteres, adesivos para decoração, displays de PDV, fine art, envelopamento de automóveis, decalques e outros. A 1638x trabalha na velocidade máxima de 94 m²/h (na resolução 360 × 360 dpi) ou na resolução máxima de 1.080 × 1.440 dpi (a 10 m²/h). Além disso, conta com duas cabeças pie­zoe­lé­tri­cas que disparam gotas de 3,5 a 35 picolitros e pode usar tinta Eco Ultra (disponível em cassetes de 220 ml ou 440 ml) ou tinta Universal Mild Solvent (disponível em cassetes de 440 ml ou garrafas de 1 litro).

HP


A HP apresentou a nova série de impressoras industriais HP Látex 3100 e 3500, que podem ajudar os fornecedores de serviço de impressão de altos volumes a melhor atender às necessidades de produção de materiais de sinalização e displays. A nova HP Látex 3100 é ­ideal para grandes fornecedores de impressão voltados para sinalização e displays. Imprimindo com qualidade para am­bien­tes internos com velocidades de até 77 m²/h, a impressora pode lidar com picos na produção e oferecer tempos de produção reduzidos sem sacrificar a qualidade. ­Ideal para fluxos de trabalho padronizados, a impressora HP Látex 3500 lida com uma produção de aplicações dedicada e de alto volume, aumentando a produtividade e ajudando a reduzir custos de produção. Com manuseio de rolos para uso intenso de até 300 kg e suprimentos de tinta de 10 litros, a impressora permite uma operação mais autônoma, como impressão durante a noite. Além disso, os eixos divididos de dois rolos oferecem manuseio mais fácil e mais seguro de rolos de tamanho muito grande, separadores em linha reduzem gargalos no acabamento, e luzes de LED integradas oferecem suporte a provas dinâmicas.

Marabu


O foco da Marabu foi a reformulação da linha de tintas sublimáticas Texajet, que agora conta com a Texajet DX-​­STE. Desenvolvida exclusivamente para cabeças de impressão Epson, o produto possibilita a estampagem de cores intensas com preto de alta densidade, assim como de impressão brilhante, compatibilidade am­bien­tal pelo fato de dispersar surfactantes que podem migrar para a água durante a lavagem, baixo odor e excelente pro­prie­da­de de solidez a luz. Entre as possibilidades de aplicação estão o ves­tuá­rio esportivo, além de displays, banners e outros produtos.

Mimaki


A companhia lançou a plotter de corte CFL 605-​­RT, equipada com faca tan­gen­cial e oscilante, capaz de efe­tuar diversos cortes em diferentes materiais, como papelão ondulado, papel-​­cartão, vinil, policarbonato, Foam, entre outros. O equipamento chega ao Brasil para atender aos mercados gráfico, de personalização e in­dus­trial, auxiliando na cria­ção e desenvolvimento de novos projetos.

Oki


A Oki destacou as impressoras que possibilitam a impressão com toner branco e ­clear, como a pre­mia­da C941, equipamento cinco cores com tecnologia de impressão LED. O modelo é compatível com o ­Fiery XF 5, soft­ware de ge­ren­cia­men­to de cores e controle de fluxo de trabalhos gráficos, e possibilita a impressão no formato A3+ de provas de cor, cria­ção de mocapes em mí­dias escuras de até 360 g/m² e personalização de rótulos e embalagens em vinil adesivo, com toner branco e ­clear. Além disso, é possível fazer banners de até 33 cm por 132 cm e imprimir duplex em mí­dias de até 320 g/m². Já a C711WT é de fácil utilização e permite a impressão colorida, além do branco, em vá­rios tipos de mí­dias, como transfers, pa­péis coloridos e transparentes, em formato A4 e gramaturas de até 250 gramas, é o
equipamento ­ideal para o segmento serigráfico.

Roland DG
A Roland DG aproveitou o evento para divulgar o Roland Academy, modelo completo de treinamento, que possui duas modalidades: a pre­sen­cial e a online. Lançada este ano, a versão digital possibilita às empresas que estão fora de São Paulo usu­fruí­rem dos be­ne­fí­cios de ser um clien­te Roland DG. Já o pre­sen­cial, rea­li­za­do no show­room da Roland DG, conta com es­pe­cia­lis­tas preparados para esclarecer todas as dúvidas e demonstrar todas as funções do produto in loco. No estande foi montado um espaço para demonstrações ao vivo, objetivando mostrar o leque de serviços que faz parte do conceito Roland DG Care, uma ampla assistência que atende todos os detalhes do fun­cio­na­men­to do equipamento, passando pela instalação, treinamentos e manutenção, por toda vida útil do produto.

Serilon


Com 15 equipamentos expostos, a Serilon destacou as novas par­ce­rias com a EFI, para a linha de impressoras Vutek, e com a Esko, nas mesas de corte Kongsberg. A empresa levou para a feira a Vutek GS2000Lx Pro, impressora de grande formato com secagem UV LED capaz de atingir velocidade de até 186 m²/h ou 45 placas de 1,20 × 2,40 m por hora. Imprimindo até oito cores mais duas opções de branco, o equipamento trabalha placa a placa, placa a folha e rolo a rolo com duas resoluções, 600 ou 1.000 dpi, e substratos flexíveis ou rígidos de até 2 m de
largura e até 5,08 cm de espessura.


Espaço para o conhecimento
Vá­rios eventos complementaram a exposição de produtos na 25ª edição da Serigrafia Sign, entre eles o Espaço do Conhecimento, com cinco atrações: a Digital Textile Conference, voltada para o segmento têxtil; o Sign em Ação, desenhado para a discussão do mercado de comunicação vi­sual; o Sign Cultural, com palestras sobre o universo da publicidade ex­te­rior; a 16ª edição do Fórum Acrílico e o 2º Simpósio de Impressão em Grandes Formatos, rea­li­za­do em parceria com a ABTG. Sessenta pes­soas participaram do simpósio nos quatro dias da feira, debatendo temas como customização na comunicação vi­sual, cuidados técnicos no envelopamento automotivo e boas práticas de impressão em grandes formatos. A palestra que gerou mais interesse foi ministrada por João Scortecci, da Scortecci Editora, sobre como vender serviços digitais e fidelizar clien­tes.

Artigo publicado na edição nº 94

 
Baixa gramatura ainda desafia o digital? Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Qua, 28 de Outubro de 2015

O uso da tecnologia digital na impressão de papéis de baixa gramatura ainda é incipiente por aqui. Na Europa e nos Estados Unidos o processo avança na produção de livros com centenas de páginas, bulas e jornais.

No universo da impressão con­ven­cio­nal, quando pensamos em pa­péis de baixa gramatura o que nos vem à cabeça são as bí­blias e as bulas de remédio. Tais produtos são normalmente produzidos em altas tiragens, remando contra a maré dos baixos volumes com con­teú­do personalizado. Isso, sobretudo em função das limitações da tecnologia digital com relação aos pa­péis de baixa gramatura. Mas, assim como em outros setores, a impressão digital tem avançado nesse segmento, atraindo novos adeptos.
Nos Estados Unidos, os primeiros exemplos começaram a surgir há três anos, como relatou Cary Sherburne, consultora, jornalista e escritora, em texto para o site What They Think publicado em 2012. Naquele ano, uma gráfica do Texas, a Legal Di­rec­to­ries Publishing Company, es­pe­cia­li­za­da em di­re­tó­rios jurídicos, acostumada a produzir volumes com mais de mil páginas em pa­péis de baixa gramatura em impressoras offset planas, am­plia­ra sua capacidade produtiva com a compra de uma impressora digital Océ Va­rioP­rint 6000. Segundo o gerente da Legal Di­rec­to­ries, Richard Klein, a empresa já havia pensando na impressão digital, porém o maior problema, além da dificuldade de rodar suportes de baixa gramatura, era o tamanho do papel versus o registro. “Alguns de nossos livros têm o formato de 6 × 9 polegadas, e queríamos rodar quatro páginas em papel 12,5 × 18,5 polegadas com uma margem de corte de cerca de 1/8 polegada. O que nos impressionou na impressora da Océ foi o registro fino que nos permitiu atender tais especificações, além da reprodução precisa das imagens em di­re­tó­rios ilustrados”. Na época, o executivo apontou como vantagens no uso da tecnologia digital o fato de a impressora poder ser controlada por apenas um operador e de o livro sair da máquina pré-​­al­cea­do, economizando tempo, reduzindo custos e minimizando as chances de erro.
De acordo com Osvaldo Cristo, es­pe­cia­lis­ta em pré-​­venda da HP Indigo América Latina, o grande desafio tecnológico para impressão digital de pa­péis de baixa gramatura está no transporte do papel, si­tua­ção agravada pelo fato de a maioria dos processos digitais trabalharem com uma temperatura mais elevada que o meio am­bien­te, gerando estresse no suporte e even­tual deformação. “A HP resolve essa questão simplificando o transporte do papel, trabalhando com o substrato em rolos. Op­cio­nal­men­te é possível agregar à impressora um dispositivo de reumidificação para devolver a umidade natural que o papel possa ter perdido durante o processo de impressão”, afirma Osvaldo Cristo.
Apesar de os pa­péis de baixa gramatura não serem o foco principal das impressoras HP em função da baixa demanda, segundo o es­pe­cia­lis­ta, a fabricante dispõe de impressoras alimentadas por rolos, tanto com tecnologia electroink quanto jato de tinta térmico, capazes de rodar baixas gramaturas. “Muito embora as especificações padrão de gramatura mínima de nossas impressoras estarem ao redor de 60 g/m², temos rodado com sucesso pa­péis com 45 g/m² e mesmo 35 g/m² no modelo IHPS T230.” A T230, impressora digital rotativa, pode imprimir ao redor de 100.000 páginas A4 por hora (ou 50.000 folhas A4 frente e verso), tanto em cores como monocolor.
Além de bulas e bí­blias, que ganham a possibilidade de serem personalizadas com a tecnologia digital, Osvaldo Cristo cita aplicações como catálogos e livros de muitas páginas — justamente o caso da gráfica texana —, jornais, que usual­men­te utilizam pa­péis de 45 g/m², e for­mu­lá­rios com pa­péis autocopiativos. Ele comenta que no Brasil a HP já tem clien­tes com máquinas capazes de imprimir em pa­péis de baixa gramatura, um dos quais produzindo um jornal diá­rio e outro em papel autocopiativo.
Também com tecnologia rotativa, as linhas 8000 e 9800 da Xeikon vêm sendo usadas na Europa e em alguns casos nos Estados Unidos e Canadá para a impressão de livretos de instruções e bulas de remédio. Tais impressoras são capazes de rodar pa­péis de 30 g/m², com velocidades de 19,2 metros por minuto e 21,2 mpm, respectivamente. Como explica Miguel Troccoli, gerente geral da PTC, a adequação desses equipamentos aos substratos mais finos vem do fato de pos­suí­rem duas torres de impressão, que dão sustentação ao papel frente e verso, mesmo que a impressão não exija isso. “A Xeikon tem certa vantagem em relação às concorrentes na impressão de pa­péis ou outros materiais mais finos porque o design da Xeikon é de uma máquina verdadeiramente rotativa. O papel ou qualquer outro substrato passa em um só sentido e uma única vez pela torre de impressão, o que não acontece com as outras máquinas que são semirrotativas, nas quais o substrato vai e volta”.
Empresas nacionais es­pe­cia­li­za­das em bí­blias começam a olhar para a impressão digital. A Konica Minolta fechou recentemente a venda de um equipamento para uma gráfica com esse perfil, porém o clien­te não permitiu a divulgação do case. Como em outras aplicações e mercados, a decisão entre o offset e o digital concentra-​­se no retorno sobre o investimento. Segundo Ronaldo Arakaki, gerente de mar­ke­ting e ne­gó­cios da Konica Minolta, vale investir no digital sempre que houver impressão sob demanda ou baixas/mé­dias tiragens, nas quais o ROI seja significativo para a gráfica quando comparado à impressão em offset. Os exemplos abrangem produtos cujo estoque não é viá­vel ou custoso, quando é possível agregar valor por meio da personalização ou nas tiragens curtas.
Para lidar com a dificuldade de transporte e manuseio do papel durante a impressão, a Konica Minolta aperfeiçoou esse processo dotando as impressoras digitais com um sistema de ar nas gavetas de alimentação, facilitando a sucção do papel e a separação das folhas, reduzindo a possibilidade de atolamentos. Esse sistema está presente na bizhub Press 1250, impressora digital PB para altos volumes com tecnologia de toner otimizada para reprodução de traçados e letras, permitindo, também, gerar ­­áreas de meios-​­tons e dégradés mais sua­ves e
pretos chapados mais densos.

Artigo publicado na edição nº 94

 
Mais segurança para a segurança Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Qui, 13 de Agosto de 2015

Lidando com clientes cada vez mais exigentes, gráficas de segurança buscam a certificação na norma 15540 como forma de evidenciar seu comprometimento com a proteção de informações e documentos.

A cada 19,9 segundos alguém tenta cometer uma fraude usando documentos falsos no Brasil. Esses números foram divulgados pela Serasa Ex­pe­rian em junho e referem-​­se ao mês de abril, quando foram registradas 162 mil tentativas de fraude ou roubo de identidade no País. Esse total representa uma diminuição de 11,1% em relação ao mês an­te­rior, quando houve 183 mil tentativas, porém um aumento de 4% frente a abril de 2014. A indústria da fraude é poderosa e difusa. E bastante lucrativa. Segundo o Fórum Na­cio­nal Contra Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o País tem pre­juí­zos em torno de R$ 100 bilhões com o contrabando, 
incluindo perdas setoriais mais a sonegação.Vá­rias
frentes levantam-​­se contra esse problema e o setor gráfico tem participação decisiva na pesquisa e desenvolvimento de produtos e dispositivos que minimizem a chance de falsificação. A produção dos chamados impressos de segurança (cédulas, documentos, cheques, selos de identificação, provas, ingressos, diplomas, certificados etc) compõe um segmento específico dentro do universo da impressão, do qual uma das facetas mais evidentes é a salvaguarda das informações que tais produtos carregam ou possam vir a carregar.
Porém, não basta dizer-​­se uma gráfica de segurança. É preciso dotar-​­se de toda uma estrutura que garanta a proteção dos impressos. E isso também não é su­fi­cien­te. Dian­te do aumento e sobretudo da sofisticação das falsificações, o mercado quer evi­dên­cias de que a gráfica está real­men­te apta a proteger seu produto e sua marca.
Para tanto, a gráfica deve adotar as melhores práticas do mercado, em es­pe­cial as normas do setor. A garantia de que os requisitos normativos foram atendidos é dada pela certificação de terceira parte, feita pela ABTG Certificadora, órgão independente cria­do em 2010. A fim de prover uma salvaguarda ainda ­maior ao mercado, a ABTG Certificadora solicitou ao Inmetro a acreditação. A acreditação significa que a própria ABTG Certificadora passou pela ava­lia­ção do Inmetro, e em abril todas as unidades fabris já certificadas para a norma ABNT NBR 15540 (sistemas de segurança) receberam um novo certificado com o selo do Inmetro.
Uma década de trabalho
O histórico do Organismo de Normalização Se­to­rial de Tecnologia Gráfica, o ONS27, da ABTG, com o setor de impressos de segurança começou há 10 anos, quando profissionais da área perceberam a necessidade de unificar a linguagem. Entre eles estava Fernando Be­bia­no, consultor e coor­de­na­dor da Comissão de Estudos de Impressos de Segurança, na época gerente de Engenharia e Processos da RR Donnelley. A primeira norma feita pela comissão, a ABNT NBR 15368 – Terminologia de elementos para uso em impressos de segurança, foi publicada em 2006, quando o grupo já lidava com outras duas demandas: a identificação de elementos de segurança em um impresso e o estabelecimento de requisitos fundamentais para uma empresa ser considerada uma gráfica de segurança. No ano seguinte entraram em vigor a NBR 15539 – Métodos de identificação de elementos de segurança e a NBR 15540 – Análise de um sistema de segurança.
A 15540, cuja segunda versão saiu em 2013, tem justamente o objetivo de demonstrar o grau de solidez da estrutura de gestão de segurança de uma empresa. Trata-​­se de uma certificação fundamental, pois implica na adoção de requisitos para dificultar as ações criminosas, explicitando para os clien­tes o grau de comprometimento da gráfica com a segurança de todo o processo. Durante a auditoria são analisadas a segurança pre­dial, do processo produtivo, do documento, nos recursos humanos e os procedimentos para o transporte de produtos de segurança.
A primeira gráfica a identificar valor na certificação de conformidade com a 15540 foi a RR Donnelley. “Percebemos que com a norma os cri­té­rios ficavam claros e que com isso o mercado responderia positivamente ao saber que nós não só tínhamos a segurança tra­di­cio­nal da RR Donnelley no Brasil e no mundo, mas que se­guía­mos os preceitos da norma”, afirma Antonio Rebouças, gerente na­cio­nal de vendas da empresa (leia a entrevista com o es­pe­cia­lis­ta na página 18). Para o executivo, um dos principais be­ne­fí­cios da norma é a garantia tanto da origem das informações quanto a sua integridade. “A segurança tem de estar em todos os lugares. Seja durante o processo informatizado, na manipulação da informação, seja no processo de impressão. Por exemplo, como você cuida de um refugo de um impresso de segurança, uma sobra? A norma contempla isso e dá regras isonômicas, sem margem para interpretações diferentes. A regra é muito clara e a revisão pela qual passou em 2013 deixou-​­a melhor ainda”.
A segunda versão da norma veio justamente da adesão do mercado. “Quan­do o Inep [Instituto Na­cio­nal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira] colocou no edital do Enem a adequação da gráfica à 15540 vimos que te­ría­mos de dar mais consistência à norma, tornando-​­a passível de certificação”, explica Be­bia­no. O grupo responsável pela revisão foi composto por gráficos técnicos de segurança, representantes do IPT e dos fornecedores de insumos. O passo seguinte para a ABTG Certificadora foi a acreditação, que veio em 2015. Segundo o consultor, a qualificação dá mais peso à certificação, ratificando a credibilidade do órgão emissor, constituindo, para a gráfica que a recebe, um di­fe­ren­cial ainda maior.
Envolvimento de toda a cadeia

Atual­men­te, sete empresas (10 unidades) têm a certificação para a NBR 15540. Mas a norma não se restringe à indústria gráfica. Ela pode ser seguida pelos demais agentes da cadeia produtiva, desde o fornecedor de papel e tinta até a transportadora. Alguns deles, segundo Be­bia­no, já adotam vários de seus preceitos. Contudo, em muitos momentos a gráfica investe nos mais modernos recursos de segurança, em procedimentos e no treinamento dos recursos humanos, esquecendo-​­se de exigir do fornecedor um mínimo de segurança. A norma prevê, inclusive, a homologação dos fornecedores. “O envolvimento de toda a cadeia de produção é fundamental. Na Valid, essa cultura de entrosamento entre a produção e a gestão de segurança permeia todas as ­­áreas da companhia e os fornecedores”, diz Ricardo Dunstan, gerente de Segurança Corporativa da Valid. Com cinco fábricas no Brasil, a empresa é es­pe­cia­lis­ta em meios de pagamento, sistemas de identificação, telecomunicações e certificação digital. Dessas, quatro unidades de ne­gó­cios foram certificadas, em duas plantas diferentes. Na Valid do Rio de Janeiro (RJ) foram certificados os serviços de Selos de Segurança e CNH/Identificação, e na planta de São Bernardo do Campo (SP) foram certificadas as produções de impressos de segurança e CNH/Identificação. Atual­men­te estão em processo de certificação as unidades da Valid em Ba­rue­ri e Sorocaba, ambas no Estado de São Paulo. Em Ba­rue­ri, o processo acontece nas ­­áreas de cartões e impressos de segurança personalizados. Em Sorocaba, na parte gráfica e de cartões/RFID. De acordo com o gerente de segurança a certificação com a norma NBR 15540 reforça a se­rie­da­de e comprometimento com o clien­te, que tem a garantia de receber produtos de qualidade. Do lado ope­ra­cio­nal, a certificação consegue cobrir todos os pontos vulneráveis do processo 
produtivo, garantindo a proteção do negócio.
Para Eduar­do Godoi, gerente co­mer­cial e de Operações da Thomas Greg, a certificação veio para balizar as empresas que têm efetivamente capacidade de produzir com segurança. Com o gene da segurança em seu DNA, o processo de certificação não exigiu ajustes profundos, segundo o executivo. A questão mais crítica está na gestão e monitoramento dos fun­cio­ná­rios. A Thomas Greg produz selos de segurança, diplomas, cédulas de identidade, ingressos etc.
Hoje, vá­rios órgãos públicos já in­cluem a 15540 em seus editais. Empresas privadas, como instituições ban­cá­rias, vêm se ba­sean­do na norma para ­criar seus manuais de segurança, auditando seus prestadores de serviço de impressão a partir deles.
O objetivo agora, de acordo com Be­bia­no, é disseminar a certificação e a importância da acreditação pelo Inmetro. A aplicação de recursos na in­fraes­tru­tu­ra de segurança, desde uma portaria blindada, passando por controles de acesso e monitoramento de produção, é alta, contudo o mais difícil, admite o consultor, é a mudança de cultura. E se não houver o envolvimento da direção da empresa, nada acontece.

Fornecedores 
apostam em expansão

Se a alma de um impresso de segurança está nas informações que carrega, o corpo é formado por uma combinação de insumos es­pe­cial­men­te desenhados para evitar a falsificação. A começar pelo papel, tudo é meticulosamente pensado para dificultar a ação dos fraudadores, com o desenvolvimento constante de novos produtos, como comenta Da­niel Gras­siot­to, gerente co­mer­cial da Filiperson. “Por se tratar de um segmento de altíssima complexidade, temos sempre desenvolvimentos em curso. Neste momento estamos trabalhando em cinco novos elementos, devendo ocorrer o lançamento de pelo menos dois ainda em 2015”, afirma o executivo. A inovação mais recente foi o meio que permite identificar a procedência do papel, caso seja necessária a determinação da origem durante perícia ou exame.
Otimista em relação a esse mercado, que representa 20% do faturamento da Filiperson, o gerente diz que a utilização de pa­péis de segurança tem se renovado. Alguns impressos de segurança foram subs­ti­tuí­dos por cartões plásticos, porém outros estão migrando para pa­péis. “Nosso horizonte aponta para pa­péis com um número ainda maior de itens de segurança, entre visuais, táteis, magnéticos e rea­ti­vos, mas também para a detecção automática de autenticidade, área na qual a Filiperson vem investindo”.
A aplicação de recursos justifica-​­se uma vez que o volume de papel fornecido pela Filiperson para esse setor tem crescido anual­men­te. Em função das características de seus equipamentos e a possibilidade de customização dos pa­péis de acordo com as necessidades dos clien­tes, mesmo tratando-​­se de volumes pequenos, Da­niel confia na elevação da atratividade do segmento nos próximos anos.
A Filiperson oferece ao mercado dois produtos: o Filiseg FGCO, com fibras coloridas nas cores azul, verde e vermelha, e fibras invisíveis que se tornam fluo­res­cen­tes sob a ação dos raios ul­tra­vio­le­ta, voltado para a produção de documentos oficiais como a CNH, bem como ingressos, certificados e vales em geral; e o Filiseg FGCO/MD, que adi­cio­nal­men­te contém a marca d’água do clien­te.
Seguindo a mesma linha, a Multiverde oferece a customização de seus pa­péis. Nova na sea­ra de impressos de segurança, na qual debutou em 2012, a empresa fornece o Multisecurity, papel filigranado, com duas fibras visíveis a olho nu, nas cores azul e vermelha, e duas percebidas sob a luz UV, nas cores verde e amarela, com marca d´água genérica ou con­fec­cio­na­da me­dian­te desenho do clien­te. “Nossa participação nesse segmento evolui ano a ano. Estamos nos firmando e compondo com nossos clien­tes relações com alto grau de con­fia­bi­li­da­de”, afirma Milton Alves, gerente co­mer­cial da Multiverde.
Múltiplas alternativas

Subindo um degrau na produção de um impresso de segurança temos as tintas especiais, que se desdobram em inúmeros recursos e aplicações. Só a Sellerink, um dos principais fornecedores, tem cerca de 20 produtos para o segmento de segurança, entre tintas de va­ria­ção óptica, iridescentes e tintas calcográficas com secagem infravermelha, rea­li­zan­do dois ou três lançamentos anuais. O mais recente é a Optical Va­ria­ble, tinta de va­ria­ção óptica. Como explica Marcos Anghinoni, diretor de vendas, a linha foi desenvolvida para impressão calcográfica (talho doce) ou serigráfica plana e rotativa, com o objetivo de evitar fraudes por meio da va­ria­ção de cor em função da incidência da luz. Essa va­ria­ção pode ser customizada, incluindo mais cores, que se alteram segundo o ângulo de visão do impresso. A linha aplica-​­se ainda à flexografia con­ven­cio­nal ou UV. “Somos de­sa­fia­dos o tempo todo a desenvolver mecanismos que possam inibir as fraudes e falsificações, evitando grande pre­juí­zo ao comércio. A adoção de sistemas integrados, unindo o impresso e o eletrônico, deve ser o futuro dos documentos de valor. Além disso, os produtos que têm alto giro ou bom valor agregado precisam e precisarão cada vez mais proteger suas embalagens para evitar falsificações, como os medicamentos”, afirma Marcos.
Aproximadamente 35% do faturamento da Sellerink vem do port­fó­lio de segurança. Ainda em 2015 a empresa deve apresentar uma linha de tintas de segurança base d’água. Para lançamento a médio prazo, a equipe tem trabalhado em tintas inteligentes para identificação bio­mé­tri­ca (DNA) e RFID (Identificação por radiofrequência).
Completando a lista de recursos antifraude chegamos aos hologramas de segurança, cuja aplicação vem crescendo, de acordo com Flávio Oliveira, executivo de vendas da Crown Roll Leaf do Brasil. “A tendência é que o uso dos hologramas aumente no Brasil, uma vez que os custos di­mi­nuí­ram e a aceitação por parte do consumidor final cresceu”. O desafio, na opi­nião dele, ainda são as altas taxas de importação, que por vezes in­via­bi­li­zam alguns projetos. Os hologramas pos­suem uma característica única: são customizados segundo a necessidade e a arte de cada clien­te. Na Crown, todo o processo de fabricação é feito internamente sem a necessidade de terceirização de etapas, garantindo sigilo absoluto. Perto de 12% da receita da Crown do Brasil vem dos hologramas de segurança.    


Empresas já certificadas que receberam um novo certificado
com o logotipo do Inmetro, após a acreditação da ABTG Certificadora

• Gemalto do Brasil
• G&D – Giesecke & Devrient América do Sul
• IGB – Indústria Gráfica Brasileira
• RR Donnelley
• Thomas Greg & Sons
• Tress Impressos de Segurança
• Valid (RJ, SP)

Artigo publicado na edição nº 93

 
DscoopX reúne 2.200 pessoas em Washington Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 04 de Maio de 2015

Conferência anual de usuários HP discute a geração de negócios no universo da impressão digital. Participaram do evento 250 latino-​­americanos.

Nem mesmo a forte nevasca que atingiu Washington, nos Estados Unidos, no dia 5 de março, provocando atrasos e cancelamentos de voos, foi su­fi­cien­te para afastar o público. A 10ª edição da conferência ­anual da Ds­coop foi a maior entre as já rea­li­za­das, reunindo entre os dias 5 e 7 de março mais de 2.200 pes­soas, entre usuá­rios das impressoras HP, fornecedores e técnicos. Desse universo, 600 participantes eram estrangeiros, dos quais 250 latino-​­americanos. O grupo brasileiro, incluindo a equipe da HP Brasil, reuniu 75 pes­soas. “A participação dos membros da Ds­coop, mesmo em cir­cuns­tân­cias únicas, mostra o quão comprometida é essa comunidade”, afirmou John Rogers, diretor executivo global da Ds­coop na abertura do evento.

Cria­da em 2005, a Ds­coop, Digital So­lu­tions Coo­pe­ra­ti­ve, é uma comunidade mun­dial que congrega gráficas e parceiros da indústria com o objetivo de partilhar ideias e informações visando ao desenvolvimento do mercado e à geração de ne­gó­cios com o uso de tec­no­lo­gias de impressão digital da HP, incluindo HP Indigo, Scitex, equipamentos com tintas látex e impressoras inkjet rotativas. O que começou com 250 membros, hoje soma duas mil empresas e 12 mil as­so­cia­dos in­di­vi­duais.

Seguindo a tendência do mercado, a conferência neste ano dedicou es­pe­cial atenção ao segmento de embalagens, com uma grade de nove palestras exclusivas. Além dessas, entre workshops, mesas redondas e palestras, foram 62 sessões, com debates sobre gestão, vendas e mar­ke­ting, palestras técnicas e operacionais. Como palestrantes-​­chave participaram Jim Stengel, ex-​­diretor de mar­ke­ting global da Procter & Gamble e autor do livro Grow: How ­Ideals Power Growth and Profit at the World’s Grea­test Com­pa­nies, Soren Kaplan, es­pe­cia­lis­ta em inovação e tecnologia disruptiva, e Alon Bar-​­Shany, vice-​­presidente e diretor geral da divisão HP Indigo. Completando o pacote oferecido aos participantes, a Ds­coopX contou com uma área de exposição que reuniu 116 fornecedores, número também recorde, entre empresas de embalagem, acabamento, substratos, mala direta, transpromo, co­mer­cial e es­pe­cia­li­da­des para o segmento fotográfico.

Em encontro com a imprensa, John Rogers afirmou que para 2016 a Ds­coop planeja abrir a conferência para todos os usuá­rios HP, deixando de ser exclusiva aos membros da comunidade. Outra ideia é envolver os designers gráficos. Ainda neste ano serão rea­li­za­dos encontros regionais na Irlanda, em junho; no Japão, em setembro (em conjunto com a Igas 2015), afora o Ds­coop Days Latin America (nos moldes do ocorrido em São Paulo, no ano passado) no México, em maio; e em junho na Colômbia.

Soluções

Aproveitando a oportunidade de mostrar seu port­fó­lio de soluções para o segmento gráfico, a HP levou para a Ds­coopX as inovações promovidas nas impressoras digitais HP Indigo 10000, 7800, WS 6800, 20000 e 30000. Elas in­cluem um pacote de aprimoramentos para a HP Indigo 10000, atua­li­za­ções para as impressoras digitais HP Indigo 7800 e WS 6800, possibilidades de aplicações adicionais para os modelos 20000 e 30000 e uma solução de serviços multifacetada para usuá­rios da HP Indigo. O conjunto de aprimoramentos da HP Indigo 10000 fornece melhoria na uniformidade das cores, na produtividade e na capacidade de uso, além de uma va­rie­da­de expandida de aplicações graças às novas cores Spot e tintas especiais, incluindo o branco HP Indigo ElectroInk. Os avanços nas HP Indigo 7800 e WS 6800 minimizam a necessidade de óleo adi­cio­nal na formação de imagens, benefício estendido aos clien­tes que pos­suem as impressoras HP Indigo 7500, 7600 e WS 6600, por meio de atua­li­za­ções. Já para a HP Indigo 30000, que agora imprime em mídia metalizada, o destaque foi a solução com verniz duplo de passada única com o Tresu ­iCoat 30000 Twin, bem como a dobradeira-​­coladeira Kama FlexFold 52.

A operação da nova unidade de verniz em linha da 30000, impressora com formato meia folha focada na produção de cartuchos, foi demonstrada para clien­tes e jornalistas brasileiros por Paulo Faria, gerente do Segmento de Embalagens da HP Brasil, e Danilo Eskenazi, diretor de vendas da Comprint. A solução aceita verniz UV e base água, assim como tintas rea­ti­vas, que podem ser aplicados na totalidade do impresso ou em ­­áreas específicas. Com velocidade de 3.450 folhas por hora para materiais 4 × 0, o foco são produtos com tiragens até 5.000 unidades. Ques­tio­na­dos quanto à possibilidade da am­plia­ção do formato para folha inteira, os técnicos informaram que a arquitetura da máquina está pronta para o formato maior, porém por uma questão de estratégia de mercado se manterá no 75 × 53 cm, pelo menos por enquanto. Onze unidades já estão em fun­cio­na­men­to, sendo sete nos Estados Unidos e as demais no México, Canadá, Is­rael e Alemanha. Presente na apresentação, Luca Cia­lo­ne, country manager HP Indigo & Inkjet Web Press na HP, confirmou que a empresa terá o maior estande da Drupa 2016, ocupando os 9.000 m2 do pavilhão 17.

A jornalista viajou a convite da HP Brasil

Artigo publicado na edição nº 92

 
Caixas de papelão ondulado se sofisticam e ganham os pontos de venda Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 04 de Maio de 2015

Cresce o uso do papelão ondulado na produção de embalagens para frutas, legumes e verduras. Logística facilitada, durabilidade e sustentabilidade são apontadas como características decisivas para a escolha.

Quem costuma frequentar os supermercados ou lojas de hortifrúti sabe. Há algum tempo as gôndolas das ­­áreas destinadas às frutas e hortaliças frescas vêm sendo invadidas por caixas que são verdadeiros displays. Feitas de papelão ondulado, essas embalagens estão atravessando a cadeia de produção, conectando produtor e consumidor final, extrapolando as funções essenciais de armazenamento e transporte, assumindo também o papel de apresentar o produto ao comprador.
O uso do papelão ondulado para a produção de embalagens vem crescendo de uma forma geral. De acordo com dados da As­so­cia­ção Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), o consumo aparente per capita de caixas, aces­só­rios e chapas de papelão ondulado cresceu de 14,6 kg por habitante/ano em 2006 para 17 kg por habitante/ano em 2013. Em 2011, do total de caixas e aces­só­rios de papelão ondulado expedidos no País (num total de 1.885.980 toneladas), 137.568 toneladas foram utilizadas pelo setor de horticultura, floricultura e fruticultura, correspondendo a 7,29% do total.
Entre as 17 ca­te­go­rias industriais listadas no levantamento, o segmento hortifrúti só perdeu para produtos ali­men­tí­cios, que abocanhou 42,79%, e químicos e derivados, com 8,13%, deixando para trás ­­áreas como produtos far­ma­cêu­ti­cos, bebidas e o segmento têxtil. Em 2013, o setor de frutas e verduras utilizou 138.144 toneladas, correspondendo a 6,95% do total, mantendo-​­se, apesar da queda per­cen­tual frente aos outros setores, no posto de terceira categoria de maior consumo. Em fevereiro deste ano, quando foram expedidas 254.416 toneladas de caixas, aces­só­rios e chapas de papelão ondulado, volume 3,95% in­fe­rior ao do mesmo pe­río­do de 2014, refletindo a retração na economia brasileira, 7,32% destinaram-​­se à horticultura, fruticultura e floricultura, como consta no boletim estatístico da ABPO.
A força do papelão ondulado junto às frutas e verduras fica ainda mais evidente quando se olha para os números da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Cea­gesp). O entreposto é a principal central de abastecimento do País, movimentando dia­ria­men­te cerca de 250 mil toneladas de frutas, legumes, verduras, pescados e flores, entre outros produtos. É considerado o maior da América Latina e o terceiro centro de co­mer­cia­li­za­ção atacadista de perecíveis do mundo, atrás apenas de Paris e Nova York.
Desde 2004, o Centro de Qua­li­da­de em Horticultura (CQH) da Cea­gesp faz um levantamento da evolução das embalagens que circulam pelo entreposto por tipo de ma­te­rial. São entrevistados os atacadistas mais representativos e estimada uma porcentagem da utilização de cada tipo de embalagem. Há 10 anos, a madeira ainda era, de longe, o ma­te­rial mais usado, somando quase 99 milhões de unidades, contra 60 milhões de unidades em papelão, pouco mais de um milhão em plástico e perto de 10 milhões em sacaria. Em 2009, pela primeira vez as posições se inverteram, com o papelão superando a madeira, com 87 milhões de unidades, contra 83 milhões. Em 2014, o CQH estima que tenham passado pela Cea­gesp quase 105 milhões de unidades de papelão ondulado, soma 15% su­pe­rior à movimentação de caixas de madeira, com 91 milhões de unidades. O plástico também mostrou fôlego, saltando de 1,3 milhão de unidades em 2004 para 16 milhões no ano passado.

Diferenciais
Para Ga­briel­la Michelucci, diretora de Papelão Ondulado da Klabin, a embalagem em papelão ondulado está em crescimento no mercado de hortifrúti devido a uma combinação de fatores que envolve logística, durabilidade e sustentabilidade. “Para atender esse segmento, a Klabin elaborou, produz e co­mer­cia­li­za embalagens de papelão ondulado que atendem de pequenos a grandes produtores rurais”. A executiva ressalta o fato de o produto facilitar o transporte ao eliminar a necessidade de controle das embalagens va­zias e os espaços de armazenagem, além do frete de retorno. Outro ponto importante é a durabilidade. Altamente resistente ao frio e à umidade, a caixa preserva e conserva as frutas e alimentos, o que impede o aparecimento de fungos e bac­té­rias. Ga­briel­la ressalta ainda a questão da sustentabilidade intrínseca ao papelão ondulado e o atendimento às leis fi­tos­sa­ni­tá­rias.
A Klabin é líder no mercado brasileiro de embalagens de papelão ondulado. Em 2013, o volume médio de embalagens de papelão ondulado produzido pela companhia foi de 45.500 toneladas por mês, com market share de 16,1%. Do total de produtos co­mer­cia­li­za­dos pela companhia em 2014, o volume de vendas de papelão ondulado representou 32%.
Nos últimos cinco anos, a Klabin investiu em me­lho­rias e na am­plia­ção das fábricas de papelão ondulado. As oito plantas da Klabin em Goiana (PE), Feira de Santana (BA), Betim (MG), Jun­diaí (Distrito In­dus­trial e Tijuco Preto, SP), Piracicaba (SP), Itajaí (SC) e São Leo­pol­do (RS) receberam investimentos em sistemas de impressão e acabamento. Um dos diferenciais das embalagens produzidas pela Klabin, como afirma Ga­briel­la, é a utilização, quando especificada, de fibra virgem, respeitando a normativa n–º 009 de 12 de novembro de 2002, referente à contaminação de alimentos, uso que também confere maior resistência ao produto.

E a aplicação de recursos não para. No início deste ano, a companhia inaugurou uma nova máquina de papel na unidade de Goiana, triplicando a capacidade de produção de papel reciclado, passando das atuais 50 mil toneladas/ano para 160 mil toneladas/ano. Com isso, a planta tornou-​­se a maior fábrica de papelão ondulado da América Latina. Essa nova capacidade, somada ao aumento de 15 mil toneladas com a reforma da máquina de papel 21, em Piracicaba, fará com que a Klabin atinja a produção total de 270 mil toneladas/ano de papel reciclado, em 2015.
A MWV Rigesa, outro nome de peso no setor, continua também a apostar em papelão ondulado. Presente na re­gião Nordeste há mais de 17 anos, a companhia anunciou em novembro de 2014 o investimento de US$ 21 milhões para aumento de sua produção na unidade de Pacajus (CE) com a aquisição de uma nova onduladeira, prevista para entrar em fun­cio­na­men­to em abril deste ano. A operação em Pacajus é estratégica para a expansão dos ne­gó­cios de papelão ondulado da MWV Rigesa nas re­giões Norte e Nordeste, e os investimentos projetam crescimento na produção local de 15% a 20% ao ano, nos próximos cinco anos.Sérgio Ivancko, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, credita a elevação no uso do papelão ondulado às vantagens econômicas, produtivas e ambientais do ma­te­rial. “Números apresentados pela As­so­cia­ção Brasileira de Embalagem (Abre) mostram que o volume de embalagens produzidas em papelão ondulado representa perto de 18% do total da produção de embalagens no Brasil, incluindo todos os tipos de materiais. Apesar de um crescimento tímido no mercado de papelão ondulado em 2014, percebemos umapreferência por esse produto”.

Atratividade
Para atender o segmento de frutas, legumes e verduras a MWV Rigesa projetou a linha BrightBox, nova geração de embalagens que agregam mais valor ao produto. Com alta resistência à cadeia de frio, a BrightBox permite que o produto chegue mais fresco, conservando por mais tempo a sua qualidade. “Mas fomos além. A BrightBox, com seu design inovador, expõe o produto no ponto de venda com todo destaque e visibilidade que ele merece. As caixas oferecem segurança alimentar e ras­trea­bi­li­da­de garantida da matéria-​­prima, entregam mais segurança, proteção, ganhos logísticos, praticidade e ainda a possibilidade de impressão sofisticada, destacando também a marca”, diz Sérgio Ivancko.
Hoje, o maior desafio para os fabricantes de embalagens em papelão, na opi­nião do es­pe­cia­lis­ta da MWV Rigesa, é in­fluen­ciar a melhoria da cadeia, de maneira que a embalagem adequada possa ser utilizada. “A questão tecnológica da embalagem não é mais um entrave e, em cadeias estruturadas, como a de exportação, a embalagem de papelão ondulado é dominante”. Um exemplo do aperfeiçoamento técnico do setor é o Ma­nual Hortifrutícola, que já existe há oito anos. Ele foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Normas Técnicas da ABPO visando a cons­cien­ti­zar e uniformizar os cri­té­rios a serem seguidos na fabricação, controle da qualidade e na utilização da embalagem para frutas, legumes e verduras. Um dos principais alvos do ma­nual foi ajudar as empresas a seguirem as exi­gên­cias governamentais quanto ao di­men­sio­na­men­to das embalagens.
Os avanços na fabricação das embalagens vão desde a produção do papelão ondulado até a impressão em flexografia ou offset (com o empastamento da folha impressa) e o acabamento, com linhas de corte e vinco rotativo ou plano, in-​­line e off-​­line. As novas tec­no­lo­gias de produção abrem espaço para a customização das caixas, tanto por produto quanto de acordo com necessidades específicas do usuá­rio, dando vazão à cria­ti­vi­da­de dos desenvolvedores, como comentam Giselen Cristina Pascotto Wittmann, técnica de ensino, e Camila Christini Tomas, designer, ambas da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris.
Também nas empresas convertedoras, que não fabricam e sim compram as chapas de papelão ondulado, o cuidado com a atua­li­za­ção tecnológica e com a efi­ciên­cia na administração dos processos rendem bons resultados. A Mazurky, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, registrou crescimento de 39% nas vendas do primeiro bimestre de 2015, puxadas pela indústria far­ma­cêu­ti­ca, alimentícia e de comunicação. “O mercado está estagnado em função da crise. Acredito que o nosso resultado vem do investimento que fazemos em mar­ke­ting, em atendimento di­fe­ren­cia­do e gestão integrada. Temos as principais certificações de qualidade“, afirma Eduar­do Mazurkyewistz, diretor da empresa. Há 11 anos em atividade, a Mazurky converte entre 270 e 300 toneladas de papelão ondulado por mês.

Artigo publicado na edição nº 92

 
Fespa Brasil/ExpoPrint Digital anuncia edição anual Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Qui, 30 de Abril de 2015

O evento comprovou a posição de primeira grande feira de negócios do ano no setor de impressão digital e comunicação visual. Promovida entre os dias 18 e 21 de março no Pavilhão Branco do Expo Center Norte, em São Paulo, a feira superou as expectativas e passa a ser anual.

Durante os quatro dias de realização da Fespa Brasil 2015 e ExpoPrint Digital foi registrada a presença de 14.236 visitantes únicos, o que significa crescimento de 8% em relação à edição an­te­rior. Para abrigar as marcas nacionais e internacionais, a área de exposição foi aumentada em 8%. Foram 12% mais expositores do que em 2013, e um crescimento ainda maior em marcas expostas: nesta edição foi atingido o número de 439 marcas.Reforçando a proposta feita pela Fespa e pela APS (organizadoras e rea­li­za­do­ras do evento) desde a primeira edição, de reinvestir no mercado, buscando pro­fis­sio­na­li­zar o setor e ­criar demandas de impressão e ne­gó­cios sustentáveis, foram organizados dois congressos gratuitos durante a exposição: o Congresso In­ter­na­cio­nal de Impressão Digital e Digital Textile Conference, já presente em outras partes do mundo e rea­li­za­do pela primeira vez no Brasil. Ambos somaram 496 participantes.A próxima edição já está marcada e o período será antecipado. A feira passa a ser ­anual e ocorrerá de 6 a 9 de abril de 2016. Outra novidade é a ­união com um terceiro evento, que acontecerá na mesma data e espaço: a Brasil Label, ini­cia­ti­va promovida entre a APS Feiras e a Fespa voltada para o segmento de impressão de rótulos.Para Alexandre Kee­se, diretor da APS Feiras, o balanço é o mais positivo possível. "Recebemos na Fespa Brasil 2015 e ExpoPrint Digital impressores vindos de todos os lugares do País. São em­pre­sá­rios buscando novos investimentos, tec­no­lo­gias e oportunidades de negócio. E tudo foi encontrado aqui”. O diretor da APS aponta alguns destaques da feira: “Tivemos uma área têxtil forte, com impressão em tecido gerando novas oportunidades de produtos e ne­gó­cios em ves­tuá­rio. Apresentamos ainda sublimação, comunicação vi­sual, rápidas e baixas tiragens; enfim, conseguimos cobrir tudo o que existe de novo”.


Produtos e Inovações

Calcgraf

A Calcgraf esteve na ExpoPrint Digital com as ferramentas que compõem seus sistemas de gestão, atendendo a todos os segmentos da indústria gráfica e empresas de qualquer porte. Com soluções ba­sea­das na internet, mesmo as empresas com restrição de investimento podem usufruir de ferramentas adequadas às suas necessidades e com baixo custo de implementação. Modulares, os sistemas trazem recursos como Web-​­to-print (B2B), portal de acesso dos clien­tes aos serviços da gráfica que permite o ge­ren­cia­men­to de pedidos via web; PCP, ferramenta di­re­cio­na­da ao controle e planejamento de produção; Apontamento Automatizado, módulo de automação dos apontamentos de produção; CRM, sistema totalmente web e integrado ao ERP Calcgraf, que possibilita efi­cien­te gestão dos processos internos em todas as ­­áreas da empresa; e o módulo de Pós-​­cálculo, que permite a personalização do cenário de análise, facilitando as consultas gerenciais, simplificando a identificação de distorções entre o que foi previsto e o efetivamente rea­li­za­do.

Canon
Em linha com os planos de expansão para 2015 com o objetivo de fortalecer sua presença no mercado gráfico, a Canon apresentou duas novas soluções voltadas para o mercado de produção, que demanda precisão e qualidade. A imagePress C800 é uma impressora colorida de alta qualidade, voltada para o setor gráfico de produção leve. Trabalha em velocidades de até 80 ppm (A4), com até 500 mil impressões mensais, imprime envelopes e em uma va­rie­da­de de mí­dias revestidas, coloridas com relevo, e texturas. Já a imagePress C60 é di­re­cio­na­da ao mercado publicitário. A tecnologia opera em velocidades de até 60 ppm (A4) e ajuste fino de calibração de cor para obter o melhor resultado possível. Faz até 250 mil impressões por mês e possui diversas opções de acabamento. Outra novidade foi a Océ Arizona 6170, que reforça a presença da Canon no segmento de comunicação vi­sual, com qualidade de impressão e versatilidade. O destaque do novo modelo, apresentado pela primeira vez na América Latina, é a velocidade. A impressora de mesa é capaz de produzir 33 placas no formato 1,22 × 2,44 m por hora mantendo a qualidade pela qual a linha 6100 é conhecida. O alvo são as empresas de comunicação vi­sual que atendem os grandes varejistas.

CotaPrint
O publicitário Thia­go Cid e o analista de sistemas Henrique Magalhães levaram uma proposta inovadora para a feira. Trata-​­se do CotaPrint, site que promete fazer a ponte entre gráficas e clien­te. Desde outubro, quando foi lançado, acumula o cadastro de 500 gráficas de todo o País, que pagam uma mensalidade para constar no banco de dados da empresa, va­rian­do entre R$ 29,90 e R$ 49,90, sendo que os primeiros 15 dias são gratuitos. Através da página, o clien­te solicita, gratuitamente, o orçamento de um produto ou serviço qualquer. O pedido é en­via­do às gráficas que informaram ser habilitadas a fazer aquele tipo de serviço e elas, por sua vez, podem entrar em contato com o clien­te via e-​­mail ou por telefone para apresentar o preço com o qual trabalham. O formato do negócio não é uma novidade na internet. Mas o CotaPrint se destaca por ser o primeiro a oferecer o serviço exclusivamente a consumidores e empresas do setor gráfico. Segundo Thia­go, o objetivo foi deixar a plataforma o mais simples possível para facilitar a vida de quem necessita de um produto gráfico. O clien­te nem precisa fazer cadastro para solicitar um orçamento. O mesmo fun­cio­na para as gráficas. Depois de receber o e-​­mail com a solicitação do orçamento, tudo corre no am­bien­te da gráfica, sem interferência do Cotaprint. A startup nasceu em 2014 e foi alavancada após receber fi­nan­cia­men­to do Gávea Angels, grupo de investidores se­dia­dos no Rio de Janeiro.

Diginove
O destaque da Diginove foi a laminadora Fo­liant Vega A, em operação no estande da Xerox. Trata-​­se de uma nova geração de equipamentos desenvolvida para processos de laminação em baixas e mé­dias tiragens, que trabalha com tecnologia de precisão para separação de folhas através de um sistema composto por um par de cilindros cujo controle e monitoramento pode ser rea­li­za­do a partir da unidade de ge­ren­cia­men­to da máquina. O sistema pode laminar filmes BOPP de 23 a 42 mícrons, ou filmes de nái­lon de até 35 mícrons, e oferece como aces­só­rios opcionais o sistema Jogger, que otimiza a vibração do equipamento, assegurando uma laminação ainda mais precisa, a unidade de recepção RU para empilhamento de itens laminados, e um rolo extra de filme para demandas mais exigentes. A linha Vega está disponível nos modelos Vega 530A, para formatos de até 53 × 75 cm, velocidade máxima de 15 metros por minuto; e Vega 400A, que conta com sistema de separação automático de folhas, velocidade para até 18 metros por minuto, acomoda formatos de até 38 × 66 cm, e trabalha com gramaturas que vão de 115 até 500 g/m2.

Durst
A Durst Brasil mostrou a nova Rho P10 160, que incorpora o mesmo conceito tecnológico e robustez da linha Durst, porém indicada para o segmento entry-​­level. Trata-​­se de uma impressora digital inkjet UV que conta com padrão sete cores, gerando pontos de 10 picolitros para reprodução de imagens e traçados com alta qualidade, podendo trabalhar com configurações de entrada de mídia por rolo ou mesa plana. Sua velocidade está estimada em 100 m2/hora, com resolução de 1.000 dpi.

Epson
A Epson destacou a linha SureColor Série F, que marcou a entrada da Epson no segmento têxtil e hoje conta com produtos de impressão direta sobre tecido (F2000) e sublimação (F6070 e F7170), equipados com a tecnologia mais recente em impressão de imagens de alta performance: o sistema de cabeças de impressão exclusivo Epson Pre­ci­sionCo­re TFP. A SureColor F2000 imprime diretamente sobre tecidos e peças de ves­tuá­rio de algodão, com velocidade que permite estampar uma nova camiseta a cada 27 segundos, tornando-​­a a impressora mais rápida de sua categoria. Com a linha de impressão sublimática (F6070 e F7170), a Epson apresentou não só impressões a velocidades de até 58,9 metros quadrados por hora, mas uma solução completa para o setor têxtil, com tintas sublimáticas específicas para o sistema de cabeça de impressão, papel tratado com baixo consumo de tinta, suporte técnico on-​­site e programa de be­ne­fí­cios Epson Rewards. Para o usuá­rio final, a principal vantagem é a economia no custo total de produção, que pode chegar até a 60% quando se usa a solução completa Epson.

Gomaq
Distribuidora das impressoras jato de tinta digital e duplicadores digitais da marca Riso, a Gomaq expôs a ComColor 9150, que permite uma impressão com a velocidade de 150 páginas por minuto, com baixos custos operacionais, aumento de produtividade e con­fia­bi­li­da­de para um desempenho su­pe­rior. Com baixo consumo de energia e sem emissão de CO₂, são consideradas, segundo o fabricante, as impressoras mais
sustentáveis do mercado.

Gutenberg
O destaque da Gutenberg em impressão digital foi sua nova representada, a Primera Inc., empresa americana es­pe­cia­li­za­da em impressoras para cria­ção de rótulos e etiquetas para as mais va­ria­das aplicações. Os equipamentos desenvolvidos pela Primera oferecem soluções para os mercados de impressão de código de barras, rótulos para garrafas, embalagem de cosméticos, etiquetas para crachás, embalagem alimentícia, rótulos de produtos para limpeza e muitas outras aplicações. A combinação de dois poderosos equipamentos Primera, a impressora LX 900 e o aplicador de rótulos AP 362, pode trazer para diversos nichos a possibilidade de personalizar rótulos com qualidade e alta tecnologia em baixas tiragens.

Heidelberg
Um pouco mais de três anos e meio após ter lançado as vendas da série de sistemas de impressão digital Linoprint C, a Heidelberg apresentou uma nova geração de impressoras digitais que oferecem desempenho ainda melhor. Os novos modelos Linoprint CV, Linoprint CP, Linoprint CE e Linoprint CM, lançados em janeiro na Alemanha, são voltados para a flexibilidade e produtividade aprimoradas na produção econômica de tiragens pequenas, personalizadas e híbridas. A Linoprint CV, com velocidade de 90 páginas A4 por minuto, alto padrão de qualidade e funções detalhadas, estabelece novos padrões em sua classe de desempenho. O sistema pode imprimir com cinco cores, tornando-​­se único em seu segmento. Além das quatro cores pri­má­rias, o sistema oferece, também, branco com opacidade elevada ou, alternativamente, um verniz com pro­prie­da­des de alto brilho como uma cor adi­cio­nal — tanto como verniz de área total ou localizado. Os usuá­rios podem escolher dentre uma grande va­rie­da­de de substratos, va­rian­do de pa­péis texturizados a meios envernizados, papel colorido e filmes sintéticos. Além disso, como a Linoprint CV é projetada para grandes formatos, os usuá­rios podem produzir brochuras ou pôsteres dobráveis de seis páginas com até 700 mm de comprimento em uma única operação. Compacta, a Linoprint CE atinge 65 páginas A4 por minuto, po­si­cio­nan­do-​­se como equipamento de entrada no mundo da impressão digital.

HP
A HP levou para a feira sua linha de impressoras com tecnologia de tinta látex. Três modelos estão expostos: HP Latex 310, 330 e 360. Desenhada para espaços pequenos e de fácil operação, a HP Latex 310 atinge velocidade máxima de até 48 m2/h, trabalhando com largura de 1,37 m. A HP Latex 330 é uma máquina versátil, com velocidade até 50 m2/h e largura de 1,62 m, enquanto a HP Latex 360, desenhada para oferecer alta qualidade e alta velocidade, chega a velocidades até 91 m2/h, na mesma largura.

IDS Mailgraf
Representante de soluções para acabamento e embalagens, a IDS Mailgraf mostrou na ExpoPrint Digital sua solução Duplo DC-​­616, equipamento que reú­ne aplicações de corte, vinco e picote em uma única plataforma. O sistema exibido no estande da Ricoh finaliza impressos produzidos na nova Ricoh Pro C7100x, como cartões de visita, fôlderes e convites com aplicações especiais. A Duplo DC‑616 possui uma série de recursos para atender à demanda de impressos sob demanda ou personalizados em toner, podendo finalizar até seis picotes, 25 cortes e 20 dobras em uma mesma etapa. Possui setup totalmente automatizado, permitindo rápida troca entre trabalhos, conta com sistema para armazenamento de padrões de trabalho, sistema de registro de marcas de registro e san­grias, e inclui ainda duas ferramentas de perfuração de ajuste ma­nual. Sua velocidade está estimada em 10 páginas por minuto.

Isidora
A nova versão da plataforma Isidora de web-​­to-print, totalmente desenvolvida no Brasil com tecnologia de ponta, traz avanços tecnológicos como impressão de dados variáveis, editor avançado, lojas prontas para uso e bi­blio­te­ca de produtos, além da exibição dos diferentes portais que já estão ativos na internet. Também foi lançada na feira, em evento rea­li­za­do no dia 19 de março, a Comunidade de Usuá­rios Isidora. “Foi uma excelente oportunidade de congraçamento, troca de ideias e vi­sua­li­za­ção de futuros ne­gó­cios para os nossos atuais e futuros clien­tes”, afirmou Andrea Costa, diretora da plataforma.

Konica Minolta
A Konica Minolta lançou ofi­cial­men­te no Brasil duas novas impressoras da série bizhub: a bizhub Press C1070P e a bizhub Pro C1060L. A primeira é um equipamento de impressão digital de alta produção que, além de inovações de design em seu hard­ware (com CPU embutida), oferece velocidade de 71 páginas por minuto à resolução de 1.200 × 1.200 dpi. Nela, também se pode trabalhar com mí­dias em gramaturas de 62 a 300 g/m2. A bizhub Pro C1060L é um equipamento que, afora operar como impressora colorida, também conta com sistema de digitalização agregado. Sua velocidade está estimada em 60 páginas por minuto e pode ser integrada a unidades de acabamento para finalização in-line de impressos como livretos e outros materiais promocionais. Presentes em ambos os modelos estão inovações únicas da família Konica Minolta. Entre elas, a possibilidade de se configurar padrões de retículas em opções que vão da estrutura con­ven­cio­nal (de amplitude modulada, AM) à estocástica (frequência modulada, FM), ­ideal para reprodução de maior qualidade de imagens com ­­áreas de gradações de cores, ou para eliminar problemas de moiré
e steps de impressão.

Oki Data
A Oki Data destacou na feira as impressoras que possibilitam a impressão com toner branco e ­clear. A C941 é o único equipamento cinco cores com tecnologia de impressão LED e uma nova referência para a área gráfica. O modelo é compatível com o ­Fiery XF 5, soft­ware de ge­ren­cia­men­to de cores e controle de fluxo de trabalhos gráficos, e possibilita a impressão no formato A3+ de provas de cor e de conceito, cria­ção de mocapes em mí­dias escuras de até 360 g/m2 e personalização de rótulos e embalagens em vinil adesivo, com toner branco e ­clear. Além disso, é possível fazer banners de até 33 cm × 132 cm e imprimir duplex em mí­dias de até 320 g/m2. Já a impressora C711WT tem fácil utilização e permite a impressão colorida, além do branco, em vá­rios tipos de mí­dias como transfers, pa­péis coloridos e ­clear, em formato A4 e gramaturas de até 250 gramas. Além desses modelos, foi apresentada na feira a C911, impressora A3+ que possui o menor índice de intervenção técnica do mercado, segundo o fabricante.

Ricoh
O grupo in­dus­trial japonês enfocou a nova linha de equipamentos de produção Ricoh Pro C7100x. O novo produto é ­ideal para pequenas e mé­dias empresas, com sofisticado acabamento, velocidade máxima de 90 páginas por minuto e qualidade de impressão de até 1.200 × 4.800 dpi. A impressora utiliza papel com gramatura de até 360 g/m2 e oferece acabamento premium, compatível com uma vasta gama de substratos, o que permite diversos tipos de aplicações como embalagens, rótulos, peças de mar­ke­ting, livros, folhetos e cartões de visitas. Além disso, o novo produto pode integrar uma quinta cor às suas impressões (branco ou transparente), permitindo aplicações com brilho branco ou claro. A segunda novidade foi a plataforma 1 to 1 Crea­te. O novo soft­ware, ba­sea­do em nuvem, permite que pequenas e mé­dias gráficas ofereçam serviços de mar­ke­ting para seus clien­tes. A plataforma conta com um site onde a empresa pode acessar todas as ferramentas, exemplos e dicas ne­ces­sá­rias para rea­li­zar campanhas de mar­ke­ting que permitam ava­liar de maneira precisa o retorno sobre o investimento do clien­te (ROI).

Rotatek
Além das máquinas de fabricação própria, como impressoras híbridas e offset, a Rotatek tornou-​­se parceira de marcas tradicionais no segmento de impressão digital. Entre elas a Kodak, da qual a Rotatek expôs em seu estande a NexPress SX3300, impressora digital eletrofotográfica de alta qualidade. Com cinco cores, o equipamento é capaz de reproduzir as cores de processo CMYK e simular padrões de cores Pantone, empregando o método de passada única para impressão frente ou frente e verso, qualquer que seja a imagem reproduzida. A quinta unidade de cor é usada para aplicação de cores especiais (RGB), tinta dourada, tintas metalizadas, efeitos de texturas e relevos com efeitos 3D, verniz fosco e brilho, marca d’água, tinta invisível para impressão de segurança, tintas aromatizadas e neon. A NexPress SX3300 pode imprimir 6.000 folhas por hora, formato A4 na cor preta e/ou policromia 4/0 ou 5/0, com diferentes níveis de cobertura, frente e verso automático sem redução de velocidade padrão. A máquina é indicada para os segmentos edi­to­rial, pro­mo­cio­nal, embalagens, etiquetas e rótulos e impressão de álbuns.

Sharp
Um dos destaques da Sharp, que participou pela primeira vez de uma feira do setor, foi a nova mul­ti­fun­cio­nal monocromática A3, a MX-​­M754N, ­ideal para soluções de impressão com dados variáveis. O equipamento é capaz de processar e imprimir trabalhos via Adobe Post­Script ou PCL, com velocidade de até 75 páginas por minuto e em uma resolução de 1.200 × 1.200 dpi. Quem passou pelo estande também pôde conferir as multifuncionais coloridas A3 MX-​­2640N e MX-​­5141N sendo utilizadas em técnicas inovadoras como a prova de cor certificada e a produção de pho­to­book. Outra atração preparada pela fabricante japonesa foi a solução em controle de impressão, contabilização e ge­ren­cia­men­to eletrônico de documentos, possibilitada graças às multifuncionais coloridas A4 MX-​­C301 e MX-​­C300W e à mul­ti­fun­cio­nal monocromática para papel A3 MX-​­M365N. Todas são impressoras que contêm a plataforma para integração de soft­ware, oferecendo um sistema exclusivo e disponível para cria­ção e edição de novas aplicações, capaz de gerar total integração
com qualquer outro soft­ware.

T&C
Durante a ExpoPrint Digital, a empresa apresentou soluções de provas digitais, sinalização, fotografia e sublimação da Epson, com destaque para a impressão direta em tecido Epson Surecolor SC-​­F2000; o plotter de recorte digital da Summa; exemplos de enobrecimento digital da Scodix; e impressoras digitais LED da Oki. No espaço da T&C foi exposto também o lançamento da Konica Minolta, a bizhub Press C1070P, equipamento de impressão digital de alta produção que, além de inovações de design em seu hard­ware, traz velocidade de 71 páginas por minuto com resolução de 1.200 × 1.200 dpi, sendo possível trabalhar com mí­dias em
gramaturas de 62 a 300 g/m2.

Xerox
A Xerox, acompanhando lançamento mun­dial, apresentou na feira duas novas opções de toner, dourado e pra­tea­do, para a impressora X1000. A aplicação pro­por­cio­na impressão com textura marcante em va­ria­das gradações de dourado e pra­tea­do, seguindo a escala Pantone. Com os novos toners, a X1000, lançada há cinco anos, capacita-​­se a produzir até mesmo itens de segurança como marcas d’água e personalização, além de destacar objetos ou a página inteira, o que a torna ­ideal para a impressão de ma­te­rial pro­mo­cio­nal como catálogos, folheteria para mala direta e embalagens que exijam acabamento em dourado ou pra­tea­do. A Xerox afirma ser a primeira empresa do setor a oferecer tinta seca prata na velocidade nominal. Rápida e com amplo alcance, a X1000 imprime 100 páginas por minuto.

Artigo publicado na edição nº 92

 
Fotografia fine art. Próspera e exigente Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Qui, 29 de Janeiro de 2015

Dentro da impressão digital jato de tinta, um segmento que vem se mostrando promissor é o de fotografia fine art, com crescimento expressivo de 2012 para cá. Conversamos com estúdios de impressão e fornecedores do setor para entender tal movimento.

 


No início de 2014, em entrevista ao Estadão, o fotógrafo Claudio Edinger afirmou que a fotografia é a nova pintura e o fotógrafo, o novo pintor. “A fotografia foi inventada por pintores para auxiliá-​­los em seu trabalho. Ela é filha da câmera obscura ( . . .). Pois o que foi inventado para auxiliar, a partir do meio do século XIX foi se tornando protagonista. Hoje não existe um grande museu que não tenha um importante departamento de fotografia, sem falar nos mais de 100 museus de fotografia no mundo todo”, contou Edinger ao jornal.
Há tempos o mundo valoriza a fotografia como expressão artística. O recorde de foto mais cara já vendida continua com o alemão An­dreas Gursky. Em 2011, um de seus trabalhos — a imagem do Rio Reno, na Alemanha, registrada em 1999 e medindo 3,5 m × 2 m — foi leiloado por US$ 4,3 milhões. Embora ponto fora da curva, esse píncaro revela a força de um meio que só tem feito crescer nos últimos anos: o mercado da fotografia fine art. E não há como negar. A evolução tecnológica em torno da reprodução dessas obras tem um peso definitivo nesse movimento, calcada no trinômio papel, tinta e sistema de impressão.
Percorrendo essa trilha há 33 anos, contabilizando 190 exposições em 20 paí­ses, o fotógrafo Cássio Vasconcellos é expectador e partícipe do processo de transformação. Para ele, a mudança mais significativa aconteceu na percepção da fotografia como obra de arte. “Ninguém mais discute se fotografia é arte ou não. Quan­do comecei, fotografia na parede só mesmo em casa de fotógrafo e agora quem não tem quer ter. Livros de fotografia eram poucos e de má qualidade, enquanto hoje, se buscar re­fe­rên­cias de fotografia brasileira, você vai encontrar dezenas e dezenas de livros muito bem impressos”.
Sem dúvida o mercado melhorou muito, porém continua pequeno, sobretudo se comparado à Europa e Estados Unidos. A boa notícia, segundo Cássio, é que não falta espaço para crescer. Como indicador ele cita o aumento da presença da fotografia em feiras como a SP-Arte (Feira In­ter­na­cio­nal de Arte de São Paulo) e a ArtRio. A força da fotografia acabou gerando, inclusive, um filhote, a SP-Ate/Foto, cuja próxima edição será em agosto de 2015.
Atento à demanda, em 2014 Cássio criou, ao lado dos também fotógrafos Lucas Lenci e André Andrade, a galeria online Fotospot – Fotografia Contemporânea. Ela reú­ne imagens de fotógrafos consagrados, novos talentos e de arquivos históricos, oferecendo fo­to­gra­fias fine art em tiragens originais limitadas, com qualidade mu­seo­ló­gi­ca, certificada, numerada e assinada pelo artista.
É neste ponto, nevrálgico na sea­ra da arte por envolver questões como autenticidade, reprodutibilidade e principalmente permanência, que entram as benesses do desenvolvimento nas ­­áreas de insumos e processos de impressão.

TRIO DE FERRO

Bruno Mortara, coor­de­na­dor da Comissão de Estudo de Pré-​­Impressão e Impressão Eletrônica da ABTG e professor de pós-​­gra­dua­ção na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, explica que a durabilidade e a qualidade da fotografia fine art e de reproduções de obras de arte estão diretamente ligadas ao uso de tintas pigmentadas base água em impressoras jato de tinta de oito ou mais cores, tendo como substrato pa­péis de fibra de algodão. Simplificando as características desse conjunto, o uso de pigmentos assegura uma melhor fixação da tinta, evitando que ela borre ao entrar em contato com o papel; a amplitude de cores possibilita um maior gamut de cor; e a fibra de algodão dá ao papel resistência su­pe­rior. A ausência da lignina (polímero orgânico complexo que une as fibras celulósicas) e de aditivos ópticos de brilho evita a oxidação e consequentemente o amarelecimento do papel. Além disso, os pa­péis utilizados na fotografia fine art são livres de ácido, garantindo a manutenção da qualidade
original do substrato ao longo do tempo.
Todo esse conjunto é ro­dea­do por uma série de certificações. Os pa­péis recebem, por exemplo, o selo Wilhelm Imaging Re­search, certificação que garante que o produto foi aprovado nos testes de permanência padrão da indústria relativos à expectativa de vida das impressões jato de tinta. Os fabricantes de papel, como Canson e Hah­ne­müh­le, homologam as impressoras jato de tinta, assim como certificam os pró­prios es­tú­dios de impressão, atestando o comprometimento do ateliê em trabalhar de acordo com as normas de excelência de impressão fine art. Isso significa, afora os sistemas de impressão, cuidados especiais no manuseio e armazenagem do papel e dos trabalhos já impressos e na enquadração das peças.
Tal esmero responde ao alto nível de exigência do segmento de fine art e justifica-​­se na produção de trabalhos de elevado valor agregado. O fotógrafo Clicio Barroso, cria­dor do Ate­lier de Impressão, ADI, cre­den­cia­do como o primeiro Cer­ti­fied Printer da Canson no mundo, divide esse mercado em dois nichos: o mercado de arte e o de decoração. O primeiro, composto por ga­le­rias de arte, museus e co­le­cio­na­do­res, está interessado no processo, mas sobretudo na autoria dos trabalhos. Valoriza cada detalhe, compra peças únicas ou de baixíssimas tiragens, e está preo­cu­pa­do com a qualidade da obra em si, com a assinatura do artista e com a permanência das reproduções. O segmento de decoração, formado por arquitetos e decoradores, é um pouco menos rigoroso. Busca o cuidado do processo de impressão fine art, valorizando as peças como itens que comporão um determinado am­bien­te. Atendendo ambos, Clicio comenta que os dois estão crescendo muito. “Houve uma popularização dos equipamentos de impressão. Hoje boa parte dos fotógrafos tem uma impressora de boa qualidade, que resolve suas necessidades básicas, e sabe como produzir com qualidade. Eles nos procuram quando precisam de algo maior, como uma exposição”.

Desenvolvimento tecnológico
Os fabricantes das impressoras confirmam a expansão do mercado de fine art e fotografia no Brasil, es­pe­cial­men­te nos últimos dois anos. As principais marcas, com linhas dedicadas, são Canon, HP e Epson, esta última detentora da liderança com mais de 80% de participação. “O mercado brasileiro está passando por um amadurecimento, tanto no reconhecimento do valor da fotografia autoral quanto no conhecimento técnico do processo. A demanda vem crescendo também com o maior número de exposições e com a produção para eventos sociais”, afirma Lu­cia­ra Souza, gerente de produto da Epson. Ela atribui o sucesso da Epson à amplitude da linha e à evolução das cabeças de impressão e da tinta exclusivas Epson. Juntos, os dois quesitos conseguem, segundo o fabricante, reproduzir 93% da tabela Pantone, sem alteração do resultado vi­sual da impressão em função da iluminação
à qual está exposta a peça.
Percebendo o po­ten­cial da impressão fine art, Canon e HP estão igualmente investindo em pesquisa e desenvolvimento. No caso da Canon esse movimento foi alavancado pelo início da venda direta das câmeras profissionais no Brasil, há três anos. Contudo, 2014 foi o ano de aproximação da marca com os usuá­rios e clien­tes de sistemas de impressão, marcado pela parceria co­mer­cial com a Canson, calcada na linha de impressoras de grande formato com 12 cores. “Em um ano conseguimos triplicar as vendas”, conta Fa­bia­no Peres, supervisor de revendas da Canon. De acordo com o executivo, há muito trabalho a ser feito, que deve ser intensificado em 2015. “Nosso market share ainda é pequeno, mas agora temos um produto su­pe­rior. A Canon conseguiu resolver questões re­la­cio­na­das à estabilidade das cores, alcançando uma gama de cores mais precisa, minimizando efeitos indesejados re­la­cio­na­dos à formulação da tinta como metamerismo. Essa evolução foi testada e aprovada não só pela Canon como por entidades certificadoras internacionais”. O mote para 2015, segundo Fa­bia­no, será a apresentação de soluções completas, da captura à saí­da, aproveitando a sinergia entre as câmeras e as impressoras.
Na visão de Norbert Otten, gerente de produto de impressoras de grande formato da HP, mais do que o aumento na venda de equipamentos profissionais, a HP assistiu recentemente a uma elevação no consumo dos insumos. “O mercado está ávido. Existe bastante espaço para crescer. Temos uma média mensal de venda entre cinco a 10 máquinas, que não é um volume alto, porém representa um consumo grande de suprimentos. Comparado com o segmento técnico, de engenharia, o segmento de fine art consome de oito a 12 vezes mais tinta”.
Analisando o comportamento do mercado nos últimos três anos, o gerente sa­lien­ta também uma mudança no perfil dos produtos. Até então a demanda recaia basicamente sobre impressoras de 44 polegadas. De lá para cá houve uma migração para máquinas menores, de 24 polegadas, demandadas pelo fotógrafo que quer em­preen­der no segmento de alto nível e, do outro lado, por máquinas de maior porte, de 60 polegadas, sistemas de alta produção, alta qualidade e durabilidade da impressão. “Isso significa que o impressor pro­fis­sio­nal vem sentindo a necessidade de maiores formatos”. Além do formato maior, a impressora da HP para esse perfil de clien­te, lançada em 2014, tem como di­fe­ren­cial a durabilidade, usando tintas que duram mais de 200 anos em substratos específicos e em am­bien­tes controlados como de um museu. O equipamento conta ainda com um algoritmo de impressão que confere mais velocidade de impressão em substratos foscos e de maior gramatura.
Ratificando o momento positivo vivido pelo mercado, Frederic Darrigan, diretor geral da Canson Brasil, comenta que houve uma explosão de vendas da linha de pa­péis Infinity em 2012 e 2013 no País. Na Canson, as pesquisas na área de impressão digital fine art começaram em 1989, culminando com o lançamento da linha Canson Infinity em 2009, focada na impressão jato de tinta para belas artes e fotografia. Ela inclui canvas e pa­péis de fibra de algodão e base celulose, desde 170 g/m² a 400 g/m², diferentes texturas e acabamentos, atendendo desde o fotógrafo amador até os birôs de impressão.
Quan­do conversamos com o executivo, no final de novembro, Canson e Canon estavam justamente discutindo a continuidade da parceria acertada para o mercado na­cio­nal. “A ideia de poder oferecer um pacote completo é ótima, incluindo a participação conjunta em vá­rios eventos como fizemos em 2014. Mas a Canson Brasil não tem estrutura para vender equipamentos”, afirmou Frederic Darrigan. A meta da Canson para 2015 é con­ti­nuar a ­atuar muito próxima dos clien­tes, inclusive facilitando a participação deles em eventos e ajudando-​­os a desenvolver seus ne­gó­cios. “Que­re­mos fortalecer os impressores, mesmo porque eles são figuras-​­chave na divulgação do que é fine art”.

O que é fotografia fine art?

Muito se discute sobre a definição do que é fotografia fine art e parte da dificuldade vem do fato de não existir um consenso sobre o que é arte. O termo fine art, que significa belas artes, começou a ser as­so­cia­do à fotografia nos anos de 1930 e 1940 nos Estados Unidos, como explica o fotógrafo Clicio Barroso. Nessa época a fotografia fortaleceu-​­se como uma vertente das artes plásticas através de figuras como o fotógrafo norte-​­americano Edward Weston. O termo continuou a evoluir, classificando grandes paisagens em P/B, algo que po­de­ría­mos as­so­ciar ao trabalho rea­li­za­do pelo fotógrafo Se­bas­tião Salgado. Hoje dá nome não só ao trabalho autoral de um fotógrafo como ao processo de reprodução dessa imagem. E aqui mora o perigo. Uma imagem de um fotógrafo renomado, impressa de maneira incorreta, pode ser considerada fotografia fine art? E uma imagem qualquer, reproduzida dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade, é fine art?
Para o fotógrafo Cássio Vasconcellos, não é o uso do papel de algodão ou de uma impressora jato de tinta com tinta pigmentada que alça uma imagem à categoria de fotografia fine art. Clicio Barroso faz coro: “lixo bem impresso con­ti­nua­rá sendo lixo”. Para ambos, o que deve ser levado em conta é o trabalho autoral, a mensagem que o fotógrafo quer passar, sua trajetória.
No site da Fotospot, a galeria online cria­da por Cássio, há uma boa definição do conceito: fotografia fine art é a obra resultado de um trabalho estruturado por seu autor e decorrente de pesquisa e apuro (tanto de execução quanto de materiais para suporte), oferecida ao público interessado por um preço justificado pelo currículo e carreira. De fato, não é possível dizer que uma foto é fine art se não houver intenção técnica, estética e discursiva definida e se não houver apuro técnico e estético. Além disso, é preciso levar em conta a trajetória pro­fis­sio­nal do fotógrafo e o contexto da fotografia em relação a contextos históricos, sociais e econômicos. E, apesar da impressão não ser nunca o único fator definidor de que uma imagem é fine art, a preo­cu­pa­ção (ou, novamente, o apuro) com a impressão e o suporte também ajudam a uma fotografia ser percebida e aceita como tal.
Isso posto podemos voltar aos elementos envolvidos no processo de impressão da fotografia fine art, que garantem a longevidade da obra: papel, tinta e sistema de impressão, todos dentro das características citadas no texto principal. Porém isso não basta. Para quem pensa em apostar num mercado em crescimento e de alto valor agregado, o primeiro passo talvez seja investir em um pro­fis­sio­nal que conheça o segmento, que entenda a importância de detalhes que podem parecer insignificantes, como o uso de fitas de conservação (isentas de ácido) na montagem de uma imagem já impressa, assim como saiba lidar com as exi­gên­cias e pe­cu­lia­ri­da­des de cada fotógrafo. Em resumo, excelência em processo e atendimento personalizado. Você já não ouviu falar disso antes?

Artigo publicado na edição nº 91

 
ExpoPrint 2014, a grande feira da indústria gráfica na América Latina Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 20 de Outubro de 2014

Para muitos ela já está entre as três maiores feiras do setor no mundo. Números à parte, o que se viu foi o espalhamento da tecnologia digital, a preocupação com a oferta de equipamentos cada vez mais flexíveis e a ampliação das ferramentas de gestão, tanto no nível administrativo quanto de produção.

Otimizar recursos é crucial

Flexibilidade foi um dos termos mais utilizados pelos expositores na ExpoPrint Latin America 2014, rea­li­za­da entre os dias 16 e 22 de julho, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O conceito estava no slogan que a KBA adotou para a feira, nomeou uma das apresentações da Heidelberg, caracterizava as soluções de fornecedores de impressão digital como Xerox e Oki e estava na ponta da língua dos técnicos por toda parte. O objetivo era responder à urgência da indústria gráfica no sentido de otimizar os recursos já instalados, permitindo não só que o gráfico ofereça produtos de maior valor agregado quanto ingresse em novos mercados.
No maior estande da feira, o da Heidelberg, a multiplicidade de opções trazida pela combinação dos processos offset e digital foi destaque. Ao mesmo tempo em que demonstrava a impressora offset plana Speed­mas­ter CX 102-5+L com secagem LE UV (lâmpadas ul­tra­vio­le­ta com baixo consumo de energia), enfatizando a possibilidade de o equipamento rodar substratos como papel-​­cartão, metalizados e plásticos, a equipe enfatizava a presença da Linoprint C 901 Plus, impressora digital colorida, igualmente voltada para o segmento de impressão co­mer­cial, que se integra ao fluxo de trabalho da gráfica através da ferramenta Prinect. Segundo An­dreas Forer, vice-​­presidente mun­dial para a área digital da Heidelberg, a empresa está mudando para se tornar mais flexível, e no segmento digital o caminho são as par­ce­rias com a Ricoh, Fujifilm e Gallus (da qual a Heidelberg adquiriu o controle recentemente). Ainda este ano deve ser apresentado o primeiro fruto do projeto que vem unindo Fujifilm e Gallus para o desenvolvimento de sistemas de produção in­dus­trial a jato de tinta. Trata-​­se de uma impressora de etiquetas que combina impressão flexográfica a jato de tinta para produção de baixas tiragens e etiquetas personalizadas. “Temos de nos adaptar à rea­li­da­de do mercado, o que inclui o investimento na impressão digital e o fortalecimento em serviços e consumíveis, que hoje já representa 30% de nosso faturamento”, disse Stephan Plenz, membro do Conselho de Administração 
da Heidelberger AG, durante a feira.
Interessada em acomodar as demandas de gráficas que buscam uma produção mais ma­leá­vel, a KBA levou para a ExpoPrint a impressora offset Rapida 105-6 L, seis cores mais verniz. “Estamos investindo na customização dos equipamentos de acordo com as necessidades de cada clien­te, visando tempos de acertos cada vez mais curtos, flexibilidade em substratos e acabamentos especiais”, disse Ralf Sammeck, vice-​­presidente executivo da KBA para offset plana. Voltado para o segmento de embalagem, o equipamento imprime no formato até 740 × 1.050 cm, em substratos até 1,2 mm (papel-​­cartão) e 1,6 mm (microcorrugado) com op­cio­nal.
Na Oki, a chance de am­pliar o leque de produtos estava caracterizada nas impressoras digitais C941 e C711WT, ambas utilizando o toner branco. A primeira, lidando com gramaturas de até 360 g/m2, no formato A3+, e a segunda, desenhada para o formato A4 e gramaturas de até 250 g/m2. Com o uso do branco o objetivo é quebrar os limites no desenvolvimento de produtos como cartões personalizados com acabamentos brilhantes ou em mí­dias escuras e impressão em películas transparentes.
Flexibilidade também foi a promessa de uma das vá­rias linhas expostas pela Xerox, a iPrint. Fruto da aquisição da Impika, trata-​­se de um sistema integrado de produção frente e verso com um único motor, projetado para aplicações transacionais, transpromo e malas diretas. Pode ser usado tanto em mí­dias tratadas quanto em papel comum, empregando uma nova geração de tintas de alta densidade, atingindo velocidade de 375 metros por minuto, com resoluções que chegam a 1.200 × 600 dpi.

Tudo ao mesmo tempo agora

“O gráfico está mais bem informado e perdeu o medo do digital. Ele está voltando a ter um norte”. Essa afirmação diz muito sobre o que foi a ExpoPrint 2014. E foi feita por um pro­fis­sio­nal que po­de­ría­mos chamar da velha guarda, Antonio Dalama, diretor da Rotatek. A tecnologia digital não estava na feira para provar nada, exceto sua capacidade de caminhar em muitas direções. A própria Rotatek, desenvolvedora de sistemas que combinam offset, flexografia, tipografia, rotogravura e serigrafia, aproveitou o evento para divulgar a recente parceria com a Durst para a co­mer­cia­li­za­ção de impressoras digitais rotativas inkjet para produção de etiquetas.
No estande da Canon estavam lado a lado as impressoras Océ Va­rioP­rint 6000 Ultra+ e a linha de grande formato imagePrograf. A primeira, focada na produção de materiais monocromáticos de grande volume e a segunda, em provas de cor, fine art, fotografia e cartazes. O modelo apresentado na feira já representa a quarta geração da família Va­rioP­rint, como explicou Tadeu Cris­tia­no da Silva Faria, analista de mar­ke­ting da Canon. “Agora ela atinge 180 lpi (linhas por polegada) ou 600 × 1.200 dpi e está disponível em velocidades de 160 ipm (imagens por minuto) a 314 ipm, trabalhando com formato até SR A3 e gramaturas entre 60 e 300 g/m2.” O alvo é o mercado edi­to­rial, aplicações transacionais e de mar­ke­ting direto. A impressora jato de tinta imagePrograf 8400 SE levada para a ExpoPrint utiliza seis cores (há modelos até 12 cores) e se adequa a 
produção de peças para sinalização interna.
Na Fujifilm, que investiu cerca de US$ 1 milhão na feira, a versatilidade da tecnologia digital foi evidente, com soluções para impressão co­mer­cial, edi­to­rial, embalagens e grandes formatos. Tal diversidade está em grande parte fundamentada no fato de a Fujifilm adotar uma produção verticalizada, responsabilizando-​­se pelo desenvolvimento e fabricação das tintas e dos cabeçotes de impressão.
Expostas pela primeira vez fora da Europa e Ásia, estavam a impressora jato de tinta Jet Press 720 e a solução de grande formato Onset R40i. A Jet Press 720 utiliza o formato meia folha (B2), preen­chen­do, segundo a Fujifilm, uma lacuna existente entre o offset e os demais sistemas digitais. Com produtividade de 400 m2/hora, a Onset R40i baseia-​­se em uma plataforma de arquitetura escalonável, com configurações que vão das quatro cores padrão até sete cores (ou oito canais de tinta, sendo duas unidades de impressão para a tinta branca). Com resolução de 1.200 dpi, a Onset R40i imprime mí­dias de até 1.600 × 3.140 mm com até 50 mm de espessura, produzindo 80 folhas por hora no formato total.
Também para o segmento co­mer­cial e edi­to­rial, a Ricoh lançou na ExpoPrint 2014 a Ricoh Pro C901S Graphic Arts +. Com ampla versatilidade de mídia e opcionais de acabamento integrados, o sistema tem resolução de 1.200 × 1.200 dpi e velocidade de 90 páginas por minuto independente do tipo de mídia, peso ou mesmo na versão duplex, aceitando substratos de até 300 g/m2. A segunda novidade foi a Ricoh Pro L4160, impressora colorida de grande formato que representa a entrada da Ricoh no segmento de sinalização. Empregando tinta látex aquosa, imprime até seis cores, incluindo laranja, verde e branco, com formato de 1,60 m de boca.
No estande da HP os visitantes estavam interessados sobretudo na HP Indigo 10000, impressora digital de qualidade offset em formato meia folha (B2), segundo Fernando Alperowitch, diretor da unidade de ne­gó­cios HP Indigo na América Latina. O equipamento disponível durante o evento foi adquirido pela Forma Certa no início do ano, é o 110‒º equipamento vendido no mundo desde o seu lançamento, o 11‒º na América Latina e o terceiro no Brasil. A empresa destacou ainda a HP Indigo 7800, alimentada por folha, que oferece novos recursos, incluindo a habilidade de imprimir diretamente em substratos sintéticos e cartões plásticos, além de uma nova ex­pe­riên­cia de ge­ren­cia­men­to de cores com um espectrofotômetro em linha, e a HP Indigo WS6800, alimentada por rolo, que oferece ao mercado de etiquetas e embalagens tempos de retorno mais rápidos por meio de ge­ren­cia­men­to de cores automático e novos recursos de tintas para aplicações expandidas. “Encontramos aqui na feira dois perfis de clien­tes: aqueles que já estão no digital e querem saber o quê e como podem fazer mais através da tecnologia, e os que ainda não estão. Esses não perguntam mais sobre o fun­cio­na­men­to da tecnologia e sim sobre custos e como podem entrar nessa área”, disse Fernando Alperowitch. E complementou: “A HP está focada em maior produtividade e menor custo de produção. Vendemos tinta. Quan­to mais páginas por minuto melhor”.
O estande da T&C esteve movimentado não só pela força da marca Epson, mas pela presença da impressora jato de tinta S75, da Scodix. Empregando secagem UV, a máquina aplica camadas de polímero de alto brilho sobre materiais impressos em offset e digital, sem alteração das cores já impressas, crian­do efeitos de acabamento. Desde seu lançamento há quatro anos, 110 unidades foram vendidas. No Brasil, onde o sistema está sendo co­mer­cia­li­za­do pela T&C desde 2013, cinco máquinas estão instaladas. A que estava na feira, inclusive, seguiu para uma das poucas gráficas com estande na ExpoPrint, a Compulaser, há 25 anos no mercado paulista. “Vimos na Scodix a oportunidade de oferecer um di­fe­ren­cial ao mercado”, afirmou Talita Moser, gerente de produto. A empresa levou para a feira o Guia Pro­fis­sio­nal – Gráficos e Designers, que traz uma série de recursos e acabamentos, incluindo os efeitos cria­dos pela Scodix.
Outra jato de tinta que despertou a curio­si­da­de dos visitantes foi a 1024 UV MVP, da Direct Color Systems, representada no Brasil pela Agabê. Solução para pequenos formatos, a impressora de mesa com cura LED UV, fabricada nos Estados Unidos, faz impressão tri­di­men­sio­nal em madeira, metal, cerâmica, plástico, vidro, entre outros materiais, e vem se destacando na impressão de texturas e braille. O equipamento utiliza jogo de seis cores, incluindo transparente e branco, tem área de impressão de 254 mm × 610 mm, resolução de até 5.760 dpi, sendo capaz de imprimir em substratos 
de até 15 cm de espessura.
Com dimensões bem maiores e para um mercado distinto, a impressora flatbed Anapurna M2540 foi uma das soluções mostradas pela Agfa. Específica para mí­dias rígidas ou em folhas, utiliza seis cabeças de impressão de 12 picolitros para cada cor (CMYK + Lc + Lm) mais duas cabeças de 42 picolitros para o branco. Sua mesa de 2,54 m × 1,54 m possui oito zonas de vácuo diferentes para garantir melhor fixação da mídia e evitar ao máximo a 
necessidade de utilização de fita adesiva.

Integração já

“A informação é mais importante que a impressão”, sentenciou Bruno Cia­lo­ne, consultor, durante a ExpoPrint. Conversamos sobre a visão dele da feira e a tônica foi a falta de atenção com a qual o gráfico continua a tratar o fluxo de trabalho. “Não dá para pensar em um equipamento de dois milhões de dólares sem olhar para o work­flow”, disse Bruno. Sem a adoção de ferramentas que integrem as vá­rias etapas da produção e ela à administração, o es­pe­cia­lis­ta argumenta que se perpetua o modelo de ilhas de excelência. “Tudo continua fragmentado.”
Se falta ao gráfico a visão do todo, sobram instrumentos para fazer a liga. Na linha de frente dos soft­wares de gestão, a Agfa estava presente com três soluções: Apogee Asanti, work­flow 100% em português que possibilita a integração total do processo gráfico, digital e híbrido; Apogee Storefront, solução para web-​­to-print; e a nova geração do Arkitex, voltado para o controle do fluxo de trabalho do segmento de jornais.
O pacote da Fujifilm para essa área é o XMF, cons­truí­do em torno da arquitetura modular Adobe Mercury RIP, ba­sea­da em Adobe PDF Print Engine e na arquitetura aberta JDF. A solução fornece um conjunto de recursos de preflight, ge­ren­cia­men­to de cores, imposição e reticulagem de imagens, para uma grande va­rie­da­de de dispositivos de saí­da como CtPs, sistemas de prova e impressoras digitais. Também inclui ferramentas para a cria­ção de perfis de mídia, importação de perfis ICC e cria­ção de curvas de li­nea­ri­za­ção e ganho de ponto.
A Starlaser aproveitou a feira para apresentar pela primeira vez em um evento in­ter­na­cio­nal a solução para produção de embalagens e rótulos PackZ, da qual é distribuidora exclusiva no Brasil. Trabalhando com documentos PDF como formato nativo, o aplicativo reú­ne uma série de fun­cio­na­li­da­des que otimizam a entrada e saí­da de arquivos no fluxo de trabalho gráfico. Entre os destaques está o CloudFlow, um conceito ba­sea­do em nuvem para recepção e envio de documentos PDF, bem como o CloudFlow Space, uma área para edição de PDF que oferece con­fia­bi­li­da­de e a integração com aplicativos gráficos líderes do mercado, como o pacote de design da Adobe.
Os visitantes puderam conferir também as novas fun­cio­na­li­da­des dos aplicativos da família Enfocus Pitstop, uma série de soft­wares e ferramentas que possibilitam a cria­ção de work­flows PDF. Entre eles está o Enfocus Pitstop PRO, um plug-​­in para o Adobe Acrobat voltado a fluxos de trabalho de grandes volumes de arquivos que otimiza os processos de conversão e preflight em documentos PDF voltados a uso gráfico.
Re­cuan­do o olhar e pousando-​­o nos processos que antecedem o início de qualquer trabalho e que depois correm em paralelo e integrados à produção, a feira apresentou igualmente vá­rias alternativas. A EFI atraiu atenções com seu sistema de gestão composto por módulos independentes, entre eles o IQuo­te, módulo orçamentista recém-​­atua­li­za­do, que acaba de ganhar o InterTech Technology Award, conferido pela Printing In­dus­tries of America (PIA). Com base na especificação do produto, o IQuo­te é capaz de indicar a melhor forma de produzir, comparando as milhares de alternativas possíveis, e crian­do um roteiro de produção que inclui formatos, operações, máquinas e todos os insumos que serão necessário. O sistema fun­cio­na pela Internet, possibilitando respostas rápidas aos clien­tes. Ao fechar o pedido, instruções detalhadas são en­via­das para o Planejamento e Controle de Produção (PCP), organizando e agilizando a entrega do produto final. Ao término da produção é possível ava­liar a rentabilidade de cada pedido e fazer ajustes para os novos orçamentos.
A Calcgraf mostrou na feira mais de dez novas soluções. A ferramenta para web-​­to-print (B2B) foi bastante procurada. Ela envolve portal de acesso dos clien­tes aos serviços da gráfica e permite o ge­ren­cia­men­to de pedidos via internet. Consultas, compras recorrentes, entre outras operações, são via­bi­li­za­das pelo portal, aproximando o clien­te da gráfica. O novo sistema oferece, inclusive, recursos que possibilitam a integração do site da gráfica com portais de e-​­commerce externos (B2C) e ao ERP (Enterprise Resource Planning) da gráfica. Independente, a nova ferramenta poderá ser adotada tanto por empresas que usam o Webgraf quanto o GPrint, os dois sistemas de gestão 
desenvolvidos pela empresa.
Expandindo o alcance do Webgraf, a Calcgraf mostrou seis novas ferramentas: Controle de Suprimentos, NF-e e NFs-​­e, PCP, Consultas Gerenciais, recursos adicionais do CRM e Orçamento Grandes Formatos. No GPrint, as novidades foram o módulo de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) geração 3.0, a nova versão do Pós-​­cálculo, o Warehouse Management System (WMS), o novo PCP e o módulo de Apontamento Automatizado.
Focada em produtividade, a Ecalc divulgou na ExpoPrint as novas fun­cio­na­li­da­des da versão atua­li­za­da do ePlan, aplicativo de PCP que reú­ne ferramentas que permitem uma visão total de todos os processos diá­rios de uma gráfica, desde a entrada de um novo serviço até o melhor di­re­cio­na­men­to para os equipamentos de saí­da, controle sobre des­per­dí­cios, ocio­si­da­de, gargalos, incluindo 
a localização de problemas.

Preocupação ambiental

Cresce em ritmo constante o investimento dos fornecedores de produtos am­bien­tal­men­te amigáveis. E os expositores da ExpoPrint procuraram evi­den­ciar cada detalhe que aponte nesse sentido. Já na entrevista coletiva rea­li­za­da pela Heidelberg poucos dias antes do início da feira, a empresa divulgou que todos os equipamentos em exposição te­riam certificado de carbono neutro e que se­riam oferecidos 
com a opção de compensação de carbono.
Na sea­ra dos consumíveis, esse esforço ficou ainda mais claro. A Heidelberg levou para a feira a linha Saphira Eco, incluindo chapas, tintas, vernizes, cola e soluções de limpeza e molha cumpridores de rigorosos cri­té­rios ambientais. Sob o mesmo guarda-​­chuva foram lançadas na feira a tinta Saphira LE UV, in­gre­dien­te fundamental da tecnologia Low Energy (lâmpadas ul­tra­vio­le­ta com baixo consumo de energia) apresentada na impressora offset plana Speed­mas­ter CX 102‑­5+L; e a linha Saphira Low Mi­gra­tion, consumíveis de baixa migração di­re­cio­na­dos à 
produção de embalagens de alimentos.
A chancela de baixa migração estava em outros estandes, como no espaço da Sun Chemical e da Overlake. Na Sun Chemical foi usada para caracterizar a linha de tintas e vernizes Sunpak LMQ, voltada para produtos ali­men­tí­cios, far­ma­cêu­ti­cos e de tabaco. Na Overlake, referenciou o lançamento da família Over­food, composta por vernizes à base de água para contato direto com alimentos. De acordo com Francisco Veloso, diretor da empresa, muitas embalagens produzidas no Brasil não respeitam a regulamentação da agência governamental e os vernizes Over­food podem ajudar os convertedores a cobrirem essa lacuna. Para comemorar seus 20 anos de atua­ção, a Overlake levou para a feira seu novo catálogo, desenvolvido para apresentar 20 produtos, entre vernizes aquosos, UV e óleo resinosos di­re­cio­na­dos es­pe­cial­men­te à produção de embalagens. Entre eles está a linha de vernizes 3D, que simula o efeito 3D 
com um custo acessível.
A Printcor estava com uma linha completa de vernizes à base de água e especiais, além das tintas UV para secagem LED da francesa Brancher, e das tintas à base de ­óleos vegetais da asiá­ti­ca Kings­wood. “Hoje praticamente 60% das tintas usadas pelo segmento gráfico brasileiro são importadas em função do custo. Temos de nos ajustar a isso”, afirmou Marco Zorzetto, gerente in­dus­trial da Printcor. Na He­lio­co­lor o visitante pôde conhecer a nova linha de vernizes à base de água Ecolacqua Renewable, que traz ma­té­rias-​­primas de fontes renováveis em sua composição. A família de produtos tem efeitos como alto brilho, acetinado, fosco e soft feel.
Já na etapa que antecede a impressão, a preo­cu­pa­ção am­bien­tal manifestou-​­se nas chapas e sistemas de gravação. De acordo com Jeffrey Clarke, que assumiu o comando da Kodak em março deste ano, a participação de mercado da América Latina, em es­pe­cial do Brasil, é destaque em algumas novas soluções da Kodak, como nas chapas offset sem processamento químico da linha Sonora e o CtP Flexcel NX, para gravação de chapas flexográficas. Marcelo Chimelli, diretor co­mer­cial e de mar­ke­ting da IBF, comentou que os clien­tes estão em busca de redução de custo ope­ra­cio­nal, necessidade respaldada pela linha de chapas offset Ecoplate. No espaço da Konita Brasil, os visitantes encontraram a chapa térmica livre de 
processamento químico KTP-NP.

Diversidade em acabamento
Para a fase de finalização dos produtos não faltaram opções na ExpoPrint 2014. A Furnax levou vá­rias soluções, como a corte e vinco automática Hércules 1060 com aquecimento para corte de substratos plásticos, papel, cartão e micro-​­ondulado. Os sistemas de pós-​­impressão compunham com a impressora offset Komori uma linha completa de produção. A Renz, es­pe­cia­li­za­da em sistemas de encadernação e plastificação, foi para a feira com um estande 50% maior do que na edição de 2010, com impacto positivo no volume de vendas, de acordo com Mário Hinrichsen, gerente geral. A empresa lançou a InLine 360, sistema modular de perfuração e encadernação com capacidade de até 120 ciclos/min e troca automática de formato.
Voltada para o mercado de embalagens de alta produção, chamou atenção no espaço da Bobst a Novacut 106 ER. Lançada mun­dial­men­te na ExpoPrint, a máquina de corte e vinco oferece separação de cartuchos em linha. Capaz de produzir até 7.000 caixas por hora, a Novacut 106 ER entrega pacotes de cartuchos empilhados, destacados e separados, prontos para processamento pos­te­rior, sem a necessidade de separação ma­nual de recortes. Cinco unidades foram vendidas na feira para clien­tes da Argentina, Índia e Europa.
Já para o segmento de mar­ke­ting direto, a Pitney Bowes expôs o novo Mailstream Engage, sistema de acabamento de envelopes para malas diretas. Capaz de inserir até três encartes, rea­li­za o envelopamento a partir de pa­péis nos formatos A4 ou Carta, com gramatura entre 110 e 160 g/m2. É capaz de inserir cartões até 92 mm × 165 mm, com sistema de fechamento em hot melt, em velocidade de 600 até 1.350 envelopes/hora.
Na área edi­to­rial, a Müller Martini mostrou a nova versão da máquina de costura para livro Ventura MC ­Tween, que permite inserir encartes de tamanhos e gramaturas diferentes aos dos cadernos principais. No campo das grampeadeiras, o interesse do público pela Presto II Digital ­Ready mostrou, de acordo com Carlos Pace, gerente geral, a busca por redução de custos através da automação dos processos e corte de tempos parados.

Resultado surpreendente
Há 10 anos, quando a Afeigraf foi cria­da em função da promoção de uma nova feira para a indústria de impressão gráfica, fez-​­se a opção pelo modelo quadrienal, aos moldes da Drupa. Nesta terceira edição, ao que parece, esse desenho colaborou não só para que os expositores e a própria organização do evento se preparassem adequadamente, mas também para que a feira como que sublimasse o mau humor da economia na­cio­nal em 2014. Os números oficiais da feira dão conta disso: foram 48.866 visitantes, movimento 37% maior em relação à edição an­te­rior, que geraram ne­gó­cios da ordem de US$ 400 milhões (US$ 300 milhões em 2010). O público teve à sua disposição 40 mil metros quadrados de feira, ocupados por cerca de 300 expositores, que demonstraram mais de 750 marcas. Contribuiu decisivamente para o clima de otimismo que andou pelos corredores a presença dos estrangeiros, ma­jo­ri­ta­ria­men­te latino-​­americanos, que somaram 4.082 pes­soas, contra 1.258 em 2010. Entre os muitos argentinos que visitaram a feira estava Carlos Pedrini, chefe do departamento de planejamento, logística e produção da Arte Grafico Edi­to­rial Argentino, sub­si­diá­ria do Grupo Clarín. Pela primeira vez em uma feira no Brasil, Carlos impressionou-​­se com a evolução da impressão digital, sobretudo no segmento de embalagem. O técnico afirmou ter feito vá­rias cotações e já estava preparado para voltar à feira no dia seguinte.
A próxima edição da ExpoPrint Latin America será em 2018. A feira terá cinco e não mais sete dias, mudança solicitada por vá­rios expositores, e ocorrerá entre o final de março e o início de abril, desta vez no Expo Center Norte, na capital paulista.

Senai e Sistema Abigraf dão seu recado


Fernando Caparroz, instrutor do Senai, foi o vencedor da
Shots Copa Latina 2014

O Senai-​­SP, a Abigraf, a ABTG e a ABTG Certificadora também marcaram presença na feira. O Senai, com quatro escolas com cursos específicos para o setor gráfico, preparou uma programação es­pe­cial de palestras técnicas. Rea­li­za­da dia­ria­men­te, no próprio estande do Senai, a grade atraiu bom público, com média de 20 pes­soas por palestra. Ao todo, 22 palestras foram rea­li­za­das em seis dias, abordando 13 temas. O espaço foi ainda ocupado pelas finais da Shots Copa Latina 2014, competição de classe mun­dial em habilidades na área gráfica usando o Shots (simulador para treinamento em impressora offset). Patrocinado pela Sinapse Print Simulators, foi a primeira vez que a competição aconteceu na América Latina, e as finais, compostas por cinco exer­cí­cios, foram disputadas entre Guido Vilca, da gráfica pe­rua­na Biblos, e Fernando Caparroz, instrutor de impressão offset da Theo­bal­do De Nigris, que se sagrou vencedor. Abigraf, ABTG e ABTG Certificadora divulgaram durante o evento todos os seus serviços ao setor, assim como a Two Sides, organismo cria­do para desmistificar declarações enganosas com relação ao impacto am­bien­tal das in­dús­trias de papel e gráfica, cria­da em 2008 e agora apoiada por 42 entidades empresariais brasileiras, 
entre elas o Sistema Abigraf.

Artigo publicado na edição nº 90

 
Serigrafia Sign FutureTextil leva 41 mil ao Anhembi Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 21 de Julho de 2014

A 24ª edição da Serigrafia Sign FutureTextil aconteceu de 6 a 9 de maio, no Anhembi, em São Paulo. Considerada a maior feira latino-​­americana dos setores de serigrafia, comunicação vi­sual, sinalização, sublimação, impressão digital e têxtil, materiais promocionais, brindes e personalização, o evento atraiu 41 mil pes­soas, público cerca de 8% menor do que no ano passado, quando os organizadores divulgaram a presença de mais de 45 mil visitantes.
Alguns fatores podem explicar esse resultado. Além do fato de a economia do País con­ti­nuar andando de lado, a feira teve a data de rea­li­za­ção antecipada em dois meses em função da Copa do Mundo e das demandas de mercado originadas pelas eleições. O local também foi alterado, migrando do Expo Center Norte para o Anhembi. Segundo Iza França, diretora de comunicação na Economídia, agência responsável pela divulgação do evento, a redução de público já era prevista em razão da eliminação do sábado. “A organização focou na qualificação do público. Veio muita gente de fora de São Paulo, pes­soas que real­men­te estavam interessadas no evento como motivador de ne­gó­cios”.
A julgar pelos números oficiais, o menor fluxo de profissionais não atrapalhou a Serigrafia Sign 2014. Segundo a BTS Informa, promotora do evento, 80% dos participantes já acertaram contratos para a edição de 2015. “As participações foram fechadas durante a própria feira e é sinônimo de que o evento atingiu o objetivo, ou melhor, superou as expectativas”, declarou João Paulo Picolo, diretor da feira.
Entre os expositores entrevistados durante a mostra, a maioria saiu satisfeita. “Registramos aumento de vendas nesta edição em comparação a 2013. O público estava decidido a comprar e estamos muito contentes com nossa participação”, comemorou o diretor geral da Ampla, Lie Tji Tjhun. Na Serilon o clima era o mesmo na tarde do penúltimo dia. “A feira está sur­preen­den­te, pois o mercado está um tanto quanto re­ceo­so e não sa­bía­mos exatamente o que en­con­tra­ría­mos”, disse Carolina de Sotti, coor­de­na­do­ra de mar­ke­ting. Outro estande bastante movimentado foi o da Epson. Com as expectativas ofuscadas pela retração do mercado, Evelin Wanke, gerente de produto para Grandes Formatos, mostrou-​­se igualmente surpresa com o evento. “A feira está boa, recebendo um público qualificado”.
Houve, contudo, quem sentisse falta de expositores importantes. “Tenho a impressão de que a feira estava mais cheia no ano passado. Acho que foi impactada pela Copa e mesmo pela proximidade com outra feira, a ExpoPrint. Grandes players como Durst, Agfa e Vutek não estão aqui”, comentou Ernande Ramos, 
vice-​­presidente da Esko na América Latina.
De acordo com a BTS Informa, esta edição contou com o mesmo número de marcas e área de exposição em relação ao ano passado: mais de 650 marcas expositoras, espalhadas por 40 mil metros quadrados. Para 2015, a Serigrafia Sign FutureTextil abrigará um congresso para apresentar ten­dên­cias de mercado e inovações tecnológicas. A BTS Informa já está alinhada com a ISA (In­ter­na­tio­nal Sign As­so­cia­tion) para que a próxima edição tenha forte participação em con­teú­do sobre o mercado serigráfico e de comunicação vi­sual. “Que­re­mos trazer cada vez mais visitantes de todo o Brasil e da América Latina para a Serigrafia Sign”, 
afirma João Paulo Picolo.

Lançamentos
Ampla
Fabricante na­cio­nal de impressoras digitais de grande formato, a Ampla comemorou 10 anos de atua­ção com o lançamento da nova geração das impressoras Targa XT, mais robustas e rápidas. A empresa também aproveitou para anun­ciar o acordo com a francesa Caldera, desenvolvedora do soft­ware RIP Caldeira, dedicado aos grandes formatos, que agora equipa as impressoras Targa XT. Com preços va­rian­do entre R$ 99 mil e R$ 385 mil (solvente, LED UV e sublimação), a Ampla exibia como atrativo a possiblidade de usar o Finame, fi­nan­cia­men­to de longo prazo do BNDES para a compra de equipamentos fabricados no Brasil. O modelo topo na linha solvente, a Targa XT 3216, é equipada com 16 cabeças de impressão, atingindo velocidade de 320 m2/h no modo rascunho (2 passadas). O equipamento trabalha com quatro cores e largura de impressão de 3,20 m, com alimentação rolo-​­a-rolo.
Destaque também para a Targa XT AquaTex, di­re­cio­na­da para o segmento têxtil, no qual a Ampla ingressou em 2013. O modelo mais parrudo, o 1816, conta com 16 cabeças de impressão, velocidade de 229 m2/h no modo rascunho (2 passadas) e largura de impressão de 1,80m. O equipamento também trabalha com quatro cores e tintas para sublimação à base d’água.

Colacril
Para a área de mí­dias foi apresentada a nova Colacril Sign Lona B.O. Duplo Uso. Lona vinílica, laminada e revestida em tela de PVC, com gramatura de 440 g/m2, é compatível com impressão solvente e UV, sendo recomendada para comunicação vi­sual suspensa, com a possibilidade de inserir imagens de ambos os lados sem a necessidade de solda, tornando o trabalho mais leve. O produto tem acabamento de cor branco fosco e está disponível na largura de 3,20 m.

Epson
Mais de dez soluções foram apresentadas pela Epson, que destacou o pré-​­lançamento da compacta SureColor F2000, que imprime diretamente sobre tecidos e peças de algodão, inaugurando na empresa o segmento de impressão direta em tecido. ­Ideal para impressão em camisetas, com limite de área de impressão de 16 × 20 cm, a máquina possibilita a estampa de uma nova peça a cada 27 segundos utilizando tinta UltraChrome DG, combinando as quatro cores com a tinta branca e líquido de pré-​­tratamento. Com custo de R$ 85 mil, o modelo com a tecnologia Pre­ci­sion Core, microchip desenvolvido para a impressão de gotas de tamanhos va­ria­dos, garantindo alto desempenho, com maior velocidade e definição nas imagens.

Esko
Para o segmento de displays e sinalização, a Esko lançou a nova mesa de corte Kongsberg V. O modelo exposto vem com um cabeçote porta-​­ferramentas MultiCut para produtividade de laminação, juntamente com um sistema de câmera, adequados para produção de peças de sinalização em tamanhos menores. Foi mostrada igualmente a mesa de corte Kongsberg i-XP 44, com área de trabalho de 2.210 × 3.200 mm e velocidade máxima de 100 m/min. O sistema pode converter materiais em placas, folhas e rolos, incluindo vinil, papelão, plástico corrugado, placas de espuma e materiais rígidos como MDF, compensado de madeira, PVC e acrílico.

HP
A Serigrafia Sign foi palco para a estreia no Brasil da terceira geração das impressoras látex da HP, base d’água. Voltada para birôs de impressão e gráficas rápidas, a nova linha HP Látex série 300, substitui o modelo 260 com três opções: 310, 330 e 360, com preços va­rian­do entre R$ 60 mil e R$ 99 mil. O foco é o mercado de baixo volume, para aplicações externas e internas em lona, vinil adesivo, papel de parede, tecido, entre outros materiais. O modelo de entrada, 310, desenvolvido para operação em espaços pequenos, tem formato máximo de 137 cm, com alimentação de mídia frontal para maximizar a área de produção. A impressora HP Látex 330 de 162,5 cm combina versatilidade de aplicação com acessibilidade, aceitando rolos maiores, mais pesados e imprimindo até 50 m2/h. A 360, no mesmo formato, imprime até 91 m2/h e aumenta a versatilidade de aplicação com um coletor de tinta para têxteis porosos. A impressora oferece registro frente e verso automático para impressão de faixas em ambos os lados.

Océ
Para o mercado de displays, a Océ apresentou as novas impressoras UV flatbed Arizona 460 e 660 GT. Po­si­cio­na­das no segmento true flatbed (com sistema de vácuo para manutenção do registro), os modelos atingem velocidade de até 60 m2/h (mesa) e 43,3 m2/h (rolo) com qualidade de imagem fotográfica, reproduzindo textos legíveis de 2 pt. Os equipamentos pos­suem seis canais de tinta UV independentes, verniz localizado para aplicações decorativas e dupla opacidade do branco, se o verniz não for utilizado. A área máxima de impressão é de 1,25 m × 2,51 m, aceitando materiais com su­per­fí­cies irregulares ou pesadas, como vidro ou madeira.

Oki
A Oki esteve na feira com a impressora C711WT, lançada na ExpoPrint Digital e Fespa Brasil 2013, que trouxe o toner branco à impressão laser LED. O di­re­cio­na­men­to é a impressão de vá­rios tipos de pa­péis, incluindo transfers, pa­péis coloridos e transparentes, em formato A4 e gramaturas de até 250 g/m2. Já o modelo C941 possibilita a impressão multimídia no formato A3+, em gramaturas de até 360 g/m2 com toner branco e ­clear.

Roland DG
No campo da sublimação, a Roland DG mostrou a impressora XF-640S, desenvolvida para quem precisa de alta produtividade e qualidade. O modelo alcança até 122 m2/h, com largura de 1,60 m. Já para o mercado de brindes, a empresa lançou a VersaUV LEF-20, capaz de imprimir sobre praticamente qualquer objeto plano ou tri­di­men­sio­nal até 100 mm de altura e 508 (l) × 330 (c) mm. A impressora trabalha com tinta transparente, pro­por­cio­nan­do acabamento brilhante ou fosco, efeitos de texturas e relevo.

Serilon
Trabalhando com marcas tradicionais como Agfa, Xerox e Mimaki e outras menos conhecidas, como a chinesa Human Digital, além da brasileira Rizon, a Serilon contou com três lançamentos: as impressoras solvente Q-​­Jet e sublimação E-​­Jet 2, ambas da Human Digital, e a router (mesa de corte) laser Primalinea 1310, da Rizon. A primeira tem formato de boca de 3,20 m e velocidade de 120 m2/h, enquanto a mesa de corte tem área de trabalho de 1,30 × 1 m e laser com potência de 150w.

T&C
As soluções Epson também puderam ser conferidas no estande da T&C, que recebeu durante a feira o prêmio de melhor performance de vendas entre os revendedores Epson em 2013. O destaque ficou para a linha SureColor F6070 e F7070, impressão sublimática, equipadas com as novas tintas UltraChrome DS. As novas cabeças de impressão desenvolvidas exclusivamente para o processo de sublimação, que atingem quase o dobro da velocidade da geração an­te­rior, possibilitam maior precisão no po­si­cio­na­men­to da gota. Os equipamentos atingem velocidade de 58,9 m2/h, sendo que a 6070, formato 1,11 m, vem com cortador automático de folhas, e a 7070, formato 1,62 m, com rebobinador automático.


Uma produtiva 
visita guiada
Ava­liar a feira através dos olhos de um empresário do setor. Com esse objetivo, a revista Tecnologia Gráfica acompanhou a visita de Pedro Dourado, presidente da Uranos 2, à Serigrafia Sign 2014. Foram mais de cinco horas ininterruptas percorrendo os corredores da feira, andança acompanhada de muita conversa e vá­rias paradas para esclarecer dúvidas com os expositores e também para Pedro cumprimentar parceiros e amigos. Soteropolitano, Pedro soma 28 anos de ex­pe­riên­cia no setor. Começou sua vida pro­fis­sio­nal em 1987 em uma das maiores agên­cias da Bahia, a Propeg, como responsável pela compra e produção de materiais gráficos. Sete anos depois fundou a Uranos 2 Comunicação Vi­sual em um pequeno escritório no bairro de Pia­tã, em Salvador. Um ano depois a empresa já ocupava uma área de 4.500 metros quadrados no município de Lauro de Freitas. Hoje a Uranos 2 atua nas ­­áreas de comunicação vi­sual, mídia ex­te­rior e gráfica rápida, contando com três lojas abertas ao público, além da loja vir­tual. Pedro é também o ­atual presidente da As­so­cia­ção Baiana do Mercado Publicitário, ABMP.
E o que uma feira como a Sign Serigrafia tem a oferecer a profissionais como Pedro? “Venho principalmente para sentir o mercado, ver como estão po­si­cio­na­dos os fornecedores, fazer contatos.” Nesse sentido o empresário ficou um pouco de­cep­cio­na­do com a ausência de marcas como Durst, Inca e Vutek, o que na opi­nião dele reflete o di­re­cio­na­men­to da feira para as pequenas empresas. Pedro também não encontrou no evento lançamentos de peso. “Não vi nenhuma grande novidade. É como fazem com os fabricantes de carros. Trocam a grade dianteira e têm um novo modelo”. Mesmo assim ele reiterou o valor da visita do ponto de vista do re­la­cio­na­men­to. “Sempre vale vir à feira para ver os amigos e trocar ideias”.
Pedro aproveitou nossa jornada para conferir, por exemplo, a mesa de corte que está comprando da Aviso, uma router tupia de alto desempenho, desenhada para gravar ou recortar materiais como madeira, MDF, acrílico, espuma e chapas de aço. Enquanto Pedro conversava com o técnico que o atende, encontramos Flavio Medeiros, da Pigma, diretor do Grupo Em­pre­sa­rial de Impressão Digital da Abigraf-​­SP, GE-​­Digi, e seu filho, Flavio Medeiros Jú­nior. Também interessados nas soluções da Aviso, fabricante na­cio­nal de equipamentos para sinalização, a dupla está fazendo o caminho inverso do rea­li­za­do por Pedro. Enquanto a Uranos 2 começou com a sinalização para depois incorporar a mídia ex­te­rior e então oferecer produtos gráficos como cartões de visita e fôlderes, Flavio parte para somar à sua ex­pe­riên­cia em gráfica digital a prestação de serviço em comunicação vi­sual.
Uma conversa que pode gerar negócio aconteceu com Ernande Ramos, vice-​­presidente da Esko na América Latina. Pedro consultou-​­o sobre dispositivos para braile e descobriu que a Esko dispõe de uma ferramenta que pode ser adi­cio­na­da às mesas de corte para a impressão de textos em braile através de gotas de silicone.
Chamou a atenção do empresário a presença marcante e luminosa dos fornecedores de soluções em LED, desde grandes painéis até fitas de alta durabilidade. Num dos estandes, Pedro quis mais detalhes de painéis menores, os lightbox, com iluminação em LED, nos quais os anún­cios impressos podem ser facilmente trocados. “Posso tê-​­los e alugá-​­los para os clien­tes”, maquinou o publicitário que vive dentro de Pedro.
Com essa última parada encerrou-​­se nossa visita, ao que tudo indica com boas ideias e contatos para o empresário e muito aprendizado para esta que vos fala. E não é também para isso que vamos a uma feira?

Artigo publicado na edição nº 89

 
Fórum ExpoPrint 2014: Inovações e Produtividade Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Ter, 15 de Julho de 2014

 

Sistemas priorizam flexibilidade e adequação às demandas ambientais


Para atender a uma indústria que precisa otimizar recursos, financeiros e produtivos, e ao mesmo tempo oferecer soluções inovadoras aos seus clientes, fornecedores levam para a feira sistemas versáteis e erguem a bandeira do ecologicamente correto.


Com o objetivo de discutir as soluções que serão apresentadas na ExpoPrint Latin America 2014 sob a ótica da produtividade e da rentabilidade, a revista Tecnologia Gráfica promoveu no dia 28 de maio o Fórum Expo­Print 2014: Inovações e Produtividade. O encontro contou com a participação de 12 profissionais, representando 10 fornecedores que estarão presentes na feira, programada para acontecer de 16 a 22 de julho, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O evento terá 260 estandes, nos quais serão expostas entre 550 e 600 marcas, e deve receber 40.000 visitantes, segundo expectativa da Afeigraf e da APS Feiras, promotoras da mostra. O debate, rea­li­za­do na sede da Abigraf, foi me­dia­do por Ma­noel Manteigas de Oliveira, diretor da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris, e contou com a participação de Claudio Baronni, presidente da ABTG, e Andrea Ponce, coor­de­na­do­ra técnica da mesma entidade.
Otimistas em relação à ExpoPrint 2014, os executivos falaram das principais novidades da feira. Em comum entre sistemas para pré-​­impressão, impressão, acabamento e insumos, o esforço de apresentar ao gráfico soluções que possam otimizar os recursos já instalados, possibilitando que ele incremente seu portfólio com itens de maior valor agregado. Importante fio condutor foi a preo­cu­pa­ção com a questão am­bien­tal, evidente na maioria dos sistemas discutidos.

Verde é a cor mais quente
Essas duas demandas estão reunidas nas linhas que serão enfatizadas pela Kodak. A empresa mostrará o CtP Flexcel NX e as chapas Flexcel NX, voltadas para a impressão flexográfica, que têm entre suas características o fato de permitir maior gamut de cores com menor consumo de tinta, e as chapas offset térmicas Sonora XP e Sonora News, ambas livres de processamento químico. Mesmo afirmando que cada vez mais os clien­tes buscam produtos am­bien­tal­men­te amigáveis, Enio Zucchino, gerente de d1esenvolvimento de mercado para impressão co­mer­cial da Kodak acredita ser utópica a ideia de que todas as chapas serão processless num curto espaço de tempo. “Talvez em dez anos cheguemos a isso, é difícil dizer”.
A IBF também mostrará na feira “chapas ecológicas”, com as linhas chemistry free Ecoplate V (vio­le­ta) e Ecoplate T (térmica). “A chapa livre de químicos ainda é 10% mais cara porque a sua produção tem maior custo. Para nós é menos lucrativa, porque deixamos de ganhar com a venda do químico, mas é uma tendência inevitável”, observou Luiz Nei ­Arias, presidente da empresa.
Danilo Eskenazi, gerente sê­nior de consumíveis Saphira e CtP’s da Heidelberg, concordou com Enio Zucchino ao comentar que o domínio dos itens sem processamento ainda deve demorar. De acordo com ele, existem vá­rias aplicações em crescimento que não permitem o uso de chapas verdes. Na Heidelberg, o apelo ecológico e sobretudo o conceito menos é mais estará na tecnologia LE UV (low energy), apresentada na impressora offset plana Speed­mas­ter CX 102‑­5+L e nas tintas e vernizes Saphira LE UV. Utilizando um número menor de lâmpadas UV, que por sua vez consomem menos energia, a tecnologia garante secagem ime­dia­ta em produtos com aplicações especiais e diferentes substratos, como papel-​­cartão, metalizados, plástico e PVC. Já foram instalados 465 castelos de impressão com sistema LE UV no mundo desde seu lançamento na Drupa de 2012. No Brasil, duas gráficas aguardam a instalação de impressoras com tal sistema, Santa Marta e Halley, sendo que a máquina que será exposta na feira também está vendida.

Versatilidade já
Na sea­ra da otimização, a Agfa enfatizará na ExpoPrint 2014 o soft­ware de gestão de fluxo de trabalho Apogee Asanti, que promete integração total do processo de produção, inclusive em am­bien­tes híbridos, e a ferramenta para web-​­to-print Apogee Storefront, rodando em am­bien­te web (cloud computing). “Web-​­to-print será um dos principais temas da ExpoPrint”, afirmou Eduar­do Sousa, gerente de mar­ke­ting da Agfa para a América Latina.
A impressão digital terá presença garantida. A própria Agfa exporá a impressora flat­bed Anapurna M2540 UV jato de tinta, para mí­dias rígidas ou em folhas. A Fujifilm, como explicou Walter Tolosa Ju­nior, gerente de vendas exportação, mostrará pela primeira vez no Brasil a impressora Jet Press 720, jato de tinta voltada para confecção de brochuras no formato B2 com alta qualidade de impressão, além das wide format Inca Onset e Accuity LED 1600. No estande da T&C certamente a estrela será a digital Scodix, impressora jato de tinta UV que aplica camadas de polímero de alto brilho sobre materiais impressos em offset e digital, crian­do efeitos de acabamento. Lançada na Ipex 2010, a máquina começou a ser co­mer­cia­li­za­da no Brasil pela T&C em mea­dos do ano passado. “Já tivemos consultas de fornecedores de acabamento, só que as cinco unidades vendidas estão em gráficas, di­re­cio­na­das à pós-​­impressão in house”, disse Gian­ber­to 
Monchini, gerente financeiro da T&C.
Dois fornecedores de tintas e vernizes participaram do Fórum ExpoPrint 2014: Printcor e Overlake. Ambos enfatizaram a adequação às exi­gên­cias ambientais, com linhas à base de ­óleos vegetais em substituição aos componentes derivados do petróleo e produtos base água, bem como o desenvolvimento de itens que possibilitem maior versatilidade ao gráfico. Nesse sentido, a Printcor terá entre suas novidades as tintas UV especiais, adequadas para a secagem LED, da francesa Brancher, enquanto a Overlake mostrará seu novo catálogo, com mais de 20 vernizes base água, UV e dripp off (combinação de fosco e brilho), além das colas Overglue, isentas de solventes. De acordo com Marco Zorzetto, gerente in­dus­trial da Printcor, atual­men­te cerca de 60% das tintas offset planas consumidas no Brasil usam predominantemente ­óleos vegetais. “Se pensarmos em todo o mercado offset esse per­cen­tual gira em torno de 40, 50%”, completou Francisco Veloso, diretor geral da Overlake. O executivo da Printcor assinalou ainda a procura do gráfico brasileiro por produtos em conformidade com as normas gráficas, tanto no quesito am­bien­tal quanto no controle da cor, informação comemorada pelo diretor da Theo­bal­do De Nigris. “Há anos a ABTG, através do ONS27, bate na tecla da normalização e é muito bom saber que o gráfico começa a incorporar essa cultura”, disse Ma­noel Manteigas. “Até mesmo clien­tes de menor porte têm hoje essa exigência”, completou Marco Zorzetto.

A importância da gestão
Estendendo a discussão sobre boas práticas, o executivo da Printcor apontou como forte tendência a eliminação do ál­cool isopropílico no sistema de molha da impressão offset. Todos concordaram, contudo, que não é uma transição simples e rápida. “Normalmente o pes­soal reduz o ál­cool até 4%, 5%, porém para zerar é preciso investimento, não só em equipamento, mas es­pe­cial­men­te no treinamento dos operadores”, afirmou Francisco Veloso. Para Danilo Eskenazi, da Heidelberg, o fornecedor tem de ajudar o gráfico nessa transição porque é sim mais difícil imprimir sem ál­cool, uma vez que o uso da substância pode mascarar falhas no processo. “A vida do impressor não é mais fácil sem o ál­cool isopropílico, mas é preciso incorporar essa prática”, comentou o diretor da Overlake.
Ainda no campo da impressão offset, agora rotativa, o foco da Goss será a linha Sunday VPak, nos modelos VPak 3000 e VPak 500, voltadas para a produção de embalagens. Com sistema de corte va­riá­vel e cilindros de blanqueta tipo camisa, as máquinas podem rodar papel, cartão, laminados e filmes. Lançada da Drupa 2012, há quatro unidades rodando nos Estados Unidos e uma na China. A Goss também aposta na continuidade dos jornais por meio da re­gio­na­li­za­ção dos pe­rió­di­cos, destacando na feira a Magnum Compact, que confere automação às pequenas tiragens. “Estive recentemente em um congresso de jornais do in­te­rior, do qual participaram Lula, Aécio Neves e Eduar­do Campos, e pude ver a importância dessa mídia para a comunicação local”, afirmou Vitor 
Dragone, diretor executivo da empresa.
Chegando ao acabamento, participou do fórum Eduar­do Pereira, gerente de produto da Bobst. A empresa fará na feira o lançamento mun­dial do sistema de corte e vinco Novacut 106ER, que otimiza o processo ao fazer a separação automática do recorte, processando desde papel até plásticos semirrígidos e papelão ondulado. A empresa também mostrará a dobradeira-​­coladeira Expertfold 80A-1 com o novo módulo Accubraille GT. Trata-​­se de módulo rotativo, com velocidade de até 115 mil caixas por hora, que con­fec­cio­na o braille através de clichê.
Dian­te das tec­no­lo­gias expostas, Vitor Dragone observou que, apesar da busca pela produtividade, nunca entrou tanta máquina obsoleta no mercado. Dian­te da necessidade de investir, menos capitalizadas e com poucas alternativas de fi­nan­cia­men­to, resta para muitas empresas a compra de equipamentos usados. Esse movimento contrasta com uma necessidade premente levantada por Andrea Ponce, da ABTG, que questionou os fornecedores com relação à adequação de suas linhas à norma de segurança e saú­de NR-12. “Vá­rias gráficas já estão sendo autuadas”, alertou a técnica. Ela ouviu dos fornecedores que há equipamentos já em conformidade com a norma e outros em processo. Para as máquinas em operação, há a possibilidade da adequação. Contudo, em modelos mais antigos os ajustes podem ser inviáveis. “Essas máquinas serão lacradas”, sentenciou Claudio Baronni. O presidente da ABTG encerrou o debate enfatizando o trabalho da entidade na disseminação das boas práticas, principalmente na gestão das empresas, preparada que está para ajudar as gráficas na questão da NR-12 e para caminhar ao lado dos fornecedores na busca de alternativas para o ajuste de toda a cadeia produtiva à Politica 
Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos.

Artigo publicado na edição nº 89

 
A pré‑impressão faz toda a diferença Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Ter, 22 de Abril de 2014

O desenvolvimento de novas tecnologias na primeira etapa do processo flexográfico de produção, em especial o ponto de topo plano, tem colaborado decisivamente para que a flexografia ganhe mais e mais adeptos.

Os números confirmam o que os profissionais do setor vêm repetindo: a impressão flexográfica continua sua curva ascendente, im­pul­sio­na­da por um círculo vir­tuo­so: evolução tecnológica e aumento na demanda nos principais segmentos cobertos por tal processo. Em direção oposta à diminuição do ritmo do setor gráfico em geral, os nichos atendidos pela flexografia registram balanço positivo. Segundo dados da Abflexo/FTA-​­Brasil, As­so­cia­ção Brasileira Técnica de Flexografia, o segmento de banda estreita, que engloba rótulos e etiquetas e também tiragens menores de embalagens flexíveis e de pa­péis com alto nível de tecnologia embarcada, tem apresentado um crescimento muito su­pe­rior à média, oscilando entre 6 a 8% ao ano, com viés de elevação para os próximos anos com a inclusão da impressão digital como complemento das plantas produtivas. O setor de banda larga, cujo forte são as embalagens flexíveis e de pa­péis, com grandes formatos e tiragens, também cresce de maneira um pouco su­pe­rior ao patamar geral, algo em torno de 4 a 5% ao ano. Já o universo do papelão ondulado tem evo­luí­do de forma muito su­pe­rior aos outros segmentos, principalmente por viver um momento de transição tecnológica, alavancada pela exigência de embalagens de maior qualidade. A perspectiva nessa área é de expansão entre 7 a 10% para os próximos anos.
Como comenta Júlio Cezário, responsável pelo departamento de mar­ke­ting da Abflexo, o mercado brasileiro de flexografia é imenso, dis­tri­buí­do de forma mais ou menos pro­por­cio­nal à importância econômica de cada re­gião. “Temos uma concentração muito grande de empresas no Sul e Sudeste do País e observamos uma taxa de crescimento maior em re­giões como o Centro-​­Oeste e Nordeste, onde as empresas estão investindo fortemente no aumento da qualidade e na capacitação da mão de obra es­pe­cia­li­za­da. A entidade não tem um cálculo preciso do segmento flexográfico brasileiro, mas congrega hoje 4.500 empresas em suas ações.
Nessa corrida pela qualidade, a pré-​­impressão flexográfica reinventou-​­se, sobretudo com o advento de soft­wares específicos e da gravação direta das chapas de fotopolímero, ou clichê com cópia digital, o que vem ajudando a equiparar a qualidade final da flexo ao patamar da offset e da rotogravura. Uma das inovações que mais tem con­tri­buí­do para isso é a tecnologia de ponto com topo plano (flat top dot). Destinada a impressões de altíssima qualidade, beneficia principalmente aqueles que trabalham com impressoras de banda estreita e banda larga.
Desde o lançamento dos primeiros CtPs para flexografia, na Drupa de 1995, a confecção dos clichês digitais tem se aperfeiçoado. Diferentes sistemas foram cria­dos, resultando em melhor qualidade de impressão e dos processos produtivos, com elevação da resolução das imagens e eliminação de solventes no processamento, entre outros fatores.
Mas a gravação direta das imagens do computador para as chapas trouxe consigo, ini­cial­men­te, uma limitação, como explicam Felipe Wagner da Silva Consiglio e Sérgio Barbosa de Oliveira, instrutores de roto e flexo na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris. Uma va­riá­vel no processo que ocorre durante a etapa de exposição dos clichês deixa os pontos com o topo arredondado, comprometendo a precisão da área de contato e impossibilitando a reprodução 100%, prejudicando o controle do ganho de ponto. O problema concentra-​­se na etapa pos­te­rior à cópia digital. Durante a exposição com lâmpadas UV, a chapa sofre a in­fluên­cia do oxigênio que está dentro da expositora, que atrapalha a luz, impedindo a cópia exata das imagens. Tal característica da gravação digital é mais crítica na impressão sobre plástico, mas também afeta os substratos celulósicos.

CtP Kodak Flexcel NX

Flat top dot
Do esforço para so­lu­cio­nar essa questão surgiram diferentes soluções voltadas para a obtenção do ponto de superfície plana, ou flat top dot, decisivo na transferência da tinta, es­pe­cial­men­te nas ­­áreas de mínima porcentagem.
A primeira empresa a lançar a tecnologia de ponto plano foi a Kodak, em 2008, com o sistema Kodak Flexcel NX. Ele é composto pelo dispositivo de gravação, o CtP Kodak NX com tecnologia laser Kodak Squarespot, a película es­pe­cial Thermal Imaging Layer (TIL), o laminador Kodak NX e as chapas Flexcel Kodak NXH. Além da reprodução 1:1, garantindo que as informações contidas no arquivo sejam fiel­men­te reproduzidas na Thermal Imaging Layer, que pos­te­rior­men­te é laminada na chapa Kodak Flexcel NXH, o sistema incorpora be­ne­fí­cios como: eliminação da curva bump up (curva de compensação), permitindo que os arquivos sejam trabalhados sem a necessidade de ajustes nas ­­áreas de altas luzes, imagens mais nítidas e com maior contraste, redução no tempo gasto na preparação dos arquivos, uso de imagens de alta resolução, previsibilidade de resultados e maior 
segurança no uso de retículas especiais.
Durante o processamento, o carregamento da Thermal Imaging Layer é rea­li­za­do de forma automática, dispensando a necessidade de abrir e po­si­cio­nar ma­nual­men­te a chapa sobre o tambor. Com isso, tal tecnologia pro­por­cio­na maior velocidade na ablação da camada Thermal Imaging Layer, disponibilizando a chapa mais rapidamente para exposição UV. A fidelidade obtida pela TIL faz com que a imagem a ser reproduzida sobre a chapa não sofra va­ria­ções e garante em 100% a repetibilidade da operação. A redução dos tempos no processamento (carregamento, ablação, exposição e secagem) amplia a efi­ciên­cia do processo e permite o aumento na quantidade de chapas produzidas por hora.
A lista de vantagens da tecnologia Flexcel NX na impressão é longa, segundo a Kodak. Ela vai desde chapas mais estáveis, impressão simultânea de chapados e retículas dispostos sobre a mesma chapa, maior efi­ciên­cia na transferência de tinta e expansão do gamut de cores, até maior velocidade de impressão, menos paradas de máquina para limpeza de chapas, set ups mais rápidos e menor desperdício.

Prova de cor da chapa nyloflex NExT, da Flint Group


De acordo com a equipe da Kodak que cuida da área de flexografia e embalagens, Mauro Freitas, gerente de conta, Fabio Rocha, es­pe­cia­lis­ta em flexografia, e Natalia Mat­tio­li, gerente de mar­ke­ting, segue forte o ritmo de crescimento do uso do sistema Flexcel NX no Brasil. “A evolução do sistema Kodak Flexcel NX seguirá como parte pri­mor­dial no nosso negócio. Durante 2014 teremos lançamentos nessa área, mas ainda não podemos revelar as novidades”, comenta Mauro Freitas.

Oxigênio neutralizado
Afora a tecnologia de ponto plano, uma das inovações da Kodak na sea­ra da flexografia é o soft­ware Kodak Spotless, ferramenta que trabalha no sentido de reduzir a quantidades das cores usadas na produção de um determinado ma­te­rial e, consequentemente, o custo da impressão. O soft­ware permite, através da leitura da gama de cores de impressão do clien­te, ­criar e ge­ren­ciar uma bi­blio­te­ca de cores especiais e cores Pantone, com suas respectivas receitas, para a reprodução de tais tonalidades com as quatro cores (CMYK) apenas.
Em 2011 a Flint Group Flexographic Products apresentou a sua alternativa em gravação de ponto flat: o nyloflex NExT. A tecnologia consiste em uma exposição à luz UV de alta intensidade, na qual a elevada potência polimeriza a imagem antes da ação do oxigênio na placa (ou chapa). “É uma tecnologia de fácil implementação por não ter processo e insumos adicionais. Temos vá­rias unidades em fun­cio­na­men­to fora do Brasil. Por aqui já temos três equipamentos em fun­cio­na­men­to e outros em ne­go­cia­ção”, comenta Marcos Akio Tamura, técnico su­pe­rior da Flint Group. De acordo com o es­pe­cia­lis­ta, além dos ganhos com a utilização de pontos de topo plano, o sistema nyloflex NExT oferece como vantagens o fato de poder ser implementado em um fluxo de trabalho digital já existente, sem etapas de processamento adicionais (como laminação), de dispensar consumíveis adicionais (sem gás inerte, sem filme), evitando todos os riscos de variáveis e custos adicionais. O sistema é compatível com todos os soft­wares de pré-​­impressão padrão e tecnologia HD Flexo (da Esko), tem potência constante de exposição devido à tecnologia de exposição por LED UV de alta intensidade, sendo indicado para todas as chapas digitais padrão (todas as espessuras e formatos).

DuPont Cyrel Digiflow


Mirando o aumento na qualidade de impressão e acompanhando o aumento na velocidade das impressoras flexográficas, a Flint Group lançou em 2012 as chapas nyloflex New Ace, voltadas para curtas e longas tiragens e produções just in time. A linha caracteriza-​­se por facilidade no manuseio e montagem no porta-​­clichê; baixa atração de poeira, diminuindo as paradas da impressora por acúmulo de poeira e impregnação de tinta; fácil limpeza do clichê; aumento da qualidade e estabilidade de impressão, principalmente em longas tiragens; economia devido ao menor número de paradas; durabilidade su­pe­rior da placa, garantindo maior vida útil de impressão; tempos mais curtos de processamento; e aumento na velocidade de impressão.

Pontos híbridos
Durante a Drupa 2012 foi a vez da DuPont am­pliar sua consagrada linha Cyrel — composta por chapas de fotopolímero, equipamentos de processamento e produtos para montagem e acabamento — com o DuPont Cyrel Digiflow. Trata-​­se de um sistema para formação de pontos híbridos (especificação do fabricante) na chapa de fotopolímero por meio da ação do nitrogênio. Segundo a DuPont, a tecnologia requer modificações relativamente simples e de baixo custo no equipamento de exposição, consistindo na cria­ção de uma atmosfera controlada durante a exposição principal. “Chamamos de híbrido justamente porque essas unidades foram desenhadas para serem utilizadas de acordo com a necessidade do clien­te e podem ser facilmente desativadas quando o ponto digital con­ven­cio­nal, arredondado, for mais adequado ao processo”, afirma Rodrigo Yamaguchi, gerente de vendas do Brasil da DuPont Packaging Graphics.
A DuPont lançou também na última edição da feira alemã as chapas de Alta Performance DuPont Cyrel. Elas são compostas de uma combinação de polímeros digitais, atendendo a demanda do mercado por alta densidade em ­­áreas de sólido, com reflexos na qualidade do processo e, principalmente, na produtividade. Esses be­ne­fí­cios são alcançados uma vez que as chapas Cyrel de Alta Performance pos­suem superfície modificada, que reproduz o efeito da reticulagem alcançada através de soft­wares. As novas chapas estão disponíveis nas versões Solvente (Cyrel DSP) e Térmica (Cyrel Fast DFP). Ambas fun­cio­nam com um fluxo de trabalho digital padrão, o que não exige investimentos adicionais em tecnologia e pré-​­impressão digitais. De acordo com o executivo, tais sistemas já estão sendo utilizados no Brasil.

Direct Laser Engraving
Outra alternativa é a tecnologia DLE (Direct Laser Engraving), utilizada em CtPs como os fabricados pela Stork, empresa do grupo holandês SPGPrints, que no Brasil tem parceria com a Dugraf. Como explica Marcio de Mendonça, diretor da Dugraf, nessa tecnologia a formação das retículas ou sólidos são feitas por um laser de CO₂ que “constrói” o ponto de acordo com a necessidade do clien­te/arquivo. Aquilo que consta no arquivo será gravado na chapa sem o risco de perdas por tratar-​­se de tecnologia que permite a gravação direta. “Assim, com facilidade, é possível construir e controlar na chapa pontos com flat top, microcells, entre outros, que inclusive podem ser mais baixos que as ­­áreas de chapados ou sólidos, na mesma chapa, fazendo com que o excesso de pressão na impressora para se alcançar boa cobertura, ou densidade de tinta, não prejudique a impressão de retículas finas, tornando o ganho de ponto praticamente zero”. Para a pré-​­impressão o sistema DLE significa a eliminação de etapas como exposição no verso, exposição principal, processamento, tempo de descanso da chapa e pós-​­exposição de luz UVC. Para a impressão representa possibilidade de impressão de ­­áreas de sólidos ou chapados, retículas e traços em um mesmo clichê, redução de marcas ou es­trias de vibração, possibilidade de eliminação da fita dupla face acol­choa­da, compatibilidade com tintas base d’água, solvente, UV e EB (electron beam). Para essa tecnologia, a Dugraf traz para o Brasil as chapas Laserline, fabricadas pela Continental, com chapas que atendem todas as espessuras do mercado de embalagens flexíveis, partindo de 0,76 até 2,84 mm. A Laserline possui em sua estrutura uma camada compressível que substitui o uso das fitas dupla face acol­choa­das.

Superfície da chapa. Comparativo do desenho dos pontos

Antes do ponto, o soft­ware
Quan­do se trata de soft­wares para pré-​­impressão flexográfica o mercado é praticamente atendido por um único fornecedor, a Esko-​­Graphics. Até 2007, sua hegemonia era dividida com a Artwork Systems, adquirida pela Esko naquele ano. Estão sob o seu guarda-​­chuva os consagrados programas para pré-​­impressão de embalagens ArtPro, PackEdge e Au­to­ma­tion Engine. O primeiro é um editor de pré-​­impressão para Mac, o segundo cumpre a mesma função em PCs, e o Au­to­ma­tion Engine faz a automação e a integração do fluxo de trabalho de pré-​­impressão.

Fluxo de trabalho do Automation Engine


De acordo com Ernande Ramos, vice-​­presidente para a América Latina, as atuais versões 12.1 serão atua­li­za­das no meio deste ano, quando a Esko planeja a renovação de toda a sua gama de soft­wares com o lançamento da chamada Suite 14. O executivo não pôde 
detalhar os novos recursos.
Enxergando oportunidades na produção digital das chapas, a Esko desenvolveu uma solução completa, composta pelo CtP CDI, o padrão de impressão flexográfica (retícula) HD Flexo e a Digital Flexo Suite, conjunto de soft­wares para a confecção de chapas. O sistema atende a impressão flexográfica tanto para rótulos e etiquetas, quanto para embalagens flexíveis e corrugados.

 

Artigo publicado na edição nº 88

 
Rótulos e etiquetas, multiplicidade de soluções Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Ter, 26 de Novembro de 2013

Seja para o valorizado rótulo, a cada dia mais nobre como ferramenta de conquista do consumidor, ou para a simples, porém eficiente, etiqueta, a diversidade de tecnologias só aumenta. Combiná-​­las no formato mais conveniente é prática que se renova com a disseminação da impressão digital.

O segmento de etiquetas e rótulos caminha naturalmente atrelado ao setor de embalagens. Não causa surpresa, assim, que venha registrando um desempenho su­pe­rior quando comparado a outros nichos da indústria gráfica. De acordo com a As­so­cia­ção Brasileira das In­dús­trias de Etiquetas Adesivas (­Abiea) são convertidos em etiquetas e rótulos cerca de 60 milhões de metros quadrados de papel e filmes plásticos por mês no Brasil. A entidade não dispõe de números detalhados, ­aliás, um dos projetos da as­so­cia­ção é justamente uma pesquisa aprofundada, mas Francisco Sanches Neto, presidente da ­Abiea e diretor co­mer­cial da Adesão Etiquetas Adesivas, afirma que o papel mantém-​­se como principal suporte em função do menor custo e maior aplicabilidade. Mas essa composição deve alterar-​­se, à medida que cresce a produção de rótulos, em detrimento das etiquetas. Sofisticados, esbanjando recursos gráficos e consequentemente com maior valor agregado, os rótulos aproximam-​­se progressivamente de substratos plásticos como o BOPP e o po­lie­ti­le­no, enquanto nas etiquetas, mais simples e basicamente 
informativas, o papel é soberano.
Mesmo atendendo um segmento em expansão, os fabricantes de etiquetas e rótulos não esperam crescimento para 2013, de acordo com Francisco Neto: “2011 foi bom, mas este ano deve se encerrar com desempenho pior do que o registrado em 2012”. Além da conjuntura econômica menos favorável, o presidente da ­Abiea assinala como fator determinante a guerra de preços que impera no setor. “Nos últimos cinco anos vendeu-​­se muito equipamento e a demanda por vezes não acompanhou a elevação na capacidade produtiva. O resultado é a queda das margens de lucro, o que dificulta a atua­li­za­ção tecnológica, principalmente para as micro e pequenas empresas, que compõem cerca de 80% dos 1.500 convertedores de etiquetas e rótulos em atividade no País”, afirma Francisco Neto.
E não há como falar em modernização sem abordar a impressão digital, que se faz presente no universo dos rótulos. Como no mercado edi­to­rial, aqui ela ajuda o convertedor a adaptar-​­se à fragmentação dos pedidos, à redução de tiragens e à personalização. As impressoras digitais, cada vez mais flexíveis não só no processo de impressão em si, mas sobretudo na possibilidade de incorporar dispositivos e módulos de acabamento, reduzem significativamente o tempo de set up, porém seus insumos con­ti­nuam caros. “O mercado está acostumado a um custo de R$ 0,40 por rótulo impresso em flexografia. Na digital esse preço sobe para R$ 1,10, o que acaba assustando o clien­te”, comenta o presidente da ­Abiea. Na composição desse preço entram o custo ope­ra­cio­nal, os insumos, a taxa de ocio­si­da­de da máquina e a amortização do equipamento, que deve se pagar mais rapidamente em função da acelerada obsolescência dos sistemas digitais. Mesmo dian­te dessa questão, o empresário acredita que a melhor saí­da é munir-​­se dos dois sistemas, flexo e digital, que podem estar combinados em linhas híbridas de produção, incluindo outros processos como offset e serigrafia.
O melhor dos vários mundos
Tirar proveito do que cada tecnologia tem de melhor é igualmente a bandeira de Miguel Troccoli, gerente geral da PTC Graphic Systems e presidente da Abflexo, As­so­cia­ção Brasileira Técnica de Flexografia. “É um erro pensar que a tecnologia digital é uma amea­ça à flexografia ou a qualquer outro sistema de impressão. O digital tem características e aplicações que não são encontradas em outros processos e na verdade o digital deve ajudar a flexo e o offset, somando forças para atender necessidades específicas dos mesmos clien­tes”. Na opi­nião dele, também não se deve comparar custos e receitas. “Do ponto de vista do custo, por mais simples que seja o digital, sempre será mais caro por produto em comparação aos sistemas convencionais. Seja ele jato de tinta, toner líquido ou sólido. O processo digital embute características que não existem ou não são economicamente viáveis nos processos convencionais”. A redução do prazo de entrega e a personalização são dois 
elementos agregadores de valor.
A multiplicação de recursos das impressoras digitais voltadas à confecção de rótulos e etiquetas só se intensifica, como destacam três es­pe­cia­lis­tas da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris: Eneias Nunes da Silva, professor e coor­de­na­dor técnico da escola; Ju­lia­na Coe­lho, professora e tecnóloga gráfica; e André Ci­fuen­te Filho, instrutor de práticas profissionais. A gama de substratos aceitos não se restringe aos suportes celulósicos, sem que isso comprometa a estabilidade da cor, e as possibilidades de enobrecimento em linha, como hot stamping, saí­ram da fase dos protótipos.
A evolução da tecnologia digital torna ainda mais plural a gama de processos disponíveis para a produção de rótulos e etiquetas. Uma importante inovação é a cura da tinta, ou polimerização, com LEDs (dio­dos emissores de luz), sistema que propicia o uso de uma va­rie­da­de maior de suportes e que carrega forte apelo am­bien­tal por possibilitar economia de energia. A vida útil dos LEDs é maior, quando comparado à secagem UV, contudo o custo dessa tecnologia ainda é mais alto. Os LEDs equipam também as impressoras flexográficas. Miguel Troccoli lista outros be­ne­fí­cios da tecnologia LED em impressoras flexográficas: a desobrigação do uso de sistemas complexos de res­fria­men­to por água gelada e a possibilidade de dispensar sopradores e exaustores de gás, pro­por­cio­nan­do secagem mais rápida, com maior brilho e durabilidade.
Impressoras serigráficas rotativas, máquinas offset dedicadas à produção de rótulos e etiquetas, bem como a combinação de processos são opções efetivas. Vale lembrar que quando se pensa em sistemas híbridos, as velocidades dos processos va­riam. “Uma impressora flexográfica que roda a 140 metros por minuto pode ter sua velocidade reduzida pela metade se lançar mão de um dispositivo de impressão digital, que trabalha a 60 metros por minuto”, afirma Ju­lia­na Coe­lho.
Flexografia, offset, digital.
Opções não faltam

EFI – Jetrion

Impressora digital modular EFI Jetrion 4900
A EFI aproveitou a Labelexpo, rea­li­za­da no final de setembro, em Bruxelas, na Bélgica, para apresentar a impressora EFI Je­trion 4950LX LED. O novo equipamento traz maior resolução, rápida capacidade de processamento e polimerização LED. A empresa também expôs os novos módulos de acabamento para envernizamento e laminação e um cortador a laser de alta potência, que pro­por­cio­na velocidade e versatilidade para convertedores que trabalham com larguras de 330 mm.
A linha modular Je­trion 4900 de impressoras digitais jato de tinta UV para a produção de etiquetas foi lançada em 2007. Com opções de formato 210 mm e 330 mm, está sendo co­mer­cia­li­za­da no Brasil desde 2009. Atual­men­te, segundo Marcelo Mae­da, gerente de vendas e desenvolvimento da EFI, há duas Je­trions instaladas no País, ambas na River Print, empresa es­pe­cia­li­za­da na impressão de rótulos e etiquetas, localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A linha tem velocidade máxima de impressão de 24,30 m/min. em resolução completa, e 36,58 m/min. em modo rascunho, resolução su­pe­rior a 1.000 dpi (aparente), cinco cores (CMYK + branco), trabalhando com papel, filmes, lâminas, etiquetas e materiais especiais.
www.efi.com

Heidelberg

Impressora offset plana Speedmaster XL106
Para atender as demandas do mercado de etiquetas, a Heidelberg lançou em 2010 a impressora offset plana Speed­mas­ter XL 105‑­D, com corte e vinco rotativo offline. Esse modelo foi sucedido na Drupa 2012 pela XL 106‑­D, voltada sobretudo para o mercado de etiquetas para IML (in mold label), processando películas já impressas. O principal benefício é a alta velocidade de produção, que pode ser de até 15.000 folhas por hora, além do curto tempo de acerto.
Outra impressora offset que vem sendo usada para a produção de etiquetas é a Speed­mas­ter CX 102. O equipamento possui uma grande va­rie­da­de de configurações e pode imprimir substratos desde 0,03 mm até 1,0 mm, com velocidade de até 16.500 folhas por hora. Pode ter uma ou duas unidades de verniz em linha e agregar diferentes aces­só­rios, como o Foilstar para acabamento em linha com a aplicação de lâmina fria (cold foil) por meio de duas unidades de offset.
www.br.heidelberg.com

HP Indigo

Impressora digital HP Indigo WS6600
Há mais de 10 anos a linha de impressoras digitais de toner líquido (electroink) HP Indigo tem modelos que atendem no segmento de rótulos e etiquetas. Atual­men­te são dois modelos: WS4600 e WS6600, este último o mais recente, lançado na Drupa 2012. De acordo com Luis Igle­sias, diretor de vendas e mar­ke­ting da Comprint, representante da HP Indigo no Brasil, hoje há 31 impressoras HP Indigo 
instaladas no Brasil nesse segmento.
A WS6600 imprime a uma velocidade de 30 metros por minuto em quatro cores, com formato máximo de repetição de imagem de 317 mm × 980 mm. A impressora pode utilizar até sete diferentes cores si­mul­ta­nea­men­te, alcança resolução de 812 e 1.219 dpi a oito bits; e pode trabalhar com substratos autoadesivos, filmes, pa­péis e cartões com espessuras entre 12 e 450 mícrons. Na Labelexpo, a WS6600 ganhou um novo di­fe­ren­cial com o lançamento da tinta prata Indigo Silver Ink.
www.comprint.com.br
www.hp.com/br

Mark Andy
A Mark Andy é um dos principais fabricantes mundiais de impressoras flexográficas, líder em equipamentos de impressão e conversão modulares, e todos as suas linhas destinam-​­se aos segmentos de rótulos, etiquetas e embalagens flexíveis. A fabricante desenvolve três linhas: a 2200, no mercado desde os anos 1960; a linha Performance, vendida desde 2010; e a nova VersaMax, lançada em junho deste ano. No Brasil a marca está presente desde a década de 1980 e, de acordo com Miguel Troccoli, da PTC Graphic Systems, representante da marca no Brasil, 120 impressoras estão em 
fun­cio­na­men­to atual­men­te.
A nova linha VersaMax, focada no mercado de alta performance e velocidade, es­pe­cial­men­te o norte-​­americano, trabalha com larguras de 22" (55,88 cm) e 26" (66,04 cm), alcançando velocidade de 366 mpm. Para garantir a secagem a essa velocidade, a empresa desenvolveu um secador de ar com um emissor de ondas de baixa frequência, que multiplica a ação de secagem permitindo que a impressora trabalhe em alta velocidade com tintas à base de água ou solvente. “A VersaMax é a linha que aproveita o melhor da tecnologia da Performance, com design horizontal das unidades de impressão, utilizando camisas de impressão para as larguras maiores. A primeira VersaMax foi instalada em agosto na mexicana Stu­dioCo­lor, para produzir rótulos de refrigerantes com alta qualidade, que antes eram impressos em rotogravura”, explica o gerente da PTC.
www.ptcgs.com.br
www.markandy.com

Impressora flexográfica modular da Mark Andy, da linha Performance

Nilpeter
Assim como a Mark Andy, todos os equipamentos desenvolvidos pela Nilpeter estão di­re­cio­na­dos à produção de etiquetas e rótulos. Seis linhas atendem os convertedores, FB, FB Next, FA, FA Next, Caslon e MO, incluindo impressoras flexográficas simples, híbridas, inclusive com processo offset, até impressão digital. Os equipamentos aceitam papel não adesivo e autoadesivo, filmes sem suporte, 
ma­te­rial ter­moen­co­lhí­vel, cartões e alumínio.
Suas mais recentes inovações foram expostas na Labelexpo. A FB Next tem largura máxima de bobina de 350 mm, chegando à velocidade de 228 m/min. Pode ser combinada com serigrafia rotativa, cold stamping rotativo, hot stamping plano ou rotativo e unidade de meio-​­corte em linha. Com os mesmos aces­só­rios, a FA Next é uma impressora flexográfica do tipo gear­less (sem engrenagens), que alcança largura de bobina 420 mm e velocidade máxima de operação 175 m/min. Também foram expostas na feira a MO 5, impressora multiplataforma offset que usa camisas ao invés de cassetes (porta-​­chapa/porta-​­blanquetas), podendo ser combinada aos mesmos dispositivos já citados, com largura máxima de bobina 520 mm e velocidade máxima de operação 175 m/min.; e a unidade de rotogravura G4, desenhada para complementar as impressoras FA, FA Next e MO, utilizando tintas à base de solvente. De acordo com Rubens Wilmers, diretor geral da Nilpeter do Brasil, 10 FB Next foram vendidas mesmo antes da feira, das quais duas virão para o Brasil.
www.nilpeter.com

Rotatek Brasil

Unidade de impressão digital em impressora híbrida da Rotatek
Outra marca colada ao segmento de rótulos e etiquetas e ao conceito de modularidade, a Rotatek começou a instalar no Brasil máquinas combinando flexografia e offset em 1988. Atual­men­te, de acordo com Antonio Dalama, diretor geral da Rotatek Brasil, são 350 máquinas em fun­cio­na­men­to. Entre suas vá­rias soluções, a mais recente é a impressora híbrida Convert, que pode chegar à largura de 1.000 mm e destina-​­se ao segmento de embalagens flexíveis, incluindo rótulos termoencolhíveis. Seu di­fe­ren­cial é a curta passagem do substrato, diminuindo o consumo de matéria-​­prima no ajuste de máquina, alia­do ao sistema de controle do equipamento, que permite memorização dos parâmetros de cada trabalho, reduzindo subs­tan­cial­men­te o tempo de ajuste.
www.rotatek.com.br

Xeikon

Impressora digital de toner sólido da Xeikon, modelo 3030 Plus
A linha de impressoras digitais de toner sólido da Xeikon aplicada à conversão de rótulos e etiquetas é a 3000, que tem como característica a impressão em apenas um lado do substrato. São cinco modelos, 3030, 3030 Plus, 3300, 3050 e 3500, com larguras máximas que va­riam de 300 mm a 500 mm, e velocidades entre 15 m/min. e 19,6 m/min. Dentre eles o mais novo é a impressora 3030 Plus, 
lançada em 2011.
Fabricante da primeira impressora digital colorida in­dus­trial, através do desenvolvimento da impressão eletrofotográfica a partir de toners secos, lançada em 1993, a Xeikon começou a ser representada na América Latina em 2011. De lá para cá, 18 máquinas foram instaladas, sendo quatro no Brasil. Todas as quatro estão atendendo o mercado de impressão de envases rígidos, como potes e baldes plásticos, rotulados com o processo de heat transfer. Como explica Miguel Troccoli, da PTC Graphic Systems, a impressora digital imprime um papel siliconado, que com calor transfere a imagem com alta qualidade para o envase. Essas máquinas estão hoje em Recife, Salvador e São José dos Campos.
O toner sólido não contém solventes em sua composição, apresenta alta densidade de cobertura e de cor, facilitando a reprodução de cores Pantone, pro­prie­da­des adequadas à produção de rótulos, etiquetas e cartuchos para os segmentos alimentício 
e far­ma­cêu­ti­co.    
www.ptcgs.com.br
www.xeikon.com

Artigo publicado na edição 87

 
Workflows incorporam novos recursos Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 12 de Agosto de 2013

Modulares e flexíveis, os sistemas de fluxo de trabalho ganham novas ferramentas a cada dia, facilitando a rotina, reduzindo erros, conferindo maior visibilidade e controle ao processo produtivo e, sobretudo, integrando todas as ­áreas da empresa e os próprios clientes.

 

 
A impressão além do papel Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 12 de Agosto de 2013

O 1º Fórum de Comunicação e Impressão Digital, promovido pelo Digitec, indica caminhos alternativos no mundo da impressão.

 
Uma breve história da Linotipo Imprimir E-mail
Escrito por Claudio Rocha   
Ter, 12 de Março de 2013

A Linotipo é um equipamento de composição mecânica que compreende quatro partes fundamentais: os magazines, ou depósitos de matrizes; o teclado, o mecanismo de fundição e o mecanismo de distribuição das matrizes. Basicamente, a sua operação consiste em: reunir as matrizes em uma linha de texto; espaçá-la automaticamente a fim de alcançar a medida predefinida; posicionar a linha composta no mecanismo de fundição; transferir a imagem dos caracteres das matrizes para uma barra de metal; e, por fim, devolver as matrizes às suas posições originais nos magazines, para nova utilização.

 
Integração deve comandar ExpoPrint Digital/Fespa Brasil 2013 Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 11 de Março de 2013

Feiras evidenciam a proximidade entre fornecedores de soft­wares, insumos, sistemas de impressão e acabamento, concentrados em oferecer soluções eficientes e, sobretudo, que gerem produtos mais rentáveis para seus clientes.

 
Grandes formatos, a nova fronteira Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 03 de Dezembro de 2012

A impressão digital de grandes formatos está sendo alavancada não só pelas empresas tradicionais no segmento de sinalização e comunicação visual, mas também pelas gráficas convencionais, que veem na tecnologia oportunidades reais para ampliar sua oferta de produtos.

Uma das ­­áreas nas quais a impressão digital com tecnologia jato de tinta vem encontrando terreno fértil para se expandir é o segmento de grandes formatos. Como afirma Bruno Mortara, superintendente do ONS27 e professor de pós-​­gra­dua­ção na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica em seu livro Impressão Digital, as aplicações nessa área estão se diversificando como resultado das novas soluções apresentadas pelos fabricantes, em paralelo aos usos cria­ti­vos que os gráficos têm conferido a esses equipamentos. Não faltaram lançamentos nesse campo durante a Drupa 2012, com expositores relatando terem alcançado ótimos resultados.
Algumas das principais aplicações de grandes formatos, de acordo com Bruno Mortara, são os banners em vinil, a sinalização de varejo, a adesivagem de veí­cu­los, os pôsteres, os outdoors e a sinalização digital eletrônica. No segmento de sinalização digital há a área de recorte eletrônico, capaz de produzir vá­rios tipos de sinais, como letras de vinil, sinalização de imóveis, de trânsito etc. No nicho de outdoors, os banners já tomaram conta daquela que era a área de gigantografia, simplificando a aplicação e instalação das peças e am­plian­do a durabilidade.
O sistema predominante entre os equipamentos de grande formato é o jato de tinta, que deve atender à crescente exigência de suportar uma infinidade de substratos. Para tanto, os sistemas podem ser à base de UV, solvente, ecossolvente ou látex, nos quais a tinta é aplicada diretamente no ma­te­rial, tra­di­cio­nal­men­te substratos flexíveis que alimentam os sistemas através de bobinas (rolo a rolo). Uma alternativa são as máquinas de mesa (flatbed), nas quais a cabeça de impressão, ou o conjunto de cabeças, pode se afastar do substrato, permitindo a impressão sobre materiais de maior espessura, como vidro, metais, madeiras e plásticos rígidos.
Com o desenvolvimento da tecnologia digital, a impressão de grandes formatos tornou-se uma das escolhas preferidas dos departamentos de marketing e publicidade em todo o mundo devido à sua rápida execução e baixo custo. Para eles, não faltam inovações tanto na qualidade da impressão e diversidade de suportes quanto na possibilidade do uso de dados variáveis, como descreve Bruno Mortara em seu livro.

Tintas
Na impressão de grande formato as tintas podem va­riar bastante, de acordo com a aplicação. Diversas máquinas podem trabalhar com tipos diferentes de tinta, desde que a troca da tinta seja feita de forma adequada. As tintas UV podem ser de radicais livres (em que a cura é ba­sea­da na ação sobre os radicais livres), amplamente utilizadas nos plotters de mesa em materiais não flexíveis; tintas de meio termo (radicais livres e ca­tiô­ni­cas) para máquinas rolo a rolo (materiais flexíveis); e tintas com cura por ra­dia­ção a partir de dio­dos LED.
As tintas à base de água, com cura UV, têm utilização forte no segmento têxtil, juntamente com as tintas ca­tiô­ni­cas. Entre as de base de solvente há as ba­sea­das em puro solvente, agressivas aos seres humanos e ao am­bien­te, as de ecossolvente, am­bien­tal­men­te mais corretas, assim como as tintas à base de biossolventes. Há uma nova tinta à base de ál­cool, na Europa, que imprime em uma va­ria­da gama de su­per­fí­cies e materiais, além da tinta inteiramente à base de água, com nanocorantes, que imprime em uma quantidade ainda maior de substratos, exigindo, contudo, uma camada de revestimento de proteção, aplicada pela própria impressora.
De acordo com Ma­nuel Faria, gerente de vendas Vutek para o Brasil, o ritmo de crescimento do mercado de grandes formatos no País tende a se acelerar em função dos grandes eventos que estão por vir, como a Copa do Mundo e as Olim­pía­das. Fernando Schevz, gerente co­mer­cial da Akad, acrescenta outro fator que pode pesar a favor da tecnologia: a queda de preço dos equipamentos. Bruno Vinícius Santos, supervisor co­mer­cial para o departamento de comunicação vi­sual da Mimaki Brasil, partilha desse otimismo: “Tivemos um ano muito bom até agora, im­pul­sio­na­do pelas eleições. O mercado nos surpreendeu e nossas vendas foram acima do esperado. Claro que ano de eleições municipais é atípico, mas a expectativa para os próximos pe­río­dos são grandes”. Para alguns fabricantes, o po­ten­cial de crescimento desse setor vem nor­tean­do decisões estratégicas. É o caso da Agfa Graphics, que recentemente comprou a fabricante canadense de impressoras de grande formato Gandi In­no­va­tions, incrementando seu portfólio com máquinas mais produtivas (chamadas de industriais), como explica Eduar­do Sousa, gerente de mar­ke­ting da Agfa para a América Latina.

Tendências
No que se refere à tecnologia, uma das principais ten­dên­cias é a elevação na demanda por impressoras digitais jato de tinta com cura UV, sobretudo em função da flexibilidade no uso de substratos. “Recentemente houve um salto na procura pela tecnologia UV, que deve con­ti­nuar crescendo nos próximos anos. Mas para que essa tecnologia seja largamente empregada no Brasil ainda é preciso reduzir o custo de impressão e aquisição dos equipamentos, que se mantém elevado”, diz Lie Tji Tjhun, diretor presidente da Ampla, fabricante na­cio­nal de impressoras de grande formato.
A secagem UV, aplicada às tintas à base de água e de ecossolventes, respondem também a outro movimento importante: a preo­cu­pa­ção com o meio am­bien­te, como comenta Thia­go Fabbrini, consultor pré-​­vendas da HP. Pensando nisso, em 2009 a HP lançou a tecnologia de impressão HP Látex, que utiliza tintas à base de água e alcança durabilidade externa de até três anos contra desbotamento. “Isso se dá porque durante o processo de impressão as partículas de látex acabam encapsulando os pigmentos de tinta e conferindo maior resistência ao impresso”, explica Is­rael Kenan, diretor de vendas do segmento grande formato in­dus­trial. Os equipamentos estão, igualmente, cada vez mais rápidos, sem que isso comprometa a resolução de impressão, como ressalta Evelin Wanke, es­pe­cia­lis­ta de produtos de impressoras de grandes formatos da Epson.
A adoção de tec­no­lo­gias digitais de impressão de grandes formatos tem sido im­pul­sio­na­da não só por empresas tradicionais no segmento de sinalização e comunicação vi­sual, mas também por gráficas convencionais, tipicamente aquelas comerciais ba­sea­das em máquinas offset. As aplicações são as mais va­ria­das, da prototipagem e produção de embalagens, rótulos e etiquetas à pintura em madeira, tecido ou metal e aplicações de ponto de venda. “Muitos gráficos já perceberam que esse tipo de tecnologia traz maior flexibilidade, velocidade e rentabilidade, uma vez que a empresa passa a atender o clien­te em formatos maiores, que antes não conseguiam. Isso não só com relação a banners e produtos de PDV, mas também no segmento de embalagens”, afirma Eduar­do Sousa.
Para aqueles que estão procurando diversificar seu mix de produtos através da impressão digital de grandes formatos, o gerente da Agfa faz algumas recomendações. Para ele, o digital deve ser encarado com um investimento igual aos outros. Antes da aquisição do sistema, o gráfico deve analisar seu segmento e fazer as mesmas perguntas que faz ao adquirir qualquer equipamento, acrescentando dois fatores: a possibilidade de produzir peças de alto valor agregado, que lhe permitam di­fe­ren­ciar-se da maioria do mercado, e a oportunidade de responder de forma mais ampla às demandas de seus clien­tes, atuan­do dentro do conceito de one stop shop.

Agfa
A Agfa apresentou na Drupa 2012 as impressoras M-​­Press Leo­pard, com tecnologia UV de mesa (flatbed), e a Jeti 3020 Titan. A M‑Press Leo­pard pode trabalhar com mí­dias de até 5 cm de espessura, contando com sistema de impressão que inclui 64 cabeçotes CMYK e tecnologia Agfa UPH2 de 10 a 16 picolitros (pL). Seu sistema de mesa possui 55 zonas de vácuo para melhor fixação da mídia e 23 pinos de registro. Po­si­cio­na­do pela Agfa como “a” máquina para impressão serigráfica digital em função da alta produtividade, o equipamento está voltado para a produção de peças para sinalização e displays, além de produtos decorativos, roupas e embalagens corrugadas.
A Jeti 3020 Titan foi exposta com dois modelos. Um dos sistemas contava com 36 cabeças de impressão, demonstrando a impressão produtiva em CMYK combinada a uma aplicação de tinta branca. A estrutura da mesa, de 2 × 3 m, oferece suporte a materiais rígidos, finos e flexíveis, sendo adequada tanto para materiais opacos quanto transparentes. A segunda Jeti 3020 Titan apresentava 48 cabeças de impressão, garantindo alta produção e qualidade de impressão, com o uso de oito cabeças para cada cor (CMYK, LC, LM). O equipamento imprime com a mesma velocidade para rolo a rolo e materiais rígidos.

Akad
As inovações desenvolvidas pela Akad estão presentes na linha de impressoras de grande formato Novajet, compatíveis com cabeças de impressão Epson DX5, quinta geração da tecnologia mi­cro­pie­zo. São três novos modelos que imprimem com qualidade de impressão de até 1.400 dpi, trabalhando com tintas ecossolventes ou sublimáticas (conforme a cabeça de impressão).

Ampla Digital
Em 2012, a Ampla promoveu uma reformulação no seu portfólio de impressoras. Os modelos da família Targa (Pro, Plus e Elite) foram subs­ti­tuí­dos pela linha Rio, que conta exclusivamente com impressoras de alta resolução (até 1.200 dpi). A nova linha é composta por três modelos: Rio 8000, Rio 8100 e Rio 8000 UV, todos com versões de 3,20 m ou 1,80 m de largura de impressão.
A Rio 8000 tem quatro cabeças de impressão de 7 pL, que opera com tinta à base de solvente e produz até 75 m² por hora. Já a Rio 8100 tem duas cabeças de impressão de 7 pL, também utiliza tinta à base de solvente e sua produtividade é de até 40 m²/h. A Rio 8000 UV é o primeiro lançamento da Ampla com tecnologia UV. A impressora é equipada com quatro cabeças de impressão industriais de 7 pL e é composta por unidades de cura com tecnologia UV LED, atingindo velocidade de 22 m²/h. Outro lançamento é a Targa UV, o primeiro modelo Ampla de impressora flatbed para impressão em materiais rígidos. A Targa UV traz 12 cabeças de impressão de 7 pL, CMYK, além da cor branca. O equipamento utiliza unidades de cura com tecnologia UV LED, sendo capaz de suportar substratos rígidos de até 400 kg dis­tri­buí­dos em sua mesa de impressão, que conta ainda com o AmplaAir, sistema que pode ­atuar como uma bomba de vácuo para a fixação dos materiais durante o processo de impressão, ou como uma zona de flu­tua­ção, que facilita o manuseio dos substratos sobre a mesa.

EFI
Para o segmento de grandes formatos, o lançamento mais recente da EFI é a impressora R3225, rolo a rolo, equipamento cujo investimento permite o acesso de pequenas empresas à tecnologia UV com largura de 3,20 m. Outro lançamento é a HS100 Pro, voltada a empresas com grandes volumes de impressão.

Epson
A Epson aposta suas fichas na SureColor S30670, impressora com tinta à base de solvente, quatro cores (CMYK), que se destaca pela velocidade: até 57 m²/h. As cabeças Epson Mi­croPie­zo TFP imprimem gotas de até 4,2 pL. O sistema atinge resoluções de até 1.440 × 1.440 dpi reais. As tintas à base de solvente UltraChrome GS2 não pos­suem metais pesados em sua composição, garantindo durabilidade de três anos às imagens impressas (sem laminação).

HP
Para o segmento de impressão de grandes formatos a HP lançou a Designjet L26500, desenhada para as empresas que querem entrar no segmento de comunicação vi­sual. É um equipamento com 1,55 m de largura de impressão, capaz de produzir em diversos materiais, como lona, vinil adesivo, papel couché, papel fotográfico, tecido, não ​­tecido, papel de parede e courvin, entre outros. Para clien­tes que precisam de mais área de impressão e maior velocidade, a HP Designjet L28500 é a mais indicada, conseguindo alcançar até 2,64 m de largura de impressão e velocidade de até 70 m²/h.
Voltada ao mercado de grande formato in­dus­trial, a novidade é a impressora HP Scitex FB7600, que possui elementos de hard­ware especiais para trabalhar com os mais diversos tipos de mídia, além de sistema de cura gelada, sistema de alimentação 3/4 automática com registro frente e verso e tinta FB225 greenguard es­pe­cial­men­te desenvolvida para a indústria alimentícia e escolas/hospitais.

Mimaki
Este ano, só para o segmento de comunicação vi­sual, a Mimaki lançou quatro modelos: SWJ320-S2, SWJ320-S4, JV400-­160LX e JV400-­130LX.
A SWJ320-S2 é uma máquina de 3,20 m de boca com alta qualidade de impressão, que tem pontos de até 7pL, atendendo aplicações de gigantografia e demandas que exigem qualidade. A SWJ320-S4 é ­ideal para grandes produções, alcançando até 84 m²/h no modo rascunho e 56 m²/h no modo padrão. A linha JV400-­160LX e JV400-­130LX é a primeira no mundo a operar tinta látex branca, tem pontos de até 4 pL e alta qualidade de impressão. Os dois modelos di­fe­ren­ciam-se no tamanho: o primeiro com 1,60 m de boca e o segundo com 1,30 m.

Roland DG
A Soljet Pro 4 XR-640 é o mais novo lançamento da Roland DG, com 1,60 m de
largura de impressão/recorte e com três combinações de configuração de tinta. Incorporando a mais nova tecnologia de cabeça de impressão, o equipamento possibilita impressões de alta definição e compatibilidade com o sistema Pantone de padronização de cor, graças ao mecanismo de configuração de cor CMYK + LC LM + LK + metálico ou branco e ao sistema de disparo em três dimensões Roland Intelligent Pass Control (RIPC).

Referência:
MORTARA, Bruno. A Impressão Digital a Serviço da Indústria de Comunicação do Século XXI. 2012 GEDIGI – Abigraf – SP

Texto publicado na edição nº 84

 
Como e por que mudar Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 03 de Dezembro de 2012

Gráficos e fornecedores se encontraram no final de setembro para debater as mudanças que estão acontecendo na indústria de impressão.

Roberto Muy­laert, presidente da Aner, fez a palestra de abertura da Trends of Print Latin America 2012, conferência que aconteceu nos dias 20 e 21 de setembro em São Paulo. Depois de breves considerações sobre a dificuldade de monetizar as versões eletrônicas das revistas, a maioria das quais continua a ser sustentada pelas publicações impressas, o jornalista disparou: “Não há coisa mais furada do que fazer previsões para os próximos 20 anos”. Certamente ele estava se referindo não só ao fato de a futurologia em si ser uma prática de alto risco, mas sobretudo ao perigo de fazer conjecturas neste momento, quando a evolução tecnológica no universo da comunicação apenas começou a mostrar seus efeitos.
O futuro pode ser imprevisível, mas as 368 pes­soas que estiveram no complexo WTC tiveram a chance de discutir o presente para, a partir dele, identificar as principais ten­dên­cias para o segmento gráfico e fazer um planejamento mais consistente. Nada mais ­atual, por exemplo, do que a edição de setembro da Vogue americana, com suas 916 páginas, 600 das quais ocupadas por anún­cios, mostrada pelo presidente da Aner como símbolo do vigor da mídia impressa. Nada mais real do que o aumento de 12% na circulação das revistas no Brasil, que passaram de 387,2 milhões de exemplares em 2005 para 434 milhões em 2011.
Esta foi a segunda edição de uma conferência planejada para ocorrer a cada quatro anos, coincidindo com a Drupa. Neste ano, a Afeigraf, promotora da Trends, uniu-se à Abro para a rea­li­za­ção conjunta da 6ª Conferência da Abro, que ocupou o segundo dia do evento. As palestras e mesas-​­redondas, rea­li­za­das por em­pre­sá­rios e profissionais nacionais e internacionais, enfatizaram o fato de o impresso ter se tornado mais um dos elementos da ­atual comunicação multiplataforma, deixando o posto de peça central de uma campanha como muitas vezes acontecia até pouco tempo atrás. E com tantas marcas e publicidade em volta dos consumidores, uma comunicação crossmedia precisará de um con­teú­do cada vez mais relevante, segmentado e personalizado para se destacar. Isso implica a ascensão crescente da impressão digital e suas soluções de dados variáveis para agregar valor aos produtos.
Porém, a adoção da impressão digital ainda passa por vá­rios de­sa­fios no Brasil. Um deles é a mão de obra es­pe­cia­li­za­da. Uma importante questão levantada na conferência foi a possibilidade de migrar a mão de obra da impressão offset para a digital. Outra forte corrente é a otimização das soluções, refletindo a Drupa 2012, focada em sistemas cada vez mais integrados e fluxo de trabalho efi­cien­te para a redução de custos. Nesse caso, os suportes digitais se mostram como alia­dos, permitindo o acompanhamento remoto e em tempo real dos processos gráficos, sem contar as oportunidades abertas pela tecnologia web-to-​­print.
O primeiro dia da Trends of Print contou com nove palestras e um fórum. Depois da discussão sobre a mídia impressa, Péricles Augusto de Cenço, diretor de operações de jornais do Grupo RBS, falou sobre as es­tra­té­gias de sucesso do grupo (responsável pelo Zero Hora, Diá­rio Catarinense e mais seis pe­rió­di­cos). Em seguida, Fernando Alperowitch, diretor da HP Indigo América Latina, abordou o ­atual momento da impressão digital. Segundo o executivo, uma das principais ten­dên­cias no mundo da impressão é a redução de custos, que se dará através do aumento da efi­ciên­cia, da consolidação das empresas, da via­bi­li­za­ção de tiragens menores e da automação. Une-se ao corte de custos o interesse pelo segmento de embalagens, no qual a personalização através da impressão digital representa um di­fe­ren­cial. Outras ­­áreas nas quais a tecnologia digital tem muito a contribuir são os mercados de fotografia, livros de baixas tiragens e extratos ban­cá­rios. “O mundo está cada vez mais eletrônico, conectado. Podemos encarar essa rea­li­da­de como uma amea­ça ou uma oportunidade”.
Mesmo forjado em um mundo distinto de Alperowitch, Bernhard Schreier, presidente da Drupa, em um de seus últimos compromissos como presidente da Heidelberg (ele foi subs­ti­tuí­do por Gerold Linzbach), levantou pontos semelhantes ao apresentar ten­dên­cias tecnológicas e mercadológicas para o setor. Ele colocou o segmento de embalagem como o de maior po­ten­cial de crescimento, afirmando que os caminhos para o sucesso passam pela redução de custos (premente, uma vez que as margens de lucro con­ti­nuam caindo), pela di­fe­ren­cia­ção e pela es­pe­cia­li­za­ção. Podem ajudar nesse sentido uma linha de produção mais flexível, combinando os processos offset e digital, a aplicação efi­cien­te das ferramentas de web-to-​­print e o uso de equipamentos e sistemas am­bien­tal­men­te corretos, que, consequentemente, pro­por­cio­nam menor consumo de recursos como a energia. Ques­tio­na­do sobre alterações na próxima edição da Drupa em função do novo cenário da indústria, Schreier afirmou que a organização está real­men­te pensando em diminuir o intervalo entre as edições, assim como a própria duração do evento. (No dia 6 de novembro o comitê da Drupa anunciou que a feira manterá o intervalo de quatro anos entre suas edições, diminuindo porém a duração do evento para 11 dias. A próxima edição será realizada de 31 de maio a 10 de junho de 2016).
Cinco palestras e um fórum ocuparam a programação após o almoço. Dragan Volic, vice-​­presidente de mar­ke­ting da Müller Martini, tratou das novidades em soluções de acabamento. O executivo enfatizou o desenvolvimento de sistemas focados em necessidades específicas da impressão digital, não só em termos de equipamentos, mas também ferramentas de fluxo de trabalho que o tornam mais inteligente. “É preciso levar as vantagens da tecnologia digital para a pós-​­impressão”.
A abertura de oportunidades sustentáveis através da impressão digital foi o tema levantado por Claudio Gae­ta Jú­nior, da Agfa. As soluções da Goss para a impressão offset rotativa foram apresentadas por seu diretor, Vitor Dragone. Maurício Carlini, gerente de produto da Kodak, discutiu os desafios do mar­ke­ting direto digital. Na última conferência da quinta-​­feira, Ralph Nappi, presidente da NPES (As­so­cia­ção de Fornecedores de Tecnolo­gias de Impressão, Publicação e Conversão), falou dos movimentos da indústria gráfica mun­dial. Comentando as dificuldades do mercado edito­rial nos Estados Unidos, Nappi sentenciou: “Para as revistas, o problema não é a concorrência com o meio eletrônico, mas o impacto da crise nas verbas pu­bli­ci­tá­rias”. Fechando o dia, houve um debate sobre como aumentar a rentabilidade dos sistemas e a qualidade dos produtos por meio das novas tec­no­lo­gias, do qual participaram representantes da ABB, GrafiKontrol, Nela e QIPress.
O dia 21 teve dois programas distintos: dois fóruns e três palestras da Trends of Print e quatro palestras da Conferência da Abro. As discussões da Trends giraram em torno da convivência entre impressão digital e con­ven­cio­nal e os próximos passos do segmento de embalagem, assuntos levantados pela Agfa, AlphaGraphics, Canon, Laborprint, Scortecci e Wifag, e Bobst, AlphaGraphics novamente, Papirus e SunChemical. As conferências abordaram produção gráfica, com Frank Steingleder, gerente de produto sê­nior da Heidelberg; web-to-​­print, com Ricardo Minoru, da Bytes & Types; e formatos na impressão offset, com Jânio Coe­lho, da Fer­ros­taal. Segundo Minoru, a tecnologia web-to-​­print é vista por muitos em­pre­sá­rios gráficos como um mero vendedor e orçamentista que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano. Porém, ela pode ir bem mais além, já que fornece um am­bien­te propício para ne­gó­cios B2B e B2C, um novo canal de vendas automatizado e self-​­service e uma excelente oportunidade para fidelizar clien­tes.
A Conferência da Abro tratou da produtividade e integração através da automação em duas palestras, ministradas por Júlio Coutinho, da Q.I. Press, e Osmar Barbosa, da EFI/Metrics. “É preciso apro­priar-se dos ganhos efetivos da tecnologia da informação nos nossos ne­gó­cios”, disse o diretor da Metrics, adquirida pela EFI em abril deste ano, ao ressaltar a importância do investimento na gestão da informação. A comunicação como ferramenta para o sucesso nos ne­gó­cios foi o tema discutido pelo consultor Paulo Sergio Rosa; e os de­sa­fios na formação da mão de obra, pelo mestre em educação João Carlos Wi­ziak.
Para encerrar o evento, os organizadores convidaram o economista Ricardo Amorim, que detalhou o cenário econômico no Brasil e no mundo. A Trends of Print 2012 foi organizada pela APS Feiras & Eventos, sob o patrocínio da Agfa, Heidelberg, Henkel, HP e Kodak e apoio das entidades do setor.

Mercado de impressão rotativa offset cresce 3,7% em 2011

No abertura da 6ª Conferência da Abro, o consultor Alexandre Marques apresentou a Análise Se­to­rial 2012, estudo que envolve a indústria gráfica brasileira com rotativas offset, com o objetivo de traçar o perfil e di­men­sio­nar o segmento a partir de indicadores relativos à sua estrutura ope­ra­cio­nal e co­mer­cial. O universo pesquisado envolveu gráficas que pos­suem rotativas offset com secador. Foram identificadas 64 empresas nesse perfil, 15 das quais se dispuseram a participar do estudo com dados individuais, grupo que responde por 52,02% de toda a capacidade instalada do setor.
A análise revelou que o faturamento total do segmento em 2011 foi de R$ 4,71 bilhões, correspondendo a um crescimento de 3,7% se comparado a 2010. Esse montante significa 15,75% do total obtido pela indústria gráfica brasileira como um todo, que atingiu R$ 29,9 bilhões no mesmo período, segundo a Abigraf. As 64 gráficas identificadas no estudo equivalem a 0,31% do número total de gráficas no País, que somam cerca de 20.000 empresas.
As gráficas pesquisadas demonstraram uma percepção positiva em relação às previsões de crescimento. A expectativa é encerrar 2012 com um faturamento de R$ 4,9 bilhões, e, uma vez confirmadas as taxas de crescimento previstas, a receita das empresas que compõem o setor de rotativas deve ultrapassar o patamar de R$ 5 bilhões em 2013.
O mercado mais representativo para as empresas com rotativas offset continua sendo o de livros, com 35,8% de participação no faturamento dessa indústria, seguido pelo de revistas, com 25,1%. O segmento de catálogos manteve sua curva ascendente, alcançando 14,4%, conservando-se à frente do de tabloides, que voltou a cair em 2011, com 10,6% de participação na receita.

Texto publicado na edição nº 84

 
Volta à Drupa 2012 em 60 soluções Imprimir E-mail
Escrito por Sandra Rosalen, especial para a Tecnologia Gráfica   
Ter, 02 de Outubro de 2012
 
A sacolinha plástica, vítima do próprio sucesso Imprimir E-mail
Escrito por Letânia Menezes   
Seg, 18 de Junho de 2012

Desenvolvidas no final dos anos 1950, as sacolinhas plásticas se espalharam rapidamente por todo o mundo. Uma das invenções mais práticas do nosso tempo, elas se tornaram vítimas do próprio sucesso. Nos primeiros anos deste século, com uma produção mun­dial que beira um trilhão de unidades por ano (estimativa da Environmental Pro­tec­tion Agency, dos Estados Unidos), as sacolinhas de po­lie­ti­le­no são encontradas em qualquer canto da natureza, nos mares e em terra. Descartadas sem o devido cuidado, são apontadas como vilãs do meio am­bien­te. Em 2002, a Irlanda foi um dos paí­ses pioneiros, e ainda um dos poucos, a promover a redução do uso das sacolinhas com a cria­ção do imposto de 22 centavos de euro por unidade. A queda do seu uso foi de 97,5%. O valor recolhido com a venda de sacolas alternativas, como as de papel e de outros materiais, é destinado a um fundo que promove a reciclagem de lixo e ini­cia­ti­vas ambientais. Em 2010, a capital americana, Washington, passou a cobrar uma taxa de 5 centavos de dólar sobre cada sacola utilizada, e em apenas um mês foi registrada uma queda de 85% no uso. O montante arrecadado com a venda vai para um projeto de despoluição do rio Anacostia. Já na Califórnia, em agosto de 2010, os legisladores rejeitaram um projeto de lei que proibia o uso de sacolas plásticas em todo o estado.
Em São Paulo, o caminho escolhido foi diferente. Poder público e comércio decidiram banir as sacolas de plástico, envolvendo a cidade numa batalha ju­di­cial. Em 18 de maio de 2011, o prefeito Gilberto Kassab sancionou a lei 15.374 para eliminar o uso de sacolas de plástico — não só as de supermercado — de todo comércio até o final daquele ano. Em 29 de junho, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu, em caráter liminar, a eficácia da lei a pedido do Sindicato da Indústria de Ma­te­rial Plástico do Estado de São Paulo. Em 16 de novembro, decidiu manter a suspensão da lei.
Mesmo assim, no dia 25 de janeiro deste ano os supermercados da capital paulista deixaram de fornecer as sacolinhas. Os consumidores ficaram com a opção de pagar R$ 0,19 por uma sacola de plástico bio­de­gra­dá­vel, comprar uma reutilizável por R$ 1,99 ou usar caixas de papelão. A campanha é liderada pela Apas (As­so­cia­ção dos Supermercados Paulistas), que em maio de 2011 firmou protocolo de intenções com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para banir do Estado o uso das sacolas plásticas. Como houve uma intranquilidade dos consumidores nos supermercados, no dia 3 de fevereiro deste ano, por ini­cia­ti­va do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Procon SP, foi assinado um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Apas para que as sacolinhas voltassem a ser dis­tri­buí­das durante 60 dias. Ficou proibido ter sacolinhas plásticas pagas, as chamadas biodegradáveis, e os supermercados devem disponibilizar, durante seis meses, sacolas retornáveis de 5 cm × 40 cm × 40 cm por no máximo R$ 0,59. Se não tiverem, devem fornecer outra pelo mesmo valor com qualidade e tamanhos su­pe­rio­res.
No dia 3 de abril, quando terminou o prazo para os consumidores e as redes de supermercado de São Paulo se adaptarem ao acordo, o consumidor con­ti­nua­va dividido. Parte das pes­soas entrevistadas pelos veí­cu­los de comunicação se mostrava indignada com a decisão, enquanto outras apoiavam o fim das sacolinhas.

A polêmica
João Sanzolo, diretor de sustentabilidade da Apas, conta que a campanha denominada “Vamos tirar o planeta do sufoco” foi inspirada numa outra, lançada pela prefeitura de São Paulo em agosto de 2007, para que os paulistanos reduzissem o uso de sacolas plásticas. “A ideia era que o consumidor fosse às compras munido de sua própria sacola, de pano, de lona ou de ma­te­rial reciclável”, explica. “Os supermercados estão refletindo uma demanda da so­cie­da­de, cada vez mais atenta às questões ambientais”. Nessa briga de gigantes — as redes de supermercados e a indústria do plástico —, o consumidor e o ecomar­ke­ting parecem entrar apenas como coad­ju­van­tes. “As sacolinhas plásticas têm sido penalizadas er­ro­nea­men­te”, afirma Alfredo Schmitt, presidente da As­so­cia­ção Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (­Abief). Para ele, “estão tentando fazer a maior transferência de renda de um setor da economia para outro, sem que se ofereça nada em troca. Os consumidores pagam a conta e os supermercados vão ficar com os R$ 220 mi­lhões que gastam por ano nas sacolinhas plásticas”.
A Apas diz estar alinhada com a Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos (PNRS), assinada pelo presidente Lula em 2010, que obriga a so­cie­da­de brasileira a rever seus conceitos sobre a questão do lixo. Mas esclarece que “não houve uma proibição, e sim uma campanha que propõe a substituição das sacolas descartáveis pelas reutilizáveis”. Para Sanzolo, “o foco da ação está no fim da cultura do descarte, e não na ‘demonização’ do plástico, que sem dúvida tem dado grande contribuição à vida moderna”.
De qualquer forma, a disputa está nas ruas e são muitos embates. Além do TAC, no dia 9 de março o Conselho Na­cio­nal de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou sua condenação à campanha da Apas. E apontou algumas das principais questões da polêmica, ao considerar incorreta a afirmação de que a sacolinha plástica é descartável, uma vez que já foi comprovado seu reúso.
Uma pesquisa Datafolha de maio de 2011, que aponta preferência de 84% dos consumidores pelas sacolas plásticas, mostra que 88% dos usuá­rios de sacolas plásticas costumam reutilizar essas embalagens, 7% descartam as sacolas e 6% dizem que mandam para reciclagem. Em questão que permitia múltiplas escolhas, os entrevistados que reutilizam as sacolas indicaram como finalidade do reúso o acon­di­cio­na­men­to de lixo (96%), o recolhimento de sujeira de animais (51%), a utilização para transportar outros objetos (66%), o uso para separar o lixo a ser levado para reciclagem (39%), para armazenar mantimentos (26%), guardar roupas (17%) ou a utilização como matéria-​­prima para con­fec­cio­nar outros produtos (4%). O Conar também não aceitou como correta a informação de que, ao banir a sacolinha, o problema do meio am­bien­te estaria resolvido. Há pesquisas que indicam o contrário.

Estudos
Um estudo da Agência Am­bien­tal da Inglaterra, divulgado no primeiro semestre de 2011, indicou que as sacolinhas plásticas de supermercado causam menos danos ambientais que outros modelos, quando a comparação leva em conta o uso da sacola uma única vez. A pesquisa explica que sacolas de papel, plástico resistente (polipropileno) e algodão consomem mais matéria-​­prima e energia para sua fabricação. Por isso, te­riam que ser reutilizadas 3, 11 ou 131 vezes, respectivamente, para causar menos danos ambientais que uma sacola plástica usada apenas uma vez. Os pesquisadores Chris Ed­wards e Jonna Meyhoff Fry acompanharam o ciclo de vida (extração da matéria-​­prima, manufatura, distribuição, uso, reú­so e descarte) de cada modelo. Em cada uma das etapas do ciclo de vida, foi contabilizada a quantidade de gases causadores do efeito estufa emitidos pelo consumo de energia na fabricação e no transporte das mer­ca­do­rias, além dos des­per­dí­cios de materiais durante o processo. Resultado: uma sacola plástica comum emite 1,5 kg de gás carbônico e outros gases que con­tri­buem para o aquecimento global. O dado já considera que 40% desse tipo de sacola é reutilizado com frequência para acon­di­cio­nar o lixo em casa. Já o ciclo de vida das outras sacolas tem um impacto bem maior: papel (5,53 kg), plástico resistente (21,5 kg) e algodão (271,5 kg). Isso é o que explica a necessidade de tantos reú­sos para neutralizar a fabricação desses modelos, de acordo com a pesquisa.
Enquanto a polêmica continua, os consumidores vão fazendo suas opções e se adaptando a novas formas de transportar suas compras. O grande prejuí­zo fica com a indústria brasileira. Muitos em­pre­sá­rios estão de­so­rien­ta­dos, sem saber o que fazer com suas máquinas e seus empregados. Procurados para falar sobre a si­tua­ção, alguns evitaram dar declarações, embora tenham comentado que “a si­tua­ção está muito ruim”.

A indústria
Airo Campera, sócio pro­prie­tá­rio da ABC Embalagens, desabafou: “A si­tua­ção está terrível. Já demiti 15 fun­cio­ná­rios e tive uma queda de 70% na demanda só no mês de fevereiro”, conta ele, que fundou a empresa em São Bernardo do Campo (SP) há 41 anos. “Dá dor no coração demitir funcioná­rio que está com você há 10, 15, 20 anos”. Sua empresa processava de 60 a 70 toneladas/mês e, em fevereiro, a produção caiu para 7 toneladas. “Já fui ver uma máquina para produzir a sacola reutilizável. Custa 300 mil reais”, diz ele. “Como não sei o que vai acontecer, vou aguardar”.
Gisele Barbin, gerente co­mer­cial da Extrusa-​­Pack, uma importante fabricante de sacolinhas plásticas instalada em São Paulo, disse que a si­tua­ção ainda está indefinida. “É difícil opinar sobre o projeto dos supermercados”, diz ela. “É um item pro­mo­cio­nal deles”. Barbin conta que, para enfrentar a proibição de sacolinhas plásticas, a empresa iniciou a produção das sacolas biodegradáveis, depois proibidas pelo TAC, e também sacolas retornáveis, utilizando os mesmos equipamentos. Ela prefere não revelar o per­cen­tual de queda na demanda das sacolinhas plásticas e não dá detalhes da unidade montada só para fazer sacolas retornáveis.
Já a CBS Elos do Brasil, empresa com capacidade de 2.300 toneladas/mês com unidades fabris em São Paulo e no Rio de Janeiro, produziu alguns lotes de sacolas retornáveis e desistiu. “Não tenho preço para competir com as sacolas importadas da China, Viet­nã e Malásia. Não posso fazer um lote de 10 mil, o mínimo para meu equipamento é 30 mil”, comenta Eduar­do Diez, diretor da CBS Elos. “A China aceita o pedido de 10 mil a um preço mais barato que o meu e num prazo mais curto. Chega aqui em uma semana”. A CBS tem uma gama muito grande de produtos, a maior parte em plástico, embora também fabrique em papel. “Não coloquei todos os ovos numa única cesta. Não dependo de um produto e de um clien­te”, explica Diez, que analisa a si­tua­ção das empresas dian­te da proibição das sacolinhas de plástico: “Muitas pararam e precisam se reinventar. O mercado está com oferta maior do que a demanda. É preciso ‘roubar’ o clien­te e o único argumento é o preço”.
O aumento da concorrência também foi constatado pela CRP Plásticos, com capacidade para 600 toneladas/mês. “As in­dús­trias estão se redirecionando para outros nichos”, constata Carlos Hugo, gerente in­dus­trial da empresa, que trabalha com extrusão de filmes e não atua diretamente com as sacolinhas de plástico. “Mesmo assim, estamos sendo afetados. Se hoje temos 40 empresas na concorrência, elas chegarão a 200 até o final deste ano. Desde o último trimestre do ano passado sentimos que há uma migração para o mercado de embalagens laminadas e, em especial, para o ter­moen­co­lhí­vel”, diz ele. “Aos olhos do consumidor final parece uma medida positiva, mas o problema é em médio prazo. Há uma canibalização do mercado. Empresas de pequeno e médio porte que fabricam as sacolinhas vão deixar de existir. As grandes vão ­atuar em outros nichos”.
A própria CRP já está se rees­tru­tu­ran­do para ­atuar nesse novo cenário de concorrência ainda mais acirrada. Adquirida pelo grupo espanhol Plastigaur no final de 2011, está instalando novos equipamentos para ter ganho de produtividade, entre os quais uma máquina alemã, a primeira do País. “Quando os novos concorrentes chegarem, já estaremos um passo à frente”, desafia Carlos Hugo. “Agora é um momento crítico de tomadas de decisões nas empresas que ­atuam com as sacolinhas”.
A Antilhas, uma das gigantes do setor de embalagens em plástico e papel, com sede em São Paulo e fornecedora de 12 mil pontos de venda, diz estar se preparando — e também a seus clien­tes — desde o primeiro semestre do ano passado para enfrentar o fim das sacolas plásticas. Embora não produza as sacolinhas usadas nos supermercados, a empresa fornece para muitos de seus clien­tes sacolas de plástico, que também estão proibidas. “Quan­do uma grande rede, como a Pernambucanas ou a Renner, fizer um movimento para essa mudança, tenho condições de absorver com facilidade”, explica Claudia Sia, gerente de mar­ke­ting e planejamento da Antilhas. “Em 2011, investimos quase US$ 10 mi­lhões em novas máquinas para impressão e produção de embalagens de papel. Neste ano, vamos adquirir nove máquinas para fazer o acabamento”. Ela revela que o objetivo da empresa, que atual­men­te processa 3,6 milhões de toneladas/ano, é dobrar de tamanho até 2015.

O ciclo de vida
Na opi­nião de Claudia Sia, a proibição das sacolinhas de plástico “foi um caminho simplório” para tratar de questões complexas de sustentabilidade. Ela considera necessário analisar o ciclo de vida de cada produto para determinar seu impacto am­bien­tal: “O papel consome mais da natureza no início de seu ciclo de vida, e o plástico consome mais no final. A grande discussão é saber qual é o mais sustentável”. Para ela, “a lei não olhou para essas questões. Só olhou para a proibição do plástico”. Eduar­do Diez, da CBS Elos do Brasil, concorda. “O que se vê hoje é muito barulho por uma preocupa­ção súbita com o meio am­bien­te. Há interesses econômicos envolvidos e muita gente levando vantagem com o discurso am­bien­tal”, diz ele. “O plástico é um ma­te­rial reciclável e não é o vilão. Então vamos proibir o automóvel? Se não educar, não adian­ta. Qualquer ma­te­rial tem que ter descarte correto”.
Airo Campera, da ABC Embalagens, também acha que o meio am­bien­te é um argumento usado de forma indevida. “Que­rem proibir a sacolinha plástica para os supermercados economizarem”, diz ele. “Qua­se tudo o que se compra está embalado em plástico, até mesmo o pão. E tem mais: o copo de plástico, o prato de plástico, os talheres, o azeite, o vinagre. E só a sacolinha polui?”. Carlos Hugo, da CRP Plásticos, acha que se criou uma oportunidade para as redes de supermercados reduzirem seus custos com embalagem e ainda ter um selo verde para seu mar­ke­ting. “O Estado não está suprindo a necessidade de educação. Afinal, a sacolinha não vai sozinha para o bueiro. Há necessidade de um esforço para implantação da política de tratamento de re­sí­duos sólidos, que está a passo de tartaruga”.

Os números
Nesta disputa com indiscutíveis interesses econômicos, é difícil encontrar números de cada uma das partes que sejam equivalentes. A Apas informa que o País produz anual­men­te 21,5 bilhões de sacolas, sendo 6,6 bilhões somente no Estado de São Paulo. Já o presidente da Abief, Alfredo Schmitt, garante que a produção no País é bem menor, de 12,9 bilhões de unidades, sendo que o Estado de São Paulo consome 5,2 bilhões.
Segundo Schmitt, houve uma queda de 28% no consumo desde 2007, quando eram produzidas 18 bilhões de sacolinhas. A redução é resultado de quatro anos da campanha da Plastivida, Abief e Instituto Na­cio­nal do Plástico (INP) pela educação do consumidor com o Programa de Qua­li­da­de e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas. Também há o incentivo ao uso de sacolas plásticas certificadas, fabricadas dentro da norma ABNT 14 e identificadas com o Selo de Qua­li­da­de ­Abief-INP, que garante sua capacidade de suportar 6 quilos e de reú­so.
Dian­te da polêmica e da falta de dados conclusivos, fica a indagação: banir as sacolinhas de plástico é um caminho ou uma falta de visão sistêmica? Os que condenam as sacolinhas dizem que elas levam um século para se decompor, entopem bueiros e sufocam animais marinhos. Os defensores da sacolinha argumentam que basta entrar num supermercado e procurar em suas gôndolas algo que não use o plástico e se perguntam o motivo de elas terem sido escolhidas como vilãs. Justamente elas, tão leves, hi­giê­ni­cas e práticas.

 

A sacola plástica e suas versões

Há alguns anos vem crescendo o interesse de fabricantes de materiais plásticos em desenvolver alternativas “verdes” para a produção de filmes. Entretanto, apesar de atual­men­te essas possibilidades ditas como sustentáveis já estarem disponíveis, a lei nº 15.374 proí­be os fabricantes, distribuidores e estabelecimentos comerciais de inserir em sacolas plásticas a rotulagem degradáveis, assim como as ter­mi­no­lo­gias oxidegradáveis, oxibiodegradáveis, fotodegradáveis, biodegradáveis e mensagens que indiquem suposta vantagem ecológica de tais produtos. Conheça as diferenças entre os materiais hoje disponíveis.
Sacola plástica con­ven­cio­nal
As sacolas plásticas convencionais dis­tri­buí­das em supermercados são feitas de po­lie­ti­le­no de alta densidade (PEAD), um polímero sintético produzido a partir da rea­ção do etileno, gás pro­ve­nien­te do nafta — matéria-​­prima ex­traí­da do petróleo. Possui boas pro­prie­da­des mecânicas, tais como resistência à tração, rasgo e perfuração, mesmo a baixas espessuras. Além de possuir todos os atributos técnicos ne­ces­sá­rios para a produção de sacolas, ele apresenta como vantagem o baixo custo. A sacola feita com PEAD pode ser reciclada ou reutilizada. Na maioria dos casos ela é reutilizada como saco de lixo, o que resulta na grande quantidade desse ma­te­rial depositada em aterros sa­ni­tá­rios e lixões.
Polímeros verdes
Os polímeros verdes recebem essa denominação porque são produzidos a partir de ma­té­rias-​­primas de fontes renováveis. No Brasil, a petroquímica Braskem já produz em larga escala os po­lie­ti­le­nos de baixa e de alta densidade a partir da cana-de-​­açúcar. Esses materiais pos­suem as mesmas características de seus contratipos produzidos a partir do petróleo, apresentando como principal vantagem a utilização de matéria-​­prima pro­ve­nien­te de fonte renovável, porém não são biodegradáveis.
Polímeros biodegradáveis
De acordo com a norma NBR 15448-1, polímeros biodegradáveis são aqueles que apresentam degradação por processos bio­ló­gi­cos, sob ação de microrganismos, em condições naturais adequadas, cuja finalização aconteça em até 180 dias e os re­sí­duos finais não apresentem resquício de toxicidade ou possibilidade de danos ao meio am­bien­te. As sacolas produzidas com esse polímero devem atender aos requisitos da norma NBR 15448-2: 2008.
Os polímeros biodegradáveis podem ser produzidos a partir de fontes naturais renováveis, como milho, celulose, batata e cana-de-​­açúcar, ou a partir do petróleo. Dentre os polímeros biodegradáveis, o que tem atraí­do mais atenção é o po­liá­ci­do láctico (PLA), um po­liés­ter alifático sintetizado a partir do ácido lático obtido de fontes renováveis, como o amido de milho ou cana-de-​­açúcar. Apresenta boas pro­prie­da­des mecânicas, rigidez e transparência. Em condições normais de uso, o PLA é muito estável e mantém suas pro­prie­da­des durante anos. As sacolas de PLA se degradam rapidamente tanto em condições ae­ró­bi­cas quanto anae­ró­bi­cas de compostagem. Por serem obtidas a partir de fontes renováveis, causam menor impacto am­bien­tal por conta de sua origem e apresentam um balanço positivo de dió­xi­do de carbono (CO²) após a compostagem.
Polímeros oxibiodegradáveis
Os polímeros oxibiodegradáveis utilizados na fabricação de sacolas são obtidos por meio do uso de um aditivo no processo de transformação do polímero con­ven­cio­nal. Ele acelera a degradação oxidativa do polímero na presença de luz e calor, reduzindo sua vida útil para 18 meses, aproximadamente.
Essa tecnologia, conhecida por d2w e co­mer­cia­li­za­da no Brasil pela Res Brasil, foi desenvolvida pela empresa britânica Symphony Plastics. O aditivo não altera as pro­prie­da­des do polímero antes de ini­ciar o processo de degradação. O polímero não é compostável, mas pode ser reciclado juntamente com outros polímeros convencionais pelo processo mecânico.
Sacolas retornáveis
As sacolas retornáveis podem ser produzidas com materiais va­ria­dos, como TNT, tecido, lona, ráfia, po­lie­ti­le­no de baixa densidade (PEBD), po­lie­ti­le­no de alta densidade (PEAD) e tecido de politereftalato de etileno (PET) reciclado. No geral são mais resistentes que as sacolas descartáveis e apresentam maior durabilidade.
As sacolas con­fec­cio­na­das com materiais poliméricos são 100% recicláveis. Os be­ne­fí­cios para o meio am­bien­te ao se utilizar estas sacolas se percebem em função do aumento do volume de compras e frequência de utilização, quando comparadas às sacolas descartáveis.
Muitos podem se questionar porque a lei sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab e depois suspensa pelo TJ proíbe a distribuição de sacolas plásticas descartáveis, mas permite a venda de sacolas retornáveis, que muitas vezes podem ser produzidas com o mesmo ma­te­rial ou provir da mesma matéria-​­prima. A justificativa está no ciclo de vida de cada uma: enquanto a sacola descartável será em geral reutilizada em um curto espaço de tempo, por exemplo, como saco de lixo para pos­te­rior depósito em aterro sanitário, a sacola retornável, apesar de ter o mesmo fim da opção descartável, terá um ciclo de vida maior, uma vez que será utilizada diversas vezes até seu descarte final.

Outras cidades também se mobilizam

Pelo menos 23 cidades brasileiras, em 17 estados, já contam com legislação para restringir o uso das sacolinhas plásticas. No Rio de Janeiro foi aprovada lei es­ta­dual em julho de 2010 determinando que os estabelecimentos devem promover a coleta e substituição das sacolas plásticas (os cario­cas as chamam de “sacos”) no prazo de um ano para empresas de médio e grande porte, dois anos para pequenas empresas e três anos para microem­pre­sas. Os supermercados não retiraram as sacolas de circulação, mas ofereceram o desconto de R$ 0,03 a cada cinco itens comprados aos consumidores que não usassem os sacos. Mesmo assim, a Confederação Na­cio­nal de Comércio de Bens, Serviços e Turismo e a Federação do Comércio do Rio de Janeiro entraram na justiça contra a nova legislação.
Em Americana, in­te­rior de São Paulo, a lei municipal de junho de 2010 que proí­be sacolas plásticas em geral está sendo cumprida. O comércio utiliza embalagens de papel e sacolas reutilizáveis. Já em Belo Horizonte, onde entrou em vigor em abril de 2011 uma lei proibindo o uso de sacolas plásticas, a restrição se limita aos supermercados. É frequente o comércio con­ti­nuar usando as sacolas de plástico. Porto Alegre aprovou uma lei em janeiro de 2011 que obriga os supermercados a trocar sacolas plásticas por biodegradáveis, mas o prazo de implantação é de um ano.
Sem qualquer lei, a cidade de Jun­diaí, a 58 quilômetros de São Paulo, implantou a proibição das sacolinhas plásticas a partir de um acordo, selado em agosto de 2010, entre Apas, prefeitura e comércio. O sucesso da ini­cia­ti­va é propagado pela Apas, que elegeu a cidade para implantar o projeto-piloto da campanha “Vamos tirar o planeta do sufoco”. A entidade encomendou pesquisa ao Ibope, rea­li­za­da um ano após o início da mudança, na qual 77% dos entrevistados são favoráveis à não utilização de sacolas descartáveis nos supermercados e 73% não concordam com o retorno das sacolas descartáveis.

Giselen Cristina Pascotto Wittmann, engenheira de materiais, e Juliana Coelho de Almeida, tecnóloga gráfica. Ambas são professoras da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

Texto publicado na edição nº 82

 
A Letra Impressa – Parte 4 A revolução da Fotocomposição Imprimir E-mail
Escrito por Claudio Rocha   
Seg, 18 de Junho de 2012

 

 
A letra impressa - Parte 3 Matrizes para composição mecânica Imprimir E-mail
Escrito por Cláudio Rocha   
Sex, 30 de Março de 2012

 
Qual será o tema da Drupa 2012? Imprimir E-mail
Escrito por Barney Cox   
Seg, 19 de Março de 2012

As Drupas anteriores foram definidas por uma tendência de tecnologia dominante. A última, em 2008, foi a Drupa da tecnologia jato de tinta, que sucedeu outras como a Drupa do JDF, a Drupa digital e a Drupa do CtP.


Qual será o tema da Drupa em 2012? Com certeza haverá mais de um tema predominante. “Será a Drupa da integração”, afirma o diretor de ge­ren­cia­men­to Eamer (sigla em inglês para re­gião da Europa, África e Orien­te Médio) da Kodak, Philip Cullimore. “A mídia é um mundo de ­uniões — impressos e aplicativos, impressos e mídia online, impressos e tablets, impressos e comunicação móvel. E não é apenas a junção de mídia impressa e outros. Há também a combinação de diferentes processos de impressão, na qual a soma equivale a mais do que as partes. É digital em conjunto com offset”. Transformação e transição também são temas emergentes para a Drupa 2012. E como fornecedores podem ajudar nas mudanças com ferramentas de desenvolvimento de ne­gó­cios?
“Na Ricoh acreditamos que a Drupa 2012 versará sobre transformação”, diz Graham Moo­re, diretor do grupo de produção de impressão co­mer­cial da Ricoh Europa. “A tecnologia con­ti­nua­rá a progredir, mas o desafio para o prestador de serviços de impressão será unir tudo isso e ter o verdadeiro suporte de desenvolvimento de ne­gó­cios para administrar a mudança. Alguns exemplos são a transformação de “offset ou digital” para “offset e digital”, de ser fornecedor apenas de impressão para fornecedor de serviços crossmedia — e da transição de provedor de serviços de impressão (PSP) para provedor de serviços de mar­ke­ting (MSP)”.

Mapas e guias para o novo cenário
“Para que os gráficos se tornem fornecedores de mar­ke­ting eles precisam de muita ajuda, e é nesse ponto que as ferramentas dos fornecedores para o desenvolvimento de ne­gó­cios tornam-se importantes”, comenta o analista de indústria Andrew Tribute. “Historicamente a Drupa tem sido uma feira de tecnologia, mas ela é também de ne­gó­cios e inovação”, diz o diretor de impressão pro­fis­sio­nal da Canon na Europa, David Preskett. “Vamos mostrar como nossos clien­tes têm inovado nos ne­gó­cios. Os visitantes podem provar algo que, esperamos, vai inspirá-​­los e levá-​­los mais longe”.
Há um reconhecimento de que a mídia impressa, para ter seu espaço no mundo crossmedia, deve provar que é eficaz tanto competindo quanto se unindo com outras mí­dias. Um dos termos que estarão por toda parte na Drupa é Romi — sigla em inglês para retorno sobre investimento em mar­ke­ting.
François Martin, diretor global de mar­ke­ting da HP, acredita que a percepção que os pro­prie­tá­rios de marcas têm da mídia impressa já está começando a mudar. “A mídia impressa está deixando de ser vista como um meio lento em comparação com a mídia online, para ser entendida como um meio que agrega valor através de documentos que ­criam sentimentos e emoções positivas quando usados corretamente”. Juntamente com um maior foco na finalidade e nos ne­gó­cios de impressão estará em exibição, é claro, muito da tecnologia mais recente, já que, para qualquer aplicação ou qualquer clien­te, melhores ferramentas são uma forma es­sen­cial de superar os mais recentes de­sa­fios.

O offset defende seu terreno
A tecnologia digital, a jato de tinta em particular, pode ter sido o centro das atenções na última Drupa e também será desta vez, mas é importante lembrar, apesar do desenvolvimento da impressão digital, quantos impressos ainda são produzidos usando processos analógicos e que ainda não estão prontos para entrar na era digital. Estamos longe do ponto de virada em que os volumes de impressão digital ultrapassarão os de offset, argumenta Ralph Hilsdon, chefe de mar­ke­ting de produto da Agfa Graphics. “A mudança está chegando, mas a tecnologia offset vai defender o seu espaço”.
O foco do desenvolvimento da impressão offset tem sido aprimorar a automação, o que pode reduzir custos operacionais. Muito desse foco está na redução dos tempos de preparo e troca de serviços, permitindo tiragens mais curtas e rápidas. Este não é o único benefício, no entanto. Cada passo para a automação ajuda a reduzir o custo unitário do impresso, um fator importante quando se luta para manter uma boa margem e quando a impressão em si precisa provar seu custo-​­benefício como uma mídia para mar­ke­ting.
“Vamos ver me­lho­rias em offset plana até que seja possível quase eliminar o operador”, prevê Andrew Tribute. Ele acredita que recursos como medição on-​­press irão evoluir, tornando mais rápido o controle de cor, e que será possível ler a folha inteira para identificar defeitos de impressão como manchas e caroços. Esses desenvolvimentos ajudarão a con­ti­nuar reduzindo o volume da tiragem viá­vel até que o offset possa produzir apenas umas 200 folhas, território hoje ocupado pela tecnologia digital.
Reduzir os tempos de acerto e troca por meio da automação é fundamental para receber mais trabalhos rapidamente, mas tem uma utilidade restrita se as folhas impressas precisarem de muito tempo de secagem antes de serem manipuladas na próxima fase de produção. A Drupa vai apresentar vá­rias abordagens diferentes de como eliminar esse tempo de secagem. Uma opção é usar tinta UV curada. A última geração de lâmpadas e tintas as­so­cia­das foram projetadas para fun­cio­nar tranquilamente e por muito tempo, com baixo consumo de energia, maior vida útil da lâmpada, mais opções de armazenagem e sem necessidade de refrigeração cara e extração de ozônio. A tecnologia UV é apenas uma opção e pode ser prática apenas se você está investindo em uma nova impressora. Aqueles que não procuram comprar uma máquina nova devem observar as novidades entre os fornecedores de tinta, que prometem secagem rápida das tintas convencionais em algumas das fórmulas novas. Com certeza, mesmo que essas tintas custem muito mais que as comuns em comparação com o preço do toner ou do jato de tinta, o custo se torna insignificante. Esse é outro exemplo de como os fornecedores para offset estão tornando o processo mais viá­vel para tiragens cada vez menores e mais rápidas, lutando contra a invasão do digital.
Para a offset rotativa também existem desenvolvimentos. “O foco está na redução dos re­sí­duos, do trabalho e, finalmente, do custo de produção de determinado volume de páginas, tanto através de impressoras maiores quanto de automação”, enfatiza Greg Norris, gerente de mar­ke­ting in­ter­na­cio­nal da Goss, que acredita que o próximo passo pode eliminar completamente algumas etapas do processo. Esse tipo mais ágil de rotativa pode “roubar” alguns serviços que costumavam pertencer à offset plana, provando que não é apenas uma questão de analógico versus digital, mas também de considerar que tipo de alimentação é mais adequada.

A Drupa do jato de tinta (de novo)
Se 2008 foi a Drupa jato de tinta, 2012 será, mais uma vez, focada nessa tecnologia digital. “2008 foi o ano do conceito de jato de tinta e 2012 será sobre os resultados no mercado”, prevê Graham Lee­son, gerente de comunicação de mar­ke­ting da Fujifilm Europe Graphic Systems. “Haverá mais impressoras jato de tinta em exposição voltadas para muitas outras aplicações”. Nos últimos quatro anos, a jato de tinta tem feito incursões significativas no mercado de impressão digital e deve con­ti­nuar nesse caminho. “Em 2008 as impressoras jato de tinta de alta velocidade representavam apenas cerca de 10% do volume de impressão digital colorida no mundo”, afirma Jim Hamilton, diretor do Grupo InfoTrends. “Esse número está crescendo rapidamente. Até a Drupa 2012 terá chegado a um quarto do volume total e em 2014 será de mais de um terço”.
O desenvolvimento das impressoras jato de tinta com alimentação contínua tem sido rápido, com a maioria dos fornecedores, como a HP, indo de uma única máquina para uma ampla gama de modelos com diferentes larguras, velocidades e capacidades. Andrew Tribute acredita que a próxima categoria de impressoras jato de tinta será de produção de impressos mais acessíveis em alimentação contínua, com uma velocidade de 50 metros por minuto no valor de US$ 500.000, am­plian­do o número de gráficas que vão comprar os dispositivos, as aplicações e os volumes de impressos produzidos com essa tecnologia. Mas e quanto às máquinas de folhas em formato B2? Lee­son explica: “A alimentação contínua teve maior impulso após a última feira porque os requisitos de qualidade e, portanto, a tecnologia empregada são menos sofisticados que os exigidos para alimentação a folha”.
A questão é: será que a Fujifilm e as máquinas ­Screen receberão a companhia de outras impressoras jato de tinta de formato B2? Quan­do essa matéria foi escrita ainda era cedo demais para saber, apesar de haver desenvolvimentos. A imagem que está emergindo é que a próxima geração de impressoras digitais, que veremos na Drupa 2012, será destinada a aplicações que são atual­men­te o sustentáculo do mercado e que estão sendo produzidas em impressoras offset planas de formato B2. Entretanto, só porque esse é o principal formato usado em offset não significa ne­ces­sa­ria­men­te que o seu substituto como maior motor da indústria tenha de ser idêntico em todos os aspectos, exceto pelo método de cria­ção da imagem.

Automação e integração
Independentemente dos processos integrados para a impressão, os pedidos, a gestão, a produção e a distribuição de um trabalho são aspectos fundamentais para atender às demandas de menor custo, maior efi­ciên­cia e agilidade do mercado de produtos impressos. Uma vez que esses processos sejam integrados fica mais fácil automatizá-​­los. “Um aspecto-​­chave da impressão digital que é frequentemente esquecido é a sua capacidade para ser usada em fluxos de trabalho automatizados”, opina Hamilton, da InfoTrends. “A redução da intervenção do operador e a expansão das tarefas que um único operador pode executar têm importância crítica nos am­bien­tes de produção atuais”.
Mas não é só na produção que a automação e a integração trazem be­ne­fí­cios. À medida que as tiragens são reduzidas e o número de serviços aumenta, a administração e o atendimento ao clien­te se tornam parcelas cada vez mais significativas dos custos, colocando a ênfase nos sistemas ups­tream e na forma como se lida com os clien­tes. “Os fluxos de trabalho con­ti­nua­rão sendo automatizados e haverá mais integração entre os sistemas, envolvendo os clien­tes e os sistemas de con­teú­do e processos de ne­gó­cios”, aponta Hilsdon, da Agfa.

Impressão híbrida: mais do que a soma das partes
Não há dúvida que existe concorrência entre os processos de impressão digital e analógica. Um visitante sábio na Drupa vai investigar cuidadosamente as últimas novidades — tanto offset para tiragens menores quanto digital para maiores volumes —, o que pode significar ter de reconsiderar suas pró­prias capacidades de produção. Ao mesmo tempo, está se tornando claro que não é apenas uma questão de “um ou outro”, mas, como Cullimore, da Kodak, disse, esta é a Drupa da integração. Há be­ne­fí­cios em usar as duas tec­no­lo­gias juntas. Podem ser adotados sistemas híbridos de impressão que usam digital para aplicar dados variáveis sobre offset, ou manter tanto impressoras digitais quanto analógicas e encaminhar os trabalhos de acordo com a adequação. “A transição para o sistema digital não é abrupta, inclui mistura e fusão”, argumenta Cullimore. “Algumas gráficas não podem simplesmente transferir suas aplicações totalmente para o digital. Sistemas híbridos, que usam tecnologia digital para personalizar produtos de maior tiragem, podem acrescentar algo ao sistema offset”.
Greg Norris, da Goss, complementa: “Vemos uma oportunidade para integrar offset rotativa com impressão digital em sistemas híbridos”. Embora ainda possa haver uma batalha entre os dois processos em alguns setores, há também o consenso de que cada um tem seus pontos fortes e que a melhor abordagem é combiná-​­los.
“Descrevemos a divisão de trabalhos entre offset e impressão digital da seguinte forma: gráficas podem usar suas impressoras offset para serviços de grandes tiragens”, diz Thomas Hauser, vice-​­presidente de mar­ke­ting e comunicação corporativa da Manroland. “Consequentemente, quando a empresa também tem uma impressora digital, suas operações em offset são mais rentáveis. O fluxo de trabalho é o ponto central em um am­bien­te de produção misto. Que­re­mos que nossos clien­tes utilizem os fluxos de trabalho existentes em conjunto com os fluxos de trabalho de metadados que controlam a impressora digital e as máquinas do acabamento. Assim, os usuá­rios de offset permanecem em seu am­bien­te fa­mi­liar, mas com a impressão digital integrada ao fluxo de dados offset”.
A Manroland não está sozinha nisso (Nota da redação: este artigo foi escrito antes do processo de insolvência da Manroland, ini­cia­do em novembro de 2011). Embora sua parceria com a Océ tenha sido a primeira a ser anun­cia­da entre uma fabricante de offset e uma de digital, ela foi seguida pelas par­ce­rias da Heidelberg com a Ricoh, vendendo impressoras digitais para complementar sistemas offset, e da KBA com a RR Donnelley, desenvolvendo novas plataformas de impressão digital que combinam o talento da KBA para construção de impressoras com a ex­pe­riên­cia da RR Donnelley com impressão digital e híbrida e pro­prie­da­de in­te­lec­tual. Ainda pode haver mais alian­ças nas quais empresas que foram consideradas ad­ver­sá­rias tornam-se parceiras.

Muitos temas = muitas razões para ir
“Para se be­ne­fi­ciar de uma feira de ne­gó­cios, é preciso ficar longe das pressões do dia a dia e aproveitar a oportunidade para conhecer pes­soas e trocar ideias”, ressalta David Preskett, da Canon. “É possível conhecer aplicativos, compartilhar informações. Grandes exposições são uma das poucas oportunidades para ficar longe do seu negócio e obter uma visão clara para futuras ideias de ne­gó­cios e inovação”. Preskett acrescenta: “Eu acho difícil definir um tema. Ele real­men­te só se torna aparente depois de alguns dias de feira, quando fica claro o que é que os visitantes estão buscando”. Seja a Drupa da automação, da integração, do crossmedia, do jato de tinta, do retorno da offset, da transformação ou qualquer outra Drupa, o show é feito pelo visitante. Para aproveitar ao máximo é preciso estar lá a fim de verificar com seus pró­prios olhos e atua­li­zar-se sobre tudo aquilo que seja melhor para o seu negócio.
É a sua Drupa: nos vemos em Dusseldorf.

Barney Cox é consultor sênior de impressão sob demanda e publicação na Europa da empresa InfoTrends. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Texto publicado na edição nº 81

 
Prêmio Fernando Pini, o mais relevante do setor no Brasil e América Latina Imprimir E-mail
Escrito por Letânia Menezes   
Sáb, 03 de Março de 2012

O 21º Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini, o mais importante concurso do setor gráfico no Brasil e um dos mais respeitados da América Latina, consagrou 39 empresas na edição de 2011 pela alta capacidade técnica e expertise dos profissionais envolvidos no desenvolvimento de cada produto. Coor­de­na­do e organizado pela ABTG, com apoio da Abigraf, o prêmio teve 947 produtos inscritos, pertencentes a 164 empresas de 14 estados. O júri foi composto por 120 profissionais, sendo 70% deles técnicos e 30% designers gráficos. Com julgamento em duas fases, os 102 finalistas concorreram em 61 ca­te­go­rias divididas em 11 segmentos. O concurso distribuiu ainda prê­mios para fornecedores do setor em 13 ca­te­go­rias.
A seguir, a revista Tecnologia Gráfica destaca as gráficas e produtos vencedores nas ca­te­go­rias Inovação Tecnológica ou Complexidade Técnica do Processo, Conformidade com a Norma NBR NM – ISO 12.647-2 – Impressão em Offset Plana e Rotativa Offset e Provas Digitais. Também relatamos o passo a passo do sucesso de Atributos Técnicos do Processo, o chamado Grand Prix, nas ca­te­go­rias Melhor Impressão, Melhor Acabamento
Cartotécnico e Melhor Acabamento Edi­to­rial.

Inovação Tecnológica ou Complexidade Técnica do Processo
Vencedor
: Brasilgráfica
Produto: Linha de cartuchos Halls XS 30 drops
Cliente: Kraft Foods
Os conceitos de portabilidade, modernidade e alta tecnologia foram as­so­cia­dos a essa embalagem, segundo Célio Coe­lho de Magalhães, gerente de mar­ke­ting da Brasilgráfica: “Com desenho di­fe­ren­cia­do, a embalagem exibe um novo sistema deslizante de abertura. São 30 minidrops em formato arredondado”. As equipes de pesquisa e desenvolvimento da Brasilgráfica e da Cadbury Adams, atual­men­te Kraft ­Foods, trabalharam em conjunto para enfrentar o desafio de desenvolver uma nova embalagem que pudesse utilizar os equipamentos embaladores de alta performance já existentes. Para sua finalização foram feitos inúmeros testes e amostras até chegar à solução da embalagem final. “Para que isso ocorresse, o corte e vinco teve que ser perfeito, com vincos bem pro­nun­cia­dos e a colagem rigorosamente no esquadro”, explica Célio. “Qualquer va­ria­ção, por menor que seja, impacta sensivelmente no desempenho das máquinas embaladoras”.
Como substrato foi escolhido o cartão triplex da Cia. Suzano, por ser branco em ambos os lados e por sua printabilidade. Verniz ul­tra­vio­le­ta de alto brilho, alia­do ao hot stamping prata e ao alto-​­relevo, concedeu à embalagem uma qualidade su­pe­rior. É uma peça única, com abertura através de zíper, sistema tipo gaveta.
Dados técnicos
Formato: 65 × 53 × 13 mm
Substrato: Cartão Suzano 250 g/m²
Recursos de acabamento: Hot stamping, alto‑relevo, verniz UV, colagem especial
Impressão: Offset
Tiragem: Confidencial

Conformidade com a Norma NBR NM – ISO 12.647-2 – Impressão em Offset Plana e Rotativa Offset
Vencedor
: Log&Print
Produto: Revista Shape Edição 25
Cliente: Editora Alto Astral
“Gostaria de destacar o fato de a Log & Print se adequar à norma como importante ajuda no êxito da peça e como o uso das normas tem ajudado a gráfica como um todo”, afirma Wilson Ma­ria­no de Jesus, gerente técnico da Log & Print. “A implantação da norma 12.647-2 nos permite viver sem surpresas na obtenção do resultado final de nossos impressos, permitindo que provas de cor simulando o mesmo padrão reproduzam corretamente o resultado final, dando ao clien­te segurança no produto recebido”. Além dos be­ne­fí­cios ao clien­te com a implantação da norma, como maior fidelidade entre prova e impresso, a gestão da produção in­dus­trial exige que os processos obedeçam a especificações conhecidas para que a qualidade possa ser garantida e a repetibilidade dos processos assegurada. A Log & Print tem sete rotativas instaladas e duas em instalação, além de cinco máquinas planas e duas digitais, cada uma com suas pro­prie­da­des. “Como garantir que o produto impresso em cada uma delas tenha as mesmas características no final?”, indaga Fábio Ga­briel Malveis Ga­briel, gerente de pré-​impressão e responsável pelo ge­ren­cia­men­to de cores. “Esse é o objetivo da padronização: garantir a qualidade adequada do produto final de acordo com especificações que atendam às exi­gên­cias e às necessidades do cliente”.
Também foi fundamental para o sucesso do produto a interação entre os departamentos da empresa, os fornecedores e o clien­te. Para cumprir as demandas da norma, os equipamentos de impressão têm de estar em condições ideais, por isso manutenção e impressão têm um papel importante. Os insumos também devem ser controlados, portanto compras, fornecedores e área técnica são elementos decisivos nessa etapa. “É preciso garantir que nossos insumos estejam sempre dentro de um padrão pré-​­aprovado”, explica Fábio Ga­briel.
Dados técnicos
Formato: 202 × 266 mm
Substrato: Capa couché 150 g/m²; miolo couché 70 g/m²
Recursos de acabamento: lombada quadrada e hotmelt
Impressão: Capa, offset rotativa com verniz UV total. Miolo, offset rotativa
Tiragem: Confidencial

Conformidade com a Norma NBR ISO 12.647-7 – Provas Digitais
Vencedor
: Stilgraf
Produto: Provas digitais brilho
Cliente: Stilgraf
A Stilgraf foi uma das empresas pioneiras na implantação da norma ISO 12.647-7 de provas digitais, tendo inclusive participado da elaboração das cartilhas de provas digitais da ABTG, através do coor­de­na­dor de tecnologia gráfica Dua­ne Gomes.
Devido à exigência dos clien­tes, a implantação da norma ISO 12.647-7 foi imprescindível para garantir a consistência e precisão das provas. A norma também proporcionou à Stilgraf ganhos de rentabilidade no processo de produção, pois foi rea­li­za­da em conjunto com a implantação da mesma norma no setor de impressão.
Para a confecção de uma boa prova digital, é importante observar três pontos, explica Dua­ne. Primeiro: o papel deve ter uma boa capacidade de absorção e secagem da tinta. A tonalidade deve, de preferência, ser a mais próxima possível do branco de referência, para que haja o mínimo de correção via soft­ware. Segundo: a tinta em conjunto com o papel adequado deve ser capaz de reproduzir um gamut de cores maior que o de referência para todos os níveis de luminosidade. Também é preciso obter va­ria­ções tonais sua­ves, garantindo precisão nas misturas das cores, balanço de gris e dégradés sem degraus, independente da quantidade de cores utilizada. Terceiro: deve-se utilizar algum soft­ware que disponibilize informações su­fi­cien­tes para a análise precisa dos resultados da calibração através da leitura de testcharts. O soft­ware de calibração (ou de edição de perfis de cores) tem de permitir que se façam interações para aprimorar os resultados. “Observando-se esses três pontos e aplicando as to­le­rân­cias da norma ISO 12.647-7, é possível obter uma prova digital consistente”, conclui Dua­ne. “Agora, para atingir uma precisão ainda maior, como no caso da prova digital vencedora do Prêmio Fernando Pini, é preciso conhecimento avançado, ex­pe­riên­cia, domínio do sistema de prova utilizado e muita persistência”.
Dados técnicos
Impressora: Epson Stylus Pro 9900
Papel: Povareskim Gloss 220 g/m²
Soft­ware: GMG Color Proof 5

Melhor Acabamento Cartotécnico
Vencedor
: P+E Galeria Digital
Produto: Gaiola TAM
Cliente: TAM
Para Eden Ferraz, sócio-​­pro­prie­tá­rio e diretor financeiro da P+E, as razões do bom resultado do produto são a originalidade e principalmente o auxílio que a empresa prestou ao clien­te TAM na concepção da peça. “Recebemos um esboço da ideia e, a partir daí, ini­cia­mos o trabalho de rea­li­za­ção pro­pria­men­te dito, que contou com a expertise de nossos profissionais, principalmente do responsável pela área de acabamento, Eduar­do Barbosa”, comenta o empresário.
Do ponto de vista técnico, os cuidados com a peça estão re­la­cio­na­dos à montagem dos diversos módulos que foram impressos, laminados, empastados, corte-​­vincados e colados entre si para formar a Gaiola TAM. Para que o ma­te­rial gerasse o resultado desejado pelo clien­te foi fundamental o cuidado na execução de cada uma dessas tarefas, o que exigiu a elaboração de uma estratégia específica para a sequência de montagem da peça e a revisão de cada parte antes da montagem final. A P+E usou insumos como os pa­péis Suzano e filmes de laminação BOPP da Prolam (Sonsun), além da tecnologia de impressão HP Indigo. “Como outras empresas também as utilizam, cremos que nosso principal segredo é o sucesso que temos obtido em promover a ­união de nossos colaboradores em torno do objetivo comum de oferecer aos clien­tes qualidade de serviços e atendimento”, diz Eden Ferraz.
Dados técnicos
Formato: Largura 30 cm × altura 39 cm
Substrato: Couché fosco 150 g/m² e couché fosco 170 g/m² com laminação BOPP fosca e empastamento sobre papelão pardo 18 na caixa; cartão Supremo Duo Design 300 g/m² no folheto interno
Recursos de acabamento: Corte e vinco, colagem e aplicação de argolas e plumas, além de inserção do folheto interno
Impressão: Impressão digital em HP Indigo 5500
Tiragem: 36 unidades

Melhor Acabamento Editorial
Vencedor
: Stilgraf
Produto: 35 Anuário do Clube de Criação de São Paulo
Cliente: Produx

O desafio apresentado pelo clien­te era o corte dourado (processo de douração das páginas do anuá­rio), que foi determinante por ser um recurso que chama a atenção e tem uma significativa complexidade de execução. “Mas o que vem antes de tudo se ma­te­ria­li­zar foi tão fundamental quanto o processo em si”, conta David Mo­raes, gerente de produção da Stilgraf. Ele cita a discussão sobre o produto, a definição dos tipos de impressão e acabamento a serem utilizados, o planejamento e a definição do plano, a interação e participação direta do produtor do anuá­rio e a qualidade de prestação de serviços dos parceiros. “Todos esses fatores, sem dúvida, con­tri­buí­ram de maneira expressiva para o êxito do produto”.
O processo de douração do livro, explica Mo­raes, consiste na aplicação de uma película dourada — a mesma utilizada para hot stamping — na borda do livro. Para a aplicação, a borda do livro foi pre­via­men­te preparada, nivelada por lixas. O equipamento que aplica a douração é composto por uma parte que aquece os roletes e, à frente, há uma mesa com uma fenda móvel regulada de acordo com a espessura da borda do livro. O produto foi po­si­cio­na­do verticalmente e prensado na fenda. A película dourada foi aplicada na borda do livro através de roletes pre­via­men­te aquecidos que, em contato com a película, transferem a douração para a borda. “A dedicação da equipe é notória e os objetivos da empresa são claros. A busca da excelência é um processo contínuo”, conclui David.
Dados técnicos
Formato: 23 × 30 cm
Substrato: Luva – Papelão n‒º 15 revestido com couché brilhante 150 g/m². Anuário – Capa dura em papelão n‒º 15 revestido com couché brilhante 150 g/m². Miolo em couché fosco 150 g/m².
Recursos de acabamento: Luva – laminação BOPP gofrada couro. Capa do anuário – Laminação BOPP brilho. Miolo costurado.
Impressão: Impressão offset e offset cold foil metalizado.
Tiragem: 2.500 exemplares.

Melhor impressão
Vencedor
: Ipsis
Produto: Livro Terra Brasil
Cliente: Araquém Alcântara Fotografia e Editora
Dados técnicos
Formato: 280 x 335
Substrato: Capa dura revestida com papel couché Novatech Gloss 150 g/m2. Miolo couché Novatech Gloss 150g/m2.
Recursos de acabamento: Capa laminação fosca e verniz UV reserva
Impressão: Offset 4 x 4 cores
Tiragem: Informação não disponível

Texto publicado na edição nº 81

 
Theobaldo De Nigris acompanha a evolução da indústria gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 05 de Dezembro de 2011

Escola completa 40 anos e projeta aumentar em mais de 50% o número de matrículas nos próximos três anos.


As Escolas Senai Theobaldo De Nigris e Felício Lanzara e a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica constituem o mais importante centro de tecnologia gráfica do Hemisfério Sul. São referência no âmbito do Senai, com a função de dar suporte a outras escolas, liderar o processo de inovação de currículos e propor mudanças.
Hoje a Theobaldo De Nigris vive um ciclo virtuoso de adequação às demandas do setor e às novas tecnologias. O projeto da atual reestruturação da escola começou a ser delineado em 2006, envolvendo a instituição como um todo: reforma predial, aquisição de novos equipamentos, atualização, ampliação e criação de novos cursos, com investimento da ordem de R$ 30 milhões. Assim como a Theobaldo De Nigris, todas as demais unidades do Senai-SP estão passando por esse processo.
A estrutura física da escola está sendo modificada com o intuito de modernizar as instalações, proporcionando mais conforto aos alunos e docentes, assim como reduzindo o impacto ambiental da unidade e aproveitando melhor seus recursos. Os novos espaços já estão recebendo equipamentos de última geração. Na área de impressão offset, destaca-se um equipamento que emprega tecnologia de secagem ultravioleta. Em flexografia, uma nova impressora de banda estreita com seis unidades de impressão, para rótulos e etiquetas. O acabamento foi incrementado com linhas de lombada canoa, dobradeiras e máquinas de corte e vinco especialmente desenhadas para o segmento de embalagem. A pré-​impressão vem recebendo novos softwares e os laboratórios ampliaram sua atuação com modernos sistemas de medição, ensaios e testes.
A renovação das instalações das escolas que constituem o Senai-SP é acompanhada pelo realinhamento das grades curriculares. Na verdade elas nunca foram estáticas. Ajustes para que os cursos sigam os movimentos da indústria fazem parte da dinâmica das escolas, todavia o que ocorre agora vai além. Trata-se de um ponto de inflexão, uma vez que a metodologia de ensino está sendo alterada.
Partilhando de uma tendência mundial no ensino profissionalizante, as unidades do Senai-SP estão abandonando a metodologia com base em conteúdos, substituindo-a pela metodologia com base em competências. Essa metodologia baseia-se no conceito de que formar um profissional é muito mais do que alimentá-lo de conhecimento. É garantir que ele possa mobilizar, além do conhecimento, habilidades e atitudes. O que passa a nortear o desenvolvimento do curso é a solução de problemas que o indivíduo vai enfrentar dentro da indústria, trazendo a realidade da fábrica para a sala de aula. O ajuste dos currículos dentro desses parâmetros requer a formação de comitês técnicos setoriais, envolvendo representantes das atividades industriais, que colaboram na definição do perfil profissional que o mercado está demandando. A Escola Senai Theobaldo De Nigris já adequou o curso de aprendizagem industrial e o curso superior à nova metodologia. Em 2012 será a vez dos cursos técnicos.
Essa mudança deverá reforçar ainda mais o alto índice de empregabilidade dos cursos técnicos oferecidos pelo Senai-SP. De um modo geral, no período de um ano após a conclusão do curso, 86% dos alunos egressos do Senai estão empregados. Esse resultado é fruto da organização da instituição, dos recursos tecnológicos dos quais dispõe e do fato de os cursos refletirem 
as necessidades da indústria.
Outro patrimônio fundamental das escolas são os docentes, cujo aperfeiçoamento é constante. Quando o Senai busca professores vai ao mercado à procura de profissionais com profundo conhecimento de suas respectivas áreas de atuação. A preparação pedagógica acontece dentro das escolas, e em outras instituições, processo que leva anos, acompanhando o professor em 
toda sua trajetória na escola.

Interesse crescente
Assim como o Brasil diverge de outros países com relação ao desempenho do segmento de jornais, por aqui a procura pela formação técnica na área gráfica continua alta, diferentemente de nações europeias e dos Estados Unidos, em que a tônica é o desinteresse pela carreira. Por oferecer oportunidades reais de trabalho na indústria, o Senai é muito procurado. Ao longo de seus quase 70 anos, que serão completados em 2012, o Senai consolidou-se no Brasil como a opção de formação que garante empregabilidade, fazendo com que seus cursos tenham, anualmente, mais candidatos do que vagas. É o que acontece na Theobaldo De Nigris. Se em alguns cursos a procura recuou ligeiramente não é porque o interesse pela área caiu, e sim pelo fato de o Senai ter inaugurado novas escolas em São Paulo.
O principal agente de divulgação da Theobaldo De Nigris é o próprio aluno. Cerca de 80% das pessoas que procuram a escola tiveram contato com ex-​alunos. E esse contingente é bastante heterogêneo. Os cursos de aprendizagem industrial recebem, de forma geral, estudantes indicados por empresas para serem contratados como aprendizes. Os cursos técnicos, ministrados nos períodos vespertino, noturno e integral, acolhem, pela manhã, os jovens que completaram o ensino fundamental no Sesi, Serviço Social da Indústria, com o qual o Senai mantém acordo. À noite, o público é formado por pessoas que já trabalham, nas áreas gráfica e de celulose e papel ou não, e o período integral é a melhor opção para quem mora fora de São Paulo. O curso superior é procurado tanto por profissionais que atuam no setor e buscam melhores colocações quanto por alunos do próprio Senai, enquanto a pós-​graduação atrai pessoas formadas em outras áreas e que procuram adquirir conhecimentos 
específicos para alçar voos mais altos.
Concluído todo o processo de reestruturação, a Escola Senai Theobaldo De Nigris projeta chegar a 2014 com um total de 8.225 matrículas ativas, o que representa crescimento de 57% em relação aos números de 2011. Mais do que a expansão quantitativa, que não pode ser posta de lado em função da expansão do mercado, a instituição estará qualitativamente mais bem organizada para continuar contribuindo para o desenvolvimento da indústria.


Escolas Senai Theobaldo De Nigris¹, Felício Lanzara² e Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica
Matrículas ativas (2011)
Aprendizagem industrial: 145
Cursos técnicos: 1.090
Curso superior: 483
Pós-​­graduação: 172
Formação inicial e continuada: 3.350
Total: 5.240
Projeção para 2014: 8.225
Quadro de pessoal
Administrativo: 53
Docentes (efetivos + terceiros): 145
Serviços terceirizados: 33
Alunos formados desde o início
das atividades
Cursos de aprendizagem industrial: 2.828
Cursos técnicos: 6.922
Curso superior: 514
Formação inicial e continuada: 126.409
¹ Inaugurada em 1971  ² Inaugurada em 1945

Origens

A primeira escola de Artes Gráficas do Senai foi instalada em 1945 no bairro do Belém, em São Paulo, destinada à formação de aprendizes para atender à demanda dos estabelecimentos gráficos na cidade, que, naquela época, empregavam cerca de 12.000 trabalhadores. Nos anos seguintes o Senai paulista intensificou a oferta de cursos e treinamentos e, em 1951, transferiu a Escola de Artes Gráficas para um novo edifício, no bairro do Cambuci, tra­di­cio­nal reduto da indústria gráfica na capital. Em 1962, essa unidade passou a se chamar Escola Senai Felício Lanzara, em homenagem ao importante líder do setor gráfico.
Em 1971, com a coo­pe­ra­ção técnica da As­so­cia­ção dos Fabricantes Italianos de Máquinas Gráficas e Afins (Acimga), da Itália, o Senai-SP inaugurou o Colégio In­dus­trial de Artes Gráficas na Moo­ca, onde passou a oferecer o curso técnico em Artes Gráficas, incorporando Theo­bal­do De Nigris ao nome três anos depois, em deferência ao empresário, um dos principais expoentes do setor. Sete anos depois, as duas unidades tiveram suas operações integradas nas mesmas instalações. Em 1979 teve início a oferta do curso técnico de Celulose e Papel para atender à crescente demanda desse segmento. Com a implantação, em 1998, da Faculdade de Tecnologia Gráfica o Senai tornou-se a primeira instituição da América Latina a oferecer um curso su­pe­rior nesse segmento. Em abril de 2002, o curso foi reconhecido pelo MEC, tendo sido ava­lia­do com a menção “A”. Os cursos de pós-​­gra­dua­ção começaram a ser oferecidos em 2005. Atual­men­te, a Escola Senai Theo­bal­do De Nigris e a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica ­atuam em quatro vertentes de prestação de serviço: educação pro­fis­sio­nal, assessoria técnica e tecnológica, pesquisa aplicada e informação tecnológica. A formação pro­fis­sio­nal é oferecida desde o nível básico até a pós-​­gra­dua­ção.

 

Texto publicado na edição nº 80

 
Tendências na impressão de grandes formatos Imprimir E-mail
Escrito por Cary Sherburne   
Dom, 27 de Novembro de 2011

Muitos es­pe­cia­lis­tas da indústria chamaram a Drupa 2008 de “A Drupa do jato de tinta”, e, em muitos aspectos, foi mesmo. Depois da feira, alguns fornecedores lançaram soluções jato de tinta de alta velocidade, que foram mostradas na Drupa como produto ou protótipo, e esses equipamentos ainda estão chegando ao mercado. Conforme nos aproximamos da Drupa 2012, quais são as tec­no­lo­gias que podemos esperar ver e que irão promover mudanças no mercado de impressão? Mais uma vez, ficamos na expectativa de um po­si­cio­na­men­to forte do jato de tinta entre as novas tec­no­lo­gias que serão apresentadas. Desta vez, porém, embora ainda haverá uma presença marcante do jato de tinta no setor de produção, podemos também aguardar uma inserção maciça no segmento de grandes formatos, uma vez que as ofertas digitais nesse setor con­ti­nuam a amadurecer, melhorando seus custos e o desempenho, substituindo os sistemas convencionais no campo da comunicação vi­sual, como a impressão serigráfica, em inúmeras aplicações.

O mercado de grandes formatos
As impressoras digitais de grande formato não são novidades nas ­­áreas de comunicação vi­sual e gigantografia. O que há de novo é o quanto a tecnologia tem avançado em termos de velocidade, qualidade e va­rie­da­de de aplicações para as quais processos digitais — ao invés de analógicos — podem ser empregados. Assim como o mercado de impressão offset tem visto a elevação na demanda por tiragens menores, pelo tempo de resposta mais rápido e por con­teú­dos relevantes pro­por­cio­na­dos pela tecnologia digital, a mesma transformação está ocorrendo na área de grandes formatos. E as tec­no­lo­gias para isso já estão disponíveis.
A inovação também continua. A EFI, por exemplo, afirma que seu novo sistema de secagem à base de LEDs para a linha Vutek, chamado Cool Cure, opera na mesma velocidade que as lâmpadas UV, mas com menor consumo de energia, com capacidade de imprimir em substrato mais fino e mais barato, devido ao calor reduzido, e com menor custo em função da ausência de necessidade de substituição das lâmpadas. Scott Schinlever, vice-​­presidente sê­nior e gerente geral de soluções de jato de tinta da EFI, espera ver outros fornecedores chegando ao mercado com soluções em LED na Drupa: “Não há grandes desvantagens no uso de tratamento com LED se for feito sem comprometer as fun­cio­na­li­da­des básicas do processo”. A FujiFilm Graphic Systems lançou um produto que poderia ser visto como um cruzamento entre a impressão co­mer­cial e o mercado de comunicação vi­sual, a FujiFilm J-​­Press 720, impressora jato de tinta com alimentação a folha, no formato de 73 cm, projetada para aplicações de impressão co­mer­cial. Contudo, o tamanho da folha e a qualidade final a tornam adequada para peças menores de comunicação vi­sual e de outros produtos de grande formato, es­pe­cial­men­te materiais de ponto de venda. Esse tipo de abordagem pode ser uma abertura para que os impressores comerciais entrem no mercado de comunicação vi­sual e de grandes formatos, já que a impressora também pode ser usada para fazer produtos tra­di­cio­nal­men­te comerciais e promocionais de pequenas tiragens. Além disso, a FujiFilm é a distribuidora exclusiva de impressoras Inca Onset nos Estados Unidos e oferece sua impressora UV da série Acuity alimentada a bobina ou de mesa plana e a série Uvistar
alimentada a bobina em todo o mundo.
Grande parte desse avanço é im­pul­sio­na­do pelas necessidades do mercado. Em junho de 2011, a empresa de pesquisa InfoTrends concluiu um estudo desenvolvido para coletar mais informações sobre os compradores de produtos de grande formato. O estudo visava tanto com­preen­der as exi­gên­cias do mercado de grandes formatos quanto acompanhar as mudanças nos padrões de compras em relação ao estudo an­te­rior, rea­li­za­do em 2009. Embora este seja um estudo do mercado norte-​­americano, ele destaca as exi­gên­cias dos compradores, que provavelmente são similares ao redor do globo. Mais de 300 compradores responderam à pesquisa, que foi a base para o estudo.

Aplicações e padrões de compra
O estudo revelou que banners, cartazes e placas de sinalização con­ti­nuam a ser as principais aplicações em grandes formatos, com a fotografia ganhando uma fatia cada vez maior na comparação com 2009 (em 2011, 42,6% dos entrevistados relataram terem comprado aplicações de fotografia, em comparação com 30% em 2009). Desenhos, provas, bandeiras e têxteis apresentaram de­clí­nios mais acen­tua­dos, com outras aplicações permanecendo relativamente estáveis. Em média, os entrevistados afirmaram comprarem aplicações de grande formato 5,4 vezes por ano, um ligeiro aumento na frequência em relação a 2009. No estudo de 2011, o número médio de impressões por pedido foi de 36,5, um número que favorece a produção digital em comparação com processos analógicos tradicionais.
Preço, qualidade e velocidade são os três fatores-​­chave para a seleção de um prestador de serviços de impressão em grandes formatos. Em 2009, o preço foi o principal critério de seleção. Essa mudança também foi notada por Linda Bell, presidente da Inca Digital Printers, que disse: “Houve uma mudança definitiva. Os clien­tes estão mais fa­mi­lia­ri­za­dos com a tecnologia e mais exigentes sobre o que eles querem que a tecnologia faça. Eles estão interessados em ter diferentes tipos de impressão e acabamento e qualidade su­pe­rior no resultado comparado ao que vimos no passado. Como já têm certa expectativa sobre a velocidade, eles agora se focam menos na velocidade e mais na qualidade”. Para atender a essas expectativas a Inca introduziu recentemente impressoras de maior qualidade com menor velocidade, os modelos S20 e S40, que também oferecem escolha de acabamento acetinado, brilho e fosco. Bell acrescenta: “se você pode elevar a qualidade até níveis comparáveis ao offset, ela vai abrir um mercado ainda maior para grandes formatos”.
A velocidade ainda é importante, mas a maioria dos fornecedores continua a aumentar o rendimento de equipamentos com mesas de impressão maiores e mais velozes. Schinlever, da EFI, afirma: “para as cabeças de impressão e para os pró­prios sistemas de impressão, a relação preço/desempenho está aumentando ex­po­nen­cial­men­te. Para os fornecedores de impressoras, como a EFI, a Durst, a Inca e outros, não é exagero dizer que vamos finalmente ter algo tão ou mais rápido do que uma impressora automática de serigrafia, o que fará com que soluções integradas de fluxo de trabalho
passem a ser cada vez mais importantes”.

Aprimorando a comunicação visual com códigos QR
Uma das descobertas mais interessantes na pesquisa da InfoTrends foi o fato de que 20% dos compradores de comunicação vi­sual e de outras aplicações em grandes formatos têm usado os códigos QR e outros elementos interativos de mídia em seus displays e que, desses, mais de 90% planejam con­ti­nuar usando esses elementos interativos. Dentre os entrevistados, 70% con­si­de­ra­riam o uso de códigos QR ou outros elementos interativos em seus banners. Isso representa uma enorme oportunidade para as empresas que oferecem serviços de grandes formatos, tanto para educar os consumidores sobre a importância dos elementos interativos quanto para adicio­nar valor aos trabalhos dos clien­tes e gerar mais receita.

Displays digitais não ameaçam
Uma amea­ça clara para o segmento de produtos para sinalização e banners é o surgimento da sinalização digital eletrônica, que muitos te­miam que roubasse mercado da sinalização impressa. Porém, essa transição não ocorreu, de acordo com o estudo da InfoTrends. Apenas 11% dos entrevistados tinham comprado displays digitais, embora 38% indicaram que planejam fazê-lo. Essas compras, no entanto, parecem ter pouco impacto sobre impressos de grande formato, com 76% dos respondentes indicando que usam displays digitais juntamente com impressões de grande formato.

O mix de tecnologias digitais
Cada vez mais, a dinâmica das tec­no­lo­gias digitais está conquistando uma parte do mercado de trabalhos feitos em serigrafia, e muitas empresas de serigrafia tradicionais estão investindo em tec­no­lo­gias digitais. Assim como no mercado de impressão offset, haverá aplicações adequadas para a impressão serigráfica em um futuro próximo, pois não é rentável rea­li­zar muitos trabalhos com a impressão digital em grandes formatos. Mas a gama de aplicações que agora pode ser produzida digitalmente está aumentando significativamente. Muitos acreditam que as únicas aplicações em serigrafia que não podem ser feitas digitalmente giram em torno do uso de tintas especiais, como metálicas e fluo­res­cen­tes, que possivelmente não estarão disponíveis para aplicações digitais por algum tempo. Em termos de aplicações específicas, as roupas serão as últimas a fazer a transição para as grandes tiragens digitais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tipos de tinta
Uma forma de segmentar o mercado de grandes formatos é examinar os vá­rios tipos de tinta utilizados. A InfoTrends segmenta-as, em três ca­te­go­rias principais:

  • Base água, que inclui aquosas duráveis como um subsegmento, como as tintas látex da HP.
  • Solvente/ecossolvente, que possui a maior fatia do mercado, mas que está perdendo espaço para a aquosa durável e para as tintas da terceira categoria, de cura UV.
  • Com cura UV, que conquistou o mercado. As impressoras UV com essa tecnologia representam a maior parte das vendas de novos equipamentos de grandes formatos, à medida que os fabricantes deixam de produzir impressoras com tecnologia de tintas à base de solvente.

O UV está ganhando terreno mais rapidamente na Europa do que na América do Norte, porém em um ritmo menor em mercados emergentes como a China e América Latina, onde o controle am­bien­tal é menos rigoroso. Tim Gree­ne, da InfoTrends, declara que “na América do Norte, a tecnologia digital de grande formato ainda é um negócio lucrativo em comparação com a China, onde o solvente é a tecnologia preferida e as gráficas compram o litro de tinta por um décimo do preço que pagam os gráficos norte-​­americanos. Os chineses têm im­pul­sio­na­do o preço para baixo, vendendo grandes formatos por apenas US$ 0,35 por pé quadrado [929,0304 cm²], quando o preço normal seria de US$ 3 a 4 dólares por pé quadrado”.
Gree­ne também aponta que as gráficas em mercados altamente regulamentados, como na Europa Ocidental e América do Norte, estão usando o que ele chama de cross-​­shore para atender as necessidades de certos clientes, por exemplo, fazendo um pedido de impressão em um país com legislação am­bien­tal menos rigorosa, como a Polônia, e en­vian­do o produto final para o Reino Unido. Neste caso, a gráfica atende às exi­gên­cias tanto do clien­te quanto da legislação am­bien­tal, uma vez que a impressão não está sendo produzida no Reino Unido.
“A China começou com tintas solventes, enquanto a América do Norte e a Europa Ocidental começaram com as tintas base água”, acrescenta Gree­ne. “O solvente parece con­ti­nuar sendo a principal tecnologia na China e em outros mercados emergentes devido ao seu menor custo, enquanto os mercados desenvolvidos estão se afastando das tintas à base de água e de solvente para embarcarem nas tintas de cura UV e, conforme as tecnolo­gias evo­luem, esperamos ver avanços significativos também em tintas base água duráveis”.
Uma tecnologia para se observar com atenção é a das tintas base água duráveis. Apesar de a HP ter uma posição de liderança nesse segmento, com suas tintas látex, Gree­ne afirma que formulações similares estão sendo desenvolvidas por empresas como a Sun Chemical e a Se­piax, acrescentando: “Essas tintas são boas para uso em algumas impressoras pie­zo da Epson, assim como muitos equipamentos do mercado, como da Roland DG, Mutoh e Mimaki. Vá­rios desses equipamentos po­de­riam ser modificados para usar tintas duráveis base água, substituindo o ecossolvente simplesmente através da limpeza do sistema e mudando as cabeças de impressão”. Tintas base água duráveis po­de­riam ser uma virada de jogo para retardar o crescimento do UV e acelerar o declínio de tintas solventes. Vale a pena assistir o mercado e observar se os prestadores de serviços entenderão que há valor em migrar seus sistemas para tintas à base de água duráveis à medida que esta tecnologia amadurece.
Cu­rio­sa­men­te, em um estudo conjunto da Fespa/InfoTrends rea­li­za­do em 2011, o tipo mais comum de equipamento em uso pelas gráficas pesquisadas ainda era solvente, e apenas um terço relatou ter tecnologia à base de água, apesar de existir uma tendência mun­dial em direção às tintas de cura UV.
De acordo com Andrew Oransky, diretor de mar­ke­ting e gestão de produtos da Roland DG, “embora a tecnologia UV prometa even­tual­men­te substituir a tinta à base de solvente para muitas aplicações, será necessário algum tempo até que os preços das impressoras UV se igualem aos níveis que estamos vendo atual­men­te nas impressoras jato de tinta solvente. Por essa razão, impressoras jato de tinta à base de solvente con­ti­nua­rão a ser ne­ces­sá­rias, es­pe­cial­men­te em gráficas de pequeno e médio porte, nas quais um investimento em tecnologia UV tem um custo proibitivo”.

As gráficas não estão acabando até que estejam acabadas!
O acabamento também é um aspecto importante da produção de grandes formatos e pode adi­cio­nar tanto margem quanto valor a um projeto simples. Por exemplo, os fornecedores es­pe­cia­li­za­dos em grandes formatos estão partindo para instalações com aplicações de backlight, corte a laser para terminar os materiais de ponto de venda, envelopamento de veí­cu­los, decoração de vitrines e muitas outras. Eles também estão aplicando diferentes acabamentos às peças, através de laminação ou usando tec­no­lo­gias como as oferecidas pela Inca Digital, que permitem uma escolha entre acabamento fosco, acetinado ou brilhante. Embora essas operações mais complexas possam ser mais difíceis de gerir do ponto de vista de custos e lucros do que sob uma ótica de produção “imprimir, embalar e en­viar”, um fornecedor de impressão pode oferecer uma gama completa de serviços para aumentar pedidos e o lucro, crian­do uma di­fe­ren­cia­ção no mercado e fidelizando os clien­tes.
Para a maioria das operações, impressão e corte são dois processos distintos. A Roland DG oferece uma plataforma única de impressão com corte pa­ten­tea­da que combina as capacidades de impressão digital com um mecanismo de corte de contorno para agilizar o processo de produção, permitindo que as imagens sejam produzidas desde a concepção até o produto final de uma forma automatizada, eliminando algumas etapas rea­li­za­das de forma ma­nual. Sua nova impressora desktop VersaStudio de 20 polegadas (50,8 cm) possui recorte incorporado e permite aos profissionais gráficos acesso a esta tecnologia por menos de US$ 10.000. Esta máquina é ­ideal para a produção de amostras totalmente acabadas ou provas.

Participação de mercado
A classificação das parcelas do mercado global dos fornecedores por tipo de tinta mostra que:

  • Os líderes do mercado global de jato de tinta à base de água ou aquosa são HP, Canon e Epson. A HP é a única grande marca no mercado de látex e já vendeu mais de 5.000 impressoras à base de tinta látex, de acordo com a InfoTrends.
  • Em ecossolvente a Roland DG é a número um, com uma quota de mercado duas vezes maior que todas as outras empresas na América do Norte. A Mimaki e a Mutoh vêm em seguida no ranking, respectivamente. Oransky, da Roland DG, afirma que a participação da empresa no mercado global de ecossolvente é de 41,9%, com uma quota global de mercado UV de 5,6%.
  • No campo das tintas UV, a Océ está na liderança no mercado global, seguida pela Mimaki, HP e EFI. Uma vantagem da impressão UV usando um equipamento de mesa é a capacidade de imprimir diretamente em substratos rígidos de até cinco centímetros de espessura, eliminando a necessidade de montar e laminar pos­te­rior­men­te os produtos. As impressoras UV estão disponíveis em modelos de mesa, rolo a rolo ou híbridos, que facilmente se convertem de um para o outro.

Esses fornecedores serão bem representados na Drupa 2012, mas os visitantes devem também aproveitar a oportunidade para visitar os pequenos fabricantes, como a Grapo Tech­no­lo­gies, da República Tcheca, bem como procurar produtos inovadores e novas tec­no­lo­gias em exposição em estandes de fornecedores maiores.

Mudança guiada por mercados em evolução
Uma coisa fica clara: o mercado de grandes formatos está evoluindo e os participantes bem sucedidos estão rea­li­zan­do as mudanças em dois planos, de acordo com o estudo da Fespa/InfoTrends. O estudo mostra que os prestadores de serviço podem desenvolver es­tra­té­gias para evoluir em duas direções: “De um lado está a capacidade de melhorar a sua eficácia ope­ra­cio­nal, desenvolvendo maior velocidade, melhorando a qualidade de imagem, a efi­ciên­cia de ganho, reduzindo o impacto am­bien­tal e melhorando o padrão de serviço aos seus clien­tes. Do outro lado, as es­tra­té­gias podem ser desenvolvidas para ajudar a ­criar novos serviços, novos produtos, conquistar novos clien­tes e ­criar novos modelos de negócio”.

Direções evolutivas estratégicas
As decisões estratégicas que essas empresas tomam terão impacto sobre o tipo de equipamento, os clien­tes e os aplicativos que elas irão optar por comprar. Além dos dados quantitativos obtidos através de levantamentos com prestadores de serviços de grandes formatos, a pesquisa da InfoTrends também apresentou exemplos de estudo de caso de empresas que optaram por esses caminhos. Dois destes cases, que representam a entrada no mercado de dois pontos de partida diferentes estão resumidos aqui como exemplos da evolução pela qual a indústria está passando em termos de tecnologia e no campo da concorrência.

A busca de novas fontes de receita
Alderson – A companhia britânica Alderson Print Group é um exemplo de um concorrente não tra­di­cio­nal na indústria de vi­sual e banners, um fenômeno cada vez mais comum. No caso dessa gráfica co­mer­cial, em atividade desde 1963, a produção de grandes formatos foi percebida como uma estratégia de crescimento para compensar o declínio das receitas com impressão offset. Em 2009, a empresa estabeleceu uma divisão dedicada ao ponto de venda, combinando a tecnologia KBA em offset plana com diferentes equipamentos jato de tinta digitais de bobina da HP.
A Alderson utilizou essa nova divisão para am­pliar a receita com clien­tes já existentes, tornando-se mais um fornecedor integrado, bem como para conquistar novos ne­gó­cios com novos clien­tes. Desde que a divisão foi cria­da, ela vem dobrando suas vendas, que agora são responsáveis por 20% do faturamento da empresa, que é de 30 milhões de libras (83 milhões de reais). Estes 20% são gerados com o trabalho de 30 pes­soas, de um total de 236 fun­cio­ná­rios. Um desafio fundamental para a Alderson, como para muitas gráficas comerciais que optam pelo caminho dos grandes formatos, é a significativa necessidade de espaço adi­cio­nal para acomodar produção e acabamento, bem como para serviços de atendimento ao clien­te e logística.
Massive Graphics – Localizada em New Bruns­wick, Canadá, a Massive Graphics é uma loja digital com sete fun­cio­ná­rios, comandada por um empresário inovador. A empresa utiliza três impressoras de grandes formatos, duas ecossolventes Mimaki e uma Agfa de mesa, e atende aos mercados de varejo de produtos para sinalização e banners. Em 2010, a Massive Graphics viu uma oportunidade de integrar códigos QR em suas ofertas. Embora a empresa não venda códigos QR por um custo extra, os clien­tes reconhecem que o uso desses códigos aumenta os resultados das suas campanhas. O conhecimento es­pe­cia­li­za­do nesta área também po­si­cio­na a Massive Graphics como uma consultoria para seus clien­tes, muitas vezes ajudando-os no design para fazer um uso eficaz dos códigos na impressão de grandes formatos. Os códigos QR também tornam mais fácil fornecer um link para informações sobre produtos na internet em vá­rios idio­mas, uma exigência e, muitas vezes, um desafio no Canadá, em que se fala tanto francês quanto inglês.
Os códigos QR também produzem dados de medição de resultados. As empresas querem saber se estão recebendo uma resposta direta e os códigos QR são uma ótima maneira para ava­liar o retorno, já que os acessos a eles são ras­trea­dos. Em um prazo muito curto desde que começou a oferecer códigos QR, a Massive Graphics passou a ser vista pelos seus clien­tes como capaz de produzir campanhas muito mais abrangentes e eficazes, elevando seu valor e com pouco risco, já que a adição de códigos QR exige pouco investimento adi­cio­nal por parte da empresa de impressão.

Grandes oportunidades para grandes formatos
A impressão jato de tinta de grandes formatos é um segmento interessante do negócio de impressão. Ela está crescendo e pode oferecer margens mais elevadas do que muitos outros segmentos e a tecnologia continua a evoluir para permitir ao clien­te soluções ainda mais inovadoras.
A Drupa 2012 será uma oportunidade imperdível para os fornecedores de serviços de impressão de todos os tipos investigarem a gama de opções a fim de entrar nesse lucrativo nicho de mercado. Os visitantes devem aproveitar ao máximo a chance de entender mais sobre equipamentos, tintas, soluções de acabamento e aplicativos na busca pelo melhor caminho para o lucro em novas possibilidades de negócio, ou procurar novas formas de melhorar os seus atuais serviços de grandes formatos.
Os visitantes devem também olhar para “fora da caixa” e investigar as ferramentas e soluções que irão ajudar a simplificar as suas operações. A maioria dos fornecedores do mercado de grandes formatos, se não todos, oferece uma grande va­rie­da­de de soluções de pré-​­impressão, fluxo de trabalho e acabamento que tornam o processo de impressão de grande formato mais efi­cien­te e rentável.

FEIRA MUNDIAL DE MEIOS DE IMPRESSÃO, EDITORIAL E CONVERSÃO
3 a 16 de maio de 2012
2-ª a 6-ª feira, das 10 às 18 horas
Sábado e domingo,
das 10 às 17 horas
Recinto de Exposições de Dusseldorf
Organizadora: Messe Dusseldorf
Dusseldorf, Alemanha
www.drupa.com
Representante no Brasil
MDK Feiras Internacionais
Tel. (11) 5535.4799
www.mdkfeirasinterncionais.com.br

Texto publicado na edição nº 80

 
5ª Conferência Anual da Abro Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Gulluzzi e Letânia Menezes   
Dom, 27 de Novembro de 2011

O evento anual da Associação Brasileira de Empresas com Rotativa Offset (Abro) levou 288 pessoas ao São Paulo Center no dia 17 de agosto. Em pauta, as oportunidades para a impressão rotativa.


Gráficos, fornecedores e profissionais ligados ao setor de impressão rotativa se reuniram em agosto para debater as perspectivas econômicas, o desenvolvimento da mão de obra, a sustentabilidade e novas tec­no­lo­gias.
O dia começou com a palestra de Ga­briel Chalita, deputado federal, ex-​­secretário da Educação do Estado e pré-​­candidato à sucessão da prefeitura de São Paulo, que falou sobre o gargalo da educação no Brasil. Enfatizando que a educação não vai nada bem, mencionou os índices internacionais, nos quais o País está em 70‒º lugar, ou até em colocações pio­res. A capacidade de leitura, que toca diretamente à indústria gráfica, é mínima. “Por que as pes­soas não consomem mais livros? Porque elas não conseguem ler, não conseguem com­preen­der aquilo que leem”, afirmou Chalita. “A leitura é nosso grande desafio”.
Para ele, a educação só vai melhorar no Brasil quando o professor for de fato valorizado. Além disso, criticou a interrupção de políticas públicas ligadas à educação: “Cada ministro da Educação para o que o an­te­rior fez. No perío­do de Lula, tivemos vá­rios ministros e propostas educacionais diferentes no mesmo governo. Em São Paulo, foi a mesma coisa”. Como deputado federal, Chalita informou estar tentando ­criar uma Lei de Responsabilidade Edu­ca­cio­nal, nos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal, punindo o gestor público que interromper as metas que estão sendo aplicadas. “É importante a lei ser cons­truí­da pelos partidos políticos, pela socieda­de, com instrumentos que garantam que, independente de quem estiver no governo, não haja interrupção do processo”.
O desafio da educação no Brasil é imenso, mas o olhar sobre a educação não é só um olhar de governo. É preciso ter um olhar de so­cie­da­de. “O governo precisa ter a responsabilidade de não atrapalhar, de não interromper processos, de não truncar o que o outro desenvolveu. É preciso ter uma continuidade para que as pes­soas possam investir. Não é só uma visão pedagógica, é uma segurança jurídica”. Segundo o deputado, o grande caminho para formar um país de in­cluí­dos é a educação.
Depois de Chalita, os participantes da conferência se dividiram para acompanhar dois fóruns, o Estratégico e o Ge­ren­cial.

A Copa de 2014 e a iniciativa privada
A primeira palestra do fórum Estratégico foi “Panorama de oportunidades de ne­gó­cios — meio am­bien­te e Copa do Mundo”, ministrada por Mário Hirose, diretor do departamento de meio am­bien­te da ­Fiesp, e Rogério Santos, diretor executivo da Value Partners e consultor do Ministério do Esporte. Falando sobre ativos ambientais, Hirose afirmou que no Brasil as empresas vêm se empenhando para cumprir seu papel na preservação do meio am­bien­te. Segundo dados da ­Fiesp com relação à gestão am­bien­tal no setor privado em 2009, considerando as empresas responsáveis por 80% do PIB do Estado, 76% dessas com­pa­nhias pos­suem indicadores de consumo específico de energia, 98% mantêm programas de treinamento am­bien­tal aos fun­cio­ná­rios, 62% têm metas de redução de consumo de água e 56% desenvolvem programas de reflorestamento. E mais: 42% utilizam fontes renováveis de energia, 23% já fecharam ne­gó­cios para a obtenção de créditos de carbono, 46% só contratam fornecedores que empregam procedimentos de gestão am­bien­tal e 48% conta com projetos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Mesmo apontando falhas na nova Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos, o es­pe­cia­lis­ta elogiou os esforços das empresas brasileiras para adequarem-se às novas exi­gên­cias. “Na China ainda se produz como no Brasil dos anos 50. Mão de obra escrava sem nenhum tipo de preo­cu­pa­ção am­bien­tal e so­cial. O Brasil, queira ou não, fez sua lição de casa. A China ainda tem um longo caminho a trilhar e mesmo assim é a maior economia do mundo hoje”.
Hirose comentou que tudo o que há de mais moderno nessa área chegará aqui até 2014, inclusive aproveitando os bons exemplos de outros paí­ses-​­sede de grandes eventos. “Tóquio e Barcelona deram exemplo na administração do lixo quando se­dia­ram as Olim­pía­das”. Esse legado será muito importante para o Brasil. “Se tivermos o setor em­pre­sa­rial envolvido, poderemos resolver grandes problemas sociais e educacionais”.
Rogerio Santos centrou sua apresentação nas medidas que o governo brasileiro vem tomando na preparação para a Copa de 2014. “Hoje o País já é respeitado lá fora, mas nos falta relevância. Essa é a oportunidade para elevar nossa relevância econômica”. A Copa de 2014 deverá agregar cerca de R$ 183 bi­lhões ao PIB do Brasil até 2019, dos quais R$ 47,5 bi­lhões virão dos investimentos diretos em in­fraes­tru­tu­ra, dos gastos dos turistas e do incremento no consumo das fa­mí­lias e R$ 135,7 bi­lhões de forma indireta, através da recirculação do dinheiro na economia e do aumento do turismo e do uso dos es­tá­dios após a Copa.
O consultor explicou os ciclos de planejamento para a Copa dentro do governo. O primeiro, entre 2009 e 2010, envolveu os projetos de in­fraes­tru­tu­ra. O segundo e ­atual, de 2010 a 2011, engloba os projetos de infraestrutu­ra de suporte e serviços e o terceiro, de 2011 a 2013, as operações e ações específicas. “Há muitas oportunidades de ne­gó­cios para as empresas que se propuserem a prestar serviços durante o evento”. Para integrar o setor privado à organização da Copa, o Ministério do Esporte criou o Acervo de Ex­pe­riên­cias para a Copa do Mundo Fifa 2014. Procurado constantemente por diversas empresas que gos­ta­riam de oferecer seus produtos e serviços para a organização da Copa, o ministério resolveu convidar as com­pa­nhias interessadas para participarem da elaboração de um grande cadastro sobre suas ex­pe­riên­cias. Os cadastros serão disponibilizados para consulta gratuita a todas as organizações interessadas na contratação de produtos e serviços. O acervo está disponível no site http://copa2014.questionpro.com/.

Gestão de pessoal
No fórum Ge­ren­cial “Desenvolvimento de Mão de Obra”, Adalberto Franchin Cavinato, psicólogo e consultor as­so­cia­do da MarQ Consultoria, discorreu sobre a importância das pes­soas dentro das organizações, lembrando que sem elas nada pode ser implementado ou rea­li­za­do. Segundo Cavinato, o tempo médio de recolocação no primeiro semestre de 2007 era por volta de oito meses e meio; no segundo semestre de 2009, seis meses; e agora está por volta de cinco meses. Mais da metade das pes­soas consegue um novo emprego em apenas três meses. “Nunca se teve tanta brevidade em recolocação”, afirma ele. “O motivo é, em 41% dos casos, abertura de novas vagas e, em 59%, substituições. O mercado está muito aquecido, com muita rotatividade”. No primeiro semestre de 2011, houve 500 mil vagas no setor de serviços, 240 mil na indústria, 160 mil na agro­pe­cuá­ria e 150 mil na construção civil. “Os números revelam que os jovens hoje se sentem mais atraí­dos pelo setor de serviços, embora o salário seja menor do que na indústria. A questão que surge, então, é descobrir como apresentar o mundo in­dus­trial de forma a seduzir os jovens”.
Um ponto importante é ­criar mecanismos e ações para atrair pes­soas talentosas. Depois, a empresa precisa saber mantê-​­las e fazer com que cresçam e se desenvolvam, para que agreguem mais valor, permaneçam na empresa e justifiquem o investimento da organização. Para construir e fortalecer o vínculo, é necessária uma política de remuneração e be­ne­fí­cios, com perspectiva de ascensão na carreira e estímulo ao estudo.
Assim, em um instante de crise é possível agir sem agravamentos da si­tua­ção. É importante fazer o término do vínculo empregatício com respeito e consideração. Para isso, há necessidade de habilidade ge­ren­cial para o cuidado com todos os procedimentos, como expor claramente os cri­té­rios para a demissão e também explicar para os que ficam os motivos das demissões. A política de es­tá­gios também é es­sen­cial, inclusive para a formação da imagem da empresa no mercado. A comunicação entre os jovens é instantânea e a impressão que cada um tem da empresa é repassada com rapidez. Não se pode tratar mal os es­ta­giá­rios e deixar para eles todas as tarefas desinteressantes.
Ao final da palestra, Rodney Casadei, diretor técnico da Abro, informou que a entidade criou um grupo de estudos sobre mão de obra.

Sustentabilidade
Após o almoço, seguiram-se os fóruns Ge­ren­cial e Tecnológico, envolvendo os temas “Sustentabilidade e GHG Protocol como ferramenta de ge­ren­cia­men­to da emissão de gases de efeito estufa” e “Novas tec­no­lo­gias para o mercado de rotativas offset”, respectivamente.
Para inserir o tema sustentabilidade, Eduar­do Gandara Costa, presidente da Abro, apresentou e convidou as empresas a participarem do grupo de gráficas, lideradas pela Abril, que vem discutindo sustentabilidade desde o ano passado. Na sequência, Tasso Azevedo, engenheiro florestal e consultor do Ministério do Meio Am­bien­te, tratou sobre o impacto das mudanças climáticas nas florestas e as políticas na­cio­nal e estaduais de mudanças climáticas. Bea­triz Kiss, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, esmiuçou o Greenhouse Gas Protocol, ou Protocolo de Gases de Efeito Estufa, mostrando como as empresas podem se be­ne­fi­ciar do inventário. O GHG Protocol é a ferramenta mais utilizada in­ter­na­cio­nal­men­te por governos e líderes empresariais para com­preen­der, quantificar e administrar as emissões de gases de efeito estufa.
O Programa Brasileiro GHG Protocol adaptou para o cenário na­cio­nal, em uma ação conjunta das 27 empresas fundadoras, a metodologia in­ter­na­cio­nal. O objetivo do programa, ini­cia­do em 2008, é promover no Brasil uma cultura permanente para o desenvolvimento e publicação de in­ven­tá­rios corporativos de emissões de GEE.
A pesquisadora explicou que o inventário divide as emissões de GEE em três escopos. O primeiro envolve as emissões diretas, originadas na própria empresa. O escopo 2 diz respeito às emissões indiretas, originadas nas fontes de energia, e o escopo 3 re­la­cio­na as outras emissões indiretas de gases de efeito estufa, originadas em fornecedores ou terceiros. Em 2010, 77 in­ven­tá­rios foram publicados no Brasil, envolvendo a emissão de 107 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a 21% das emissões nacionais. Três gráficas figuram entre as 77 empresas que publicaram in­ven­tá­rios em 2010: Abril, Plural e Log&Print.
Para fazer o inventário a empresa deve começar ma­pean­do as fontes mais significativas de emissão de GEE. De acordo com as dados dessas três gráficas, as maiores fontes emissoras no setor são o consumo de papel, combustíveis e de energia, seguidas pelo transporte de matéria-​­prima e de produtos. As etapas seguintes do inventário são o levantamento dos dados, o cálculo das emissões e o relato dessas informações. A empresa deve então aderir ao Programa Brasileiro GHG Protocol, capacitando-se na metodologia, tendo acesso ao registro público de emissões e ao suporte técnico.

Novas tecnologias
O fórum “Novas tec­no­lo­gias para o mercado de rotativas offset” reuniu profissionais de cinco empresas: Bernhard Kuchenbaur, vice-​­presidente de vendas da manroland, Thomas Linkenheil, diretor de produtos da Trelleborg, Gert Volmer, gerente geral da Procemex, Tommi Hemmilä, gerente de vendas técnicas da UPM, e Bernhard Fritz, gerente de produtos e mar­ke­ting da Sun Chemical.
A coor­de­na­ção das apresentações ficou a cargo de Rainer Kuhn, diretor da PrintCity Al­lian­ce, grupo formado por fornecedores do setor gráfico com a finalidade de promover a discussão e o compartilhamento de conhecimento.
Com uma abordagem sobre as mudanças climáticas no mundo, Bernhard Kuchenbaur falou de ecologia e rentabilidade na impressão heat­set. “Com a tecnologia moderna de impressão temos a possibilidade de reduzir o consumo de energia e a emissão de dió­xi­do de carbono através da automação”. Ele apresentou pesquisas indicando que em impressoras maiores o consumo de energia por página é 50% menor do que nas máquinas pequenas. “Economizar papel reduz o consumo de energia e consequentemente de custos. Rentabilidade e ecologia são metas que seguem na mesma direção”.
A seguir, Thomas Linkenheil analisou os de­sa­fios da indústria frente ao binômio qualidade e preço. “Pesquisas indicam que 80% dos problemas na impressão são in­fluen­cia­dos diretamente pela blanqueta e seu desempenho e se­riam resolvidos com o uso de blanquetas corretas”. Segundo Linkenheil, “a idade e as condições da blanqueta, bem como sua dureza ou ma­ciez, afetam a qualidade da impressão. Ao fazer a escolha, é preciso pensar não só no preço, mas em todo o processo”.
Bernhard Fritz discorreu sobre as múltiplas va­rie­da­des de tintas e seus efeitos especiais. Para Fritz, os inovadores efeitos das tintas para chamar a atenção podem ser uma técnica ou uma ferramenta para vi­sua­li­zar e convencer pes­soas de ideias, conceitos, emoções. Lembrando que os pa­péis não são iguais, Tommi Hemmilä explicou que o papel é poroso, heterogêneo, com diferentes su­per­fí­cies e fibras. A grande va­rie­da­de de pa­péis aumenta a necessidade de ajustes no processo de impressão, inclusive na escolha da tinta, exigindo um cuidadoso ge­ren­cia­men­to de cores.
Antes da palestra de encerramento, Alexandre Marques, da AMSG Consultoria, comentou rapidamente os principais números da Análise Se­to­rial 2010, pesquisa patrocinada pela Abro que traça o panorama econômico e de mercado do setor de impressão rotativa. Os resultados, bem como o Índice Se­to­rial de Preços, fazem parte do Diretório Abro 2011, publicação ­anual que começou a ser dis­tri­buí­da durante a conferência.

O Brasil está preparado para a borrasca
Finalizando o evento, o economista Maíl­son da Nobrega, ex-​­ministro da Fazenda e sócio da Ten­dên­cias Consultoria, falou sobre as perspectivas da economia brasileira. Otimista, explicou os motivos da ­atual crise e analisou a si­tua­ção do País. “Estamos ra­zoa­vel­men­te preparados se a borrasca vier. Imune o Brasil não vai ficar. O efeito disso tudo poderá ser uma taxa menor de crescimento”, previu.
Maíl­son da Nóbrega citou a crise ini­cia­da no dia 8 de agosto de 2011. “Houve uma decepção com a recuperação americana. Já se projetava um crescimento do PIB americano em 2012 de 3,5 a 4%. Quan­do saí­ram os números, viu-se que o país cresceu apenas 0,8%. A economia americana ainda está num nível in­fe­rior a 2010 e o desemprego continua alto. Em seguida, a crise na Europa começou a ser percebida como muito mais grave, mais até do que nos Estados Unidos”. Depois do colapso de 2008, os governos foram muito bem sucedidos em evitar o risco da depressão, ao agirem em duas frentes, através de ações fiscais e mo­ne­tá­rias, explicou o ex​­ministro da Fazenda. “A primeira visava evitar a falência em cadeia do sistema bancário, o que seria um desastre. Geralmente é uma ação que nenhum governo evita, embora seja muito mal com­preen­di­do ao tomar essa medida. Salvar os bancos é ruim, difícil politicamente, mas não salvar é pior”.
A outra frente diz respeito à forte queda de con­fian­ça no futuro. Quan­do os consumidores se con­traem, o mercado estanca, as empresas investem menos. O governo tem que entrar neste momento, dependendo das condições fiscais, para suprir essa lacuna. “Agora em 2011 estamos vivendo os reflexos disso, o que significou um aumento gigantesco de gastos. A relação entre a dívida e o PIB, que é o principal indicador de solvência do setor público, aumentou, em alguns casos de forma dramática”, explicou Maíl­son. “É o caso da Irlanda, que tinha uma dívida pública de 27% do PIB e agora está perto dos 100%. Na Europa, todos estão acima dos 60% do PIB, o que é um indicador de prudência. Os Estados Unidos estão em 95% do PIB; no Japão é de 230% do PIB”.
Agravando esse quadro negativo, a Standard & Poor’s reclassificou os Estados Unidos, o que aconteceu pela primeira vez na história. “Tudo indica que foi uma ação precipitada”, opinou o ex-​­ministro. “Os Estados Unidos não estão insolventes, longe disto. Um país que emite a moe­da de reserva do mundo nunca ficará insolvente”.
Ao contrário dos paí­ses ricos, os emergentes estão sólidos, têm gestão ma­croe­co­nô­mi­ca responsável e serão o polo dinâmico de crescimento nos próximos anos. “Este ano calcula-se que os paí­ses emergentes serão responsáveis por mais de 80% da economia mun­dial, que deve ter um crescimento da ordem de 3,5%. O Brasil está até mais preparado do que em 2008 por duas razões. Uma das fortalezas do País em 2008 foi ter reservas internacionais robustas. Havia 200 bilhões de dólares em reservas no Banco Central. Hoje são 350 bilhões de dólares”. Também conta a ex­pe­riên­cia. Em 2008 o Banco Central liberou o compulsório dos bancos, monitorou seu comportamento, deu liquidez para reserva e fez uma operação de troca de moe­da com o banco central americano.
A tendência até o final de 2011 é a desaceleração da economia, o que, segundo Maíl­son da Nóbrega, deve ser comemorado, pois significa que o governo está agindo. E concluiu: “Ao pensar o Brasil numa perspectiva de longo prazo, pode-se dizer que o risco para o futuro é de baixo crescimento, e não retrocesso. Nesse sentido, é um país promissor e como tal é percebido por investidores de todo o mundo. Dá para olhar o País com otimismo”.
A 5ª Conferência ­Anual da Abro teve como patrocinadores Kodak, Flint Ink, Agfa, Deltagraf, Goss e Müller Martini.

Texto publicado na edição nº 80

 
A letra impressa - produção de matrizes de tipos de metal Imprimir E-mail
Escrito por Claudio Rocha   
Ter, 04 de Outubro de 2011

Nesta série de artigos serão examinados os processos de fabricação de tipos, passando por seus diversos estágios de produção no sistema tipográfico, na fotocomposição e no sistema digital. O próximo artigo irá abordar os sistemas mecânicos de produção de matrizes e o processo de fundição dos tipos.


Quando lemos um texto impresso disposto em colunas opticamente ajustadas, com palavras legíveis e letras harmoniosas, não nos damos conta dos processos envolvidos na elaboração de uma fonte tipográfica.

Para viabilizar a reprodução gráfica de registros escritos os designers de tipos percorrem um caminho que envolve princípios técnicos e estéticos, adequando a composição de textos aos sistemas de impressão.

Desde o início da tipografia, no século XIV, essa dinâmica foi estimulada por fatores estéticos que impulsionaram a evolução tecnólogica das artes gráficas. Como salienta Ladislas Mandel, em seu livro Escritas, Espelho dos Homens e das Sociedades (Edições Rosari), “as grandes transformações nas formas das letras não se devem a fatores técnicos e tecnológicos, mas principalmente a aspectos culturais, econômicos e mercadológicos.”

Na fabricação dos tipos móveis, o desenho de uma letra era materializado em um caractere pela combinação de quatro operações manuais sucessivas: o entalhe das punções, a gravação das matrizes, a fundição e o acabamento dos tipos. Essa técnica foi utilizada por mais de 400 anos, até surgir a produção mecanizada de punções e matrizes, ocorrida no século XX.

O punchcutter, ou puncionista, era o responsável pela transcrição do desenho original dos caracteres para uma pequena barra de aço recozido, chamada punção, na qual eram esculpidas as formas das letras, algarismos e demais signos da escrita, com o sentido de leitura invertido. Em seguida, essa barra de aço era endurecida por aquecimento para ser golpeada sobre outra peça de metal, gerando assim a matriz do tipo a ser fundido.

O trabalho de esculpir uma punção exigia extrema precisão, especialmente em corpos pequenos. O tempo necessário para a produção de uma única punção era em média de quatro horas. Vale ressaltar que era necessária uma punção para cada caractere de cada corpo do tipo a ser fundido... em alguns casos uma fonte chegava a ter mais de duzentos caracteres. Existiam duas técnicas combinadas de produção de punções: o uso de contrapunções de aço, com o formato das áreas internas das letras, que eram golpeadas sobre a punção (ver ilustração abaixo) e o entalhe com uma ferramenta conhecida como graver, ou gravador, semelhante a uma goiva. Essa ferramenta era usada para desbastar o metal, definindo os contornos externos das letras e alternativamente para escavar o miolo das letras. Eram utilizados diferentes tamanhos e formatos de gravers, dependendo dos detalhes buscados no design da letra. Pequenas limas também eram utilizadas nos estágios iniciais. Contrapunções eram indicadas na produção de caracteres que apresentavam os mesmos perfis, como o p, p, d e b, agilizando todo o processo.

Quando o punchcutter finalizava a operação, a punção era endurecida para poder penetrar o metal da matriz a ser gravada. Durante o processo de entalhe eram feitas verificações progressivas do resultado do trabalho, por meio de provas conhecidas como smoke proofs: a punção era posicionada sobre a chama de uma vela para escurecê-la com a fuligem e ser então pressionada sobre o papel.

A fabricação da matriz

A batida da punção sobre a superfície de uma outra barra de metal macio (geralmente cobre ou latão) gerava uma imagem da letra em baixo-relevo. Nesse estágio, a barra de metal era chamada de drive ou strike (batida). Para concluir a produção da matriz, a barra precisava ser “justificada” para encaixar no molde. Alguns ajustes eram necessários para que os tipos fossem fundidos com espaçamento padrão, tanto nas laterais quanto na altura, garantindo assim o seu perfeito alinhamento. Além disso, as superfícies da barra e da letra em baixo-relevo deviam estar exatamente paralelas, para garantir uma boa reprodução. Por fim, o baixo-relevo devia ter uma profundidade específica e controlada, para que os tipos apresentassem altura uniforme.

Quando finalizada, a matriz recebia em sua base, ou nas laterais, letras ou números para identificar o autor e/ou o corpo do tipo.

Nem sempre a gravação e a justificação das matrizes era feita pelo punchcutter. Em algumas type foundries haviam profissionais especialmente treinados para essa função, os “justificadores”, que também deveriam ter habilidade e experiência.

Apenas as matrizes costumavam ser comercializadas; as type foundries e os punchcutters independentes mantinham consigo as punções, como forma de preservar suas criações.

A técnica de gravação de punções era passada diretamente para um aprendiz, perpetuando esse conhecimento. Na metade do século XIX ocorreu a única experiência de ensino conhecida, na Imprimerie Nationale em Paris, aprimorada durante gerações até atingir padrões elevados de qualidade.

Poucas décadas depois do surgimento da tipografia na Alemanha de Gutenberg o ofício de tipógrafo se difundiu por vários países da Europa, ligado desde o início à produção de fontes para a edição de livros. Nesse período, a atividade do tipógrafo-editor se iniciava necessariamente com a fundição dos tipos para a impressão de suas obras, já que ainda não existiam tipos disponíveis para aquisição e eram, portanto, um patrimônio intransferível, uma “marca registrada”.

Em alguns casos, o próprio tipógrafo se encarregava de projetar o tipo, esculpir as punções e fundi-los, como Nicolas Jenson, Claude Garamond e William Caslon, entre outros. Mas Aldus Manutius, editor pioneiro que atuou em Veneza nos séculos XV e XVI, requisitou os serviços do punchcutter Francesco Griffo para dar vida às suas ideias, produzindo matrizes de tipos notáveis. A dupla Manutius-Griffo também inovou ao produzir, em 1500, o primeiro tipo itálico, baseado em uma escrita manual contemporânea surgida no Vaticano e conhecida como cancellaresca.

Hermann Zapf, um dos maiores calígrafos e type designers de todos os tempos, sustenta que os punchcutters merecem mais crédito por sua obra no passado da tipografia. August Rosenberger, funcionário da type foundry alemã Stempel, trabalhou com Hermann Zapf em diversas fontes, entre elas Palatino, Melior e Optima, e recebeu de Zapf todo o reconhecimento e consideração.

Charles Malin, um parisiense que trabalhou para a Monotype e também produziu punções e matrizes de maneira independente, com toda sua experiência, participava ativamente do processo criativo. Entre seus “clientes” estiveram – além das conceituadas type foundries Monotype e Deberny & Peignot – o editor italiano Alberto Tallone e o editor e estudioso de tipografia alemão, naturalizado italiano, Giovanni Mardersteig, ambos responsáveis por verdadeiras obras-primas da história do livro ocidental.

Obras consultadas:

Tracy, Walter. Letters of Credit. David R. Godine Publisher, Boston, 1986.

Smeijers, Fred. Counterpunch. Hyphen Press, Londres, 1996.

Lawson, Alexander. Anatomy of a Typeface. David R. Godine Publisher, Boston, 1990.

Claudio Rocha é tipógrafo, editor da revista Tupigrafia e diretor da OTSP, Oficina Tipográfica São Paulo

Texto publicado na edição nº 79

 
Administração 3.0 Imprimir E-mail
Escrito por Elisabete Pereira   
Seg, 03 de Outubro de 2011

Para atender às atuais exigências do mercado quanto à agilidade, confiabilidade e segurança, fornecedores de sistemas de gestão inovam em soluções que auxiliam o gráfico a gerenciar seu negócio e ajudam na tomada de decisões sobre preço, controle de qualidade e redução de custos.


A sobrevivência do negócio gráfico é cada vez mais dependente da forma como a informação que chega à empresa é processada e entregue de volta ao mercado. A rapidez com que os dados circulam pelo vá­rios departamentos, a con­fia­bi­li­da­de da operação, a segurança na in­vio­la­bi­li­da­de dessas mensagens e a inteligência aplicada à análise dos dados configuram um di­fe­ren­cial competitivo importante, que in­fluen­cia diretamente a produtividade e, consequentemente, a lucratividade. Afinal, estamos falando da maneira como a empresa é administrada, operação que nas últimas duas décadas ganhou importantes alia­dos, os sistemas integrados de gestão.
De maneira geral, os sistemas de gestão voltados para o setor gráfico são soft­wares que automatizam o ge­ren­cia­men­to da empresa, cobrindo ­­áreas como orçamento, emissão de ordens de serviços, planejamento e controle de produção, compras e faturamento, contas a pagar, pós-​­cálculo e estoque. O clien­te pode adquirir o pacote completo, com todas as ferramentas, ou comprar módulos específicos. Outra possibilidade é a integração com os sistemas de fluxo de trabalho (workflow), unindo administração e produção e fechando
o ciclo da automação.

Conheça os principais sistemas de gestão

Antes restritos às grandes corporações, os sistemas de gestão — que no mundo da Tecnologia da Informação atendem pela alcunha de ERP (Enterprise Resource Planning) — perderam gordura e ganharam em agilidade e leveza para atender à estrutura e caber no bolso das pequenas e mé­dias gráficas. Lutando para ­aliar robustez, precisão e flexibilidade, os fornecedores vêm desdobrando seus produtos e am­plian­do as soluções através das modernas tec­no­lo­gias disponíveis em TI.
Os novos sistemas chegam num momento em que o empresário gráfico está mudando sua forma de pensar o negócio, de acordo com Walter Guimarães, sócio-​­diretor da mineira Zênite Sistemas. O setor está investindo em pro­fis­sio­na­li­za­ção e os sistemas de gestão são fundamentais nesse processo, pois aceleram a tomada de decisões, organizam os fluxos dentro da empresa e mostram o retorno da atividade. “De nada adian­ta comprar uma impressora de última geração se não houver um sistema para ajudá-lo a ge­ren­ciar a produção e precificar corretamente os serviços”, afirma Walter.
Osmar Barbosa, presidente da Metrics, também concorda que a área está crescendo em todos os segmentos. “É a única maneira de a empresa controlar e extrair o máximo de seus recursos”. Para se ter uma ideia dessa evolução, em 20 anos oito mil gráficas passaram a usar soft­wares para ge­ren­cia­men­to dos ne­gó­cios e a previsão para os próximos seis anos é que outras sete mil também comecem a utilizar essas ferramentas.
Os números, citados por Ra­fael Passos, CIO (­chief in­for­ma­tion officer) da Bremen Sistemas, mostram a evolução e o po­ten­cial desse segmento. “Se traçarmos uma convergência entre esses ponteiros, notamos que o mercado de soluções em TI cresce num ritmo muito forte”, sa­lien­ta.
Para Valdir Santos Souza Filho, diretor co­mer­cial da Ecalc, o emprego dessa tecnologia é um caminho sem volta. “O soft­ware ajuda a compilar rapidamente vá­rias informações, auxiliando na tomada de decisões importantes, como a compra de um novo equipamento ou o foco numa área pouco explorada, mas que se mostra lucrativa. Isso tudo poderia ser apurado sem nenhum sistema, mas geraria um enorme esforço e consumiria um tempo pre­cio­so de que o empresário não dispõe mais”.

Nas nuvens
O brasileiro, por natureza, gosta muito de novidades tecnológicas e a cloud computing (computação em nuvem) é palavra de ordem em se tratando de sistemas de gestão. A computação em nuvem utiliza a memória e as capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da internet. Dessa forma, tanto os dados quanto os pró­prios programas não precisam ser instalados e armazenados nos computadores e servidores da empresa. Tudo fica disponível na web, con­teú­do que pode ser acessado de qualquer lugar do mundo por dispositivos como desktops, no­te­books, smartphones, tablets e mesmo os servidores da empresa, desde que haja conexão com a internet. “A cloud computing oferece grande po­ten­cial de escalabilidade e, ao mesmo tempo, é verde, ou seja, preserva o meio am­bien­te. Mas alguns fatores têm que ser ava­lia­dos com critério na utilização dessa tecnologia para que as empresas não prejudiquem o andamento de seus ne­gó­cios”, analisa o sócio-​­diretor da Zênite.
Ra­fael Passos, da Bremen, aponta dois fatores determinantes para a expansão da cloud computing: o aumento do número de fornecedores de soluções na área de TI para pequenas e mé­dias empresas e os resultados gerados pela implantação de soft­wares de gestão na década de 90 nas grandes empresas. “A cloud computing é uma rea­li­da­de inquestionável. Naturalmente os serviços na nuvem vão tomar conta do mercado. Com isso, cairá a necessidade do investimento em determinadas soluções de hard­ware”, afirma o diretor co­mer­cial da Ecalc.
Na opi­nião de Osmar Barbosa, da Metrics, a tecnologia cloud computing está começando. O que existe, afirma, são sistemas hospedados em um servidor, na internet, no qual a empresa aluga um espaço. A maioria das grandes empresas ainda mantém a estrutura interna e um dos motivos para isso é a segurança. “A Metrics está fazendo testes com esse modelo de aplicativo. Se alguém quiser contratar, já temos o produto disponível, que possivelmente passaremos a co­mer­cia­li­zar a partir de 2012”.
De acordo com Walter Guimarães, da Zênite, as gráficas de grande porte ainda preferem os sistemas instalados nos computadores internos, pois costumam fazer uma análise mais crítica sobre qualquer mudança e seus impactos. “A tecnologia de cloud computing ainda possui algumas restrições no uso para o ge­ren­cia­men­to das principais atividades da empresa, principalmente no Brasil, onde não temos uma estrutura de internet com qualidade e os riscos podem ser altos”.
Além da segurança dos dados, outra questão levantada é a velocidade e a garantia de banda de conexão, que se mantém muito abaixo das necessidades atuais no Brasil. O executivo da Zênite aponta mais um empecilho: na nuvem, o usuá­rio geralmente precisa abrir vá­rias telas para fazer a mesma operação, o que seria feito em uma única tela nos sistemas tradicionais. “A internet no Brasil é uma das mais inseguras do mundo, conforme estudos, tanto que nove dos dez maiores hackers do mundo estão aqui”, concorda Ra­fael Passos, da Bremen. No entanto, ele acredita que o País está evoluindo e a previsão é que, entre cinco e dez anos, seja tão segura
quanto viá­vel a utilização de soft­wares na web.
O CIO da Bremen afirma que atual­men­te existem tec­no­lo­gias, inclusive gratuitas, que permitem ter um sistema instalado na própria empresa, com garantia de segurança dos dados e acesso pela internet de qualquer lugar, online, conectado diretamente. Ele informa que a Zênite optou por utilizar a tecnologia de cloud computing em um modelo misto, ou seja, mantém a estrutura e garantia de segurança para o clien­te com as informações em sua empresa e o acesso à internet pode ser feito normalmente. Mas caso a mesma pare de fun­cio­nar, o sistema continua operando por três dias, independente da web.
Pioneira nessa área, a Calcgraf lançou em 2010 um sistema de gestão ba­sea­do em cloud computing cujos principais diferenciais, via­bi­li­za­dos pela computação em nuvem, são o custo zero de implantação e a operação simplificada. “Quan­do o clien­te questiona a segurança das informações, argumentamos que ter seu banco de dados em um datacenter traz mais segurança às informações dele, e não o contrário. Isso porque a estrutura de segurança e de backup de um datacenter é muito mais robusta do que aquela que a gráfica consegue ter internamente, em função dos altos custos que esse tipo de operação exige”, afirma Karina Escobar, diretora da Calcgraf. Ela comenta que, quando um hacker decide atacar uma empresa, nenhum sistema de segurança está 100% garantido, esteja ele protegendo um datacenter ou um banco de dados local. “É preciso lembrar também que de uma forma ou de outra os dados da empresa já trafegam pela internet co­ti­dia­na­men­te em transações ban­cá­rias, envio de e-​­mails e outras operações”. A diretora informa que os datacenters utilizados pela Calcgraf estão localizados no Brasil e são homologados por instituições financeiras conhecidas pelo rigor na segurança das informações.

Desafios
O principal desafio na implantação de sistemas de gestão é a mentalidade da administração da empresa, envolvendo o comprometimento das pes­soas com o projeto e a qualificação pro­fis­sio­nal, na opi­nião do presidente da Metrics. “O treinamento é uma parte fundamental”, afirma. A resistência por parte das equipes que havia há alguns anos, porém, ficou para trás.
Segundo Karina Escobar, da Calcgraf, as gráficas sabem que precisam implantar sistemas de gestão e entendem que isso significa revisão de processos, modernização e maior competitividade.
Para o executivo da Bremen, o maior desafio é a cons­cien­ti­za­ção dos envolvidos no projeto, principalmente os usuá­rios do soft­ware de gestão. “É preciso cons­cien­ti­zá-​­los de que lançar todas as informações corretamente é o modo mais eficaz de se obter ponteiros precisos para a tomada de decisão”. Ele acrescenta que a Bremen oferece consultoria, e não simplesmente treinamento, com a presença dos profissionais desde a implantação até a operação perfeita da ferramenta.
O ritmo da implementação depende da si­tua­ção da empresa, segundo o diretor co­mer­cial da Ecalc. “No caso da gráfica que ainda não usa nenhum soft­ware, o processo é tranquilo, dentro do prazo previsto. Basta um trabalho de entendimento e explicação dos procedimentos. Se a empresa não utiliza soft­ware, mas usa planilhas e processos bem definidos, a implantação é fácil e, com base nas informações disponíveis, conseguimos inclusive diminuir o prazo previsto”, explica.
Contudo, se a empresa já utiliza algum soft­ware, Valdir Souza garante que essa é a mais complexa das implantações. “Além de instalar uma ferramenta nova, com conceitos diferentes, é necessário lidar com os ví­cios do sistema an­te­rior e também mostrar aos envolvidos que, muitas vezes, o que eles vinham fazendo poderia ter sido feito de maneira mais simples e automática. Isso normalmente causa um desconforto nos operadores e requer mais tempo para que todos os conceitos sejam absorvidos”.

Novidades
Sem contar as atua­li­za­ções frequentes, os fornecedores estão acrescentando ferramentas aos sistemas, procurando antecipar as necessidades das gráficas. Este ano, a Metrics recebeu ofi­cial­men­te a certificação JDF (Job De­fi­ni­tion Format) para suas ferramentas de gestão. Desenvolvido pelo CIP4, consórcio in­ter­na­cio­nal formado por fabricantes globais de tecnologia gráfica, do qual a Metrics participa desde 2004, o JDF permite a cria­ção de fluxos de produção completamente automatizados através da troca de instruções entre o sistema de gestão, soft­wares e equipamentos de pré-​­impressão, impressão e acabamento. A Calcgraf apresentou em março uma versão mais enxuta de seu sistema de gestão ba­sea­do em cloud computing. Focado nas micro e pequenas gráficas, trata-se de um sistema intuitivo, que não exige conhecimento prévio para operação e com um custo mensal acessível. Já a Bremen promete lançar uma ferramenta de gestão de re­la­cio­na­men­to com o clien­te (CRM) que auxiliará as gráficas a aumentar sua participação de mercado. Ecalc e Zênite devem igualmente lançar ferramentas inovadoras ainda neste ano, porém não puderam dar mais detalhes.


Principais sistemas de gestão para o setor gráfico

EasyCalc
A paulista Ecalc iniciou suas atividades em 1996 com foco em soluções informatizadas para a indústria gráfica. Seu principal produto é o EasyCalc, sistema que engloba a parte de orçamentos e gestão co­mer­cial. Ele oferece também um poderoso recurso de re­la­tó­rios gerenciais que são configurados de acordo com a necessidade do usuá­rio e contêm as informações ne­ces­sá­rias dependendo da área de atua­ção e da estrutura da gráfica. Comporta serviços terceirizados e consegue escolher a melhor opção entre fazer internamente determinado processo ou terceirizar em um ou mais fornecedores. Outras ferramentas completam as soluções da Ecalc. O Express cobre operações administrativas, como cálculo de impostos, comissões ou juros. Para o planejamento e controle da produção há o Eplan; para re­la­cio­na­men­to com clien­tes, o EC­lient; além do EGraf, solução de orçamentos via internet. Os soft­wares são flexíveis, sem a necessidade de intervenções de programação. Muitos dos processos novos são cadastrados pelo próprio usuá­rio do sistema. Os sistemas possibilitam a integração com a internet e com centrais telefônicas digitais, permitindo o armazenamento do histórico do re­la­cio­na­men­to com o clien­te e a atua­li­za­ção automática de dados. A integração e customização são estudadas caso a caso e desenvolvidas de acordo as necessidades de cada gráfica.
Custo – Os valores dependem dos módulos e número de usuá­rios. A taxa mensal de manutenção vai de R$ 250,00 a R$ 20.000,00 e a implantação pode va­riar de zero a R$ 100.000,00.
Ecalc
(11) 3847-​­1999
www.ecalc.com.br

GWorks Solution 2.0
A Zênite, de Belo Horizonte (MG), foi fundada em 1994 e conta com mais de 1.300 clien­tes, de pequenos a grandes, em todos os setores da indústria gráfica (offset plano e rotativo, grandes formatos, formulário contínuo, flexográfico, embalagens, serigráfico, digital, fotolito e acabamentos). O destaque da empresa é o GWorks So­lu­tion 2.0, sistema ge­ren­cial modular que permite total integração da gráfica e oferece a opção de contratar módulos específicos (contábil, PCP e CRM, dentre outros). É configurável conforme a necessidade e pode ser utilizado por vá­rios usuá­rios si­mul­ta­nea­men­te, assim como em no­te­books para vendedores. Os procedimentos são automatizados e o sistema escolhe a impressora mais adequada para rodar o serviço visando ao menor preço de venda, considerando itens como montagem, produtividade, aproveitamento do papel, chapa e tinta. As telas são interativas e permitem o acesso a vá­rias informações re­la­cio­na­das aos dados nelas inseridos. Pode ser acessado pela internet e a empresa está finalizando testes de integração do sistema com telefonia digital
integrada com o sistema de CRM.
Custo – As mensalidades va­riam de R$ 175,00 para pequenas empresas (versão Lite), e de R$ 500,00 a R$ 900,00 para empresas mé­dias e grandes (versão Standard e Full), dependendo da versão e módulos contratados.
Zênite
(31) 3419-​­7300
www.zsl.com.br

 


Metrics Printware
A paulista Metrics foi cria­da em 1995 e atua em todos os segmentos da indústria gráfica: edi­to­rial, pro­mo­cio­nal, embalagens rígidas e flexíveis, etiquetas e impressão digital. A empresa desenvolveu o Metrics Printware, lançado na ExpoPrint 2010, sistema modular de gestão integrada das ­­áreas co­mer­cial, de produção e administrativa, fornecendo informações para decisão, embasadas em re­la­tó­rios e gráficos que apontam os pontos positivos e negativos. Organiza os processos, possibilitando vi­sua­li­zar todas as ­­áreas a partir de um painel de controle único. Além de oferecer integração pela internet, como pedidos e visitas, aceita a inclusão de dados e sugestões sobre o que a gráfica precisa. Tem um módulo de controle de terceiros, onde podem ser armazenados dados sobre os usuá­rios de todas as empresas. Na área de produção, o sistema também permite o monitoramento da operação das máquinas de impressão e acabamento da produção pelo iPhone.
Custo – O valor de implantação varia caso a caso. Começa a partir de R$ 10 mil. O custo de manutenção mensal fica entre R$ 600 e R$ 1.500, dependendo da quantidade de módulos e de usuá­rios.
Metrics
(11) 2199 0100
www.metrics.com.br


Webgraf
Fundada em 1983, a Calcgraf inovou ao desenvolver soft­wares de gestão específicos para o segmento gráfico. Até então voltada para empresas de grande e médio porte, no ano passado ela investiu fortemente na cria­ção de uma solução adequada às gráficas com até 50 fun­cio­ná­rios. Desse esforço nasceu o Webgraf. Intuitivo, compacto e de fácil utilização, o soft­ware usa a internet como plataforma, reduzindo a zero o custo de implantação e permitindo ao gráfico acessá-lo a qualquer hora e de qualquer lugar. Em março de 2011 a Calcgraf lançou uma nova versão do módulo de orçamento, o Webgraf Light. Mais enxuto e igualmente eficaz, atende as mi­croem­pre­sas que buscam soluções de baixo custo de manutenção. O GPrint, sistema integrado de gestão, completa a cesta de produtos. Robusto e abrangente, ele está dividido em 10 módulos, via­bi­li­zan­do o controle total da gráfica, inclusive trabalhando de forma integrada com os sistemas contábeis e fiscais.
Custo – O custo para a aquisição da licença de uso, suporte e atua­li­za­ção do módulo de orçamento do Web­graf é de R$ 380,00 por mês. Para o sistema completo, o valor sobe para R$ 600,00. O preço cai se a gráfica optar pelo Webgraf Light: o custo para a aquisição da licença de uso, suporte e atua­li­za­ção é R$ 180,00 por mês e não há custo de implantação. Caso o clien­te opte pelo GPrint, o preço varia em função dos módulos contratados e número de usuá­rios, com licenças de uso a partir de R$ 700,00 e implantação a partir de R$ 3.000,00.
Calcgraf
(11) 3885 0500
www.calcgraf.com.br

 


Wingraph
A Bremen Sistemas, de Blumenau (SC), é 100% voltada para o desenvolvimento de sistemas de gestão para a indústria gráfica. Possui duas versões de soft­wares de gestão modular integrada: o Wingraph Pró, para empresas com mais de 50 fun­cio­ná­rios, e o Wingraph Light, para empresas menores. A ferramenta se­le­cio­na automaticamente as máquinas para impressão, com convergência de resultados apresentados em tela, que podem ser configurados para que o critério utilizado seja o do menor custo de impressão, de matéria-​­prima ou tempo de impressão. Pode ser compartilhado por até 200 usuá­rios ao mesmo tempo, inclusive com vá­rios na mesma tela, rea­li­zan­do a mesma operação. Há funções específicas para o controle de serviços terceirizados: um editor de fórmulas permite calcular orçamento e qualquer espécie de serviço, inclusive no PCP. Também permite integração com a internet, facilitando o acesso dos clien­tes a informações sobre o po­si­cio­na­men­to do trabalho através do site da gráfica. A integração com centrais telefônicas está entre a lista de prio­ri­da­des que a empresa pretende implementar no Wingraph em breve.
Custo – Representa, em média, de 1% a 5% do retorno obtido com a implantação do Wingraph e é calculado conforme o número de horas adequado para consultoria, implantação e treinamento. A mensalidade varia de acordo com o número de licenças de uso adquiridas.
Bremen
Tel. (47) 3035 1022
www.bremen.com.br

Texto publicado na edição nº 79

 
Momento econômico positivo favorece impressão digital Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Qua, 06 de Julho de 2011

A Digital Image movimentou cerca de R$ 80 milhões e projeta mais R$ 150 milhões no pós‑feira.


No pe­río­do de 27 a 30 de abril, a Digital Image ­South America, rea­li­za­da no Expo Center Norte, em São Pau­lo, recebeu 10.172 visitantes interessados em conhecer as novidades nas ­­áreas de impressão digital para dados va­riá­veis, grandes formatos, mar­ke­ting direto, comunicação dirigida e comunicação vi­sual. A fei­ra contou com 59 expositores e mostrou a maturidade do gráfico com relação à tecnologia digital, não mais entendida como um concorrente e sim como um complemento aos ou­tros processos de impressão, sobretudo o offset.
Conheça a seguir as prin­ci­pais atrações da fei­ra:

Agfa
Entre as vá­rias tec­no­lo­gias expostas estava o novo modelo da linha :Anapurna, a M1600, impressora digital inkjet UV de grande formato, que suporta largura máxima de 1,58 m e velocidade de 46 m²/h. O equipamento, focado em substratos rígidos, acei­ta substratos com espessura de até 4,5 cm. A opção de tinta branca abre novas possibilidades de impressão em ma­te­riais transparentes.

Alphaprint
A empresa levou para o evento itens de todas as suas linhas, in­cluin­do soft­wares para gestão e soluções em pré-​­impressão, impressão digital, comunicação vi­sual, acabamento e con­su­mí­veis. Um dos destaques foi a Vutek GS 3200, impressora UV com configuração plana ou rolo a rolo e qualidade fotográfica. O equipamento conta com largura máxima de 3,20 metros, resolução de 600 até 1.000 dpi, velocidade de 223 m²/hora com alimentação contínua e possibilidade de trabalhar com dois rolos de 152,40 cm si­mul­ta­nea­men­te.

Diginove
No estande da Diginove os visitantes encontraram vá­rias soluções das marcas Duplo e Morgana, como vin­ca­dei­ras, do­bra­dei­ras, cor­ta­dei­ras e al­cea­dei­ras. Mas, o que mais ­atraiu a atenção foi um pequeno sistema de hot stamping para pequenas tiragens. Ma­nual, tem tamanho máximo de 32 cm de largura e comprimento de até 120 m. Dispensando o uso de clichê, o processo de adesão do filme é fei­to através de calor e pressão, sendo que a película adere apenas nas ­­áreas pre­via­men­te impressas com toner. A transferência acontece em 40 segundos em impressos no formato A4.

 

Fujifilm Sericol
No estande da Fujifilm, que incorporou a fabricante de tintas Sericol, reforçando sua atua­ção na área de grandes formatos, o destaque foi a impressora digital Spyder 320, da inglesa Inca. Otimizada para o uso das tintas UVijet da Fujifilm Sericol, o equipamento traz cabeçote de impressão com acio­na­men­to por motores li­nea­res e suspensão em colchão de ar. A impressora trabalha com mí­dias rígidas e fle­xí­veis, com área máxima de impressão de 3,20 × 1,60 m e velocidade máxima de 130 m²/h na produção de pôsteres.

Ricoh
A Ricoh apresentou a nova impressora/mul­ti­fun­cio­nal Pro C901 Graphic Arts Edi­tion. Com alimentação e acabamento integrado, o sistema imprime à velocidade nominal de 90 páginas A4 por minuto em papel até 300 g/m² em modo duplex, full color. Adequada à produção de livros, folhetos, malas diretas e mesmo para reprografia, a máquina conta com algumas opções de servidores de impressão para a gestão do fluxo de trabalho, como o EFI E-41 ­Fiery Server e o E-81. A Pro C901 é o equipamento que dá início à parceria estabelecida entre a Ricoh e a Hei­del­berg.

Konica Minolta
A empresa apresentou pela pri­mei­ra vez no Brasil a mul­ti­fun­cio­nal bizhub Press C8000. A impressora digital de alto volume suporta pa­péis diferenciados com impressões em até 80 ppm, com gramatura até 350 g/m² e impressões duplex em até 300 g/m². Seu volume máximo mensal chega a 600 mil impressões, com formato máximo de 13 × 19 cm. A mul­ti­fun­cio­nal possui ain­da um controlador de impressão externo ­Fiery, IC-​­306. Vá­rias opções de acabamento podem ser utilizadas, como unidade de produção de livretos, finalizador para encadernação e unidade de empilhamento.

T&C/Epson/Screen
O destaque da T&C, representante da Dai­nip­pon ­Screen, foi a impressora offset digital True­press 344N, que oferece bai­xo custo de produção para pequenas tiragens. Acei­ta formatos de papel de até 340 × 470 mm, imprimindo a uma velocidade de 7.000 folhas/hora. O sistema de gravação da ­Screen utiliza um dio­do laser multi array para expor todas as quatro chapas térmicas sem processamento ao mesmo tempo. Com startup rápido, a True­press 344N permite ini­ciar um trabalho em menos de oito minutos, com a pri­mei­ra folha pronta para a produção. Já da linha Epson, a empresa apresentou o novo CtP Stylus Pro 7900, equipamento que introduz a Epson no mercado de gravação digital de chapas de alumínio DirectPlate, permitindo que se atinjam altas resoluções de imagens e impressos com tiragens de até 20 mil unidades.

Texto publicado na edição nº 78

 
Interpack em sua melhor versão Imprimir E-mail
Escrito por Sandra Rosalen   
Qua, 06 de Julho de 2011

O gigante mercado de embalagens mostra toda sua criatividade e tecnologia na melhor edição da feira em 53 anos de existência. Materiais ambientalmente menos agressivos foram as vedetes.

Texto e fotos: Sandra Rosalen, especial para a Tecnologia Gráfica


Ninguém sabe ao certo qual foi ou como era a pri­mei­ra embalagem da história, nem o que havia dentro e de que ma­te­rial era fei­ta. O que se sabe é que o que chamamos hoje de embalagem é uma ­ideia tão antiga quanto o homem. Desenvolvida a partir do desejo de transportar, guardar ou manter alimentos e objetos, a embalagem chega ao século XXI extremamente complexa, tão ­cheia de mean­dros quanto acompanhar tudo o que foi apresentado na Interpack 2011, fei­ra que aconteceu na cidade de Düsseldorf, Alemanha, de 12 a 18 de maio. Voltado para todas as faces do mercado de embalagens, o evento, que foi o ­maior em seus 53 anos de existência, teve a participação de 2.700 expositores de 60 paí­ses e 166 mil visitantes. Três grandes assuntos se destacaram e foram divididos entre os 19 pavilhões.
O pri­mei­ro tema, voltado para processos e equipamentos para embalagens ali­men­tí­cias, de bebidas, produtos far­ma­cêu­ti­cos, cosméticos, bens de consumo (não alimentos) e bens in­dus­triais, contou com o ­maior número de expositores, dis­tri­buí­dos em dez pavilhões. O segundo, espalhado por quatro pavilhões, tratou especificamente de processos e equipamentos para embalagens de doces e panificação. E o ter­cei­ro assunto trou­xe ma­té­rias-primas, ma­te­riais e métodos de produção. A fei­ra, que ocorre a cada três anos, apresentou também o In­no­va­tion­parc Packaging, uma área destinada a inovações e ten­dên­cias, dividida em Simplicidade/Redução, Identificação, Estética, Saú­de e Significado.
Vale a pena lembrar que o que nós gráficos entendemos como embalagem é a ponta do iceberg dessa indústria que envolve dezenas de ou­tras atividades econômicas. Para que a produção de uma cai­xa de ce­reais seja solicitada à gráfica, mui­to antes esse mesmo ce­real envolveu agricultura, armazenamento, transporte, desenvolvimento da embalagem ba­sea­da em normas específicas, um complexo estudo do processo de compra e todas as fases de transporte entre indústria, in­ter­me­diá­rios e clien­te final. Não é um trabalho simples. O que pudemos observar na cobertura dessa fei­ra é que, além do tra­di­cio­nal processo de produção, essa ca­deia está mui­to atenta a ou­tros assuntos. Alguns deles são o impacto am­bien­tal da embalagem, como con­ci­liar estética com as questões de sustentabilidade, novos grupos-​­alvo e, é óbvio, como dei­xar todo o processo mais simples, já que o mundo complica-se sozinho.

Mais beleza e identificação
Observar o mercado de máquinas para a indústria de embalagem e entender o que é que o produtor de tal ce­real matinal precisa na sua produção interna permite prever algumas das ten­dên­cias para a indústria gráfica.
Em entrevista à revista Tecnologia Gráfica, Inãki Elorza, da Ilapak do Brasil, citou que as alternativas ecológicas ou re­ci­clá­veis, como, por exemplo, equipamentos que trabalhem com plásticos bio­de­gra­dá­veis, são demandas do mercado. Outro produto interessante é a embalagem que junta papelão e plástico, utilizando o plástico como invólucro e o papelão para sustentação. Além da melhor exposição da marca no ponto de venda, ela evita, segundo o fabricante, que o clien­te final retire o produto da embalagem e o coloque em ou­tra para armazenamento.
A mesma tendência foi confirmada por An­dreas Mündnich, da KH Design. A agência alemã es­pe­cia­li­za­da em embalagens apresentou no In­no­va­tion­parc Aesthetics o mesmo con­cei­to através da embalagem de garrafa que imita uma flor. Ou seja, se hou­ver a necessidade de uma embalagem secundária que não somente informe ou transporte, mas também venda e tenha seu valor estético.
Ainda nessa direção, a didática palestra do EHI Re­tail Institute, apresentada por Hilka Bergmann, diretora da área de pesquisa de embalagens, mostrou alguns erros comuns no desenvolvimento das embalagens de transporte com relação à facilidade de identificação, abertura, armazenamento, apresentação no ponto de venda e descarte. Através de fotos, principalmente de pontos de venda, ficou claro como algumas embalagens não só prejudicam a vendagem do produto, como chegam a comprometer a imagem da marca, uma vez que as cai­xas acabam chegando estragadas ou des­truí­das.
O chocante nesses exemplos é que alguns deles foram retirados de varejistas como Aldi ou Netto (redes alemãs de varejo com preços populares), nos ­quais 100% das embalagens de transporte vão para as pra­te­lei­ras. É um sinal que mostra que, mesmo com tanta informação sobre mar­ke­ting e design, mui­to ain­da pode ser melhorado.
Mais dados? A empresa alemã de pesquisa de mercado Facit divulgou que as embalagens exercem o dobro de in­fluên­cia da televisão e dos ta­bloi­des impressos na decisão de compra.

Mais função

Outra tendência clara na Interpack foram as embalagens fun­cio­nais. Com a rápida alteração da pirâmide demográfica eu­ro­peia, novos mercados se formam, como idosos e ca­sais sem filhos. A RLC Packaging ­Group apresentou, por exemplo, a cai­xa “tortinha”, de fácil abertura e fechamento, voltada especificamente para os chamados Grei­se, grupo de in­di­ví­duos com mais de 90 anos, que só na Alemanha conta com meio milhão de pessoas. Da mesma forma cresce o mercado de embalagens menores. Segundo o IBGE, 12,2% dos bra­si­lei­ros moram atual­men­te sozinhos e demandam porções menores — e as embalagens mudam junto.
Outro exemplo na linha de embalagens fun­cio­nais foi desenvolvido pela Körber, o MediFalter. A cai­xa de re­mé­dios apresenta um calendário que ajuda a evitar esquecimentos e contaminação pela mistura de medicamentos.

 

 

 

 

 

 

Mais facilidade
Um ponto ressaltado em vá­rias palestras e pelos expositores foram os sistemas com foco na facilidade de reposição dos produtos nas lojas, como os expositores de pães da Linpac. Os produtos são organizados nos expositores na própria fábrica de pães e através de um sistema de en­cai­xe são facilmente transportados até o ponto de venda. Lá são retirados do caminhão e colocados diretamente na área específica do supermercado. Os expositores va­zios são levados de volta para a fábrica. O consumidor localiza facilmente os produtos e o processo de abastecimento é mui­to mais rápido.
Facilidade também para o consumidor foi o foco do In­no­va­tion­parc. A STI ­Group levou um produto específico para lojas de con­ve­niên­cia. É um carrinho fei­to de papelão micro-­ondulado e dentro dele há um “kit torcedor”, com uma banqueta dobrável também produzida em papelão, latas de cerveja e kit para churrasco. Tudo bem simples e fácil.

Mais colaboração
Uma das ini­cia­ti­vas mais interessantes que encontramos na Interpack foi um trabalho rea­li­za­do em parceria pela Wipak, gigante finlandesa de embalagens, e a Universidade de Ciên­cias Aplicadas de Hannover. Estudantes de Portugal, Alemanha, Estônia e Índia ajudaram a desenvolver embalagens com foco em sustentabilidade e frescor. As propostas foram mui­to interessantes e mostram como o trabalho colaborativo gera bons resultados e normalmente as melhores ­ideias são as mais simples.

Mais tecnologia
Segundo a palestra da GS1-Alemanha apresentada por Ilka Machemer, gerente sê­nior de projetos, 20% dos alemães utilizam smartphones. Esse grupo concentra pes­soas na fai­xa de 20 a 39 anos que são na maio­ria solteiros, estudantes, e usam bastante a internet. A ferramenta desenvolvida pela GS1 fun­cio­na como uma extensão da embalagem e tem com alvo esse grupo. O consumidor vê um produto interessante na gôndola e quer saber mais informações. Através do lei­tor de código de barras que vem incorporado na maio­ria dos smartphones, o clien­te lê o código de barras (pode ser um bi­di­men­sio­nal também) e é di­re­cio­na­do para um site com conteú­do adi­cio­nal.
Já a Van Genechten Packaging Company mostrou seus desenvolvimentos para rea­li­da­de au­men­ta­da. A cai­xi­nha na imagem é po­si­cio­na­da em frente à câmera do computador e jogos interativos aparecem. Na imagem vemos um jogo onde o carrinho é movimentado entre obstáculos através da movimentação da embalagem.
Inclusive, essa embalagem desenvolvida pela Agência Monalisa é também um das ten­dên­cias apresentadas na Interpack 2011. A proposta foi quase um exagero, mostrando todos os con­cei­tos em voga em uma única cai­xa de granulado de chocolate (comum no café da manhã de holandeses e belgas). A embalagem incorpora informações sobre plantio orgânico do cacau, co­mer­cia­li­za­ção fair trade, teor de açúcar, utilização de cartão ecologicamente correto, de plástico bio­de­gra­dá­vel, impressão am­bien­tal­men­te correta e bai­xo consumo de energia no processo. Ufa!
No cenário da indústria de alimentos não podia faltar a discussão sobre tintas de bai­xa migração. Em entrevista para a Tecnologia Gráfica, Bob Green­sal­de, gerente de produto de tintas de bai­xa migração da Sun Chemical apresentou o Guia de Boas Práticas, lançado na Interpack. Trata-se de um ma­te­rial bem elaborado com explicações detalhadas sobre o assunto migração de tinta, práticas fabris, check lists e um ro­tei­ro para tomada de decisão sobre qual tinta usar em cada necessidade.

Mundo Bio/Eco
Bio e eco. Nenhuma ou­tra expressão foi tão usada quando o assunto era tendência ou lançamentos. Segundo a Messe Düsseldorf, a área ocupada na Interpack para o bio­plás­ti­co, por exemplo, foi de 250 m2 em 2005 e, agora em 2011, foi de cerca de 2.000 m2. Entre tantas novidades, duas soluções foram as vedetes da fei­ra: o PLA e o PE Verde.
Capa da revista alemã Six Pack, voltada para o mercado de embalagens, o novo pote do iogurte Activia da Danone foi mui­to comentado na fei­ra. Produzido com a parceria técnica da WWF, ele é fei­to a partir do milho. Apesar das polêmicas envolvendo a questão “milho é comida e não embalagem” e da impossibilidade temporária de reciclagem por conta do bai­xo volume, o produto é um marco na produção de embalagens fei­tas de fontes re­no­vá­veis.
A segunda estrela, o PE Verde, rendeu um interessante bate-​­papo com Rodrigo Belloli, responsável pelo mar­ke­ting de químicos verdes da Braskem. “O Po­lie­ti­le­no Verde é um bio­po­lí­me­ro que tem as mesmas pro­prie­da­des e características técnicas de um po­lie­ti­le­no con­ven­cio­nal, só que com a grande vantagem de ter como fonte a cana-de-​­açúcar bra­si­lei­ra, que é reconhecida no mundo como uma fonte sustentável, com aspectos am­bien­tais fa­vo­rá­veis e uma pegada de carbono mui­to bai­xa. Tudo isso que está as­so­cia­do à cana-de-​­açúcar acaba sendo transmitido para o po­lie­ti­le­no verde”.
Rodrigo ressaltou ain­da que o PE Verde é a mesma molécula de um po­lie­ti­le­no con­ven­cio­nal, portanto tem as mesmas pro­prie­da­des técnicas e atinge o mesmo nível de aplicação. Isso significa que ele substitui o PE convencio­nal sem nenhum ajuste de maquinário ou de processo e descarte, o que não acontece com o PLA ou ou­tros bio­po­lí­me­ros que não podem ser reciclados em combinação com ou­tros ma­te­riais.
O otimismo quanto aos bio­po­lí­me­ros ficou claro também na entrevista com Hasso Von Pogrell, diretor da As­so­cia­ção Eu­ro­peia de Bio­plás­ti­cos. Ele afirmou que a tendência, cedo ou tarde, é a migração para esses ma­te­riais, pois as fontes fós­seis vão se esgotar de qualquer forma e tendem a ficar cada vez mais caras. “Mui­tas empresas estão dei­xan­do a visão de custo para trás e pensando agora a partir do olhar da sustentabilidade”, disse o executivo citando o caso da Danone, quando perguntado sobre a questão do custo ain­da alto dos bio­plás­ti­cos.

Save Food
Com o apelo save food em seu nome, um evento paralelo à Interpack chamou a atenção para um problema que envolve diretamente o mundo da embalagem.
Um estudo desenvolvido pela FAO (Food and Agriculture Or­ga­ni­za­tion of the United Na­tions) e o SIK (Swedish Institute for Food and Bio­tech­no­logy) mostra que um terço de todo o alimento produzido no mundo é jogado fora, ou seja, 1,3 bilhão de toneladas por ano. Os números são estarrecedores e indicam que os paí­ses in­dus­tria­li­za­dos jogam mais comida fora (de 95 a 115 kg por ano) que os paí­ses em desenvolvimento (de 6 a 11 kg por ano). As cau­sas são bastante diferentes e foram divididas em cinco partes: agricultura, armazenamento, processamento, dis­tri­bui­ção e consumo.

Conclusão
Começamos essa matéria falando de complexidade e terminamos com o mesmo tema. Ninguém discute o futuro da embalagem e sua importância econômica e so­cial. O que se discute com mais afinco nos últimos anos é o papel cultural da embalagem e seus impactos. Utilizar ma­te­riais que agridam menos o meio am­bien­te ou soluções que demandem menos matéria-​­prima, preo­cu­par-se com os métodos de produção, com o antes e de­pois da conversão e observar sempre a qualidade do que se faz foram as tônicas da Interpack. E, segundo a Messe Düsseldorf, serão também as prin­ci­pais questões na Drupa, em maio de 2012.
Finalizamos com a ótima colocação de Lu­cia­na Pellegrino, diretora executiva da As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra de Embalagem (Abre), em entrevista à Tecnologia Gráfica durante a fei­ra: “O desenvolvimento de uma embalagem e o cui­da­do que se tem nesse processo reflete o desenvolvimento de um país”.

Whitepaper da GS1 (em inglês) sobre oportunidades de negócios através de celulares
http://www.gs1germany.de/internet/common/downloads/gs1_tech/2099_mobile_com_whitepaper.pdf

Estudo completo da FAO sobre motivos, tipos de desperdícios de comida no mundo e possíveis soluções de redução (em inglês).
http://www.fao.org/fileadmin/user_upload/ags/publications/GFL_web.pdf

Estudo sobre a importância da sustentabilidade está disponível no site da ProCarton – Associação Europeia de Papel-Cartão e Materiais Produzidos em Cartão (em inglês).
http://www.procarton.com/?section=reports_and_studies

Guia de boas práticas de baixa migração para embalagens. Disponível através de preenchimento de cadastro (em inglês).
http://www.sunchemical.com/media_room/events/interpack-2011/low-migration-solutions/low-migration-solutions

Sandra Rosalen é técnica gráfica formada pela Escola Senai Theobaldo De Nigris e administradora de empresas. Atualmente está estudando na Alemanha.

Texto publicado na edição nº 78

 
O desafio dos livros digitais Imprimir E-mail
Escrito por Elisabete Pereira   
Ter, 17 de Maio de 2011

Gráficas começam a oferecer ao mercado editorial a transformação dos livros em e‑books. O ePub é o formato preferido.


O Senai-SC anun­ciou recentemente que ain­da no pri­mei­ro semestre de 2011 implantará tablets como ferramentas pedagógicas em uma turma da cidade de Tubarão. Na mesma época, a Universidade Estácio de Sá divulgou que seus alunos do curso de Di­rei­to no Rio de Ja­nei­ro e Espírito Santo receberão gra­tui­ta­men­te tablets no segundo semestre para terem acesso a uma bi­blio­te­ca com trechos de livros usados nas disciplinas.
Esses são dois exemplos, limitados ao universo edu­ca­cio­nal, de quão rápido vem se disseminando o consumo de con­teú­do antes restrito ao suporte papel. Esbarramos com eles dia­ria­men­te e na maio­ria das si­tua­ções esses exemplos apontam para a expansão das soluções di­gi­tais. De acordo com dados divulgados pela As­so­cia­ção de Editores Americanos (AAP), as vendas de livros di­gi­tais nos Estados Unidos em dezembro de 2010 cresceram 164,8%, somando US$ 49,5 mi­lhões. No acumulado do ano, a elevação foi de 164,4%, totalizando US$ 441,3 mi­lhões.
Enquanto isso no Brasil as editoras apressam-se para lançar títulos no formato digital, ao mesmo tempo em que tramita no Senado Federal o projeto de Acir Gurgacz (PDT-RO) alterando a Política Na­cio­nal do Livro para in­cluir qualquer livro em formato digital, magnético ou óptico no rol dos produtos isentos de impostos. Pelo projeto também ficarão equiparados aos livros os equipamentos cuja função exclusiva ou pri­mor­dial seja a lei­tu­ra de textos, como o Kindle e o iPad.
No mar de questionamentos em que navegam geradores de con­teú­do, editoras e prestadores de serviço, uma certeza é a de que os livros di­gi­tais já representam um nicho de mercado. Estimar a velocidade de crescimento desse segmento é um exercício de futurologia ao qual se dedicam pesquisadores como o americano Robert Darnton, diretor da bi­blio­te­ca de Harvard e au­tor de A questão dos livros. Ele defende a ­ideia de que o livro tradicio­nal pode conviver com a versão digital. “Acredito que as pes­soas ain­da não entenderam ­quais são as mudanças provocadas por essa revolução [dos livros di­gi­tais]. Comenta-se mui­to que vivemos na era da digitalização. É verdade, mas isso não significa obri­ga­to­ria­men­te a morte do livro tra­di­cio­nal. Ao contrário: ele se torna mais importante a cada ano. Basta conferir a quantidade de obras impressas que, anual­men­te, ultrapassa a do an­te­rior. Aproximadamente 1 milhão de livros a mais são impressos em todo o mundo em um ano, uma lou­cu­ra”, afirmou o pesquisador em entrevista ao jornal O Estado de S. Pau­lo.
Nos bastidores das discussões mercadológicas e cul­tu­rais há a questão técnica: o processo de conversão ou transformação do livro em algo que possa ser lido nos dispositivos di­gi­tais.
Atual­men­te, o ePub é o padrão in­ter­na­cio­nal de formato eletrônico preferido pelo mercado edi­to­rial para e-​­­books. Foi desenvolvido pelo In­ter­na­tio­nal Digital Publishing Forum (IDPF), formado por empresas como Sony, Adobe, Microsoft e Hewlett Packard e responsável pela regulamentação dessa nova mídia. O ePub é um arquivo aberto que permite alterar o tamanho da fonte e ajustar a dimensão da página de acordo com o dispositivo utilizado. Outra vantagem de um livro fei­to nesse sistema é a possibilidade de lei­tu­ra do mesmo e-​­book em vá­rios lei­to­res di­gi­tais (iPad, Alpha, IRiver, Kindle, iPhone, PC, net­book).

Cartilha orienta trabalho da Geográfica
Algumas gráficas já estão entendendo o livro digital como um produto que pode ser incorporado ao seu portfólio, como é o caso da Geo­grá­fi­ca, de Santo André (SP). “Existem mui­to mais perguntas do que respostas com relação ao futuro do livro, mas a mudança do livro físico para o digital será mais rápida do que se imagina. Os livros de papel não irão morrer. Ao contrário, as editoras que têm suas publicações em meio digital alavancam as vendas de livros físicos.” A análise de ­Ariel Vido, gerente de pré-​­impressão da Geo­grá­fi­ca, vem da ex­pe­riên­cia no dia a dia da empresa e da participação em eventos rea­li­za­dos no mundo sobre o livro digital.
A entrada da Geo­grá­fi­ca no mundo do ePub surgiu a partir do telefonema de um grande clien­te perguntando se a empresa poderia ajudá-lo em um novo desafio. “Isso de­sen­ca­deou uma corrida em busca de pro­fis­sio­nais e conhecimento e nos aproximou ain­da mais de nossos clien­tes. Até desenvolvemos um minicurso, que nos trou­xe mui­tos resultados positivos. A troca de conhecimento foi fantástica”, conta o gerente.
Hoje, uma equipe de sete pes­soas, formada por pro­fis­sio­nais das ­­áreas de design digital, programação e da própria produção, cui­da exclusivamente dos ePubs. Por ser um processo trabalhoso, as etapas são subdivididas em vá­rios passos. O aprendizado gerou uma cartilha de acompanhamento que ajuda a seguir todos os procedimentos para que nada fique de fora. “O prazo entre a chegada dos arquivos e a entrega do ePub revisado pode chegar a seis semanas. São mui­tos detalhes e nosso objetivo, sempre, é entregar ePubs com a mesma qualidade dos livros de papel”, justifica o executivo.
Na Geo­grá­fi­ca o processo de transformação do livro físico em e-​­book começa com uma revisão completa na aplicação dos estilos de parágrafo e caracteres e eliminação de itens que não são utilizados pelo ePub (páginas mestras, numeração de páginas etc.). A seguir, o texto é dividido em suas respectivas partes e prepara-se o estilo da Table of Contents (TOC), que é exportado em ePub. Faz-se os ajustes ne­ces­sá­rios no código XHTML no Dream­wea­ver (soft­ware que faz parte do CS5 da Adobe) e de­pois a certificação do ePub no ePubCheck 1.2, ferramenta que valida a nova mídia (ePub) de acordo com as normas do IDPF.
Atual­men­te, a Geo­grá­fi­ca é, segundo a própria empresa, a única do Brasil afi­lia­da ao IDPF (idpf.org), a gestora do ePub, o que facilita seguir todos os avanços e discussões em torno do novo formato, que está prestes a ganhar uma nova versão, a 3.0, com diversas implementações como áu­dio, vídeo e animação.
De acordo com ­Ariel Vido, o ePub tem se mostrado o formato padrão do mercado. Apesar de usarem formatos diferentes, a Amazon e a Barnes & Noble, por exemplo, acei­tam arquivos em ePub e internamente fazem as conversões para que os livros di­gi­tais fun­cio­nem dentro de seus padrões (loja/dispositivo de lei­tu­ra).
Como o mercado edi­to­rial tem utilizado maciçamente o InDesign, um arquivo bem dia­gra­ma­do nesse formato é a matriz do ePub, explica o gerente. “Cerca de 70% da produção de um ePub pode ser fei­ta a partir de um arquivo de InDesign bem estruturado”. De acordo com ele, no momento as ferramentas dis­po­ní­veis no mercado são suficientes. Para se adequar à nova demanda a Geo­grá­fi­ca precisou investir em alguns plug-​­ins de InDesign, como o PDF to InDesign e ­Quark to InDesign, além do Dream­wea­ver. Mais recentemente, ­Ariel Vido conta que surgiu o Sigil (code.goo­gle.com/p/sigil/), um programa gra­tui­to “que ain­da tem mui­to a ser melhorado, mas que rapidamente foi incorporado no processo de conversão porque é um encurtador de caminhos”.

Novo nicho para a Livraria Cultura
Em março do ano passado, a Livraria Cultura começou a co­mer­cia­li­za­ção de livros di­gi­tais. Na mesma época, passou a oferecer o serviço de conversão para o mercado. “A demanda está crescendo mês a mês, mas não chega a 1% do faturamento da empresa. Nosso objetivo é alcançar 5%, em dois anos”, prevê Mau­ro Widman, coor­de­na­dor da equipe de e-​­­books da livraria.
Ele considera o livro digital como um novo nicho de mercado e, a exemplo do que acontece no ex­te­rior, onde essa nova mídia tem ajudado a im­pul­sio­nar as vendas de livros impressos, o mesmo ocorrerá no Brasil: a pessoa compra o e-​­book, começa a ler, gosta e vai à livraria buscar o livro físico. “Acredito que, futuramente, daremos desconto para quem adquirir os dois produtos em um pacote só”.
A Cultura também elegeu o ePub como o melhor formato para os lei­to­res di­gi­tais, pois com ele o lei­tor consegue utilizar o livro eletrônico na sua melhor forma. Para transformar uma obra em um livro digital, a livraria utiliza uma versão de PDF para ePub, ­usual para os e-​­­books, mas que necessita de ajustes ma­nuais para garantir a qualidade da conversão. “Ainda não existe um programa completo para essa finalidade. Mesmo as ferramentas que encontramos no mercado, como o InDesign, não são su­fi­cien­tes. Assim, esse serviço permanece, em grande parte, ma­nual”.
De acordo com Mau­ro Widman, as editoras, sobretudo as menores, são as que mais ter­cei­ri­zam esse serviço, pois nem sempre contam com pes­soal es­pe­cia­li­za­do. “Para fazer uma conversão de qualidade é necessário um conhecimento sólido em informática”. Segundo o executivo, livros de dia­gra­ma­ção simples, com textos corridos e pou­cas va­ria­ções de parágrafos, exigem menos de um dia para a conversão. Livros mais complexos, com notas de rodapé, dia­gra­ma­ção di­fe­ren­cia­da, com tabelas e ilustrações, dão mais trabalho, necessitando uma revisão rigorosa. Nesse caso, a conversão pode durar até duas semanas.

Qualidade é o foco da Simplíssimo
“Para que um livro se transforme em e-​­book, pri­mei­ro de tudo é necessária a com­preen­são das editoras de que o formato digital não é uma moda pas­sa­gei­ra. O momento ­atual é de transição de um modelo de ne­gó­cios exclusivamente de livros impressos para ou­tro, de convivência entre o digital e o impresso”, afirma Eduar­do Sil­vei­ra Cabral de Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo Livros.
Do ponto de vista técnico, o executivo explica que é necessário que o arquivo digital original da obra seja, pre­fe­ren­cial­men­te, em formato aberto (InDesign, ­Quark, PageMaker, Ventura, Word). “Evitamos produzir livros eletrônicos a partir do PDF por ser um tipo de arquivo fechado, que dificulta a transformação do con­teú­do e não permite um trabalho de melhor qualidade”.
Eduar­do de Melo faz questão de esclarecer que o serviço prestado pela Simplíssimo não é conversão. “Existe um abismo separando a produção para o formato ePub e a conversão, que é um processo au­to­ma­ti­za­do ou semiau­to­ma­ti­za­do, rea­li­za­do sem mui­tos cui­da­dos, com o resultado final com pou­ca ou nenhuma qualidade. Qualquer pessoa pode fazer, inclusive existem soft­wares gra­tui­tos dis­po­ní­veis na internet para essa finalidade”. Ele alerta, porém, que o resultado não compensa: “Os e-​­­books não abrem di­rei­to, travam os aparelhos, apresentam vi­sual des­cui­da­do, parágrafos in­tei­ros perdidos e falhas sistemáticas ao longo do texto”.
Para Eduar­do de Melo, há no mercado uma va­rie­da­de de soluções para trabalhar com livros di­gi­tais. Contudo, ele frisa que não existe uma ferramenta específica que resolva tudo (não ain­da, pelo menos). “Boa parte do trabalho de produção de um livro em formato ePub deve ser fei­ta ma­nual­men­te, para ter qualidade. Não existe mágica. É preciso entender o formato do ponto de vista técnico para fazer um livro digital com padrão profissio­nal”.
Na Simplíssimo, a transformação dos livros para ePub é rea­li­za­da por pro­fis­sio­nais ex­pe­rien­tes nesse formato. “Cada livro tem seu con­teú­do ex­traí­do com cui­da­do do arquivo original, não importa o formato. É fei­ta a revisão comparativa entre o original e aquele a ser inserido na versão eletrônica, para evitar perdas ou cortes. Só de­pois disso ini­cia­mos a produção do e-​­book, que é ma­nual”. Por ser um trabalho complexo, lotes com até 100 livros são produzidos em cerca de quatro semanas. Pedidos urgentes podem ser atendidos em menos tempo.
Desde março do ano passado a empresa oferece esse serviço ao mercado. A produção enfoca es­sen­cial­men­te o ePub, mas também podem ser produzidos ou­tros formatos, como o Mobi, que fun­cio­na no Kindle. Fazem parte da lista de clien­tes que produzem livros di­gi­tais com a Simplíssimo as editoras Zahar, Sextante, Sesc-SP, Bei, Martins Fontes e Manole. O envolvimento é tão forte nessa área que a empresa está oferecendo treinamento sobre como produzir obras no formato ePub (www.simplissimo.com.br/blog/cursos), voltado aos designers, dia­gra­ma­do­res, editoras e free­lan­cers. Uma novidade é a parceria com a ita­lia­na Simplicissimus Book Farm, com a qual a Simplíssimo está desenvolvendo a SBF ­School, um sistema de aprendizado eletrônico com cursos abordando a produção de livros di­gi­tais de alta qualidade.

Soluções em soft­wares
Integradora de tec­no­lo­gias, a Electronic Graphics representa alguns dos prin­ci­pais soft­wares de fluxo de trabalho para os mercados gráfico, edi­to­rial e corporativo, como Dalim, Xinet, GMG, iBrams e ­Vjoon. Para atender à nova demanda, a empresa oferece soluções da ­Vjoon e da Adobe. O ­Vjoon K4 é um sistema para o ge­ren­cia­men­to de publicações, ba­sea­do nos soft­wares Adobe InDesign e Adobe InCopy, que permite organizar e estruturar qualquer fluxo de trabalho e controlar o processo de produção para vá­rios ca­nais de publicação, como impressão, livros di­gi­tais, tablets, internet, dispositivos mó­veis e ou­tros, como detalha Renato Luiz Ramos, diretor técnico da empresa. “Basta que o con­teú­do esteja no formato digital e que seja usado um soft­ware específico para passá-lo para o formato digital, conforme a necessidade da empresa”.
No Brasil, um clien­te da Electronic que utiliza essas ferramentas para a prestação de serviços para o mercado edi­to­rial é a Formato Artes Gráficas, de Belo Horizonte. No mundo, entre as empresas que utilizam essas soluções estão a McGraw-​­Hill Edu­ca­tion e a Condé Nast Pu­bli­ca­tions, que tem como um de seus mais importantes títulos a revista
Wired, além de clien­tes corporativos.

Texto publicado na edição nº 77

 
Um tributo à criatividade, à qualidade e à tecnologia Imprimir E-mail
Escrito por Elisabete Pereira   
Qua, 23 de Março de 2011

Em 2010, o Prêmio Bra­si­lei­ro de Excelência Gráfica Fernando Pini chegou à 20ª edição. Mais uma vez, os cri­té­rios de cria­ti­vi­da­de, qualidade e tecnologia nor­tea­ram as escolhas dos trabalhos que representam o que há de melhor no Brasil no setor.

 
Ge­ren­cia­men­to de cores e provas. Imprimir E-mail
Escrito por Paul Lindström   
Qua, 12 de Janeiro de 2011

Embora o gerenciamento de cores já seja uma tecnologia madura e estável, ainda assim, 17 anos após sua criação pelo International Color Consortium (ICC), ficou provado na última Ipex que ainda há muita atividade e progresso nesse campo.


A X-​­Rite revelou o sucessor do ProfileMaker mostrando, pela pri­mei­ra vez, o iOne Profiler. Isso explica por que não hou­ve nenhuma atua­li­za­ção para o ProfileMaker nos últimos três anos: a X-​­Rite focou seus esforços em pesquisa e desenvolvimento de soft­ware para essa nova solução. Usando um motor de cor chamado i1Prism, os perfis ren­de­riam imagens com um nível de detalhe mais elevado, tanto nas luzes quanto nas sombras.
Ao contrário da solução ProfileMaker (que possui diversos programas separados), todas as funções do iOne Profiler podem ser encontradas em um único programa, com uma interface de usuá­rio completamente nova. A X-Rite afirma ter conseguido sintetizar o melhor das três soluções de cria­ção de perfis que pos­suía — o soft­ware de controle do ColorMunki, o Monaco Profiler e o ProfileMaker. Além disso, a X-​­Rite disse que seu produto é capaz de ­criar perfis de cor ICC, assim como novos tipos de perfil de cores para o Microsoft Windows Vista e Windows 7.
Complementando esse novo pacote de cria­ção de perfis há também a bi­blio­te­ca  de cores Pantone Link. Entre seus aspectos mais tan­gí­veis está um conjunto de ­guias de cores para o clássico Pantone Matching System (o não tão novo Goe System), mas com as cores dispostas de uma ma­nei­ra diferente dos antigos ­guias de cores. Essa nova série é chamada Pantone Plus e é organizada em ordem cromática de cores, contando também com cores metálicas e uma ampla gama de cores tipo neon.
Durante a Ipex a Alwan demonstrou o Print Standardizer, provando mais uma vez que com­preen­de em profundidade o ge­ren­cia­men­to de cores ba­sea­do nas normas ISO e o controle de processo. O impressor pode verificar que tanto a calibração quanto a produção estão totalmente em conformidade, por exemplo, com a norma de impressão ISO 12647-2, utilizando a metodologia da Fogra ou da norte-​­americana GRACoL. Tarefas complexas tornam-se simples ações graças à sua interface clara e amigável. Se o usuá­rio quiser otimizar os resultados de impressão, au­men­tar a imprimabilidade dos trabalhos e até economizar tinta, o CMYK Optimizer pode ser configurado para trabalhar em conjunto com o Print Optimizer.
A CGS usou o termo prova híbrida para descrever o seu mais recente portfólio de produtos da série Oris. O Oris Cer­ti­fied Sui­te contém soluções para provas vir­tuais (soft­proo­fing), provas impressas (hardcopy) e para a otimização para impressão. E, como tudo isso tem relação com as normas in­ter­na­cio­nais, o fabricante adi­cio­nou ao nome a palavra Certificado. O termo prova híbrida (hybrid proo­fing) significa provas de monitor e provas em papel.
O novo sistema Approve, da Oris, é uma ferramenta interativa de aprovação colaborativa, ba­sea­da na web. O Oris Press Matcher teve a interface am­plia­da, via web, para que todos os dispositivos de saí­da pudessem ter a sua gestão de qualidade e de cores fei­ta de forma centralizada. Isso inclui tanto as impressoras offset con­ven­cio­nais quanto as impressoras di­gi­tais de produção, bem como saí­das de grande formato.
A CGS tinha desenvolvido parte do sistema de gestão da qualidade para a Fujifilm, chamado Taskero Qua­lity Management, lançado na Drupa há dois anos. A empresa vai agora co­mer­cia­li­zar e vender o sistema com marca própria. Parte da solução é o Oris Ink Saver, que, além do módulo de economia de tinta, toner e solventes, também reduz o desperdício de papel.
A Epson tem tido um grande sucesso com a Epson Stylus Pro WT7900, onde a letra W se refere ao uso da tinta branca (white). O uso do branco é mui­to útil, es­pe­cial­men­te para fluxos de trabalho que envolvem embalagens. Na solução de provas para flexografia, a Epson tem acordos de coo­pe­ra­ção com empresas como a GMG, a fim de obter provas precisas.
A Four Pees, que fun­cio­na como um guarda-​­chuva para diversas soluções de soft­ware, apresentou a solução de fluxo de trabalho DFlux. Embora os módulos no DFlux possam ser comprados separadamente dos seus fabricantes — ­Axaio, Callas, Elpical e Enfocus —, a ­ideia é oferecer a integração e trei­na­men­to de instalação desses módulos para que o usuá­rio rapidamente coloque-os em produção. O DFlux oferece uma geração automatiza­da de PDF, bem como a gestão e verificação de cores. Além disso, possui o módulo da Elpical Claro para análise, melhoria e otimização de imagens.
A GMG apresentou o serviço de verificação on​­line chamado ­Proofr. O objetivo é interligar os clien­tes GMG em todo o mundo para produzir provas certificadas para seus clien­tes. Dessa forma, uma agência de propaganda, por exemplo, não precisa en­viar provas pelo cor­reio para seus clien­tes pelo mundo, mas simplesmente procurar o provedor certificado mais próximo de seu clien­te final para ter as provas fei­tas e entregues localmente por ele. O serviço ain­da não começou, mas ele será implantado em breve e já foi cria­do um site. Uma ­ideia bastante inteligente, temos de admitir!
Outras no­tí­cias da GMG dão conta de par­ce­rias novas ou renovadas com a X-​­Rite, que co­mer­cia­li­za­rá o soft­ware GMG Print Control como Press Optimizer. Parceria estratégica também é a firmada com a Sun Chemical para a construção de uma base de dados de cores de tinta visando ava­liar seu comportamento sobre diferentes substratos. Isso poderia ser mui­to útil, es­pe­cial­men­te para convertedores de embalagens que lutam dia­ria­men­te para reproduzir cores es­pe­ciais em todos os tipos de substratos. A Sun Chemical já coo­pe­ra com a Esko nesse campo e, com a GMG es­trei­tan­do sua parceria com a X-​­Rite, podemos esperar uma boa sinergia, que deve resultar em avanços na qualidade das bases de dados e nas tintas. Esta base irá utilizar o formato de dados de cores da X-​­Rite, CxF, candidato recente a se tornar norma ISO, mas vai além do que o CxF pode fazer no momento. Ela usa o chamado Sun SmartCo­lour Engine, que já contém mais de 250.000 identidades.
Na GTI (Graphic Technology Inc.) aprendemos que um alto índice de reprodução de cores (IRC) das lâmpadas em uma cabine de vi­sua­li­za­ção não significa ne­ces­sa­ria­men­te uma excelente representação dessas cores. É aparentemente possível frau­dar o IRC durante a fabricação de lâmpadas fluo­res­cen­tes (sem nomes citados), elevando seu valor, mesmo se essa lâmpada pos­suir uma curva espectral mui­to pobre ou com picos. Sabemos que é melhor ter uma lâmpada com um valor de IRC ra­zoa­vel­men­te elevado (a norma ISO 3664 afirma que ele deve ser de pelo menos 90, onde um valor de 100 seria equivalente a uma per­fei­ta luz natural) e uma boa distri­bui­ção espectral global. Naturalmente, a GTI escolhe esse padrão para suas cabines de vi­sua­li­za­ção.
A Kodak apresentou novos desenvolvimentos de seu fluxo de trabalho Insite Crea­ti­ve Workflow com o sistema de revisão Smart Re­view System. Isso permite que se façam provas vir­tuais em monitor com ge­ren­cia­men­to de cores, bem como com controle de seção, in­cluin­do o registro das atividades, eventos e anotações. A tecnologia Matchprint Vir­tual ain­da é uma parte es­sen­cial do produto e as provas aprovadas podem ser au­to­ma­ti­ca­men­te entregues ao departamento de pré-​­impressão pelo fluxo.
O soft­ware Colorflow de gestão da qualidade é um par­cei­ro óbvio do Insite e pode ser comprado como uma aplicação separada e/ou integrada ao Prinergy RIP System. Afora controlar todos os ajustes vi­tais de cor, o Colorflow pode otimizar tintas e subs­ti­tuir tintas de cor es­pe­cial.
A Mellow Co­lour opera agora no mundo in­tei­ro e ajuda os gráficos de acordo com as normas definidas tanto por meio de consultoria quanto com seu pacote de soft­ware PrintSpec. Provas e impressoras offset são calibradas e otimizadas passo a passo segundo o padrão de impressão escolhido pelo clien­te. A Mellow Co­lour tem sua base no Rei­no Unido e, para o mercado local, adi­cio­nou rapidamente um recurso ao programa Print­Spec com a finalidade de orien­tar o usuá­rio a verificar a conformidade com as normas recém-​­publicadas pelo sistema de certificação BPIF (British Printers In­ter­na­tio­nal Fe­de­ra­tion), ba­sea­do na norma ISO 12647-2. Não se trata apenas de ge­ren­cia­men­to de cores, porque o sistema de certificação BPIF não diz res­pei­to somente à norma ISO 12647-2 e questões correlatas. Ele também envolve alguns aspectos es­sen­ciais de gestão da qualidade da ISO 9001, olhando todo o processo de produção de impressão, in­cluin­do as condições de vi­sua­li­za­ção, a ava­lia­ção do documento (conformidade com o PDF/X), provas vir­tuais e provas em papel, produção de chapas e, naturalmente, a impressão, in­cluin­do o controle da va­ria­ção ao longo de uma tiragem total.
Além disso, o sistema dá conta das pos­sí­veis gestões de problemas e reclamações de clien­tes. Assim, se uma gráfica acredita que está pronta para ser certificada de acordo com a ISO 12647-2 (estendida), a Mellow Cor, através do programa PrintSpec, pode ava­liar qual é a distância entre as práticas de trabalho, a qualidade de impressão em vigor e os requisitos especificados na norma.
A Mimaki, em coo­pe­ra­ção com a GMG, oferece soluções de provas como a impressora Mimaki UJF 706 UV, que pode ser usada para produzir mockups, por exemplo, em fluxos de trabalho de prova de embalagens.
A Roland, também em coo­pe­ra­ção com a GMG, demonstrou como a impressora de grande formato Roland VersaUV LEC-​­330 pode imprimir em praticamente qualquer substrato, seja ele alumínio, tecido, papel alumínio, couro, papel ou plástico. O equipamento pode até mesmo simular a pele de crocodilo (temos certeza que os crocodilos irão apre­ciar mui­to essa capacidade!).
A empresa de monitores para provas Qua­to cau­sou furor no mercado apresentando um monitor para provas vir­tuais com brilho de 700 cd/m². Isso é aproximadamente o dobro do brilho de ou­tros produtos no mercado e significa que, pela pri­mei­ra vez na história, é possível colocar um monitor dentro da cabine de vi­sua­li­za­ção e comparar uma prova impressa ou um impresso com o documento digital original! O monitor é chamado ­ProofView 700 e será vendido por cerca de 3.000 eu­ros. Ele contém um pai­nel Hitachi S-​­IPS, normalmente destinado para uso in­dus­trial, como a ava­lia­ção digital de imagens de ­raios-X e tubos fluo­res­cen­tes CCFL de alta intensidade para a re­troi­lu­mi­na­ção. O ­ProofView passou pela ferramenta de certificação de monitores da Ugra suí­ça, a UDACT. Isso significa que ele é compatível com a norma ISO 12646 para provas de monitor e está em conformidade com as provas em papel para impressão ba­sea­das na ISO 12647-7.
A empresa Verivide é fabricante de cabines de vi­sua­li­za­ção (verivide é uma palavra em latim que pode ser traduzida como “ver a verdade”) e, dentre seus novos produtos, está a cabine de provas Fenestra. Ela tem um ângulo de iluminação que gera luz de ma­nei­ra consistente sobre toda a prova ou impresso, eliminando as va­ria­ções em fai­xas. Ela pode imitar uma reflexão especular — pa­péis brilhantes se parecem com matte. A cabine tem uma mesa de sucção para prender as provas que também ajuda a manter a superfície plana e reduz o risco de reflexões indesejadas e, não tendo cantos vivos dentro da cabine, isso também ajuda a reduzir a possibilidade de reflexões.
Tanto a cabine quanto as lâmpadas D50 são, naturalmente, um sistema em conformidade com a norma ISO 3664, de vi­sua­li­za­ção. A última versão dessa norma sugere que a cabine deve ser capaz de mudar a intensidade da luz entre os ­ideais 2.000 lux para um nível reduzido com o objetivo de se obter uma equivalência colorimétrica, com um monitor LCD padrão, em torno de 600 lux (porém, como vimos acima, o novo monitor da Qua­to tem uma tecnologia que não exige que se bai­xe tanto a iluminação da cabine de vi­sua­li­za­ção).
A cabine de vi­sua­li­za­ção da Verivide foi desenvolvida em colaboração com os cien­tis­tas da London College of Com­mu­ni­ca­tions, es­pe­cial­men­te Phil ­Green, PhD em ciên­cia da cor e secretário técnico do ICC (In­ter­na­tio­nal Colour Con­sor­tium). Green é também um es­pe­cia­lis­ta da comissão técnica para as normas ISO para produção gráfica, um bom au­gú­rio para a qualidade dos produtos da empresa.
Essa é apenas uma amostra de todas as no­tí­cias re­la­cio­na­das com o ge­ren­cia­men­to de cores que puderam ser vistas na Ipex. Provavelmente me escapou alguma outra novidade, mas acreditamos que isso prova que ain­da há espaço para uma série de me­lho­rias nessa área.

Tradução autorizada do boletim Spindrift, produzido pela Digital Doots, empresa de consultoria na área gráfica, publicado em junho de 2010.

Texto publicado na edição nº 75

 
O que é um livro? Imprimir E-mail
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Qui, 23 de Dezembro de 2010

O título desta matéria me ocorreu nos últimos minutos em que estive na 62ª edição da Fei­ra do Livro de Frankfurt (Alemanha), quando pas­sea­va por mais um estande entre os dias 6 e 10 de ou­tu­bro. Em um pai­nel eletrônico, imagens de diversas mí­dias rodavam alea­to­ria­men­te.

 
Fespa 2010: Na onda digital, surfaram os grandes formatos! Imprimir E-mail
Escrito por Sandra Rosalen, especial para a Tecnologia Gráfica   
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A Fespa é uma fei­ra pou­co conhecida do público bra­si­lei­ro, se comparada à Drupa, à Ipex ou à Print. Esse fato foi comprovado pela pou­ca presença de bra­si­lei­ros na exposição, que aconteceu entre os dias 22 e 26 de junho. Os pou­cos que, mesmo durante a ExpoPrint, saí­ram do Brasil (foi possível encontrar todos durante o jogo do Brasil contra Portugal exibido por lá) puderam conferir os prin­ci­pais lançamentos de dois segmentos: serigrafia e impressão digital de grandes formatos. Se­dia­do este ano em Munique, na Alemanha, o evento, mui­to bem organizado, tendo como slogan “Agarre a nova onda da inovação”, reu­niu 650 expositores e cerca de 21.000 visitantes de 130 paí­ses.

 
4ª Conferência Anual da Abro - Setor discute os desafios para a indústria de rotativas Imprimir E-mail
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O cenário econômico é favorável, porém não faltam desafios para as empresas com rotativas offset, como a formação do capital humano, o aumento da produtividade e as questões ambientais

 
ExpoPrint 2010: Offset + digital. Equação bem-vinda Imprimir E-mail
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As impressoras offset prevaleceram, mas a tecnologia digital não deixou por menos, mostrando que a combinação de processos pode render bons dividendos.

 
Ipex 2010: O domínio da tecnologia digital Imprimir E-mail
Escrito por Sandra Rosalen, especial para a Tecnologia Gráfica   
Sex, 20 de Agosto de 2010

A chegada na quente e ensolarada Birmingham, na Inglaterra, foi um alívio depois desses seis meses frios que já estou na Alemanha. Tirei o cachecol, o casaco e me preparei para começar o primeiro dia de visitas na Ipex 2010, no terceiro dia oficial da feira.

 
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