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Normalização
Normas fundamentais são discutidas em Berlim Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Sex, 30 de Setembro de 2016

O mais recente encontro do ISO TC130, grupo que elabora as normas técnicas para o setor gráfico, se deu em Berlim, na Alemanha, entre 23 e 27 de maio. Houve reu­niões todos os dias e pude acompanhar vá­rias delas. O primeiro grupo de que participei e coordenei — pela primeira vez — foi o WG13, de Requerimentos de ava­lia­ção de conformidade em processos gráficos. O grupo trabalha em normas técnicas de certificação de processos e produtos gráficos com o objetivo de que certificações ao redor do mundo se baseiem em denominadores comuns, possibilitando que compradores de impressos possam con­fiar nos fornecedores regionais em qualquer parte do mundo, pois esses fornecedores estarão atendendo a cri­té­rios comuns e conhecidos.
Hoje, a si­tua­ção das certificadoras e o número de empresas certificadas no planeta é o seguinte:
Certificadoras:
ABTG Certificadora NBR 15936‑1, Brasil
Fogra PSO, Alemanha
UNI, Itália
JapanColor, Japão
SCGM ISO 12647, Holanda
CGP, Sué­cia
SwizzPSO e Ugra PSO, Suí­ça
BPIF ISO 12647 Colour Qua­lity 
Management Cer­ti­fi­ca­tion, Reino Unido
PSA (RIT), G7 (Ideal­lian­ce), FTA e GMI Packaging Cer­ti­fi­ca­tion, Estados Unidos
Fabricantes que certificam:
Heidelberg ISO 12647‑2, Alemanha
Mellow Colour, Reino Unido
Número total de certificados:
Por certificadoras: 1.400 empresas
Por fabricantes: 200 empresas
Total: 1.600
O grupo está trabalhando em três documentos: o primeiro, ISO/WD 19301 – Colour quality management cer­ti­fi­ca­tion scheme, com editor do Reino Unido, se refere à implantação de sistema de gestão ISO 9001 em gráficas e, com autorização dos órgãos competentes da ISO, será uma norma 
similar à 9001, específica do setor.
O segundo documento, com editor da França, ISO 19302 – Colour conformity assessment of printed products, trata-​­se de uma descrição sistemática do fluxo de trabalho gráfico para impressão co­mer­cial, à luz do controle de cores, peça fundamental para a ava­lia­ção de conformidade 
desses produtos impressos.
O terceiro documento, com editor dos Estados Unidos, ISO 19303-​­1 – Graphic technology – Conformity requirements and testing con­di­tions – Part 1: Packaging printing, cria um esquema de certificação que consolida os requisitos que grandes compradores de embalagens pos­suem, como Coca-​­Cola, P&G, Nestlé etc. Será de grande serventia se os compradores se sentirem cobertos pela norma, preparando gráficas e convertedores para fornecer a grandes compradores atendendo a uma única norma.
No dia 24, houve a reu­nião do grupo WG7, responsável pelo desenvolvimento do ICCMax, ISO 20677-​­1 – Image technology colour management – Ex­ten­sions to architecture, profile format, and data structure, nova versão do sistema de ge­ren­cia­men­to de cores em conjunção com o In­ter­na­tio­nal Color Consortium, ICC, sistema presente em cada PC ou Mac do planeta. Além desse, o grupo desenvolve um documento para gestão de cores em sistemas multicanal (NChannel) com 
compensação de preto (BPC).
Na revisão dos co­men­tá­rios da ISO 20677, o Brasil solicitou que fosse cria­do um documento para os usuá­rios finais sobre as capacidades e vantagens do ICCMax. O novo sistema não substitui o an­te­rior, porém possui a capacidade de trabalhar com espaços de cor definidos espectralmente e de fazer transformações entre esses espaços. Com isso, passa-​­se de uma colorimetria ba­sea­da em Cie­lab para transformações bem mais complexas. A maior das vantagens para a indústria gráfica é que será possível fazer tintas, provas e ge­ren­cia­men­to para impressão levando-​­se em conta o iluminante do ponto de venda, loja ou museu, com resultados bem previsíveis.
No mesmo dia se iniciou a reu­nião do WG2, Prepress Data Exchange, onde há diversas normas de nteresse geral. O primeiro assunto foi o futuro do PDF/X, família de PDFs preparados para o am­bien­te de produção gráfica, que o grupo deseja ver em conformidade com a norma PDF, agora sob a batuta da ISO e não mais da Adobe, com nome de ISO 32000 e por enquanto chamado de PDF/X‑6. O Brasil frisou que se preo­cu­pa com o avanço muito rápido das normas em relação à capacidade de absorção e adoção das mesmas, no entanto a própria Adobe tranquilizou os es­pe­cia­lis­tas afirmando que incorporará o novo formato, após sua publicação, o que pode levar mais de dois anos. O britânico Craig Revie descreveu que foi en­via­da para publicação a norma ISO/FDIS 19445‑1, Graphic Technology – Metadata for graphic arts work­flow – Part 1: XMP metadata for image and document proo­fing, que atende às solicitações dos fabricantes de sistemas de pré-​­impressão para embalagens, com introdução de metadados de facas, vincos e dobras (dye-​­cut), além de ­­áreas de verniz ou outros enobrecimentos.
O norte-​­americano Ray Chandler (X-Rite) falou sobre os resultados dos co­men­tá­rios da norma ISO 17972‑3 – Part 3: Output target data (CxF/X‑3), com poucos problemas. Será feita uma segunda votação de DIS (draft in­ter­na­tio­nal standards) antes da publicação. Essa norma faz parte da família CxF que atende a formatos de cartas de cor para calibração de escâneres, provas e sistemas de impressão, além de definição de cores especiais.
O alemão Prosi, do consórcio CIP4, vem trabalhando com o TC130 para integrar o CIP4 ao PDF/X. Isso deve acontecer no futuro PDF/X-​­6. Ba­sea­do na ISO 32000, a próxima versão do PDF/X possui a necessária definição de estruturas Dpart (presentes na ISO 32000 e ausentes na especificação original da Adobe, serve para agregar diversos elementos, no caso informações sobre o produto), onde os con­teú­dos de CIP4 residirão: tamanhos, acabamentos, perfis ICC, cortes, vincos, serrilhas, 
vernizes, diferentes pa­péis etc.
Em seguida se tratou de um esforço conjunto com a Ideal­lian­ce, dos Estados Unidos, para o desenvolvimento de um padrão para reportar os resultados da impressão aos pro­prie­tá­rios das marcas,
a norma ISO 20616 – Graphic technology – File format for quality control soft­ware and metadata – Part 2: Print quality exchange (PQX). A norma não possui to­le­rân­cias ou ava­lia­ções, apenas resultados das medições dos impressos, e usa o CxF como 
codificador de cores.
Foi discutida a norma conhecida como IT8, para calibração de escâneres, com mais de um milhão de alvos vendidos no mercado, a ISO 12641 – Graphic technology – Prepress digital data Exchange – Part 1: Colour targets for input scanner ca­li­bra­tion. Foi mostrada uma estrutura do documento Part 2: Advanced targets for input scanner ca­li­bra­tion, com requisitos gerais para a construção de alvos, não fixos.
Os japoneses apresentaram a norma para compactação mais eficaz de JPEGs, ISO/IEC 18477‑3:2015 – In­for­ma­tion technology – Scalable com­pres­sion and coding of continuous-​­tone still images – Part 3: Box file format, e o grupo decidiu ­criar um subgrupo 
para analisar a sua adoção futura.
As notas de utilização do formato PDF/VT (ISO 16612‑2:2010 – Graphic technology – Va­ria­ble data exchange – Part 2: Using PDF/X‑4 and PDF/X‑5) foram terminadas e estão no site http://www.pdfa.org/publication/pdfvt-​­application-notes/.
No dia 25 começou a reu­nião do WG3 – Process control and related metrology, grupo com temas mais polêmicos e no qual o consenso tem sido 
bastante difícil.
Iniciou-​­se uma acalorada discussão quanto aos ajustes da ISO 12647‑2 (ISO 12647‑2 AMD 1 – Graphic technology – Process control for the pro­duc­tion of half-​­tone colour se­pa­ra­tions, ­proof and pro­duc­tion prints – Part 2: Offset lithographic processes) nos valores do Papel 1, de acordo com as descobertas da Fogra ao preparar o Perfil ICC/Dataset, Fogra51. O Brasil sugeriu que os valores do Papel tipo 5, obtidos na preparação do Fogra52, também fossem adi­cio­na­dos à norma. Vá­rios paí­ses irão contribuir com leituras de pa­péis para subs­tan­ciar as mudanças da norma.
O debate seguinte versou sobre a atua­li­za­ção em curso da ISO 12647‑7, com poucos co­men­tá­rios, com a revisão do padrão indo para DIS. Os valores foram atua­li­za­dos para ΔE2000 e as medições para M1. Craig Revie, do Reino Unido, sugeriu modificações à norma ISO/TS 15311‑1 – Graphic technology – Requirements for printed matter for com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 1: Mea­su­re­ment methods and reporting schema, adi­cio­nan­do 
novas métricas de medições gráficas.
Teve início a discussão sobre a ISO/DTS 15311‑2 – Graphic technology – Requirements for printed matter for com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 2: Com­mer­cial pro­duc­tion printing, e os co­men­tá­rios foram amplos. A norma utiliza alguns dos testes do ISO 15311‑1, e coloca como uma ferramenta de análise de produtos impressos comerciais, analógicos ou digitais, prontos. O Brasil entende que seja uma excelente ferramenta de análise de produtos gráficos, porém ainda não temos certeza do seu uso e propusemos que o documento fosse 
transformado em um Technical Report.
Discutiu-​­se o projeto de ava­lia­ção de ganho de ponto em cores especiais, ISO/NP 20654 – Graphic Technology – Mea­su­re­ment and Cal­cu­la­tion of Spot Colour Tone Value. Essa norma é cru­cial para o setor de embalagens, pois o resultado da ava­lia­ção com os atuais padrões embutidos nos densitômetros (ISO‑5) não refletem adequadamente a percepção humana da curva tonal quando há aplicação de cor es­pe­cial como benday ou dégradé. Houve uma apresentação da Heidelberg sobre o uso de SCTV em controle de processo da ISO 12647‑2, e parece que há erros na fórmula Murray-​­Davis. Foi decidido que o padrão ficará restrito ao uso de ava­lia­ção de TVI em cores especiais.
O próximo projeto tratado foi ISO/PWI 21328 – Graphic Technology – Standard Ink set for multicolor printing. Essa norma é fundamental para padronizar as tintas utilizadas em sistemas de impressão analógicos ou digitais com expansão de gamut, através de impressão CMYK mais laranja, verde e vio­le­ta. O representante da França, Khoury, relatou que a Flint, a Sun e a Huber se interessaram por participar do esforço de fornecimento de tintas para ensaios em máquina a fim de se obter sub­sí­dios para a impressão CMYk+OGV.
O cien­tis­ta norte-​­americano Danny Rich apresentou a proposta de como ava­liar/comparar resultados da performance de espectrofotômetros e sua interoperabilidade, fazendo uma especificação técnica. A ideia seria alinhar diferentes instrumentos, versões e modelos visando aumentar a validade dos valores obtidos. O grupo aprovou a 
continuidade do trabalho.
No dia 26 houve a reu­nião do JWG 8, responsável pela edição da norma ISO 13655, em conjunto com o TC42, de Fotografia. Passou-​­se à resolução de co­men­tá­rios da ISO/DIS 13655 (N165). Muitas modificações foram feitas na norma. A Romênia solicitou que a norma tivesse provisão para leituras e cálculos de colorimetria transmissiva. O grupo irá estudar os materiais e no futuro poderá ser incorporada a tecnologia à norma (iluminante, geo­me­tria etc). Danny Rich mostrou que instrumentos com amostragens de 20 nm são muito imprecisos. Isso deixaria a grande maioria dos instrumentos existentes nas gráficas brasileiras dentro da norma. O documento será submetido para segundo DIS e, se não houver co­men­tá­rios técnicos, seguirá para publicação.
Conclusão
Excelentes normas que poderão im­pul­sio­nar o desenvolvimento padronizado de sistemas de impressão, medição, tintas, chapas, blanquetas, iluminantes, instrumentos, certificações, arquivos finalizados, ge­ren­cia­men­to de cores, sustentabilidade de produtos impressos, acabamentos e tantos outros be­ne­fí­cios estão em análise nos diversos grupos de trabalho.
O desafio para o mercado global é atender as necessidades de setores de ponta, como o de embalagem, no qual os compradores demandam um rigoroso controle de qualidade de toda a produção, juntamente com setores como sinalização, onde as demandas são voltadas mais para a durabilidade dos banners impressos e não na sua qualidade direta e objetiva.
Os grupos de meio am­bien­te, WG11, e certificação, WG13, complementam as atividades do TC130, que teve uma reu­nião extremamente proveitosa e continua pavimentando a estrada por onde passarão os novos equipamentos e aplicativos fabricados para a indústria gráfica, garantindo uma competição leal para os fabricantes e compatibilidade e ava­lia­ção objetiva desses produtos para os em­pre­sá­rios gráficos, além de inúmeros be­ne­fí­cios para os consumidores finais, quando as normas são 
adotadas sistematicamente.
A adoção de normas para o setor gráfico é penosa no início do processo, contudo o retorno dos investimentos é seguro, porque provoca efi­ciên­cia na produção, sustentabilidade da 
planta e qualidade e consistência dos produtos 
entregues aos clien­tes.

SELO VERDE PARA CHAPAS OFFSET
A ABTG Certificadora, fundada em 2012, tem o objetivo de valorizar os processos e produtos na cadeia da indústria gráfica. Atua com diversas normas que possibilitam a inovação, confiabilidade de processos, qualidade, respeito ao meio ambiente e às pessoas, de forma a fomentar o meio empresarial com vistas aos desafios econômicos da indústria.
Nos últimos anos, a questão ambiental tem sido cada vez mais o foco das discussões. É fundamental que todos se preocupem em cuidar do meio ambiente.
A adoção de práticas como a P+L (Produção mais Limpa) e outras medidas similares permite aprimorar a produtividade, eliminar  substâncias tóxicas, reduzir o consumo de matérias-primas, recursos naturais, a carga de resíduos gerados e o passivo ambiental.
Isso tudo favorece a diminuição de riscos ao meio ambiente e à saúde humana. Nesse contexto, surgiu a necessidade por parte dos fabricantes de chapas para impressão offset de terem seus produtos legitimamente certificados como ecologicamente corretos por uma instituição idônea e notadamente atuante no meio gráfico.
O processo de certificação apresentado pela ABTG Certificadora está alicerçado por normas ISO e inovação ambiental do produto, que tem como princípio demonstrar práticas limpas do ciclo de vida da chapa e, principalmente, contribuir com seu cliente, a gráfica, na diminuição de resíduos industriais.
Na categoria de selos bronze, prata e ouro, o mercado consumidor pode verificar a melhor tecnologia e desempenho ambiental na hora da compra da chapa.

Texto: Bruno Mortara – publicado na ed.97

 
Entenda o PSD,padrão Fogra para impressão digital de pequenos e grandes formatos Imprimir E-mail
Escrito por Viviane Pereira e Bruno Mortara   
Qui, 19 de Maio de 2016

No TC130 da ISO, onde são feitas as normas técnicas de artes gráficas, o debate sobre um conjunto de normas para impressão digital segue muito lentamente, desde o final de 2007. As normas existentes de impressão digital — ISO 12747-​­7 para provas con­tra­tuais e ISO 12647-​­8 para provas de verificação (design, propaganda) — não servem para os setores que se desenvolveram rapidamente na última década, em es­pe­cial grandes formatos e digital de pequenas tiragens. O TC130 trabalha na família ISO 15311, com a primeira parte sendo um conjunto de características e métricas para ava­lia­ção de qualidade de impressos, a parte 2 tratando da impressão digital de produção e a parte 3 para grandes formatos. No entanto, para uma parcela do mercado essas normas de­ve­riam estar prontas há anos, mas o grupo ainda luta para obter consenso em diversas questões.
Sabedora dessas dificuldades, a Fogra alemã, através de seu grupo de trabalho de impressão digital, criou em 2011 o PSD: Process Standard Digital. Trata-​­se de um padrão pro­prie­tá­rio que baliza controles e processos que, uma vez atendidos, podem ser auditados pela Fogra, que então certifica fornecedores de serviços de impressão digital que atendam a tais requisitos. O PSD é ba­sea­do na ex­pe­riên­cia de certificação da ISO 12647-​­2 (norma de offset), porém tendo a impressão digital e suas características únicas como alvo.
Neste artigo visitaremos o padrão da Fogra e procuraremos entender sua estrutura e aplicabilidade, levando em conta o fato de não ser uma norma in­ter­na­cio­nal.

Imprimir de modo previsível
O PSD está em conformidade com a norma ISO 15311-​­x – Graphic Technology – Requirements for printed matter utilizing digital printing tech­no­lo­gies for the com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 1 – Parameters and mea­su­re­ments methods (Tecnologia Gráfica – Requisitos para materiais impressos utilizando tec­no­lo­gias de impressão digital para a produção co­mer­cial e in­dus­trial – Parte 1 – Parâmetros e métodos de medição), ainda sem tradução no Brasil. É um padrão em linha com o movimento de as gráficas usarem dados eletrônicos para armazenamento de con­teú­do e troca de dados em todo o processo de produção de impressão, desde o desenvolvimento do conceito de um produtos gráfico até o seu acabamento. Existem obstáculos que impedem a preparação de dados sob medida para todas as condições de impressão, incluindo processos analógicos e digitais. As condições de saí­da muitas vezes não são conhecidas no momento da cria­ção.
O PSD é a descrição de um processo in­dus­trial­men­te orien­ta­do e harmonizado para a impressão digital, desde a concepção até o produto final. Neste sentido, a Fogra defende que se uma produção for rea­li­za­da utilizando matéria-​­prima, insumos e equipamentos certificados pelo PSD, é certa a obtenção de melhor custo, qualidade e desempenho, alia­dos a maior sustentabilidade e redução de des­per­dí­cios.
Uma definição prévia de imagem e produto pode ser ba­sea­da em cri­té­rios específicos de qualidade. Esses cri­té­rios abordam reprodução de cores, homogeneidade (uniformidade), resolução, componentes, além de aspectos de permanência como resistência à luz ou resistência ao atrito. Tais ca­te­go­rias são os requisitos de ava­lia­ção do produto impresso.



Uma gráfica que busque um elevado nível de qualidade precisa pautar seu trabalho em regras significativas, ou seja, um padrão. Para tanto, o PSD fornece orien­ta­ções industriais que vão desde a cria­ção dos dados, percorrendo todo o caminho para a impressão, com foco num controle de fluxo de trabalho que aponte para um resultado de impressão previsível.
Guiada pelo lema Imprimir de modo previsível, o conceito do PSD é ba­sea­do em uma separação entre controle de processo e garantia de qualidade e reforça a importância de se trabalhar com as vá­rias normas internacionais de controles de cores, arquivos, imagens e medição em conjunto, crian­do,
assim, parâmetros complementares.
Os três principais objetivos do PSD são:

Controle de processos
Obter impressos repetitivos

Em outras palavras, obter impressos vi­sual­men­te semelhantes em diferentes processos de saí­da, de forma conhecida e constante. O documento fornece as diretrizes para esses controles e os requisitos ne­ces­sá­rios para se estabelecer os re­la­tó­rios de qualidade.

Fidelidade da cor
Comunicação de cor consistente

As gráficas precisam entender as necessidades e expectativas de seus clien­tes e ser capazes de reproduzir com precisão essas expectativas. O PSD estabelece a reprodução absoluta (lado a lado), ou seja, a capacidade de reprodução de cor em relação a vá­rios meios de comunicação, com planilhas e diretrizes que ava­liam os impressos, além de diretrizes para lidar com cores especiais e substratos com uma grande quantidade de agentes de bran­quea­men­to óptico.
Precisão de cor ou qualidade da cor no PSD é a proximidade vi­sual entre uma impressão e a condição de impressão de referência. Com relação à prova de contrato impressa, a ISO 12647-​­7 define
as to­le­rân­cias rigorosas para a sua cria­ção.

Fluxo de trabalho PDF/-x
Previsibilidade

Todo o fluxo de trabalho está sujeito à análise crítica quanto à sua capacidade de rea­li­za­ção, qualidade de impressão consistente e fidelidade de cor. Assim, a Certificação PSD oferece diretrizes para sustentação da cria­ção, pré-​­impressão e processamento de arquivos PDF.

Combinações mais adequadas
O Process Standard Digital não tem como objetivo limitar substratos, tintas, toner ou impressoras. O que se pretende é fazer as melhores combinações para atingir os melhores resultados. A padronização permite estabelecer cri­té­rios válidos e possíveis, sem ne­ces­sa­ria­men­te impor rigidez ao processo. O PSD se autointitula um documento vivo, pois entende as constantes mudanças tecnológicas e inovações em produtos e serviços de impressão.
Ainda nesse sentido é importante sa­lien­tar que a própria normalização é um organismo vivo, uma vez que atua­li­za constantemente suas normas e cria outras novas, de forma a atender às exi­gên­cias de mercado mais ­atuais.
Cada empresa a ser certificada pelo PSD Fogra deve identificar três combinações de configuração. Para a auditoria, a gráfica deve fazer três combinações de substrato, impressora e modo de impressão (para uma ou mais impressoras). O objetivo é ­criar uma referência física por meio de uma prova de contrato ou de validação. São impressas as três combinações, que devem ser representativas da produção, e pelo menos uma das três precisa estar em conformidade com a norma ISO 12647‑7 (prova de contrato) ou ISO 12647‑8 (validação de impressão).

Dicas práticas
O PSD contém um capítulo inteiro dedicado a dicas práticas. São informações ex­traí­das principalmente do LFP Designer Guide da Color Al­lian­ce e, por isso, atual­men­te, apresenta informações com foco em grandes formatos. No entanto, a Fogra informa que deseja am­pliar esse capítulo para outros formatos. Por isso, qualquer um é convidado a compartilhar e discutir informações para
aplicações existentes e novas.
A gráfica interessada em obter a certificação PSD deve responder a perguntas típicas como:
• Qual é o sistema de impressão apro­pria­do?
• Quais são as pro­prie­da­des de permanência e durabilidade relevantes?
• Que aspectos da preparação de dados, controle de processos e ga­ran­tias da qualidade precisam ser levados em consideração?
Deve notar-​­se que as recomendações de permanência e durabilidade não estão as­so­cia­das a um método de medição de concreto. Primeiro, há muitas soluções pro­prie­tá­rias utilizadas para esse propósito. Em segundo lugar, existem diferentes requisitos nacionais (alemães, neste caso), de modo que o que é exigido em um país não é ne­ces­sa­ria­men­te exigido em outro. Para tanto, há uma lista
de métodos de medição.

Prova em máquina
A Fogra defende que enquanto na impressão con­ven­cio­nal a prova em máquina foi quase extinta, ela pode ser válida na impressão digital, uma vez que pode ser con­ve­nien­te usar a mesma combinação de materiais para o impresso de referência (prova de contrato, validação da cópia ou prova de máquina).

Público-​­alvo
A Certificação PSD destina-​­se principalmente aos fornecedores de serviços de impressão digital, sejam eles de pequeno ou grande formatos, com tec­no­lo­gias eletrofotográficas ou jato de tinta. Está voltada também aos compradores de impressão que desejam obter informações sobre impressão digital, uma vez que requisitos e diretrizes ajudam na ne­go­cia­ção e tomada de decisão para a aquisição de impressos, além de evitar exi­gên­cias inalcançáveis.

Buscando a Certificação PSD Fogra
As tabelas aqui reproduzidas apresentam os requisitos mínimos que devem ser atendidos pelas empresas que desejam a certificação de acordo com o documento PSD Fogra.
Os requisitos são exigidos e devem ser atendidos, enquanto as recomendações indicam ações ou controles que podem otimizar o processo. A lista de verificação também pode ser usada como procedimentos internos de medição da qualidade.
Um ponto importante da certificação é a identificação de três combinações representativas do sistema. São combinações (combos) de RIP, sistema de impressão, modo de impressão e substrato típicas para a produção. A lista abrange também o tipo de ava­lia­ção de cor, ou seja, lado a lado, ou mídia relativa. Isso é importante porque in­fluen­cia o tipo de ava­lia­ção. As três combinações se­le­cio­na­das cons­troem a base para a análise de dados e de impressão, tanto durante quanto após a auditoria.
O documento PSD define que a gestão da qualidade pode ser considerada como tendo quatro componentes principais: planejamento da qualidade, controle de qualidade, garantia de qualidade e melhoria da qualidade. A gestão da qualidade é focada não só na qualidade do produto ou serviço, mas também dos meios para alcançá-​­la. Nesse sentido, o PSD recomenda documentar uma série de informações sobre a organização e os equipamentos utilizados. Nos casos em que os procedimentos operacionais padrão (POPs) exigidos na norma ISO 9001 (no Brasil, ABNT NBR ISO 9001) estiverem disponíveis, deve-​­se documentar apro­pria­da­men­te.
Esperamos que brevemente tenhamos a série ISO 15311 publicada para podermos traduzir e adotar no mercado brasileiro, obtendo alguns dos be­ne­fí­cios que os usuá­rios do PSD da Fogra obtêm.

Viviane Pereira é chefe de secretaria do ONS27 e secretaria do ISO/TC130/WG13 – Avaliação da Conformidade. Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador do WG13, diretor técnico da ABTG Certificadora e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 96.

 
Comitê de normas para o setor gráfico reúne‑se na Coreia Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Qui, 25 de Fevereiro de 2016

No encontro, que teve a participação de 26 países, Bruno Mortara, superintendente do ONS27, foi eleito coordenador do grupo de trabalho que cria parâmetros para avaliação de conformidade.

Entre os dias 2 e 8 de novembro aconteceu em Seul, na Coreia do Sul, a reu­nião do Technical Committee for Graphic Technology – TC 130, comitê da ISO (In­ter­na­tio­nal Or­ga­ni­za­tion for Stan­dar­di­za­tion) responsável pelo desenvolvimento de normas para a indústria gráfica em âmbito in­ter­na­cio­nal. O encontro contou com a participação de representantes dos 26 paí­ses que integram o comitê, sendo que os documentos elaborados, além de terem validade in­ter­na­cio­nal, são também en­via­dos para outros 20 paí­ses, que os receberem como paí­ses observadores.
Os trabalhos são divididos em subcomitês, denominados de Working Groups, abrangendo as ­­áreas de terminologia, pré-​­impressão, processos de impressão, pós-​­impressão, sustentabilidade am­bien­tal, materiais e certificação. Tais grupos podem ­criar, alterar, revisar ou cancelar normas.
Na reu­nião plenária que encerrou os trabalhos no dia 8, em Pa­ju­book City, conduzida pelo chinês Pu Jia­ling, novo presidente do TC 130, Bruno Mortara, superintendente do Organismo de Normalização Se­to­rial, ONS27, foi no­mea­do o novo coor­de­na­dor do Working Group 13, que pela primeira vez será conduzido por um brasileiro. Ele foi eleito unanimemente por 49 es­pe­cia­lis­tas de 16 paí­ses para comandar o grupo dedicado ao desenvolvimento de requisitos e parâmetros para a ava­lia­ção de conformidade.
O WG13 foi cria­do em 2010 com o objetivo de desenvolver diretrizes para a ava­lia­ção da conformidade no que se refere ao ge­ren­cia­men­to de qualidade e impressão colorida e hoje tem três projetos de norma em desenvolvimento. O ­atual coor­de­na­dor, Robert Chung, do Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, indicou Bruno Mortara como seu sucessor a partir da próxima reu­nião, a ser rea­li­za­da em maio de 2016, em Berlim.
De acordo com o superintendente do ONS27, a nova posição será de grande relevância para o desenvolvimento dos trabalhos de certificação e de normalização no Brasil. O País tem participação ativa no TC 130 desde 1998 defendendo os interesses da indústria brasileira, trazendo informações tecnológicas de ponta e contribuindo no desenvolvimento de documentos técnicos em diferentes ­­áreas. Dentro do ONS27 — que fun­cio­na como um espelho do TC 130 —, essa participação se concretiza na escolha das normas que são adotadas em âmbito na­cio­nal, que hoje são 34 das 63 normas publicadas no País para o segmento gráfico.
Leia a seguir os trabalhos mais relevantes para o Brasil, nos grupos em que os representantes brasileiros (Bruno Mortara e Maí­ra de Oliveira, então secretária do ONS27) participaram.

Principais resoluções do 29º encontro do TC 130

Working Group 2 – Pré‑impressão

ISO 19445‑1, Tecnologia Gráfica – Metadados para fluxo de trabalho de artes gráficas – Parte 1: metadados XMP para documentar imagens e provas
No setor de embalagens, arquivos PDF em geral contêm elementos que não serão impressos, usados para marcar dobras, cortes, colas ou relevos. Para diferenciá-​­los dos elementos que serão efetivamente impressos, o truque usado pela indústria tem sido a adoção de canais de cor para salvar essas informações, tidas como “etapas de processamento”, em geral no­mea­das com seu nome em inglês, varnish, die ou engraving. Na norma ISO 19445‑1 essas informações são colocadas em grupos de con­teú­do opcionais (OCGs – camadas estruturais do PDF), como metadados PDF bem definidos. São complementos de um ­PDF/X‑4, permitindo à indústria de embalagens fazer provas sem marcas des­ne­ces­sá­rias nesse momento, assim como a impressão com todas as marcas exigidas. Um PDF pode então servir como um re­ci­pien­te para todos os dados de produção, impressão e não impressão de um produto como uma embalagem ou um rótulo.
A conformidade do PDF no qual se aplicam os metadados da ISO 19445‑1 pode ser ­PDF/X‑4, /X‑5 ou o PDF con­ven­cio­nal. O uso de elementos em braile é com­preen­di­do na norma, o que é ótimo.

PDF/X‑6, o novo PDF da família ISO 15930
Foi discutida a forma de desenvolver os ­PDF/X‑4 e X‑5 e qual nome receberão. Ficou decidido, pro­vi­so­ria­men­te, que será ­PDF/X‑6, família da qual as versões X‑4 e X‑5 farão parte. Essa versão será o primeiro ­PDF/X com base na ISO 32000‑2 e não na especificação da Adobe. O documento é denominado: Parte 9 – Troca completa dos dados de impressão (­PDF/X‑6) e troca par­cial de dados de impressão com referência externa perfil (­PDF/X‑6p) utilizando PDF 2.0. Seguindo a tendência da indústria de impressão que tem desenvolvido processos com múltiplas cores pri­má­rias, como ­CMYKOGV — cia­no, magenta, amarelo e preto além de laranja, verde e vio­le­ta —, o ­PDF/X‑6 terá uma versão que poderá utilizar perfis ICC e dados multicoloridos (N‑Channel), denominada de ­PDF/X‑6n. Isso permitirá que os trabalhos multicoloridos transcorram de forma previsível.
Um arquivo PDF em conformidade com o ­PDF/X‑6 trata as conversões entre espaços de cor sempre com a opção Black Point Com­pen­sa­tion ativada, resultando em conversões mais precisas, em es­pe­cial nas ­­áreas de sombra. Outra novidade é a regulamentação da definição de cores especiais dentro de um PDF, no formato CXF, de grande interesse para o segmento de embalagens, em função da precisão de definição espectral em relação ao método ­atual, colorimétrico (Cielab).
Uma das vantagens do ­PDF/X‑6 será o fato de ter características múltiplas, servindo como saí­da de impressão, assim como saí­da para dispositivos digitais, como tablets, telefones e computadores. Prevê-​­se, ainda a cria­ção de Notas de Aplicação para o ­PDF/X‑6, es­pe­cial­men­te para apoiar os fornecedores que desenvolvem aplicações e o mercado.

ISO 17972 – Intercâmbio de dados de cor utilizando XML
A ISO 17972 representa um novo padrão que se aplica ao armazenamento de dados de caracterização, fornecendo um esquema flexível para a troca de dados de cores especiais com base no padrão CxF3, da X‑Rite (ver www.colorexchangeformat.com). A primeira parte foi publicada em 2015. A Parte 2, que abrange os dados das cartas de cor para calibração de escâneres, será votada como DIS e deve ser re­fe­ren­cia­da na revisão da norma ISO 12641‑2. A Parte 3 abrange dados de caracterização de um processo gráfico ou Dataset, e se destina a substituir todos os formatos existentes (por exemplo, ISO 12642 ou ISO 28178) e acompanhará o conjunto de dados de caracterização. Essa norma também está em votação de DIS. Finalmente, a Parte 4, que se refere aos dados de caracterização de cores Spot (CxF/X‑4), foi publicada e define um formato de troca de dados de medição tintas para fornecer um meio para caracterizar tintas de cores especiais de forma espectral, aumentando sensivelmente a qualidade dos impressos, es­pe­cial­men­te útil na área de embalagens.

ISO 12642‑1 (IT.8‑7)
O famoso alvo para calibração de escâneres, com uma carta de cores fotográfica que é lida e comparada com os valores de fabricação, permitindo a cria­ção de um perfil ICC do escâner, com mais de um milhão de có­pias vendidas desde sua cria­ção, será atua­li­za­do e publicado em 2016. Uma segunda parte da norma foi cria­da, denominada Advanced Colour targets for input scanner ca­li­bra­tion e se baseia nas demandas de instituições cien­tí­fi­cas, como museus, ga­le­rias de arte e arquivos do patrimônio cultural, que exigem mais patches para conseguir uma melhor caracterização cor. Uma nova votação deve ser ini­cia­da após a próxima reu­nião em Berlim.

ISO 19445‑1, Tecnologia Gráfica – Metadados para fluxo de trabalho de artes gráficas – Parte 1: metadados XMP para documentar imagens e provas
A proposta dessa norma obteve uma ava­lia­ção positiva. Trata-se de uma interessante tecnologia para determinação de quem, como, quando e em que condições de calibração e iluminação uma imagem ou trabalho foi aprovado. A publicação final é
esperada para 2016.

ISO 18620 – Ajuste da curva de resposta tonal (padronização de curvas de CtP)
O padrão, denominado Tone adjustment curves exchange, deve ser útil para se comunicar de forma inequívoca as curvas de ajuste de tom definidas como per­cen­tual nominal entre os sistemas de fluxo de trabalho com os valores obtidos durante o processo de impressão. Hoje há um grande número de formatos pro­prie­tá­rios e passar a utilizar um formato normalizado unificará a rea­li­za­ção de curvas de fôrmas, em diferentes sistemas, fábricas e marcas de equipamentos. A votação de DIS está em andamento e veremos os resultados em Berlim.

ISO 20616, Tecnologia Gráfica – ISO 20616‑1 – PRX – Print Requirements eXchange (arquivo e software de controle de qualidade e metadados)
a. Parte 1: Requisitos de impressão de câmbio (PRX). O Projeto PRX é um formato de arquivo cujo objetivo é permitir que o pro­prie­tá­rio da marca possa fornecer requisitos de impressão para a gráfica, bem como a todas as partes envolvidas no fluxo de trabalho de produção. PRX destina-​­se a facilitar a comunicação das expectativas dos clien­tes para provedores de serviços de impressão e para as partes interessadas sobre um ou mais trabalhos. O PRX é projetado para permitir que os pro­prie­tá­rios de marcas especifiquem seus objetivos esperados e to­le­rân­cias, procurando ava­liar produção, cor e qualidade de dados de seus materiais impressos. As cores dos dados transportados por PRX serão codificados usando o formato ISO CxF.
b. Parte 2: Troca de dados de qualidade de impressão (PQx). Essa parte da ISO 20616 especifica um formato extensível simples para o intercâmbio de dados de qualidade de impressão e metadados entre aplicações de controle de qualidade. Ela inclui a medição de cor, o controle de processos e sistemas de gestão de qualidade, mas não se limita a isso. É um formato de dados e metadados extensível, para controle de processo e alvos para os compradores. Serve de elo de comunicação entre convertedores e detentores de marcas. Um arquivo PQx representa uma tiragem específica de um produto, com informações sobre cores, registro, informações de negócio e características físicas da ISO 15311‑1. O PRX vai do clien­te à gráfica e o PQX vai da gráfica ao clien­te. Medições e ava­lia­ções são feitas durante a produção. Não há to­le­rân­cias nem alvos. São simplesmente medições de uma folha a toda a tiragem.
Um projeto de trabalho deve ser desenvolvido para ambos os padrões.

ISO 20677‑1 – ICC V5, denominado iccMAX
O iccMAX é um novo sistema de gestão de cores desenvolvido pelo ICC Labs, dentro da organização ICC (www.color.org). A nova especificação irá estender a ­atual especificação de versão 4 fornecendo novos recursos. A norma será intitulada Image technology colour management – Ex­pan­sion of architecture, profile format, and data structure to enable development of advanced colour management systems. Maiores informações podem ser obtidas em www.color.org/iccmax/.

Working Group 3 – Processos de Impressão

ISO 12647‑7 – Controle de processos para a fabricação de separação de cores meio‑tom, provas e impressões de produção – Parte 7
Essa norma foi revisada e discutida, sendo que os co­men­tá­rios do Brasil foram aceitos em sua maioria. Foram sugeridas ainda modificações no uso da ISO 12040, mas foram abandonadas, deixando a norma como na versão an­te­rior. O WG4 irá rever a ISO 12040. O documento irá para votação em breve.

ISO 13655 – Norma de cálculo e métricas de medição de cores
A norma, publicada em 2009, ganhou novas especificações. Para cores de reflexão de superfície com­preen­de quatro modos de medição diferentes: M0, M1, M2 e M3. M0 é histórica, M1 é o novo padrão com con­teú­dos UV definidos, M2 é similar a M1, porém com um filtro que retira o con­teú­do UV (UV cut), e M3 trata da densitometria com filtro polarizador. A votação do documento está atual­men­te nos estágio DIS e terminará em fevereiro de 2016.

ISO 12647‑6 – Impressão flexográfica
Uma pequena revisão foi necessária, pois a norma que definia as tintas flexográficas (ISO 2846‑5) foi cancelada e suas re­fe­rên­cias foram removidas.
A norma foi publicada em outubro de 2015.

ISO/DIS 12646 – Requisitos para monitores de provas virtuais
Foi atingido um consenso e o documento foi publicado. Assim, ao comprar um monitor de alta qualidade para provas virtuais é bom verificar se ele está em conformidade com a norma ISO 12646 (classe A ou B). Essa conformidade é testada pela Fogra no programa Monitor FograCert.

ISO 14861 – Norma para provas virtuais
Alcançou-​­se um consenso em relação ao documento, que foi finalmente publicado. Os organismos de certificação abandonarão a velha ISO 12646 e utilizarão a nova ISO 12646 em conjunto com a ISO 14861 para a certificação de sistemas de provas virtuais.

ISO PAS 15339‑1 e 2. Impressão de dados digitais, Princípios básicos e Condições de Impressão de Referência, Parte 2
Essa norma foi publicada como uma PAS (especificação pública) e está disponível no site da ISO. É uma importante evolução da família 12647 e, por isso, os alemães e outros paí­ses europeus combateram tão vee­men­te­men­te sua implantação. O Brasil entendeu que é importante e ­apoiou os esforços dos Estados Unidos em a tornarem uma norma in­ter­na­cio­nal ISO, uma vez que nos parece ser uma boa candidata à futura norma de impressão dita agnóstica, isto é, independente de processo
usado na impressão.

ISO 15311 – Padrão de impressão de impressão digital
A Parte 1 do padrão multipartes define métricas para medir atributos importantes de qualidade de imagem de impressão. Sua publicação como uma especificação técnica (TS) é esperada para o início de 2016. Já o consenso para a parte 2 (impressão co­mer­cial digital) é muito menor. Aqui, o grupo discutiu abordagens diferentes. Uma nova versão do documento será discutida na próxima reu­nião. A especificação para a parte 3 (impressão de grande formato sinalização) se origina do trabalho do Grupo de Trabalho Fogra Impressão Digital (DPWG). Depois de muitas discussões, o grupo achou melhor suspender o projeto até que os es­pe­cia­lis­tas se
sintam mais confortáveis com o assunto.

ISO/TS 18621 – Família de normas de atributos de medição de qualidade de imagem
O grupo de trabalho conjunto, JWG 14, entre o TC130 e o JTC1 SC28, se reuniu e as métricas foram discutidas e desenvolvidas. Foi discutida a inclusão do TC42 de fotografia a fim de am­pliar sua abrangência. Esse é um dos grupos mais interessantes do TC130, pois atinge muitas ­­áreas, como fotografia, equipamentos de es­cri­tó­rios, impressoras industriais, monitores e outros dispositivos de saí­da. Atual­men­te ensaios circulares foram conduzidos para as técnicas M‑Score, L‑Score e P‑Score. As métricas serão aperfeiçoadas com base no feed­back desses testes e se espera uma publicação entre 2016 e 2017.

ISO 20654 – Controle de valor tonal de cores especiais (SCTV)
Com base no trabalho do chamado grupo Schmo, um documento foi apresentado e deve ser usado para que se determine uma métrica que resulte numa forma de percepção uniforme de escalas cromáticas de cores especiais (de 0% até 100%). Nesse caso as fórmulas Murray Da­vies e Yule-​­Nelson não fun­cio­nam corretamente. A nova votação será ini­cia­da em breve com um título provisório de Gestão e cálculo do valor tom de cor spot (SCTV).

Novo projeto – Impressão Multicolorida com expansão de Gamut (4C +).
Um grupo de es­pe­cia­lis­tas, liderados por Elie Khoury, foi formado para começar a trabalhar no assunto e coletar aspectos potenciais a serem cobertos pela norma.

Working Group 4 – Mídias e materiais

Papel de teste APCO para ensaios de tinta de impressão na ISO 2846‑1
O papel de teste APCO II/II foi utilizado durante muitos anos para testar as coor­de­na­das de cor, transparência e espessura da película de tintas de processo. Ele não é mais fabricado. A IGT (Holanda) desenvolveu um sucessor, que está agora em estoque. Todos os objetivos de cores para tintas de processo desenvolvidas para APCO II/II ainda são válidas para o novo substrato. O substrato já pode ser encomendado na IGT.

ISO 12040 – Teste de resistência à luz
Essa norma deve ser am­plia­da com informações sobre as doses de ra­dia­ção ne­ces­sá­rias para os níveis de escala de lã in­di­vi­duais. De acordo com ex­pe­riên­cias da Fogra isso pode ser difícil. Outras in­dús­trias foram incapazes de alcançar esse objetivo. Uma melhor harmonização com a ISO 105 B02, padrão equivalente para produtos têxteis, poderia ser alcançado.

ISO 12632 – Resistência de etiquetas a alcalóides
Um novo projeto desenvolvido pela Fogra ba­sea­do na DIN 16524‑6 e DIN 16524‑7 foi aceito.
O padrão será publicado.

ISO 12634 – Medição de tack
Um novo projeto, que combina elementos da norma existente com elementos de um novo método de ensaio dos Estados Unidos, foi entregue de­ma­sia­do tarde para ser discutido em Seul. Novas
discussões ocorrerão em futuros encontros.

ISO 12636 – Blanquetas
Os fabricantes norte-​­americanos e europeus de blanquetas estão revisando essa norma. O Japão ainda não concorda com as sugestões e isso blo­queou o início da revisão.

Working Group 11 – Sustentabilidade

ISO 20690 – Medição da eficiência energética das máquinas de impressão digital
Após a apresentação do resultado do projeto de pesquisa finalizado pela Fogra, uma nova votação de novo item de trabalho foi aceita, bem como a votação seguinte de CD. Muitos dos co­men­tá­rios da delegação japonesa foram recebidos, no entanto decidiu-​­se rea­li­zar reu­niões virtuais antes do
encontro em Berlim.

Avaliação da deinkability de produtos impressos. (Retirada da contaminação de tinta de papel pós‑consumo)
Uma nova proposta sobre a deinkability de impressos levou a intensas discussões entre es­pe­cia­lis­tas de impressão e fabricantes de papel durante a reu­nião de Seul. Even­tual­men­te um consenso poderia ser encontrado mudando deinkability de impressos para po­ten­cial deinkability de impressos. No entanto, existem muitas questões em aberto, uma vez que essa norma abrange a ava­lia­ção da polpa.

Working Group 12 – Pós‑impressão

ISO 16762 – Tecnologia Gráfica – Postpress – Requisitos Gerais
Esse futuro padrão, em estágio de CD (Committee Draft, an­te­rior ao DIS), visa assegurar o intercâmbio de informações de requisitos de acabamento (dobra, vinco, serrilha, corte etc.) a todos os responsáveis pelo planejamento do trabalho de impressão e etapas preliminares de produção. O documento foi aceito como projeto pela comissão e muitos co­men­tá­rios foram discutidos e serão incorporados ao projeto.

ISO DIS 16763 – Tecnologia Gráfica – Postpress – Requisitos para produtos encadernados
Esse projeto define os requisitos de produtos encadernados de qualidade. O Brasil apoia e participa remotamente dos co­men­tá­rios dessa norma.

ISO 19549 – Pagepull – método de teste de tração
O projeto, advindo de norma alemã, possui especificações para dispositivos que puxam as folhas do livro com força e frequência conhecidas. O projeto foi aceito e intensamente debatido. O Japão trouxe vá­rias objeções, que serão revistas e incorporadas ao projeto.

Working Group 13 – Requisitos
de avaliação da conformidade

O WG13 está atual­men­te trabalhando em três normas (ISO WD 16761‑1, ISO WD 16761‑2 e ISO NP 19301) relativas aos requisitos de ava­lia­ção da conformidade em tecnologia gráfica. Houve divergência com relação ao formato das normas: se devem ser esquemas ou diretrizes para cria­ção de esquemas. A partir de uma pesquisa com es­pe­cia­lis­tas e o mercado, os resultados da pesquisa foram usados para desenvolver uma proposta, denominada Normas WG13, uma nova visão, com uma reor­ga­ni­za­ção dos documentos em desenvolvimento pelo grupo de trabalho. Foi acordado que os documentos terão novos números:
• ISO 16761‑1: especifica os requisitos de conformidade reprodução de cores e tons.
• ISO 16761‑2: especifica os requisitos de conformidade impressão embalagem e rótulo.
• ISO 19301: especifica os requisitos de conformidade do sistema de gestão da qualidade de cor e declaração do fornecedor de qualidade do produto.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador do ISO/TC130/WG13 – Avaliação da Conformidade, diretor técnico da ABTG Certificadora e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 95

 
Comitê Técnico Internacional de Tecnologia Gráfica reúne-​­se na Itália Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara e Maíra de Oliveira   
Qua, 28 de Outubro de 2015


A reu­nião do Comitê Técnico In­ter­na­cio­nal de Tecnologia Gráfica, ISO/TC 130, em maio, aconteceu na bela cidade de Bolonha, na Itália. Bolonha é um exemplo de cidade cosmopolita desde o final da Idade Média e abriga a sede da mais antiga universidade do mundo, datada de 1088.
As reu­niões envolveram 13 grupos de trabalho. O Brasil foi representado pela secretária do WG13, Maí­ra de Oliveira, e pelo chefe da delegação, Bruno Mortara. Acreditamos que a padronização produza efi­ciên­cia, repetibilidade e qualidade, além de economia e menor impacto am­bien­tal da nossa indústria. O ONS27, organismo da ABNT que fun­cio­na na ABTG com suporte do Sindigraf-​­SP, traduz e lança manuais das normas mais relevantes, como tem feito nos últimos 15 anos, com o objetivo de dar à indústria gráfica na­cio­nal a possibilidade de acompanhar os avanços globais. Além disso, sempre que solicitado, o ONS27 cria normas locais para atender demandas específicas da nossa indústria gráfica.
Acompanhe a seguir um resumo técnico dos trabalhos desenvolvidos.


WG3 – Controle de processos

A primeira discussão desse grupo de trabalho envolveu uma errata na norma de flexografia, a ISO 12647-​­6:2012/Amd 1 Graphic technology – Process control for the pro­duc­tion of half-​­tone colour se­pa­ra­tions, ­proofs and pro­duc­tion prints – Part 6: Flexographic printing. Ela foi necessária porque o grupo entendeu que as tintas utilizadas no processo flexográfico têm uma grande va­ria­ção e não devem ser padronizadas. A norma de referência de padronização de tinta de flexografia, ISO 2846‑5, que determinava as características colorimétricas das tintas CMYK desse processo, foi cancelada. Agora, as partes envolvidas — clien­te, dono da marca, clicheria e gráfica — entram em acordo sobre os colorantes do processo e respeitam as to­le­rân­cias da ISO 12647‑6. A errata entrará em votação até o final de julho.
O segundo assunto foi a informação de que a norma de monitores, ISO/DIS 12646, Graphic technology – Displays for colour proo­fing – Characteristics and vie­wing con­di­tions está sendo publicada pela secretaria central. O con­teú­do da norma ficou extremamente técnico e as ava­lia­ções somente poderão ser feitas com instrumentos sofisticados e caros em la­bo­ra­tó­rios com am­bien­tes controlados, afastando a ava­lia­ção do hard­ware da verificação de calibração, que ficou na nova norma ISO 14861. Os la­bo­ra­tó­rios irão expedir certificados de conformidade para as marcas e modelos de monitores e sua calibração em campo fica por conta da ISO 14861. Para o Brasil isso afeta nossa norma de processos, NBR 15936‑1, que deverá ser atua­li­za­da em futuro próximo. A norma ISO/DIS 14861 Graphic technology – Colour Proo­fing using electronic displays está em final de votação e espera-​­se sua publicação em breve pela secretaria central da ISO.
O grupo também debateu as alterações da norma de provas digitais contratuais, a ISO/ 12647‑7 Graphic technology – Process control for the manufacture of half tone colour se­pa­ra­tion, ­proofs and pro­duc­tion prints – Part 7: Proo­fing processes working directly from digital data. A segunda votação resultou em vá­rios consensos. Os co­men­tá­rios brasileiros sobre brilho de tinta, solidez de cor e to­le­rân­cias em cores especiais foram contempladas com separação no Anexo A. Nele, os requisitos para certificação de sistemas fabricados são separados da certificação nas gráficas, simplificando a certificação dos fornecedores de impressão. Uma das principais mudanças será a das to­le­rân­cias reportadas em DeltaE 2000. Isso dá à norma uma maior precisão e durabilidade. Os valores de to­le­rân­cias ainda estão em discussão, mas o acordo está em vias de ser atingido. Os quesitos de solidez de cor, assim como brilho do substrato e tintas, ficaram restritos às ava­lia­ções dos fabricantes e não das gráficas, como queria o Brasil. O ponto de branco do substrato deve estar em conformidade com o do Dataset de simulação (com DeltaE2000 máximo de 3), porém agora permitindo que seja “pintado” pelo sistema de provas, no modo absolute colorimetric.
Em seguida se discutiu a norma de processos gráficos digitais ISO/TS 15311‑1, Graphic Technology – Requirements for printed matter utilizing digital printing tech­no­lo­gies for the com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 1: Parameters and Mea­su­re­ment mea­su­res. A pauta envolveu os co­men­tá­rios da parte 1, que é uma extensa lista de atributos de qualidade gráfica de impressos que podem ser utilizados como uma caixa de ferramentas para ava­lia­ção de qualquer processo de reprodução. Foram resolvidos os co­men­tá­rios feitos pelos paí­ses-​­membros, com es­pe­cial discussão sobre a metodologia de amostragem. A norma é um conjunto de características que devem ser consideradas como defeitos nos impressos, ava­lian­do diretamente a qualidade de impressão das amostras. Discutiu-​­se a opacidade dos pa­péis com os possíveis atributos shine-​­through, stricke-​­through e show-​­through.

Leitura do vermelho Pantone 186, de 10 em 10%, e suas leituras espectrais

Na discussão da parte 2 da TS, ISO/TS 15311‑2, Graphic Technology – Requirements for printed matter utilizing digital printing tech­no­lo­gies for the com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 2: Com­mer­cial Pro­duc­tion Printing, que é focada na impressão digital de produção (impressão digital com tiragens similares às mé­dias e grandes em offset), as discussões se focaram nas faixas de qualidade. Muitos es­pe­cia­lis­tas não concordam com o fato de as normas especificarem faixas de qualidade, não obstante o próprio mercado o faça, normalmente através de precificação dos produtos. O Brasil aceita a adoção de faixas de qualidade, pois refletem as diversas demandas de qualidade dos clien­tes gráficos. As discussões foram acaloradas e o coor­de­na­dor disse que se não houver consenso a especificação será cancelada. Essa parte da ISO 15311 especifica os valores objetivos de qualidade de imagem e de impressão e métodos de medição as­so­cia­dos para os três casos de uso de impressão de produção: alta qualidade co­mer­cial (qualidade A), co­mer­cial geral (qualidade B) e aplicação de massa (qualidade C) em substratos de papel. Os cri­té­rios in­cluem tanto os padrões de teste para indicar a qualidade dos materiais impressos quanto medidas indiretas mais abrangentes de qualidade de impressão geral que a gráfica rea­li­za offline, assim como re­la­tó­rios pe­rió­di­cos. Essa norma é utilizável para todas as aplicações de impressão digital que são vi­sua­li­za­das tipicamente de 30 a 50 cm de distância, como edi­to­rial, co­mer­cial, for­mu­lá­rios, brochuras, folhetos, artigos de papelaria, contas, catálogos, jornais, revistas e livros. O dissenso se concentra nas bandas de aceitação de impressão e no fato de que a norma poderia ser usada para outros processos, não ne­ces­sa­ria­men­te somente impressão digital.
O penúltimo tema foi a parte 3, ISO/TS 15311‑3, Graphic Technology – Requirements for printed matter utilizing digital printing tech­no­lo­gies for the com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 3: Large Format Signage Printing. Como diz o título ela é dedicada aos grandes formatos, em impressão digital. Nesse documento, apesar do clamor do mercado, os es­pe­cia­lis­tas ficaram divididos e o coor­de­na­dor disse que sua recomendação é recolher as preo­cu­pa­ções dos membros da ISO e cancelar o documento até que o grupo sugira que se reinicie o mesmo. O grupo sugeriu achar consenso nos seguintes tópicos antes de prosseguir:
1. Definir as cores de alvo
2. Definir os níveis de conformidade
3. Definição da resolução com base na distância de vi­sua­li­za­ção e não do produto
4. Balanço de grises e correção de substrato
5. Cores pri­má­rias?
6. Cores se­cun­dá­rias?
7. Expectativa de brilho de substrato/impressão/acabamento

Em seguida discutiu-se a proposta de norma ISO/PWI 20654 – Spot colour tone value, que ficou conhecida como Schmoo Project. O es­pe­cia­lis­ta americano Steve Smiley apresentou o projeto para prever as curvas de gravação de chapa (TVI) que compensa as diferenças obtidas na obtenção de dégradés adequados para impressão reticulada de cores especiais.
A tabela de leitura do vermelho Pantone demonstra que, dependendo do método utilizado para ava­lia­ção de TVI (Murray-​­Da­vies e Yule-​­Niel­son) em cores especiais, a aparência muda, o que pode ser observado nas curvas espectrais. No caso do Re­flex­Blue a si­tua­ção chega a limites extremos, em que o controle densitométrico tra­di­cio­nal falha glo­rio­sa­men­te em reproduzir uma escala gra­dual­men­te homogênea. Isso pode ser observado na imagem do resultado da impressão do Pantone Re­flex­Blue, no qual diversas fórmulas foram utilizadas para produção de curvas de ganho de ponto e impressas lado a lado, para uma comparação vi­sual.
A fórmula CVT foi a preferida para lidar com os mais diferentes casos de cores especiais. O grupo decidiu que o documento será votado para uma revisão de dois meses entre os es­pe­cia­lis­tas do grupo e depois poderá ser votado por país. Um algoritmo de previsão de espessura de filme será apresentado em outro documento na Coreia pelo es­pe­cia­lis­ta norte-​­americano John Seimour.

WG2 – Pré-​­impressão
O grupo começou pela norma ISO 12641‑1, Graphic technology – Prepress digital data exchange – Colour targets for input scanner ca­li­bra­tion, que está em revisão. A parte 1 é o IT.8 da ANSI, com menores mudanças em relação a tec­no­lo­gias como discos flexíveis de 710Kb, e uma parte 2, com mais detalhes para caracterização de escâneres, está sendo feita. O editor da norma mostrou as sugestões: mais gra­dua­ções de L*, h*, gray e CMYK, visando a obtenção de mais dados dos escâneres e melhor calibração. Ainda ficará como NWI, com controle de precisão do filme do alvo.
A seguir os es­pe­cia­lis­tas analisaram a família CxF, formato para codificação de informações de cores:
• ISO 17972-​­1 Graphic technology – Colour data exchange format (CxFx) Part 1: Re­la­tionship to
CxF3
, publicada.
• ISO 17972-​­2, Graphic technology – Colour data exchange format (CxF/x) – Part 2: Scanner target data, em fase ini­cial de trabalho.
• ISO 17972-​­3, Graphic technology – Colour data exchange format (CxF/x) – Part 3: Output target data, em fase ini­cial de trabalho.
• ISO 17972-​­4, Graphic technology – Colour data exchange format (CxF/x) – Part 4: Spot colour cha­rac­te­ri­sa­tion data (CxF/X-​­4), em publicação.
Esta última é de extremo interesse da indústria, pois permite a caracterização de cores especiais de forma espectral e depois as informações em CxF serão embutidas num PDF versão 2.0 (ISO 32.000‑2).
O grupo analisou também o status da norma ISO 18619, Image technology colour management – Black point com­pen­sa­tion, que foi finalizada e entrou em fase de publicação. Sua relevância é a padronização das conversões de cores, levando em conta as perdas nas ­­áreas de sombra e a compensação desse efeito. Quan­do houve sugestões para que a norma tivesse suporte a espaços de cores multicanais, Ncolorants, o coor­de­na­dor Wil­liam Lee achou que o documento cobre espaço Gray, RGB e CMYK, mas não há consenso sobre como proceder com espaços multicolorantes. Um anexo será feito por Phil ­Green abordando o tema de NChannels e a Adobe e o ICC conversaram sobre como fazer isso. O documento assume que as cores xCLR são CMYK, são transparentes e não são cobertas as cores como light cyan, light magenta e pretos light, normalmente existentes nas impressoras digitais de provas. O BPC é aplicado objeto por objeto e as cores extras serão desconsideradas. O grupo decidiu que o anexo se torne um Technical Report.
A norma ISO 18620, Graphic Technology – Tone response curve adjustment está em votação e é relevante uma vez que se trata de um novo formato padrão para se in­ter­cam­biar curvas de compensação de RIPs, independentemente do fabricante. A ideia é que o formato comum se torne padronizado entre todos os fabricantes de RIP.
O comentário brasileiro sobre a documentação do instrumento não foi aceito. Os fabricantes de RIP Kodak, Agfa, Fuji, ­Screen, Esko e Harlequin estão
colaborando com a norma.
A norma ISO 19445, Graphic Technology – Metadata for graphic arts work­flow – Part 1: XMP metadata for image and document proo­fing está em fase final de trabalho e é relevante para documentar passos executados em fluxos de trabalho ou aprovações, es­pe­cial­men­te no caso de provas virtuais.
O padrão PDF/X está com uma importante atua­li­za­ção, ISO/PWI 15930‑2016, Graphic technology – Harmonização da ISO 15930 com a ISO 16612‑2 e a ISO 32000‑2. É a primeira vez que um PDF/X terá como referência o PDF da ISO (ISO 32000‑2) e não o da Adobe. Isso é importante, apesar de sabermos que o mercado rea­ge muito lentamente às
inovações apresentadas pelas novas normas.
Na força tarefa 3 está em desenvolvimento o padrão ISO/PWI 16612‑3 Graphic technology – Va­ria­ble data exchange – Part 3: Use of PDF/X‑4 for content subs­ti­tu­tion, que é um PDF/X‑4 para dados variáveis com entrada de dados em ­stream, es­pe­cial­men­te dedicada a con­teú­dos sensíveis como impressão de dados ban­cá­rios.
O coor­de­na­dor do JWG 7 – Color management, Wil­liam Lee, da Kodak, relatou que o ICC está implementando uma expansão da versão 4 dos perfis ICC, que dá conta de cores e transformações a partir de dados espectrais. Isso dá à tecnologia uma enorme vantagem es­pe­cial­men­te em relação às in­dús­trias e produtos que são sensíveis ao metamerismo, isto é, que va­riam de cor segundo o iluminante que incida sobre o produto impresso. Os trabalhos do ICC Max terão acesso irrestrito para os membros do WG7. O novo padrão escrito pelo ICC está ainda em trabalho, e será uma nova norma, a ISO 20677, com múltiplas partes. Há uma implementação open source de ferramenta de validação de icc­Max. Esperam-​­se aplicações médicas, fi­neart e fotografia como as primeiras a adotar a futura norma.

WG2 – TF2 – A família PDF/X
O coor­de­na­dor, Leo­nard Rosenthol, iniciou comentando a revisão da norma ISO 32000‑2 e outros padrões derivados. Disse que o TC171 está revisando o 32000‑2 e poderá ser publicado neste ou no próximo ano. O padrão PDF/A deve esperar a publicação do ISO 32000‑2, mas já foram ini­cia­dos os trabalhos.
Em seguida se discutiram os co­men­tá­rios da ISO/NWI/CD 19593 Graphic technology – Use of PDF to as­so­cia­te processing steps and content data. Esse padrão, nascido de uma solicitação dos convertedores de embalagens, se destina a embutir metadados no PDF/X a fim de suportar ações de imposição e acabamento no setor de embalagens, assim como passos de produção de malas diretas no setor de dados variáveis. Esse padrão descreve um método para o armazenamento de dados e metadados em um PDF, que auxiliam a identificar e controlar etapas da produção do PDF de impressão, assim como o po­si­cio­na­men­to de elementos comumente não presentes em impressos convencionais. A norma define os seguintes tipos de dados:
• Dados correspondentes aos passos de acabamento que irão fazer o produto impresso em três
dimensões a partir de um substrato plano
• Braile
• Painéis informacionais
• Indicativos de dimensões físicas
• Indicativos de posições pretendidas de elementos gráficos
• Branco impresso em su­per­fí­cies transparentes e metálicos
• Verniz impresso.

O grupo discutiu o nome da nova parte da família PDF/X, ISO 15930‑9 Graphic technology – Prepress digital data exchange using PDF – Part 9: Complete exchange of printing data (PDF/X‑6) and par­tial exchange of printing data with external profile reference (PDF/X‑6p) using PDF 2.0. As vantagens da nova parte serão: diferente rendering de transparência (mais restritivo e consistente); e uma nova interpretação para o Black Point Com­pen­sa­tion, com a inclusão de um OutputIntent de página e não mais um único para todo o documento. Isso significa que será possível dar conta de um arquivo com um papel (OutputIntent) na capa e outro papel (Output­Intent) para o mio­lo.
O vi­sua­li­za­dor PDF/X‑6 conforme não precisa suportar nenhuma versão an­te­rior de PDF/X. Ele terá suporte para anotações que, se estiverem na área da página, serão impressas; suportará Output­Intent de página (se todas as páginas têm OI ou no documento um current Output­Intent). O trapping não é mais suportado. Os metadados estão em linha com PDF/A e PDF/E, tudo movido de um di­cio­ná­rio do documento para XMP embutido. An­no­ta­tions são permitidas: todas aquelas da ISO 32000‑2, desde que tenham uma apea­ran­ce, isto é, uma definição de fonte, tamanho etc; a presença de código na linguagem JavaScript embutido no PDF é sempre desaconselhada, sendo recomendado que os vi­sua­li­za­do­res não façam nada com esse código; o black point com­pen­sa­tion, cru­cial para as separações colorimétricas tem uma chave específica que aponta se deve estar acio­na­do ou não; cores especiais podem ser embutidas de forma espectral, desde que no formato CxF-​­4; o formato suportará espaços de cor multicanais, denominados Nchannels. O documento de rascunho será dis­tri­buí­do pelo editor no final de maio.
Foi decidido que o padrão ISO 15930‑8, PDF/X‑5, não será modificado. No entanto não se conhecem implementações no mercado. O professor Jason Lisi está fazendo a revisão das Ap­pli­ca­tion Notes do PDF/X, inclusive com a contribuição da cartilha de PDF/X‑4 da ABTG, e deve apresentar um documento na Coreia.


Bruno Mortara é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade
Senai de Tecnologia Gráfica. Maíra de Oliveira é técnica gráfica e secretária do ONS27

Artigo publicado na edição nº 94

 
O novo papel do comprador de produtos gráficos Imprimir E-mail
Escrito por Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz   
Ter, 18 de Agosto de 2015

A quem se di­re­cio­nam as normas gráficas? Aos gráficos ou aos compradores do mercado gráfico? Para poder responder a essa pergunta, há dois anos o Comitê Técnico In­ter­na­cio­nal de Tecnologia Gráfica, ISO/TC 130, criou uma comissão es­pe­cial, a TF3, que possui como principal objetivo encontrar essa resposta. Atual­men­te as normas elaboradas pelo TC 130 são di­re­cio­na­das às empresas que elaboram produtos gráficos, sejam elas fabricantes de tintas, de papel, ou gráficos pro­pria­men­te ditos. Entretanto, a indústria em geral está se organizando, através de as­so­cia­ções ou de forma direta, e começa a exigir que os gráficos atendam às suas necessidades e que sejam desenvolvidas normas que possam ser verificadas por aqueles que compram serviços de impressão. Esse movimento advém da capacitação do próprio comprador gráfico, que começa a entender mais tecnicamente o produto adquirido, especificando melhor o que será comprado. Como essa é uma fase ini­cial, ele precisa de normas que suportem sua especificação e melhorem o diá­lo­go entre ele e a indústria gráfica, pois esse pro­fis­sio­nal não conhece profundamente o processo produtivo. Tal fato foi comprovado durante a última reu­nião do ISO/TC 130, rea­li­za­da de 11 a 15 de maio em Bologna, na Itália, por meio de dois fatos interessantes.

Uma visão internacional: o que querem os print buyers fora do Brasil.
O primeiro fato foi a manifestação de um gerente técnico da Glaxosmithkline, indústria far­ma­cêu­ti­ca inglesa que anual­men­te compra impressos de 400 gráficas ao redor do mundo. Ele participou da reu­nião do grupo de pré-​­impressão que está definindo as especificações para o novo formato PDF. Ele pôde contribuir dando a visão do comprador gráfico no processo e enfatizando como a simplicidade pode ajudar na utilização das normas.
O segundo fato foi a Print Buyers’ Conference. Tentando repetir o evento que aconteceu durante a Ipex 2014, em Londres, em 15 de maio foi rea­li­za­da a conferência ita­lia­na de compradores de produtos impressos. O objetivo foi entender o papel do comprador gráfico na cadeia de suprimento e identificar suas principais necessidades. Participaram do evento figuras como Bruno Arruda Mortara, diretor técnico da ABTG Certificadora; Edwin Collela, ex-​­diretor de mar­ke­ting da Ferrari; e Andrea Casadei, gerente de pré-​­impressão da Tetra Pak. Todos os palestrantes destacaram a importância do uso das normas no processo gráfico e o fato de que hoje não basta imprimir bem — o comprador espera que o gráfico ofereça serviços adicionais. Um exemplo foi mostrado pelo Grupo Sinergia, que iniciou atividades como gráfica, mas percebeu que poderia lucrar mais oferecendo serviços de logística ao clien­te.

ISO/TC 130 Grupo TF3 vs. compradores gráficos: o que eles possuem em comum?
O ISO/TC 130 tem trabalhado ativamente e já desenvolveu cerca de 70 normas, sendo que as mais conhecidas são as normas de processo de impressão (série 12647) e as que trazem requisitos para o arquivo PDF (série 15930). Embora o trabalho tenha sido extenso, ele foi feito de maneira que a consulta e o uso das normas continua sendo complexo para um leigo no processo de normalização.
Para melhor dirimir essas questões, o TF3 apresentou um esquema que contempla todos os atores envolvidos no segmento gráfico e um detalhamento do papel de cada um. Esse detalhamento permitiu analisar quais são os principais atores do mercado e, principalmente, quais são os aspectos e/ou requisitos mais importantes para cada um deles
dentro do processo gráfico:
Comprador gráfico: responsável por comunicar-​­se com o designer sobre a expectativa do clien­te; em alguns processos, comunicar ao impressor alguns parâmetros técnicos; responsável também por aprovar as impressões de validação e provas, aprovar as folhas ok e aprovar o trabalho final.
Designer: responsável por planejar a aparência e/ou estrutura do projeto gráfico antes de ser produzido. O seu papel não é coberto pelas normas ISO/TC 130 existentes.
Operador de pré-​­impressão: pessoa ou organização que permitem a impressão de um projeto gráfico genérico usando um processo de impressão específico.
Preparador de matriz para impressão: pessoa ou organização responsável por preparar as matrizes de impressão nos processos de impressão convencionais.
Impressor: responsável por imprimir o con­teú­do de um arquivo digital em um processo digital ou o con­teú­do de uma forma de impressão num processo con­ven­cio­nal.
Operador de pós-​­impressão: responsável por receber ma­te­rial impresso para ser con­cluí­do.
A figura da página de abertura deste artigo apresenta os atores e a interrelação entre eles.
Nesse contexto ficou claro que os requisitos esperados pelo comprador gráfico no momento de ava­liar o produto adquirido não podem ser facilmente verificados. Ele espera que, ao receber o produto gráfico, possa ser rea­li­za­da a conferência em relação a uma norma pre­via­men­te estabelecida. Contudo não existem especificações padronizadas/normalizadas para o produto final, porque, até o momento, o ISO/TC 130 especificou requisitos apenas para o processo de impressão, embutindo em alguns casos requisitos de produtos. Esses requisitos pree­xis­ten­tes também auxiliariam no momento que ele fosse validar os requisitos do clien­te a serem informados ao gráfico. Isso também gera alguns ruí­dos no momento em que o produto final possui algum desvio relativo ao processo produtivo, mas que não está claramente definido, impossibilitando que o gráfico dialogue com o comprador gráfico de uma
forma mais clara e transparente.

ISO 12647-​­2:2004 versus ISO 12647-​­2:2013
Para exemplificar algumas das dificuldades mais presentes, na antiga versão da norma 12647-​­2, publicada em 2004 com emendas efe­tua­das em 2007, eram definidos cinco tipos de pa­péis, os valores colorimétricos das cores pri­má­rias e as suas to­le­rân­cias durante o processo produtivo. Exis­tiam muitos problemas na aplicação dessa versão, pois, do ponto de vista dos gráficos, havia uma dificuldade muito grande de encontrar pa­péis em conformidade com tal norma, além da ausência de to­le­rân­cias para as cores se­cun­dá­rias e ter­ciá­rias. Já da parte do comprador gráfico, era difícil saber se o produto final estava em conformidade com a norma, pois ao recebê-​­lo ele não pos­suía mais as escalas de controle, não podendo assim efe­tuar as medições, além do que os requisitos definidos eram apenas para o processo, não para o produto final. Também havia o fato de que um mesmo produto poderia ser produzido por diversos sistemas de impressão, questão irrelevante para o produtor gráfico, ao qual o que real­men­te importa é a qualidade e o aspecto vi­sual do produto final. Ele ainda esperava que essa ava­lia­ção fosse feita apenas no produto através de critério de aprovação/reprovação. Adi­cio­nal­men­te, ao se trabalhar com CMYK+, não se tinha nenhuma referência de como efe­tuar a ava­lia­ção da cor es­pe­cial, sendo a única exceção o processo de impressão flexográfico, onde já era feita referência às cores especiais na norma ISO 12647-​­6:2012.
Contudo, na nova versão da ISO 12647-​­2, publicada em 2013, existe uma maior flexibilidade, possibilitando que a gráfica e o comprador de produtos gráficos acordem alguns requisitos que não estejam explícitos na norma. A única exigência é que os requisitos alterados sejam pre­via­men­te acertados. Outra novidade é a inclusão de oito condições de impressão de acordo com oito tipos diferentes de pa­péis e oito descrições dos colorantes. Nesse item também existe a possibilidade de alteração. Caso a gráfica e o comprador optem por uma condição de impressão que seja divergente das apresentadas, eles poderão ainda estar em conformidade com a norma através do estabelecimento de um acordo entre as partes e atendimento dos demais requisitos.

Uma mudança necessária
Não existe previsão de quando serão elaboradas normas voltadas para o comprador gráfico, porque, embora ele tenha um papel decisivo na indústria gráfica, sua presença é pequena no universo da normalização. De qualquer forma, alguns passos foram dados nessa direção e já se tem o entendimento da importância desse ator. Contudo, ele vem utilizando outras ferramentas para que o gráfico atenda suas exi­gên­cias. Uma delas é a certificação. É importante que o gráfico brasileiro esteja atua­li­za­do e atento a tudo que acontece no contexto in­ter­na­cio­nal, porque podem vir a ser pre­cio­sas ferramentas no mercado na­cio­nal. Normalmente, momentos de crises oferecem oportunidades para quem consegue pensar fora da caixa. Torna-​­se fundamental preparar-​­se e adaptar-​­se a esse novo modelo de compra, onde o clien­te será mais exigente, as to­le­rân­cias tendem a ser cada vez menores e o erro não poderá ser barganhado com descontos. Só os mais competentes sobreviverão.

Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz é técnóloga gráfica, especialista em qualidade e produtividade para a indústria de impressão. Atualmente é representante italiana no ISO/TC 130 e coordenadora de projetos internacionais da empresa italiana Wide Gamut.

Artigo publicado na edição nº 93

 
Alvejantes ópticos e os novos espectrofotômetros Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Qua, 06 de Maio de 2015

Alvejantes ópticos no papel de impressão forçam a criação de novos padrões de cabines de luz e de espectrofotômetros.

Recentemente, o uso quase indiscriminado de alvejantes ópticos em pa­péis de impressão gráfica forçou a ISO a alterar seus padrões de iluminação e medição a fim de adequar-​­se às modificações na percepção e na medição de cores provocadas por esses agentes químicos. Em poucas palavras, os alvejantes ópticos — conhecidos por sua sigla em inglês FWA (fluo­res­cent whitening agents) — são subs­tân­cias químicas misturadas à massa ou ao revestimento dos pa­péis. Quan­do excitadas pela parte invisível de raios luminosos incidentes — ra­dia­ção ul­tra­vio­le­ta —, tais subs­tân­cias retornam luz visível em tons de azul e, por vezes, magenta. Esse fato faz com que uma imagem impressa em papel com alvejantes ópticos, vista numa cabine de iluminação com luzes an­te­rio­res à norma ISO 3664, de 2009, se mostre muito diferente do que quando vista sob a luz solar moderada.
Para superar esse problema, a ISO especificou um novo iluminante para as cabines de luz, na ISO 3664, e para os espectrofotômetros, na ISO 13655, de forma que aquilo que se vê numa cabine de luz normalizada (imagem + fluo­res­cên­cia), agora pode ser aferido por um espectrofotômetro atua­li­za­do, de maneira consistente. O novo iluminante recebeu uma definição precisa, na faixa de ul­tra­vio­le­tas, de 300 nm até 380 nm.

Figura 1 – Medição de uma amostra com a condição M1, em vermelho, e depois com M2, em verde. Os valores de CIELAB b* espelham esse efeito, com – 11,53 em M1 (azulado) e – 2,70 em M2

Os novos espectrofotômetros
Assim como as cabines de luz, os espectrofotômetros — instrumentos que medem a energia refletida a cada cinco ou 10 nm da faixa espectral, resultando numa medição precisa da cor amostrada —, também adotaram o novo iluminante. Isso garante que aquilo que se vê equivale àquilo que se mede!
Mas como saber se um espectrofotômetro está atua­li­za­do em relação à norma ISO 13655, que especifica as diversas condições de leitura? Essa resposta deve vir acompanhada de uma explicação sobre as condições de medição dessa norma: M0, M1, M2 e M3.

M0
A condição M0 foi concebida para que os antigos instrumentos, como o XRite i1Pro1, que pos­suíam iluminante incandescente em conformidade com iluminante padrão CIE “A”, ainda tivessem um lugar ao sol. Há uma grande diferença nos con­teú­dos UV do iluminante entre os espectrofotômetros mais antigos e/ou de diferentes fabricantes. Por isso, cada um desses instrumentos obtinha valores diferentes na leitura de um mesmo papel com elevados níveis de alvejante óptico. Isso provocava in­con­sis­tên­cias entre aparelhos e entre valores medidos e sua vi­sua­li­za­ção.
Os datasets produzidos em conformidade com a norma ISO 12647-2, como o Fogra39L, que gerou o perfil IsoCoa­tedV2, ou o Fogra45L, que gerou o perfil PSOUn­coa­ted, foram medidos com instrumentos M0. Assim, provas e impressos que simulam essas condições de impressão devem ser
ava­lia­dos somente com a condição M0.

M1
Esse é o futuro das medições espectrais e colorimétricas. Espectrofotômetros que pos­suam a condição M1 têm sua iluminação de acordo com o CIE D50, assim como definida pela ISO 3664 de 2009. Um instrumento nessas condições excita os alvejantes ópticos do substrato (quando presentes) e o resultado medido será mais azulado, em função do iluminante.
Os datasets produzidos em conformidade com a norma ISO 12647-2, de 2013, futuros Fogra51 e 52, ainda em teste, foram desenvolvidos com medição M1. Provas e impressos que simulam essas condições de impressão devem ser ava­lia­dos somente com a condição M1.

M2
A condição M2 tem o objetivo de excluir totalmente os con­teú­dos UV do iluminante (UV-​­Cut) e, assim, obter uma leitura livre da interferência dos alvejantes ópticos. Isso se torna extremamente interessante quando se comparam as leituras M0 e M1. Com essa técnica é possível perceber a contribuição líquida dos alvejantes, podendo-​­se entender sua interferência, como fica evi­den­cia­do na Figura 1.

M3
A condição M3 é ainda mais restrita do que a M2. Assim como a M2, a M3 não possui UV, mas, além disso, sua luz atravessa filtros polarizadores. Como resultado, a fluo­res­cên­cia e o brilho especular não são capturados por um instrumento M3. Tal condição serve somente para espectrodensitômetros que ava­liam a densidade de impressão — em es­pe­cial no caso de tinta offset ainda úmida —, não servindo para ava­lia­ção de cores.

M0, M1, M2. . . qual devo utilizar?
Assim que a empresa adotar iluminante de cabine de luz e de console de máquinas de acordo com a ISO 3664:2009, seus instrumentos deverão medir em M1, caso contrário, uns medem uma coisa e outros veem outra.
Ao longo da cadeia gráfica, essa nova configuração cria um problema: uma prova certificada ISO 12647-7 simulando, por exemplo, a condição Fogra39L (cria­da com M0) pode ser aprovada se medida com um i1Pro1, que só mede M0, e ser recusada se medida com um i1Pro2, em M0. Os novos instrumentos, mesmo simulando um iluminante incandescente — M0 —, não dão conta dos valores desconhecidos de UV, típicos dos antigos instrumentos M0.
Toda a cadeia gráfica deverá alinhar-​­se aos iluminantes M1, assim que com­preen­de­rem que os antigos instrumentos devem ser trocados e as cabines de luz e consoles de máquinas deverão receber lâmpadas de acordo com a ISO 3664:2009.
Outra questão. Sempre que se verifica a conformidade de uma prova (ISO 12647-7) ou de um impresso (ISO 12647-2), é preciso fazê-​­lo contra os valores de um dataset. Ora, um dataset é uma carta de cores impressa numa condição padronizada e lida com um instrumento numa condição M0, para os antigos datasets, e M1, para os mais recentes. É fundamental alinhar os processos gráficos — prova e impressão —, de acordo com os instrumentos existentes na empresa (M0 ou M1), assim como com os iluminantes das cabines de luz e dos consoles das máquinas (ISO 3664 do ano 2000 ou de 2009).


Exemplo de papéis com alto conteúdo de FWAs: papel sulfite à esquerda e uma
escala Pantone, abaixo. À esquerda, iluminados com fonte UV pura, e à direita,
com iluminação comum. Observe a altíssima reflexão do papel sulfite, que contém
elevados índices de FWAs

Datasets M1
O instituto de pesquisa alemão Fogra promete liberar em breve os datasets Fogra51 e 52 e seus respectivos perfis para o público. Até que isso ocorra, con­ti­nua­re­mos vivendo em um mundo com re­fe­rên­cias somente M0 e instrumentos M0 e M1. Isso tem gerado certa confusão entre os técnicos e es­pe­cia­lis­tas: vivemos na era da ISO 12647-2:2004, ou podemos implementar a ISO 12647-2:2013 com datasets em linha com as normas de vi­sua­li­za­ção e medição na condição M1? O conselho geral, inclusive da Fogra, é que esperemos até que sejam liberados os datasets feitos com a condição M1, dentro dos requisitos da ISO 12647-2:2013, para que possamos implementar e nos comunicarmos ba­sea­dos nessa nova condição.


Exemplo de papéis com baixo conteúdo de FWAs: papel de provas digitais
(abaixo) e papel de jornal. À esquerda, iluminados com fonte UV pura e à direita,
com iluminação comum

Conclusão
Quem tem processos em linha com a ISO 12647‑2 de 2004, checagem e conformidade a essa norma, contra datasets cria­dos com M0 (Fogra39L, por exemplo), instrumentos M0 e cabines de luz com lâmpadas em conformidade com a ISO 3664:2000, deve planejar a migração nos seguintes quesitos:
• Troca de bulbos das cabines e consoles para conformidade com a ISO 3664:2009
• Troca de espectrofotômetros para instrumentos capazes de medir em M1
• Calibração de provas segundo datasets novos, assim que forem lançados, provavelmente em abril
• Calibração de sistemas de impressão offset segundo a ISO 12647-2:2013, assim que os itens acima forem so­lu­cio­na­dos.
Para simplificar, quando a Fogra liberar os datasets ba­sea­dos em M1, o processo pode ser ini­cia­do e as atua­li­za­ções de iluminações, instrumentos, re­fe­rên­cias e calibrações feitas de forma segura. Esse é um processo lento e deve ser comunicado para toda a cadeia gráfica, incluindo os fornecedores de insumos e, es­pe­cial­men­te, os clien­tes.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 92

 
A batalha entre a ISO 12647-2 e a ISO DIS 15339 Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Sex, 30 de Janeiro de 2015

Na série de três artigos anteriores fizemos uma análise da nova ISO 12647‑2, versão 2013, abordando suas novidades, vantagens e alguns possíveis problemas. Neste artigo avaliamos as principais diferenças entre a ISO 12647‑2 e a nova norma proposta pelos Estados Unidos, a ISO DIS 15339, ainda em estudo.

A ISO DIS 15339 é um padrão in­ter­na­cio­nal que especifica a aparência final das cores impressas em CMYK, independentemente do processo de impressão ou substrato. Ela, teo­ri­ca­men­te, dá aos compradores de impressão e às gráficas meios técnicos para entrar em acordo sobre a aparência do produto final, com ca­te­go­rias de qualidade — e, portanto, de preços — antes mesmo do início dos trabalhos.
O que é a 15339?
Para começar, seu título é Tecnologia GráficaImpressão a partir de dados digitais em múltiplas tec­no­lo­gias de processo. A norma se baseia no fato de que hoje em dia o veí­cu­lo do produto gráfico a ser impresso são arquivos digitais. Eles servirão para orçamento, imposição, provas e gravação de chapas. Outro pressuposto do autor ini­cial da norma, Dave McDowell, é que os designers, pu­bli­ci­tá­rios, editores, artistas, fotógrafos e outros clien­tes da indústria gráfica nunca conseguiram ou desejaram usar a parafernália de normas, equipamentos calibrados, iluminação padronizada, perfis de cores, instrumentos, alvos e to­le­rân­cias propostos pela indústria gráfica a fim de melhorar a comunicação entre o clien­te e a gráfica. Esse arsenal visava alinhar a aparência vi­sual desejada pelos clien­tes com o resultado impresso pela indústria gráfica. Para garantir que os dados do clien­te fiquem próximos daquilo que ele deseja, a indústria tem ferramentas que convertem os arquivos para as condições do processo e substrato com o uso de device link profiles, ou ajuste de grisês, padronizados pela ISO/TS 10128.
Porém, para toda e qualquer conversão de dados, é necessário que exista sempre um alvo, que normalmente é uma condição de impressão. Tal condição, como se sabe, é ditada por um processo, um conjunto de colorantes, um substrato e uma forma de se reticular os dados na forma de impressão. O que a norma ISO 15339 pretende é padronizar alguns alvos in­ter­na­cio­nal­men­te aceitos, ba­sea­dos em condições de impressão da vida real. Uma condição de impressão é registrada por dados de caracterizações de cor, que é a relação entre a cor dos dados de entrada e a cor CMYK medida na folha impressa. Os dados propostos no padrão 15339 pretendem ser universais e, por isso, se chamam Condição de Impressão de Referência Caracterizada (CRPC – characterized reference printing con­di­tion).


A importância dos CRPCs é enfatizada por McDowell. “Ao produzir reproduções em cores impressas é importante que as organizações responsáveis pela preparação do ma­te­rial, separação de cores, provas e impressão trabalhem todas com um mesmo conjunto de parâmetros que definam as características visuais do impresso final. Esse tipo de acordo permite a produção correta dos dados de entrada e a produção de provas adequadas a partir desses dados. O objetivo da prova é simular as características visuais do produto impresso acabado tanto quanto possível, antes da produção do impresso”.1
Explorando a relação entre a tinta, substrato e processo de impressão, que limita a cromaticidade máxima dos sólidos impressos, pri­má­rios e se­cun­dá­rios, a norma publica os hexágonos de cor dos CRPCs mais utilizados na indústria. Em relação aos equipamentos de impressão digital, sistemas ba­sea­dos em toner e jato de tinta, apesar de não terem as mesmas restrições de cor dos processos analógicos, as cores de suas tintas/toners tendem a imitar aquelas dos processos de impressão analógicos e, portanto, são tratados na 15339 como uma va­ria­ção dos processos tradicionais.
A faixa de gamuts que se consegue obter nos processos de impressão vai de um pequeno volume, quando se imprime em coldset rotativo sobre papel jornal, até o maior possível, quando se imprime em vá­rios processos sobre papel revestido, couché. Entre esses extremos há diversas combinações de processo/substrato que são amplamente utilizadas e estão entre as CRPCs. Além das condições existentes na vida co­ti­dia­na da indústria gráfica, a norma prevê a CRPC 7, que é uma referência in­cluí­da para representar um possível espaço de troca para processos com grandes gamuts, que em geral superam o CRPC 6 tipicamente de uma impressora plana imprimindo em papel de alta qualidade couché.
A 15339‑2 define sete Condições de Impressão de Referência Caracterizadas que podem ser produzidas por vá­rios processos, mostradas através da representação no plano, com o hexágono com os pontos que representam as cores pri­má­rias alcançados por tintas pri­má­rias CMY e suas se­cun­dá­rias, RGB.
Uma das questões mais polêmicas da norma 15339 é que, na tentativa de ser o mais genérica possível, ela abandona preceitos básicos da família ISO 12647, em es­pe­cial o trapping e o TVI. McDowell afirma no prefácio que “Um conjunto de dados de caracterização de cor é necessário para cada condição de impressão caracterizada como referência especificada. Porque esses conjuntos de dados podem ser usados como referência para qualquer processo de impressão, eles não são alinhados com o TVI ou trapping de impressão típicos as­so­cia­do a um processo específico. Os valores se­le­cio­na­dos representam um compromisso entre todos os processos”.
Os es­pe­cia­lis­tas da Europa Central, acostumados a ver o processo de impressão de forma concretizada em cores chapadas e ganho de ponto (TVI), tiveram uma rea­ção extremamente adversa. A consequência disso é que a norma obteve uma grande votação negativa por parte dos alemães e outros paí­ses alinhados na luta que se formou no TC130 entre aqueles pró a coe­xis­tên­cia das duas normas e os que se po­si­cio­na­ram contra a cria­ção da ISO 15339. Nosso entendimento no Brasil e nosso voto foram a favor da norma, pois traz novidades que o setor precisa se desejar se tornar real­men­te mais uma atividade in­dus­trial com resultados mensuráveis, controláveis e previsíveis. Refiro-​­me ao fato de que na ISO 12647‑2 podemos ter duas impressões em conformidade e, no entanto, com diferenças bastante significativas. Não estou advogando contra a ISO 12647‑2, contudo admitindo que há espaço para melhoras e a ISO DIS 15339 é uma ótima implementação dessas me­lho­rias!


Os sete CRPCs da ISO DIS 15339-2 (fonte: PrintWeek)

Cor do substrato
Partindo do princípio de que a cor do substrato é componente crítico na aparência do impresso final, qualificada até como a quinta cor, a ISO DIS 15339 provê uma série de ferramentas para se adaptar às seis condições padrão, CRPCs 1 a 6, ao substrato que se esteja utilizando no momento. Isso dá uma incrível possibilidade de expansão na aplicação da norma. Se o substrato utilizado estiver até DeltaE2000 3 daquele do CRPC, então as adaptações são confiáveis e dentro da expectativa de aparência da norma.
Além disso, com a utilização generalizada de alvejantes óticos (OBA) por parte dos fabricantes de papel, a norma inclui na cor de substrato o componente excitado pela luz UV, usando o modo de medição M1 da ISO 13655. Isso se mostra um método bastante eficaz para ajustar os valores de tristimulus das ­­áreas de meios-​­tons, onde a cor do substrato contribui mais pela baixa cobertura de tinta. Este ponto também é um caminho favorável em relação à ISO 12647‑2, que ainda está muito ancorada nos data sets disseminados no mercado, como a série da Fogra (Fogra39, Fogra47 etc.). Esses conjuntos de dados foram medidos na condição da ISO 13655, M0, que não é capaz de levar em conta de maneira precisa as cores em substratos com elevados con­teú­dos de alvejantes óticos.


Comparação de gamuts semelhantes, impressão em gravura sobre papel
LWC e impressão em offset sobre couché. (fonte:autor)

Princípios da norma 15339
Segundo o autor da nova norma, o princípio básico do padrão está no fato de os dados de cor de uma página em PDF poderem ser ajustados para um gamut de impressão desde que o sistema de impressão de destino tenha o volume de gamut su­fi­cien­te, tornando o arquivo original independente do processo utilizado. Por exemplo: se meu arquivo foi preparado para couché brilho, Fogra39L, e desejo imprimir em papel LWC, em rotogravura, os con­teú­dos de cor da minha página podem ser ajustados de modo a reproduzirem a mesma aparência vi­sual desejada ini­cial­men­te. O data set que representa a reprodutibilidade da gravura em LWC melhorado é o ECI_PSR_LWC_PLUS_V2 e foi feito em impressão em conformidade
com a ISO 12647‑4:2005.


O segundo princípio, certamente um pouco mais polêmico, é que os alvos de controle de processo devem ser ba­sea­dos ou ex­traí­dos dos dados de caracterização de referência se­le­cio­na­dos e não com base em curvas ­ideais como na ISO 12647‑2. Os parâmetros utilizados no controle de processos, como o ganho de ponto, TVI, e o balanço de grisês, estão contidos ou podem ser derivados dos dados de caracterização de cor escolhido como referência.
Ao lado apresentamos as fórmulas da ISO TS 10128 que normalizam essa extração, tarefa que divide os gráficos no seguinte dilema. O que é mais relevante: o TVI obtido durante a impressão ava­lia­do com densitômetro ou aquele que seria o alvo da impressão, residente no meu CRPC alvo, e que deveria ser atingido durante a impressão, ex­traí­do colorimetricamente?
O princípio básico da ISO DIS 15339, em suma, é de que os dados de uma publicação, seu PDF/X, podem ser ajustados para que tenham uma aparência similar em diferentes processos, desde que os processos tenham um volume de gamut similar.
No próximo artigo con­ti­nua­re­mos a ver as especificidades da ISO 15339 e a even­tual via­bi­li­da­de de ser a substituta natural da ISO 12647‑2 em um momento futuro.

1 ISO DIS 15339‑1:2013, Graphic technology – Printing from digital data across multiple technologies – Part 1: Principles, p. v.


Bruno Mortara é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 91

 
A nova ISO 12647‑2 (Parte III) Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 21 de Outubro de 2014

Neste terceiro e último artigo passamos pelos requisitos para as curvas de TVI (tone value increase, antes chamado de ganho de ponto) aplicadas no CtP, a distância máxima entre elas, o registro e uma conclusão de sua aplicabilidade no mercado nacional.

No artigo an­te­rior, segundo da série de três artigos sobre a nova ISO 12647-2, foi mostrada a Tabela 7 da norma, que trás os requisitos de to­le­rân­cias colorimétricas durante a impressão. O que a tabela designa como desvio é a diferença colorimétrica das cores pri­má­rias entre a folha de máquina aprovada pelo clien­te, chamada de OK-​­print, e uma impressão an­te­rior utilizada como referência ou uma prova digital. No outro campo da tabela há o requisito va­ria­ção, que é a diferença entre 68% das folhas impressas e a folha de máquina aprovada pelo clien­te, a OK-​­print.


A primeira dificuldade na implementação da norma é que é preciso um controle de processo muito bem implantado, pois os limites de 4 Delta E 76 e até 3 ΔH para as pri­má­rias, durante uma tiragem, em uma máquina rodando acima de 10.000 folhas por hora, com tiragens cada vez menores, se­riam muito difíceis de serem implementados. A razão disso é que as correções manuais de entintagem feitas no console podem ser rea­li­za­das com sucesso, mas tomam um certo tempo para medição, digitação e estabilização da impressora. Tudo isso a 10.000 folhas por hora limita intervenções efetivas a não mais de uma a cada 10 minutos. Se a tiragem for de 1.000 folhas é praticamente impossível se fazer correções com sucesso, após a OK-​­print, sem causar um grande desperdício de materiais e tempo de máquina. Isso nos faz pensar que a norma tem uma aplicação mais eficaz em equipamento de impressão com um sistema de espectrofotômetro motorizado conectado ao console da máquina, para fazer as correções rapidamente durante a tiragem.
Na cláu­su­la 4.3.4.1 a norma traz os requerimentos importantes para as curvas de ganho de ponto, chamados atual­men­te de TVI. Pela primeira vez as curvas são definidas graficamente e também matematicamente. Isso dá a esta versão da norma a possibilidade de se saber exatamente qual deve ser o TVI a cada ponto da curva tonal, para cada cor de processo, CMYK. Segundo a norma, o aumento do valor de tom deve estar em conformidade com a Tabela 8.


Os valores indicados na Tabela 8 foram cria­dos utilizando-​­se medição densitométrica conforme a norma ISO 5-3 sobre tarja de controle, densitômetro com resposta status “E”, sem polarização, normalmente utilizado na Europa, que produz resultados similares em cia­no, magenta e preto, e diferentes para o amarelo, em comparação com o status “T”, mais utilizado nos Estados Unidos.
A norma indiretamente estimula o uso dos densitômetros para o controle de processo, afirmando categoricamente que, apesar de ser possível e comum a obtenção de valores de TVI através de espectrofotômetros ou dados colorimétricos, eles “tendem a ser diferentes dos valores de tons densitométricos”. Além disso, aponta como referência para esta relação a norma ISO/TS 10128, da qual falaremos em artigo em breve na revista Tecnologia Gráfica.
Mostramos as curvas da Figura 3, ou TVIs esperados, conforme a tabela de curvas naturais, para as impressões nos substratos descritos. As curvas de ganho de ponto podem ser descritas como as curvas de ganho de ponto (TVI), medidas densitometricamente, em folhas impressas. É claro que as impressoras offset têm um TVI “natural”, sempre determinado pelo sistema mecânico, blanqueta, rolaria, tintas, sequência de impressão, solução de molhagem e substrato utilizado. Porém, se observarmos um ganho de ponto sem nenhuma correção feito sobre a medição de uma escala de tons gravada em chapa de forma li­nea­ri­za­da (chapas sem compensação), ele terá uma aparência muito pe­cu­liar:


Para que as curvas fiquem, no nosso exemplo, como a curva “A” da Figura 3, devemos introduzir no sistema de CtP, mais precisamente no RIP (raster image processor), responsável pela rasterização das páginas a serem gravadas em chapa no CtP, valores que façam com que essas curvas “feias e mal comportadas” fiquem belas e bem similares às da Figura 3.
Como exemplo de uso da Tabela 1, se utilizarmos um substrato couché premium de alta gramatura e dentro das características do PS1 (ver a segunda matéria desta série), a condição de impressão é a PC1 (condição de impressão 1), que usa a curva de TVI, de acordo com a Tabela 1, “A”, quando se utiliza retícula AM, con­ven­cio­nal entre 60 e 80 lpc (150 e 200 lpi). Neste mesmo caso, se for utilizada retícula não pe­rió­di­ca (FM ou híbrida), então o tamanho do ponto menor na chapa deve ser de 25 µm e a curva de TVI será a “E”.

Na Tabela 9 da norma há uma descrição numérica dos pontos das curvas para facilitar a sua digitação em sistemas de RIP que gravam as chapas nos CtPs, como “valores-​­alvo” para os TVIs de impressão. Observe que nos 50% os valores são 
sempre inteiros.

Vendo a Tabela 8, os TVIs máximos de 16% para PC1, de 19% para PC2, 3 e 4, e 22% para PC5, 6, 7 e 8.
Na cláu­su­la 4.3.4.2 a norma estabelece o controle sobre as curvas de TVI, em que a tolerância de TVI nos 50% entre uma OK-​­print e os valores especificados pela condição de impressão (PC1 a PC8) não deve exceder as to­le­rân­cias especificadas na Tabela 11. Para a impressão de produção, em pelo menos 68% das impressões, as diferenças entre o impresso e a OK-​­print não devem exceder as to­le­rân­cias de va­ria­ção da Tabela 11.

Entendendo a Tabela 11
A Tabela 11 introduz um novo conceito de curvas de TVI, diferente das versões an­te­rio­res da 12647-2. Primeiro, para cada condição de impressão há somente uma curva de TVI indicada, que deve ser idêntica para CMY e preto (na versão an­te­rior era permitido que o preto fosse até 3% su­pe­rior). Segundo, para todas as cores é regulamentada a va­ria­ção de TVI nas luzes (abaixo de 30%), de até 3%; para os meios tons (30 a 60%), de até 4%; e para as sombras (acima de 60%), de até 3%. Além disso, a Tabela 11 também requer que a diferença (­spread) entre os picos das curvas cromáticas (CMY), que ocorrem normalmente entre 40% e 50% de valor tonal, tenha abrangência menor do que 5% entre a mais alta e a mais baixa.
CURVA MAIS ALTA máximo [(50% cia­no¹ 16%²), (50% magenta¹ 16%²),(50% amarelo¹ 16%²)]
menos
CURVA MAIS BAIXA mínimo [(50% cia­no¹ 16%²), (50% magenta¹ 16%²),(50% amarelo¹ 16%²)]
onde
¹o medido na folha de impressão
²o 50% da curva “A”, ver Tabela 9

No quadro Curvas de TVI de Impressão, a título de exemplo, é apresentado um modelo retirado da vida real, com a dedução do ­spread e das to­le­rân­cias entre uma OK-​­print e os valores especificados 
pela condição de impressão PC1.
Em relação ao registro das imagens impressas, diferenças entre o po­si­cio­na­men­to das imagens das quatro cores de processo, a cláu­su­la 4.3.5 impõe uma tolerância que não deve exceder 0,10 mm, como maior desvio entre duas cores impressas. Para se ter uma ­idéia, o Ma­nual de Ava­lia­ção Técnica de Não-​­Conformidade em Impressão Offset da ABTG/ONS27 tem a mesma tolerância para produtos de alta qualidade e boa qualidade e para os produtos de qualidade básica os valores são de 0,2 mm a 0,3 mm.
No final da norma há um resumo de conformidade, a título de guia para o implementador.

Impressão em conformidade com a ISO 12647-​­2:2013
Para que uma tiragem seja em conformidade com a norma ela deve:
1) Ter uma tarja de controle, em conformidade com a norma ISO 12647-1, po­si­cio­na­da perpendicularmente à direção de impressão, que cubra todas as zonas de tinteiros, usados durante a impressão
2) Cores pri­má­rias chapadas de acordo com 4.3.2.3
3) TVI e ­spread de acordo com 4.3.4
4) O registro esteja dentro da tolerância 4.3.5
5) Um mínimo de 68% das amostras de impressão, se­le­cio­na­dos alea­to­ria­men­te ao longo de toda a tiragem, deve obedecer a todos os cri­té­rios normativos.
Além disso, recomenda-​­se que:
a) Os valores de totais de tinta não ultrapassem aqueles de 4.3.3

Conclusões
Podemos reforçar a conclusão da parte 2 deste artigo onde aparece como pontos fortes desta nova versão da 12647-2 a definição clara do que é uma condição de impressão, uma nova categorização de pa­péis por grupo nos quais podem ser agrupados outros existentes no mercado, a atribuição de um papel couché com b* azulado e tolerância am­plia­da para quatro unidades de b* — o que facilita a inclusão de muitos pa­péis revestidos existentes no Brasil. Além disso, vimos que os controles de TVI se tornaram bastante complexos, reforçando a ideia de que uma produção pode ser controlada em sua va­ria­ção com sucesso se o impressor tiver acesso a um instrumento motorizado e for rápido nas mudanças de ajuste da 
máquina de impressão.
Observamos também que a nova versão da 12647-2 reforça o papel da folha aprovada, chamada de OK-​­print, referência a ser seguida assim como os cri­té­rios de va­ria­ção para a produção em relação às cores e TVI das pri­má­rias.
Se colocarmos na balança as vantagens e as dificuldades adicionais desta versão em relação às versões de 1996 e 2004 percebemos que os es­pe­cia­lis­tas da ISO tentaram atua­li­zar a norma para aplicação na Ásia, Europa e Américas, porém atendendo a necessidades dos mercados mais avançados. No Brasil, a adoção desta versão da ISO 12647-2 dependerá de uma demanda clara do mercado e da disponibilidade de conhecimento e ferramentas entre 
colaboradores, gestores e consultores e auditores.
Economicamente falando, a versão de 2004 apresenta de­sa­fios similares para implantação, e os be­ne­fí­cios colhidos para quem já adotou com sucesso a versão an­te­rior são claros e de rápida adoção. Para quem deve ini­ciar o processo de conformidade procurando um aumento de qualidade e satisfação dos clien­tes é recomendado que comece pela NBR 15936-1, que contém os requisitos da ISO 12647-2:2004 e, depois de estabilizada a produção, começar 
a pensar na adoção desta nova versão.


Bruno Mortara
é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 90

 
A nova ISO 12647‑2 (Parte II) Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 21 de Julho de 2014

Neste segundo artigo trazemos um passo a passo dos novos requisitos da norma. Uma vez que a ISO 12647‑2 deve ser utilizada em conjunto com a ISO 12647‑1, faremos um resumo da parte 1 para depois entrarmos na parte 2.

A ISO 12647-​­1, de 2013 (Controle de processo para a produção de separações de cores em meios-​­tons, impressões de prova e de produção – Parte 1: Parâmetros e métodos de medição) é a norma que define parâmetros gerais, terminologia e métodos de medição de requisitos e controles de processo para as suas outras partes: 2 – offset plano e rotativo com heat­set, 3 – coldset, 4 – rotogravura, 5 – serigrafia, 6 – flexografia, 7 – provas contratuais e 
8 – provas de validação.
Seus requisitos principais são:
4.1 Quan­do houver prova digital acompanhando os arquivos a serem impressos, esta deve estar em conformidade com a ISO 12647-7 e deve possuir uma tarja de controle.
4.2 Recomenda-​­se que os arquivos digitais sejam recebidos em TIFF-IT (formato pouco utilizado fora do Japão) ou PDF/X, formato consagrado in­ter­na­cio­nal­men­te. Além disso, a norma tenta regulamentar as retículas nas chapas (ângulos, tamanho e formato dos pontos), assunto que não deveria constar, pois faz parte das boas práticas normais da indústria.
4.3 Os seguintes valores colorimétricos, em Cie­lab, devem ser especificados: cor do substrato não impresso, tintas em conformidade com a ISO 2846‑1 e valores de ganho de ponto máximo (TVI) das 
quatro cores de processo.
Recomenda-​­se que as tintas utilizadas estejam em conformidade com a ISO 2846-1. Os valores de ganho de ponto máximo (TVI) das quatro cores de processo devem ser reportados.
5.1 As medições devem ser feitas de acordo com a ISO 13655 e reportada a condição (M0, M1, M2 ou M3) e se o backing foi branco ou preto.
5.2 Recomenda-​­se que a folha de máquina contenha uma tarja de controle com chapados das pri­má­rias e se­cun­dá­rias, grises das luzes, meio tom e sombra, substrato, controle de duplagem nas cores pri­má­rias e chapado e meios tons de cores 
especiais, se presentes.
A ISO 12647-​­2:2013 (Controle de processo para a produção de separações de cores em meios-​­tons, impressões de prova e de produção — Parte 2: Processos litográficos offset)
Definição importante: A nomenclatura condição de impressão é utilizada sempre como sendo definida por um substrato, um conjunto de tintas, uma reticulagem na chapa e uma determinada 
sequência de impressão.

Requisitos principais:
4.1 Recomenda-​­se que uma prova digital ou uma impressão prévia acompanhe os arquivos a serem impressos. Aqui deve ser observado o que diz a parte 1: se for prova digital deve estar em conformidade com a ISO 12647-​­7 e deve possuir uma tarja de controle.
4.2 Recomenda-​­se que os arquivos digitais sejam recebidos em CMYK ou RGB, gray ou cor es­pe­cial, no formato PDF/X. A condição de impressão desejada deve ser informada através dos mecanismos internos do PDF/X (Output Intents) ou de perfil embutido em cada imagem, CMYK ou três componentes, com rendering intent se­le­cio­na­do. Se a condição de impressão desejada for diferente da condição presente na gráfica, os dados devem sofrer ajustes colorimétricos de acordo com os métodos definidos na norma ISO/TS 10128. Isso normalmente é feito através de um sistema tipo “color server”, presente na maioria dos bons fluxos de trabalho.
Além disso, na versão an­te­rior da norma havia provisões rudimentares para cores especiais, e nesta não há nenhuma, já prevendo uma nova norma em confecção na ISO somente para cores especiais.
A resolução da gravação chapas deve ser tal que assegure que pelo menos 150 tons de cinza sejam reproduzidos. Isso geralmente exige 2.540 dpi do CtP para ­criar retículas a 200 lpi (80 lpc).
As frequências de retícula e tamanho de ponto recomendados são de 120 a 200 lpi e 20 µm a 30 µm para impressão em pa­péis revestidos e de 120 a 175 lpi e 30 µm a 40 µm em pa­péis não revestidos. Essas recomendações são bastante genéricas.
As retículas não estocásticas devem ter uma diferença nominal entre os ângulos do cia­no, magenta e preto de 30°; e entre o amarelo e qualquer uma destas, 15°. O ângulo da cor dominante deve ser de 45°.
A norma recomenda que o valor da soma de pontos (­­áreas mais escuras) para substratos revestidos seja in­fe­rior a 330% e não ultrapasse nunca 350% para impressão plana e 300% para a impressão rotativa com heat­set. Já para outros substratos, o valor da soma de pontos deveria ser in­fe­rior a 300% para folha impressão plana e 270% para a impressão rotativa com heat­set. Esses ajustes estão presentes no departamento de pré-​­impressão, onde os trabalhos são executados ou é feito o preflight.
Em relação ao balanço de grises (neutralidade dos cinzas cromáticos feitos de cia­no, magenta e amarelos [sem preto]), a norma é bastante confusa. Nos requisitos 4.2.8, ela propõe uma fórmula para se obter valores de a* e b* dos cinzas cromáticos. No entanto, não sugere nenhuma tolerância de aceitação/rejeição para o requisito, sendo portanto de baixa utilidade. Mesmo no Anexo A:
4.3 Impressão – Após repetir a definição de condição de impressão, a norma explicita que para todas as condições de impressão definidas na norma, PC1 até PC8, deve-​­se utilizar tintas em conformidade com a ISO 2846-1 e sequência de impressão preto – cia­no – magenta – amarelo. A versão an­te­rior da norma (1996 e 2004) somente determinava a sequência CMY, liberando o preto à frente ou após.
É importante observar que na tabela com as condições de impressão é feita a as­so­cia­ção de um substrato e uma curva de TVI, em função das características do substrato e do TVI natural da retícula naquela determinada frequência. Por exemplo, a condição de impressão PC8 utiliza o substrato PS8 (papel de jornal padrão), curva de TVI “C”, para uma li­nea­tu­ra de retícula (AM) de 120 a 150 lpi (48-​­60 lpc) ou curva “E” no caso de se utilizar retículas FM (mínimo de 35 µm). Aqui os es­pe­cia­lis­tas da ISO introduziram condições de impressão para todos os substratos usando retículas estocásticas ou 
híbridas, com ganho e tamanho de ponto (FM).
Em termos de exceções à sua aplicação, a nova 12647-2 abre uma estranha porta para “condições de impressão adicionais não oficiais” com base em substratos de impressão não presentes na norma ou sequências de impressão diferentes ou, ainda, uso de tintas não em conformidade com a ISO 2846‑1, afirmando que essa condição particular deve ser caracterizada usando-​­se a mesma metodologia das condições presentes na norma. É importantíssimo ressalvar que essa porta foi deixada para que empresas que já são capazes de chegar nas condições da norma possam ­criar novas condições respondendo a demandas específicas de clien­tes e não liberar os usuá­rios da norma para toda qualquer prática ou uso indiscriminado de tintas e substratos. Por exemplo, um clien­te solicita uma impressão em um papel tipo “pólen” e a gráfica cria uma condição de impressão es­pe­cial para esse trabalho deste clien­te.
Em termos de aplicações públicas, a nova 12647-2 faz uma provisão para esses casos, em 4.3.1: “Condições de impressão padronizadas são caracterizados pela coleta (com sua­vi­za­ção matemática/estatística, se for o caso) de dados de medição de cores de uma ou mais máquinas de impressão que foram cuidadosamente ajustadas para uma determinada condição de impressão. Essa coleção de dados de medição, juntamente com metadados as­so­cia­dos descrevendo a condição de impressão caracterizada, é conhecida como um conjunto de dados de caracterização [Dataset]. Quan­do tais dados de caracterização forem usados para descrever uma das condições de impressão definidas por essa parte da norma, o substrato de impressão, cores de impressão pri­má­rias e se­cun­dá­rias, retícula, conjunto de tintas e sequência de impressão devem ser claramente indicados”.
Isso significa que, em breve, a Fogra, em conjunto com a ECI (www.eci.org), disponibilizará datasets e perfis ICC (www.color.org) para a versão 2013 da norma. Como o uso do nome ISO (como em ISOCoa­ted­v2) não é mais permitido pela ISO, os nomes começarão por PSO (Print Standard Offset) seguidos da descrição da condição, por 
exemplo “PSO_Coa­ted­v3”.
Aparece também um comentário de que, se forem utilizadas as condições PC1 ou PC5 em rotativa, deve-​­se utilizar a dimensão de pixel entre 
parêntesis na primeira tabela.
Em 4.3.2, a norma inicia a descrição colorimétrica das imagens impressas com a determinação de que as condições 1 a 8 descritas nas duas tabelas a seguir são informativas. Isso significa que, assim como na NBR 15936-1, o usuá­rio pode utilizar o substrato que mais se aproximar à norma, sendo portanto somente uma recomendação. Indo além, a nova ISO 12647-2 estabelece que se o usuá­rio desejar utilizar um substrato que não se encaixe dentro dos existentes PS1 a PS8, então ele poderá categorizá-​­lo através da mesma metodologia utilizada na norma, definindo sua cor, massa, brancura CIE, brilho e fluo­res­cên­cia.
A norma alerta ainda que as tabelas de substratos de impressão não cobrem todos os substratos existentes no mercado, o que é obvio. Numa tentativa de estimular a adoção da norma no mercado de embalagens, que é um dos mais ativos economicamente no setor, os es­pe­cia­lis­tas informam na nota 7 que o substrato de impressão PS3 é o mais próximo de um cartão revestido, cujas pro­prie­da­des típicas são: gramatura acima de 225 g/m2, brilho de 30 a 60 e coor­de­na­das Cie­lab de cor 90, 0, –2 (white backing), com baixa fluo­res­cên­cia. Nas nossas observações do mercado na­cio­nal encontramos 
cartões com luminosidade acima de 92.
Em 4.3.2.2, a norma descreve os requisitos de brilho do substrato, re­la­cio­nan­do-​­os com a prova digital: “o brilho do substrato de impressão usado para impressões de prova digital deve ser próximo do substrato usado na de impressão de produção . . . e a prova deve ser em conformidade com a norma ISO 12647-7”. Além disso, em relação a produtos com acabamentos que interfiram notavelmente com o brilho, como laminações ou envernizamento, a norma aconselha que sejam fornecidas duas provas ao impressor: uma prova cujo brilho equivalha à impressão sem acabamento e outra que simule a 
impressão com acabamento.
Em 4.3.2.3 aparecem as cores pri­má­rias, CMYK, se­cun­dá­rias, RGB, e sobreimpressão das cro­mias, CMY. Os requisitos hoje são obri­ga­tó­rios para white backing e recomendados para base preta. Afora isso, agora está bem explícito que as se­cun­dá­rias C+M, M+Y, C+Y, C+M+Y (100%) são recomendação e não obri­ga­tó­rias, uma vez que as se­cun­dá­rias dependem do trap de impressão e isso é bastante problemático para se controlar de forma precisa. As condições de medição estão claras, apesar de repetirem a ISO 12647-1, ou seja, medição de acordo com a norma ISO 13655 com iluminante D50, observador 2° e geo­me­tria 00/45 ou 45/0 recomendando o modo M1 sobre folhas de máquina já secas.
Ainda em 4.3.2.3 são estabelecidos o desvio e a va­ria­ção que podem ocorrer durante a impressão. O desvio é a diferença colorimétrica dos chapados das cores pri­má­rias, em DeltaE (ver tabela Características dos pa­péis dos substratos PS1 a PS4), em relação às cores das duas tabela an­te­rio­res para a obtenção da folha de máquina aprovada, OK-​­print. Uma vez obtida a OK-​­print, ela passa a ser utilizada como referência para impressão e as to­le­rân­cias de diferença de cor dos chapados das pri­má­rias, CMYK, são denominadas de va­ria­ção. Essa va­ria­ção está limitada pela seguinte condição: em pelo menos 68% das folhas impressas, as diferenças de cor (DeltaE e Delta H) entre o impresso e a OK-​­print não devem exceder as to­le­rân­cias da tabela Características dos pa­péis dos 
substratos PS1 a PS4.
Na nota 2, a norma cita ainda o controle de processo por densitometria, apesar de não ser utilizado no seu corpo como valores ou to­le­rân­cias “( . . .) os valores de densidade podem ser muito va­lio­sos para o controle do processo durante uma tiragem, onde o instrumento, a tinta e o substrato de impressão permanecem os mesmos. Contudo, valores de densidade não definem uma cor para o grau requerido( . . .)”.
Além disso, nesta cláu­su­la a norma rea­fir­ma que não há como se prever exatamente os valores colorimétricos das se­cun­dá­rias — vermelho, verde e azul —, pois isso depende da sequência de impressão, das pro­prie­da­des reo­ló­gi­cas e da transparência das tintas, da si­tua­ção mecânica da impressora e das características da superfície do substrato de impressão. Por isso a norma não traz tolerância para os sólidos das cores se­cun­dá­rias.De forma um pouco frustrante, a norma atribui à prova digital, em conformidade com a ISO 12647-7, apenas um valor relativo: pode ser usada como uma referência 
vi­sual no final do acerto de máquina.
Os limites de valores a serem reproduzidos são estabelecidos por tipo de substrato: de 2% a 98% sobre papel revestido e de 4% a 96% sobre papel não revestido.

Conclusões da segunda parte
Os pontos fortes desta nova versão da 12647-​­2 são a definição clara do que é uma condição de impressão, a definição de grupos de pa­péis nos quais podem ser agrupados outros existentes no mercado, a atribuição de um papel couché com b* azulado e tolerância am­plia­da para 4 unidades de b*, facilitando a inclusão de muitos pa­péis revestidos existentes no Brasil. É uma pena que no caso dos não revestidos a norma não tenha sido também tão generosa!
Apesar da importância di­mi­nuí­da da prova digital durante o acerto de máquina, onde uma folha de máquina aprovada chamada de OK-​­print, em geral assinada pelo clien­te, passa a ser a referência a ser seguida, os cri­té­rios de va­ria­ção para a produção são adequados (ΔE de 4 e para CMYK e ΔH de 3 para CMY).
No próximo artigo vamos investigar os requisitos de curvas de TVI (Tone Value In­crea­se, ganho de ponto), registro, balanço de grises e como utilizar pa­péis diferentes dos definidos na norma. Até lá!

Bruno Mortara é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 89

 
A nova ISO 12647‑2 Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 22 de Abril de 2014

As principais novidades da nova versão são os novos papéis em linha com os existentes no mercado, a nova metodologia de medição (condição “M1”), a modificação de curvas de ganho de ponto para refletir o uso generalizado do CtP (em substituição ao fotolito) e as curvas idênticas para as quatro cores de processo.

A ISO 12647 é uma família que contém oito partes: parâmetros e metrologia, offset plana e rotativa com heat­set, coldset ou jornais, rotogravura, serigrafia, flexografia, 
provas contratuais e provas de validação.
A versão 2013 da ISO 12647-2 foi publicada em dezembro passado e, em breve, será traduzida para português. Sendo a mais importante norma da indústria gráfica é importante com­preen­der as novidades trazidas na norma e os impactos sobre o setor, em es­pe­cial para as empresas que já adotaram a versão an­te­rior ou estão em vias de adoção. No cenário na­cio­nal, a versão an­te­rior é coberta pela NBR 15936-1, com certificação executada pela ABTG Certificadora e acreditada pelo Inmetro. Assim que a norma for traduzida e as implicações de sua adoção ava­lia­das, a NBR 15936 será atua­li­za­da.
A primeira publicação da ISO 12647-2 data de 1996 e foi um marco na normalização de processos offset comerciais. Com abrangência in­ter­na­cio­nal, a norma se disseminou e tornou-​­se parâmetro para as transações na cadeia gráfica na Europa, Estados Unidos e Ásia. No Brasil, a indústria gráfica ainda não compreendeu inteiramente as vantagens na sua adoção, na medida em que aumenta a qualidade e a economia na produção gráfica in­dus­trial, tendo a norma, até o momento, pouca adoção. A ABTG e a ABTG Certificadora, apoiando os esforços do ONS27, organismo da ABNT que faz as normas gráficas no Brasil, suportam a produção normalizada, incluindo a normalização até mesmo como categoria no Prêmio Fernando Pini. In­ter­na­cio­nal­men­te a norma está consolidada e é utilizada como requisito básico para exportação de produtos gráficos da China, Tailândia e outros paí­ses asiá­ti­cos. Além das vantagens econômicas, as empresas gráficas devem entender que a ISO 12647-2 é um requisito mínimo in­ter­na­cio­nal­men­te adotado e, como tal, é a condição es­sen­cial para participar 
do competitivo mercado mun­dial.
Uma das razões da boa adoção in­ter­na­cio­nal é que a norma ISO 12647-2 determinou parâmetros iguais para todas as empresas do setor, tornando os resultados previsíveis e repetíveis na impressão offset. Entre os parâmetros estão: substrato, tinta de impressão, sequência de cores na impressão e a reticulagem. Eles têm relação direta com as características visuais da imagem final e são chamados de condição de impressão. Os substratos, nas versões de 1996 e 2004, são chamados de tipos de papel (PT): PT1/2 papel couché brilho ou fosco; PT3 papel LWC (revestido de pouco peso); PT4 papel branco, não revestido; e PT5 papel amarelado, não revestido.
Além do substrato é cru­cial o controle do ganho de ponto, agora denominado TVI (Tone Value In­crea­se), e as cores dos chapados, definidas em termos colorimétricos (Cie­lab) e não em densidade. As curvas de TVI estão especificadas na norma e devem ser seguidas através de ajustes no sistema de RIP (Raster Image Processor) da gravadora de chapas (CtP). Em 2004 houve uma atua­li­za­ção da norma com pequenos ajustes nas cores sólidas (chapados CMYK e RGB) e eliminando re­fe­rên­cias aos fotolitos.
A atua­li­za­ção de 2013 tem como conceito de condição de impressão as variáveis: substrato, pri­má­rias, TVI e balanço de grises. As condições de impressão levam ne­ces­sa­ria­men­te a uma aparência vi­sual previsível, simulável em prova física ou vir­tual e repetível em futuras tiragens. Portanto, veremos que a versão 2013 mantém o espírito das versões an­te­rio­res, renovando detalhes que a indústria global solicitou. Na ISO, o grande debate foi travado entre alemães e norte-​­americanos, pois nos Estados Unidos é utilizada a técnica chamada de G7, ou acerto por balanço de cinzas, que não é ne­ces­sa­ria­men­te compatível com a ISO 12647-2. Os novos dados de caracterização e perfis as­so­cia­dos serão desenvolvidos pela ECI (Fogra 51, 52 . . .) e o ­atual perfil para pa­péis Tipo 1 e 2, couché, ISO Coa­tedV2 será subs­ti­tuí­do pelo PSO Coa­ted V3 (ECI — ver em www.eci.org).

Novas condições de impressão
Os membros da ISO, entre eles o Brasil, decidiram que, como os pa­péis estão cada vez mais carregados com alvejantes óticos (OBA) — o que lhes confere uma aparência “mais branca” que, na verdade é azulada —, isso deveria estar refletido na nova versão da ISO 12647-2. Por isso foram definidos novos substratos de impressão. Com o apoio da indústria papeleira, presente no TC130 como o Paperdam Group, foi possível reunir diferentes tipos de papel em oito novos substratos de impressão, representando mé­dias de substratos similares, de 
diferentes fabricantes.
Uma das principais demandas do mercado era o número limitado de pa­péis nas versões an­te­rio­res da ISO 12647-2, todos com valores Cie­lab que desconsideravam os valores encontrados nos mercados, com cores sempre mais azuladas. O problema enfrentado pelos gráficos era como controlar seu processo com a versão da ISO 12647-2 que desconsiderava os alvejantes ópticos e, no final, os clien­tes observavam seus produtos sob iluminação natural ou ar­ti­fi­cial, que contém UV, e vi­sua­li­za­vam cores diferentes daquelas controladas na gráfica.

Curvas de compensação de ganho de ponto (TVI) para chapas
Em 2012 e 2013 foram rea­li­za­dos testes de impressão e controle de ganho de ponto (TVI) por diversas organizações na Europa e Ásia e se percebeu que, para cada condição de impressão da nova norma, há uma curva de TVI média. Além disso, se observou uma va­ria­ção media de 5% (nos meios tons) entre pa­péis de uma mesma categoria. Isso é reflexo da mudança do fotolito (versão de 1996 e 2004 da norma) para CtP, versão 2013. Por isso, foram cria­das cinco novas curvas de TVI, no­mea­das de A a E, representadas por meio de funções matemáticas, o que garante, pela primeira vez, a obtenção precisa de valores de saí­da para cada valor de entrada.
Um outro avanço em relação às versões an­te­rio­res é a obri­ga­to­rie­da­de da utilização de uma mesma curva para todas as cores de processo (CMYK), numa certa condição de impressão. Isso já era permitido an­te­rior­men­te, porém valores de até 3% acima de TVI, para o preto, foram amplamente utilizados e acabaram gerando bastante confusão 
entre os es­pe­cia­lis­tas.

Harmonização entre visualização e medição instrumental
Em 2009 foram revisadas as normas ISO 3664 de vi­sua­li­za­ção e iluminação, que se aplicam aos consoles de máquinas offset e cabines de iluminação, e a ISO 13655, que estabelece as me­to­do­lo­gias, unidades, geo­me­trias e métricas de medição colorimétrica. As duas normas passam a contar com iluminante com excitação na faixa não visível (UV), resultando em vi­sua­li­za­ções e medições mais precisas, quando feitas sobre pa­péis com elevados teo­res de alvejantes óticos, fato corriqueiro no mercado mun­dial. Nas novas cabines de vi­sua­li­za­ção, compatíveis com a ISO 3664:2009, a iluminação contém uma fonte D50 com con­teú­do UV, e os novos espectrofotômetros, compatíveis com a condição M1 da ISO 13655, também usam fonte D50, com certa quantidade de UV. Isso faz com que pa­péis com alto con­teú­do de alvejante ótico não mais provoquem resultados diferentes, quando vi­sua­li­za­dos e medidos. A ISO 12647‑­2:2013 traz essas mudanças, notadamente ao fornecer valores objetivos de cor, sob condição M1 para base branca (white backing) e para base preta (black backing).
Com a consolidação dos fabricantes de instrumentos, o mercado de espectrofotômetros ficou dividido entre poucas marcas e alguns modelos, sendo que o X-​­Rite iOnePro predomina entre os modelos utilizados. O problema que se apresenta agora está no fato de os modelos iOnePro 1 pos­suí­rem fonte de luz incandescente, M0. No modelo ­atual, iOnePro 2, a fonte de luz foi melhorada para se comportar dentro das to­le­rân­cias de M1 (Iluminante D50 com con­teú­do UV). Ainda é cedo para sabermos quais serão as consequências do uso de diferentes modelos de instrumentos (iOnePro 1 e iOnePro 2 etc) nos controles de cadeias produtivas onde as modificações da norma introduziram mais incerteza instrumental, forçando os compradores e clien­tes a especificarem se utilizaram M” ou M1.
Uma novidade positiva na nova versão é a possibilidade do uso da metodologia DeltaE 2000 para aferir as diferenças de cor. Essa metodologia é bem mais fiel à percepção humana do que a an­te­rior­men­te utilizada, DeltaE 76. Infelizmente os es­pe­cia­lis­tas da ISO legislaram que tal metodologia pode ser utilizada apenas informativamente.
Nessa versão da norma ficou definitivamente requerido um balanço de grises, levando em consideração a coloração do papel. Esses valores podem ser usados durante o processo de calibração.
Gostaria de terminar este primeiro artigo sobre a nova versão da ISO 12647-2 comentando sobre a importância da folha de máquina aprovada, chamada de OK-print. Durante a execução de uma impressão em conformidade, os alvos colorimétricos das condições de impressão devem ser atingidos pela folha aprovada, com tolerância de DeltaE76 de 5. A partir daí, durante a produção, pelo menos 68% das folhas devem estar a uma tolerância de DeltaE76 de 4 para CMY e 5 para K, da folha aprovada, OK-print. Apesar de o Brasil ter se colocado contra essa prática, a maioria dos paí­ses se colocou a favor da OK-print e de dupla tolerância. No cenário pessimista, uma folha impressa em conformidade poderia estar até 9 unidades de DeltaE 76 do alvo da tabela de valores da norma. Isso é bastante preo­cu­pan­te!

Conclusões
Apesar dos problemas apontados, a produção offset é, sabidamente, sujeita a muitas variáveis e o processo é de difícil controle. Se foram melhoradas as condições em relação aos pa­péis existentes no mercado, continua existindo o critério da folha de máquina aprovada, OK-print, que fragiliza, a meu ver, o controle de processo. Se foi feita uma importante atua­li­za­ção de harmonização entre o aspecto vi­sual e a medição por instrumento (espectrofotômetro), a confusão entre instrumentos antigos e novos pode ser problemática, es­pe­cial­men­te nos mercados emergentes.
No próximo artigo vamos investigar os requisitos da nova versão da norma, passo a passo, de forma a entender as etapas ne­ces­sá­rias para a implementação e as principais dúvidas geradas durante o processo.


Bruno Mortara é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e 
professor de pós‑graduação na Faculdade 
Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 88

 
Norma para produtos encadernados deve sair em 2016 Imprimir E-mail
Escrito por Maíra de Oliveira   
Ter, 22 de Abril de 2014

Quem trabalha no setor de pós-​­impressão sabe de cor os problemas mais comuns: o ma­te­rial muitas vezes já chega à última etapa do processo produtivo com problemas de registro, sem área de sangria, marcas de corte, vinco ou dobra, para citar os mais corriqueiros. São pontos que podem passar despercebidos ao longo das etapas de produção e só são notados pelo pro­fis­sio­nal do acabamento, que precisa fazer o possível para re­me­diar tais falhas — quando possível. Essas ocor­rên­cias de não conformidades atrapalham em muito a vida do pro­fis­sio­nal de acabamento e os “métodos alternativos” possíveis para corrigir as falhas tornam o processo lento e improdutivo.
Foi pensando em melhorar o fluxo de produtos e informações dentro da gráfica e evitar esse tipo de problema que surgiu, em 2009, a proposta de se ­criar um grupo de trabalho para discutir requisitos para pós-​­impressão dentro do comitê técnico de normalização em tecnologia gráfica da ISO (TC 130). O grupo de trabalho conta hoje com a participação de cerca de 50 es­pe­cia­lis­tas de 14 paí­ses, entre eles Alemanha, Japão, China, Estados Unidos, Suí­ça e Brasil.
A proposta deste grupo, que vem tomando corpo ao longo dos anos, é a elaboração de documentos que possam facilitar a co­mer­cia­li­za­ção de produtos gráficos entre os paí­ses, as compras públicas e o próprio fluxo de trabalho dentro das gráficas.
O primeiro passo nesse sentido foi fazer um levantamento das normas nacionais existentes que abordassem o tema. A delegação brasileira, que desde o início se comprometeu em participar ativamente do projeto, apresentou a NBR 14869 Tecnologia gráfica – Livros, Parte 1: Classificação e Parte 2: Livros didáticos e a NBR 15201 Tecnologia gráfica – Livros – Classificação de defeitos de impressão e de pós-​­impressão e métodos de ensaio. As delegações da China, Estados Unidos e Suí­ça também colaboraram com documentos nacionais e os primeiros rascunhos foram desenvolvidos.
O projeto ini­cial era desenvolver uma norma em sete partes, mas essa ideia foi subs­ti­tuí­da por um projeto composto por quatro documentos, sendo seus temas: requisitos gerais, produtos encadernados, 
embalagens e acabamento su­per­fi­cial.
A proposta desse conjunto de normas é definir parâmetros para os componentes de um produto não acabado e para os atributos que precisam ser verificados para que ele possa passar pela pós-​­impressão sem problemas. Além de facilitar a comunicação das necessidades do setor de pós-​­impressão dentro da gráfica, essa proposta pode ser vista também como uma forma de resguardar o produtor; uma vez que os procedimentos sejam seguidos adequadamente haverá menores chances de ele ser responsabilizado por eventuais problemas.
Os rascunhos foram alvo de grandes debates, na medida em que as exi­gên­cias para pós-​­impressão são diferentes em cada país, mas os dois primeiros temas já estão em desenvolvimento. O texto base para “produtos encadernados” foi elaborado e amplamente revisado nos últimos anos antes que o projeto fosse ofi­cial­men­te registrado junto à ISO, o que aconteceu no início de 2013. A partir do momento que um projeto é registrado na ISO ele recebe um prazo de 36 meses para passar por quatro es­tá­gios de elaboração e votação e, finalmente, ser publicado. Por isso, a previsão de publicação dessas normas é 2016 e 2017, respectivamente.
A ISO 16762 apresenta requisitos gerais que serão elaborados de forma mais específica pelos outros três documentos. Ela pode ser dividida em cinco grandes blocos de requisitos e recomendações: requisitos para matéria-​­prima (seleção de ma­te­rial, esquadro etc); requisitos para materiais in­ter­me­diá­rios (sangria, marcas de corte, sentido de fibra etc); requisitos para o processo e para o am­bien­te (temperatura e umidade, perdas de processo, controle de qualidade etc); inspeção e medição (que inclui uma referência à nossa NBR 15201 Tecnologia gráfica – Livros – Classificação de defeitos de impressão e de pós-​­impressão e métodos de ensaio) e requisitos para embalagem e transporte do produto final (armazenamento, identificação etc).
Já a ISO 16763 é di­re­cio­na­da para materiais encadernados. Ela cobre, em linhas gerais, as etapas de refile e dobra, tratando de tipos, métodos de controle e to­le­rân­cias de medidas; organização de cadernos e inserção; requisitos para a encadernação, incluindo métodos e to­le­rân­cias para a aplicação de costuras, grampos e os diferentes tipos de cola, bem como de espirais e requisitos para materiais de confecção de capas. Esta norma conta ainda com uma seção sobre controle de qualidade e anexos abordando especificações para materiais e métodos para testes como o page pull e page flex (ainda sendo definidos).
Um ponto importante para observar em ambos os documentos é que boa parte dos seus requisitos definem itens que precisam ser adequados antes do produto chegar à pós-​­impressão a fim de garantir a qualidade. Hoje os dois trabalhos em desenvolvimento são acompanhados de perto pela comissão de estudos de pós-​­impressão do ONS-27. Paralelamente ao desenvolvimento do ma­nual de boas práticas para pós-​­impressão — ­atual trabalho do grupo —, os es­pe­cia­lis­tas membros da comissão acompanham as alterações feitas nos documentos da ISO e en­viam suas opi­niões para colaborar com a elaboração do projeto.
Se este tema lhe interessa ou à sua empresa, a participação nos trabalhos da comissão é aberta a todos os interessados, bastando entrar em contato com a secretaria do ONS-27, na ABTG. Os participantes têm acesso a todos os projetos e documentos em desenvolvimento.


Maíra de Oliveira
é técnica gráfica e secretária do ONS27.

Artigo publicado na edição nº 88

 
A importância da NBR 15936 para o mercado brasileiro de impressão Imprimir E-mail
Ter, 26 de Novembro de 2013

Recentemente o site Academia da Cor, portal focado na difusão de conhecimento sobre cores para o público 
es­pe­cia­li­za­do, entrevistou Bruno Mortara, diretor da ABTG Certificadora, sobre a validade e as aplicações da norma NBR 15936. A seguir, a reprodução da entrevista.

Qual a importância da NBR 15936-​­1 para o mercado brasileiro?
A indústria gráfica precisa, assim como todos os outros segmentos da indústria, ter processos controlados e com resultados previsíveis. Apesar de muitas gráficas já terem ini­cia­do o processo de padronização com normas importantes como a ISO 9001 ou 14001, o processo gráfico em si depende de um conjunto de normas ISO que foi con­ve­nien­te­men­te compilado numa norma na­cio­nal, a NBR 15936-1. A NBR 15936 certifica que todas as etapas do processo produtivo — provas virtuais, recepção de arquivos, condições de iluminação adequadas, provas digitais, chapas e impressão — estejam atingindo alvos dentro de to­le­rân­cias. Um ponto importante é que essa norma não beneficia apenas as gráficas, mas também os compradores de impressos. Comprar impressos de uma gráfica certificada será muito mais seguro, cômodo e com 
repetibilidade garantida.

Quais as diferenças entre a ISO 12647-​­2 e a NBR 15936-​­1?
O conjunto de normas da família ISO 12647 apenas fornece instruções para uma impressão padronizada. A ISO 12647-2 trata do processo de impressão que está sendo feito naquele momento, e não dos que antecedem a impressão, da recepção às chapas. A NBR 15936-1 é uma compilação de vá­rias normas essenciais ao setor gráfico e certifica a capacidade da gráfica de produzir impressos de acordo com a norma. Na NBR 15936-1, a gráfica recebe um certificado garantindo que possui tecnologia e conhecimento para produzir impressos padronizados, consistentemente, ao longo do tempo de certificação.

Quais etapas do processo gráfico são 
certificadas pela NBR 15936-​­1?
Por ser uma compilação de vá­rias normas, a NBR 15936 abrange todo o processo produtivo gráfico, exceto acabamento. Nela são analisados, na pré-​­impressão, a condição de iluminação do am­bien­te e ­­áreas adjacentes em conformidade com a ISO 3664, a condição P1, a calibração do monitor em conformidade com a ISO 12646, a calibração do sistema de provas digitais em conformidade com a ISO 12647-7, simulando a condição Fogra39L, a interpretação de arquivos PDF em conformidade com a ISO 15930-1 (PDF/X-1A) e a li­nea­ri­za­ção e manutenção do sistema de gravação de chapas. Na impressão são analisadas a condição de iluminação do am­bien­te e ­­áreas adjacentes em conformidade com a ISO 3664, a condição P1, a impressão em conformidade com a ISO 12647-2, a colorimetria das pri­má­rias e TVI e a estabilidade da impressão/repetibilidade em, pelo menos, sete amostras de 10 sobre uma tiragem de 1.000 folhas.

Por que o setor gráfico deve se certificar na NBR 15936-​­1?
O setor gráfico passa por grandes transformações, resultado principalmente de transformações na so­cie­da­de, nas tec­no­lo­gias de comunicações, pela internet e pelos e-​­rea­ders. Além disso, muitas empresas ainda são in­dús­trias com práticas artesanais e não padronizadas. A adoção da NBR 15936-1 dá às empresas gráficas a robustez necessária para enfrentar as dificuldades e a competição com outras mí­dias com igualdade de condições, passando ao clien­te final con­fia­bi­li­da­de e resultados previsíveis, sem contar processos e prazos dentro das boas práticas do segmento de comunicação. O resultado da certificação se dá com ganhos em produtividade, minimização de erros, diminuição de custos com menores tempos de acerto e queda do refazimento, sincronização entre os setores e, finalmente, melhora na relação com o clien­te através de uma maior con­fian­ça no fornecedor gráfico. Sendo certificada, a gráfica irá possuir uma vantagem co­mer­cial enorme, pois terá um sistema padronizado com as mesmas regras utilizadas mun­dial­men­te, permitindo atender clien­tes internacionais e, even­tual­men­te, podendo exportar seus produtos sem enfrentar barreiras técnicas.

Os setores de impressão digital, comunicação vi­sual, sinalização e outros podem seguir a NBR 15936-​­1?
Até o momento, somente a parte 1 da NBR 15936 está publicada. Nesta parte, apenas o sistema de impressão offset poderá ser certificado. A impressão offset foi escolhida para ini­ciar o processo de certificação devido à grande atenção do mercado com as normas ISO 12647-2 e ISO 12647-7. Porém, conforme o interesse da indústria, outros processos serão adi­cio­na­dos e terão seus processos certificados.

Quais os requisitos para que uma empresa obtenha a certificação?
Antes de solicitar a certificação, a gráfica deve verificar se atende aos requisitos da ISO 15936 citados acima, normalmente com o auxílio de uma consultoria. O consultor irá verificar os materiais utilizados (tinta, papel, chapas, blanquetas etc.), instrumentos como colorímetro ou espectrofotômetro e analisará os procedimentos e registros existentes, fazendo os ajustes e calibrações ne­ces­sá­rios.

Qual o prazo de certificação?
A certificação é válida por três anos, sendo que a cada ano é rea­li­za­da, pela ABTG Certificadora, uma auditoria de manutenção a fim de comprovar se os processos con­ti­nuam padronizados.

www.abtgcertificadora.org.br

www.academiadacor.com

Artigo publicado na edição 87

 
Para onde caminham os padrões da indústria gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 26 de Novembro de 2013

Conheça as principais discussões e as novas normas discutidas durante a reunião do TC130, que aconteceu em maio, na China. Entre as mais importantes está a publicação da norma de impressão flexográfica.

Es­pe­cia­lis­tas de mais de uma dúzia de paí­ses se encontraram em maio deste ano em Shenzhen, na China, para mais uma reunião do TC130, que representa o organismo de normalização in­ter­na­cio­nal da indústria gráfica, no qual são feitas as normas gráficas da ISO, In­ter­na­tio­nal Or­ga­ni­za­tion for Stan­dar­di­za­tion, válidas para todos os paí­ses sig­na­tá­rios da OMC, Organização Mun­dial do Comércio. Nesta oportunidade, o Brasil contou com dois participantes: Bruno Mortara, superintendente do ONS27 e chefe da delegação, e Maí­ra de Oliveira, es­pe­cia­lis­ta e também secretária do WG13, grupo de certificação, um dos vá­rios work groups nos quais o TC 130 é dividido.
Os trabalhos nos encontros da ISO são extremamente relevantes na medida em que as novas normas são feitas pelos principais fabricantes do mercado e, uma vez envolvidos na elaboração desses padrões, pautarão o desenvolvimento de seus produtos ba­sea­dos nas normas existentes e em desenvolvimento. Além disso, os es­pe­cia­lis­tas brasileiros podem in­fluen­ciar as decisões tomadas no momento da confecção das normas, tendo a chance de preparar o mercado local para as ten­dên­cias tecnológicas que se tornarão padrão.
Nesse sentido é fundamental que os es­pe­cia­lis­tas brasileiros, es­pe­cial­men­te aqueles envolvidos em aplicação de normas técnicas, consultores, auditores e certificadoras, conheçam os trabalhos em andamento e seus desdobramentos.
A seguir, as principais resoluções em cada um dos grupos de trabalho do TC130.

WG1 – Terminologia
O grupo não foi acompanhado pelos es­pe­cia­lis­tas brasileiros, porém teve recentemente normas importantes aprovadas e neste momento está estudando seus próximos passos.

WG2 – Pré-​­impressão
PDF/VT – Dados Variáveis usando PDF/X

A norma de dados variáveis, a ISO 16612‑2, foi publicada dando prosseguimento à família 16612, cuja primeira parte era ba­sea­da na linguagem PPML. Ela especifica os métodos para o uso do PDF/X para a impressão de con­teú­dos variáveis ou transacionais. A norma detalha também as condições de troca de dados fixos, variáveis e metadados ne­ces­sá­rios para as tarefas de impressão. Ela define três níveis de conformidade: PDF/VT‑1, PDF/VT‑2 e PDF/VT‑2S.
Um po­ten­cial novo projeto foi discutido como um complemento para o PDF/VT para impressão de dados variáveis online e com segurança. Ele abordaria casos de impressão de alto volume nos quais é um requisito es­sen­cial do clien­te que suas informações sensíveis não sejam jamais gravadas em disco, sendo utilizadas somente no momento da impressão.

PDF/X – Os recentes integrantes da família ISO 15930
As normas PDF/X‑4 e 5 foram publicadas em 2008 e após uma revisão das versões em 2010 foram publicadas definitivamente. O PDF/X‑4 (ISO 15930‑7) introduziu transparência para a nossa indústria, além de camadas para facilitar o uso de facas, assim como arquivos multilinguísticos. No Brasil, o ONS27 publicou em 2012 o Ma­nual de PDF/X-4, porém sem considerar as camadas e objetos não CMYK, gray­scale ou spot. A próxima cartilha, com lançamento previsto para o início de 2014, será uma versão am­plia­da da an­te­rior, já incluindo esses elementos.

A norma PDF 2.0 ou ISO 32000‑2
Desde que o cronograma da ISO foi excedido, o projeto foi cancelado e reiniciado novamente como um novo item de trabalho. Os principais aspectos da versão 2.0 da norma ISO 32000-2 que afetam o setor gráfico são:
1. Maior facilidade na compensação do ponto preto (Black Point Com­pen­sa­tion)
2. Output intents em nível de página (podem ser diferentes em duas páginas do mesmo arquivo)
3. Incorporação de dados CXF, dados de medição de cores especiais
4. Adição da sequência de impressão, para uma melhor simulação de cores spot
5. Estruturas melhoradas para a acessibilidade universal – PDF/UA
6. Integração de mecanismos 
de preservação de canal

Black Point Compensation (ISO 18619)
Algumas in­con­sis­tên­cias descobertas na especificação da Adobe para compensação do ponto de preto em conversões de RGB para CMYK fizeram com que o grupo de pré-​­impressão crias­se uma norma especificando os cálculos ne­ces­sá­rios. O grupo, formado por integrantes da ISO e do ICC, esclareceu os cálculos e o documento está em votação CD (etapa in­ter­me­diá­ria de desenvolvimento de uma norma ISO). Após a publicação, espera-​­se que os diversos CMMs (motores de conversão de ge­ren­cia­men­to de cores) implementem a compensação do ponto preto, sempre que o Rendering Intent for colorimétrico relativo.

Imagens de teste SCID 
ou ISO 12640‑1, 2, 3, 4 e 5
A família ISO 12640 é um conjunto de imagens de teste com diferentes codificações de cor e para diferentes tipos de testes de sistemas de ge­ren­cia­men­to de cor e de renderização, como monitores e impressoras. As partes 1 a 4 estão publicadas e a parte 5 recebeu votação positiva da ISO. A publicação da norma em PDF juntamente com dois DVDs está programada para o final de 2013. O padrão é composto por 38 imagens de teste naturais e três sintéticas, codificadas como arquivos TIFF‑IT de 16 Bit, com perfil RIMM‑RGB.

ISO 28178 – Dados de Caracterização – substitui a antiga ISO 12642
A norma ISO 12642‑1, que definia um formato de troca de dados de caracterização usando tags ASCII e palavras-​­chave, está sendo subs­ti­tuí­da por um novo padrão, a ISO 28178. A nova norma foi publicada e define um formato de troca de cores e dados de controle de processo (com os metadados as­so­cia­dos ne­ces­sá­rios para a sua correta interpretação) em formato eletrônico, utilizando tanto os arquivos de dados em formato XML ou ASCII. A ISO está encorajando os fabricantes de equipamentos e instrumentos a implantar essa norma o mais rápido possível.

Nova norma para troca de informações de cores usando XML – ISO 17972
A norma ISO 17972 é um novo padrão que estende o armazenamento de dados de caracterização através de um esquema flexível que facilita a troca de dados de cor e de processo, com os recursos adicionais ba­sea­dos no formato CxF3 da X‑Rite. Pode-​­se encontrar mais documentação sobre o CxF3 (Colour Exchange Format) no site www.colorexchangeformat.com. As partes da família de normas ba­sea­das no CxF3 são:
Parte 1: Relação com CxF3
Parte 2: Armazenamento de targets de escâner (fornecendo um ma­pea­men­to exato em relação à norma ISO 12641)
Parte 3: Dados de caracterização, similar à ISO 12642‑2 (ECI 2002 ou IT.8‑7/4) e ISO 22178
Parte 4:Spot colour cha­rac­te­ri­za­tion data (CxF/X‑4)” define um formato de troca de dados de medição espectral de tintas para fornecer um meio para 
caracterizar tintas de cores especiais
A votação de DIS ISO 17972‑1 foi fechada e ela entrará na última etapa antes da publicação. As partes 2 e 3 serão en­via­das para votação de CD. A parte 4 foi aceita como um novo projeto e será 
votada como CD.

A norma do gerenciamento de cores ICC ou ISO 15076–1 de 2010
A especificação v4 do ICC, ou ISO 15076‑1, já está em fase final. Em paralelo, um documento idêntico será fornecido aos usuá­rios, gratuitamente, na página do ICC, em www.color.org.

Arquivamento de longo prazo usando PDF ou PDF/A – família ISO 19005
O PDF/A é uma norma ISO que usa o formato PDF para arquivamento de documentos de longo prazo sob a forma digital. Desde a sua publicação em 2005, o PDF/A tornou-​­se o formato preferido por governos, universidades e empresas para o arquivamento de documentos digitais. As duas primeiras partes da norma, a primeira ba­sea­da na especificação PDF 1.4, PDF/A‑1, e a segunda, ba­sea­da na ISO 32000‑1, PDF/A‑2, foram publicadas.

A especificação de metadados em arquivos/imagens – ISO 16684‑1
A especificação XMP da Adobe, consagrada em imagens digitais e embutidas nas câmeras no momento da captura, se tornou norma ISO, foi submetida à secretaria central e publicada como ISO 16684‑1 em fevereiro de 2012. A parte 2 foi votada como CD. Essa parte da ISO 16684 especifica o uso de Relax NG para a descrição de metadados se­ria­li­za­dos XMP. O uso de XMP é fundamental para os futuros sistemas de work­flow, nos quais poderão ser levadas em conta a pro­prie­da­de in­te­lec­tual, geo­po­si­cio­na­men­to, remuneração a fotógrafos por área de mídia e tantas outras possibilidades.

Fluxo de trabalho em RGB, com controle de visualização – ISO 16760
Essa norma especifica os requisitos para um fluxo de trabalho RGB para impressão gráfica e fornece orien­ta­ções sobre a cria­ção de imagens RGB prontas para impressão e có­pias de simulação. O título da norma é Preparação e vi­sua­li­za­ção de imagens RGB para serem usadas em fluxos de trabalho de artes gráficas ba­sea­dos em RGB. A norma estende os formatos TIFF e JPEG de uma maneira similar à maneira pela qual o PDF/X estende o PDF. As impressões serão ava­lia­das por meio da ISO 12647‑7 e servem como uma referência física para esse arquivo de dados RGB. A norma passou na votação de CD.

Proposta para metadados como jobticket para provas virtuais
Um documento de rascunho foi elaborado pelo Ghent PDF Workgroup, instituição ba­sea­da na Europa com abrangência global, para auxiliar na adoção de normas. A proposta é que se torne um documento ISO com o título Tecnologia Gráfica – Metadados para o fluxo de trabalho de artes gráficas – Parte 1: XMP metadados para aprovação de imagem ou documento. Esse rascunho descreve um conjunto de metadados que pode ser usado para comunicar o status de aprovação de imagens ou documentos que serão usados para as artes do fluxo de trabalho de produção de impressão gráfica. A votação de novo item deve ocorrer em breve.

ISO 18620 – Curvas de ajuste tonal de RIP para gravação de chapas
Foi decidida a elaboração de um documento, com o objetivo de desenvolver uma norma in­ter­na­cio­nal que defina um formato de arquivo e um mecanismo de codificação de dados de ajuste de curvas de resposta de tons, sob o título: Curvas de Ajustes Tonais. O documento pode ser útil para comunicar de forma inequívoca as curvas de ajuste de tons definidas como porcentagem nominal de correção de ganho de ponto, para documentação interna ou intercâmbio com outras plantas.

WG 3 – Processos e Metrologias
Medição de cores de superfície e cores autoluminosas – ISO 13655
A norma foi publicada em 2009 e com­preen­de quatro diferentes modos de medição: M0 para instrumentos com fonte de luz A, hoje sendo um padrão de fato na nossa indústria. Para o M0 não há nenhuma exigência em relação ao seu con­teú­do UV. Modo M1 para instrumentos com iluminante D50 e con­teú­do UV igual ao D50. Modo M2 para instrumentos com iluminante D50 e filtro UV-cut. Finalmente, o modo M3 amplia o M2 com o uso de filtros de polarização. Foi encontrado um erro na definição do white backing e uma errata será publicada em breve. Discutiu-​­se também a inclusão do DeltaE 2000 e sua matemática, que será 
in­cluí­do num futuro breve.

Norma para provas contratuais – ISO 12647‑7
A norma de provas contratuais está em vigor e é uma das mais utilizadas no nosso setor. A fim de resolver os problemas de ava­lia­ção de conformidade levantados pela ISO decidiu-​­se fazer uma pequena revisão seguida de uma votação, que foi positiva. A versão atua­li­za­da já está publicada.

Norma para sistemas de provas virtuais ISO/CD 14861
Os co­men­tá­rios dos votos de CD foram todos resolvidos. O documento revisado será discutido na próxima reunião em Berlim e, em seguida, submetido à votação. Essa norma trabalha em conjunto com a nova versão da ISO 12646.

Requisitos para monitores de provas virtuais – ISO 12646
A norma se tornou um documento de capacidades e recursos de monitores para provas virtuais. No documento votado, todos os co­men­tá­rios foram resolvidos. O documento revisado será discutido na reunião de Berlim e, em seguida, submetido à votação (que precisa ser ini­cia­da antes de novembro de 2013).

ISO 12647‑1/2/3 – na reta final
As votações de todas as três partes foram positivas. Todos os co­men­tá­rios e problemas foram resolvidos de forma quase satisfatória. Num am­bien­te onde o consenso é vital muitas vezes os documentos sofrem alterações inesperadas ou indesejadas. A votação final deve ser ini­cia­da em breve e as normas devem ser publicadas ainda em 2014.

Impressão de dados digitais, Parte 1: Princípios básicos ISO/DIS 15339 (a futura 12647?)
O resultado da votação foi negativo. A segunda votação, como discutido na última reunião em Chicago, não ocorreu. Foi sugerida uma divisão em duas partes, sendo a primeira de prin­cí­pios e definições e a segunda com os dados de caracterização. Essa norma é extremamente inovadora e recebeu uma saraivada de críticas das delegações mais conservadoras ou que têm ne­gó­cios muito sedimentados nas normas an­te­rio­res (família 12647).

ISO 12647‑4 – Revisão da norma de gravura
Todos os co­men­tá­rios da votação positiva foram resolvidos. O documento será publicado em breve.

ISO 12647‑6 – Norma de impressão flexográfica finalmente publicada!
Essa é uma das melhores normas já feitas pelo grupo, com um componente de modernidade para o setor: no lugar da norma ter alvos e to­le­rân­cias, ela admite que os envolvidos poderão definir alvos e a norma regula as to­le­rân­cias e me­to­do­lo­gias. Além disso, os valores de tolerância podem ser definidos em DeltaE 2000, muito mais adequado para diferenças de cor compatíveis com a sensibilidade humana do que o padrão utilizado até agora, o DeltaE 76. Essa norma já está sendo trabalhada pela comissão do ONS27. A previsão é que sua publicação em português saia no início do ano que vem.

ISO 15311 – Nova norma de impressão digital
A discussão em Shenzhen confirmou que a ISO 15311 é a abordagem correta para a padronização da impressão digital. Decidiu-​­se con­ti­nuar com a Parte 1 como uma especificação técnica, excluindo esta parte do projeto e ini­cian­do a votação de um novo item de trabalho. Foi sa­lien­ta­do que os atributos de qualidade de imagem de referência não estão restritos à impressão digital e podem ser aplicados a todas as técnicas de impressão. Para as partes 2 e 3 foi acordado que as to­le­rân­cias serão removidas, o que significa que elas identificam casos de uso de referência ou aplicações que venham a ser típicos e relevantes para a indústria ou setor de mercado. Isso permite que os usuá­rios comparem suas aplicações contra a aplicação de referência da indústria típica. Cabe, portanto, a outras instituições, como a ABTG Certificadora, propor to­le­rân­cias para as aplicações existentes e fornecer um esquema de ava­lia­ção da conformidade ou certificação.

ISO/TS 18621 – Medição 
da qualidade de imagens
O grupo de trabalho conjunto cria­do entre o TC130 e o JTC1 e o JWG 14 já se reuniu duas vezes, em San Jose, EUA, e em Shenzhen, China. O principal objetivo desse grupo de trabalho é o desenvolvimento da norma ISO 18621 que define os métodos de medição apro­pria­dos para definir a qualidade de imagem e sua permanência ou durabilidade. Os métodos estatísticos M-, L- e P‑Score serão utilizados e o documento deverá ser uma família com outros documentos por vir. O título ini­cial será Tecnologia Gráfica — medição de atributos visuais de materiais impressos. A norma ISO/TS 18621 representa o primeiro documento padrão, que inclui a ava­lia­ção dos atributos essenciais de qualidade da imagem.

WG 11 – Impacto de tecnologias digitais no meio ambiente
ISO 16759 – Quantificação, cálculo e comunicação da pegada de carbono dos produtos de mídia impressa

Ess norma especifica os requisitos para quantificar a pegada de carbono dos processos, materiais e tec­no­lo­gias ne­ces­sá­rias para elaborar produtos gráficos utilizando qualquer tipo de tecnologia de impressão e que estão dentro do conhecimento e controle do usuá­rio. A votação da norma foi positiva e co­men­tá­rios técnicos e editoriais foram incorporados. A publicação final já ocorreu, o que deixou todos os envolvidos nos trabalhos muito satisfeitos. Foi ini­cia­do neste grupo um novo trabalho, visando entender como medir a pegada de CO2 dos meios de comunicação eletrônicos, como ­ebooks. Foi mostrado que o tempo de utilização e o aparelho em si são críticos para determinar a sua pegada. Foi feita uma conexão entre esse grupo e o IEC/TC100/TA13 para desenvolver o novo projeto de nome Quan­ti­fi­ca­ção, cálculo e comunicação da pegada de carbono de e‑mídia”, e que deve ser votado em breve. No Brasil, a comissão dessa área tem acompanhando o desenvolvimento da ISO 16759 desde o início do projeto. A previsão é que a adoção dessa norma aconteça no primeiro semestre de 2014.

WG 13 – Atividades de Certificação
ISO 16761 – Requisitos para 
sistemas de gestão a serem utilizados para certificar os fornecedores de serviços de impressão

O novo grupo de trabalho de certificação ainda está tentando entender como se po­si­cio­nar entre os interesses dos paí­ses participantes, os das agên­cias e empresas participantes e as visões dos es­pe­cia­lis­tas, tudo isso condimentado com uma rígida legislação interna da ISO para cria­ção de normas que tratem genericamente de “qualidade”. O grupo discutiu principalmente sobre as exi­gên­cias da ISO e o que pode ou não ser certificado e o que pode ou não ser especificado em uma norma sobre certificação. A norma ini­cial foi re­no­mea­da para Requisitos e condições de teste para fluxos de trabalho de impressão, 
indicando um re­di­re­cio­na­men­to das atividades.    


Bruno Mortara é superintendente 
do ONS27, coordenador 
da Comissão de Estudo 
de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai 
de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição 87

 
Normalização avança no segmento de metalgrafia Imprimir E-mail
Seg, 12 de Agosto de 2013

Norma análoga à ISO 12647-2 entrará em vigor no final de 2014.

 
A nova norma de impressão digital. Somente impressão digital! Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 02 de Outubro de 2012
 
O uso de XML para controle de processos em tecnologia gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 18 de Junho de 2012
 
Validade das provas digitais, uma questão a ser definida Imprimir E-mail
Escrito por Kátia Irie Teruya e Rafael Petermann, com a colaboração de Bruno Mortara e Marlene Dely Cruz   
Seg, 19 de Março de 2012

Durante o ciclo de aprovação dos produtos gráficos, es­pe­cial­men­te aqueles que envolvem um alto custo de produção, a confecção de provas de simulação e sua pos­te­rior aprovação é fundamental. Esse procedimento evita perdas de tempo e de dinheiro, além de ser o vínculo con­tra­tual entre a gráfica e o clien­te final.
Quan­do usada como simulação do impresso, a prova tem dois objetivos: permitir ao clien­te conhecer o resultado final antes da impressão e ser uma referência para a gráfica durante a impressão. Afora isso, serve como testemunho vi­sual em caso de discordância em relação ao resultado obtido.
Até mea­dos dos anos 1990 as provas eram feitas a partir de fotolitos e denominadas provas analógicas. Com o surgimento e disseminação dos CtPs (platesetters), as provas digitais se tornaram mais presentes e subs­ti­tuí­ram quase que totalmente as analógicas. As provas digitais são con­fec­cio­na­das por impressoras digitais, em geral jato de tinta, conectadas a um RIP que rasteriza os con­teú­dos vetoriais e raster da página (em geral um arquivo PDF, melhor se for um PDF/X) e faz as transformações de ge­ren­cia­men­to de cores a fim de simular a condição de impressão final. Tudo isso por uma fração do custo da produção final e em um curto espaço de tempo.

No entanto, um sistema de provas digitais precisa ser li­nea­ri­za­do, calibrado, verificado e utilizar insumos de qualidade, sem contar o acompanhamento contínuo de sua qualidade de reprodução. Se, por um lado, é necessário utilizar as tintas recomendadas pelos fabricantes em suas impressoras, por outro, os substratos não têm as mesmas recomendações. Os fabricantes não têm requisitos técnicos bem definidos para os substratos a serem utilizados. No mercado há uma infinidade de substratos à disposição, com diferentes preços e qualidades. Porém, se há um grande número de pa­péis para provas à disposição, o mesmo não se pode dizer em relação à quantidade e qualidade de informações técnicas acerca desses produtos. Isso seria bastante útil na hora da compra. E, por falta de parâmetros, muitas gráficas acabam por tomar sua decisão ba­sea­das em cri­té­rios financeiros que não garantem o bom desempenho do substrato, gerando provas de baixa qualidade e de durabilidade ainda menor, como aponta Bruno Mortara em seu artigo sobre provas digitais: “o uso de tintas e substratos não conformes pode sim comprometer a durabilidade da prova”.


Quan­do as provas sofrem de baixa durabilidade é sinal de que suas tintas e/ou combinação dessas com o papel não resistem aos efeitos da luz e desbotam. Este é o conceito de solidez de uma cor impressa. A solidez pode ser definida como a resistência do impresso aos efeitos de uma fonte fixa de luz (luz de arco de xenônio filtrada), sem in­fluên­cia do am­bien­te ou, ainda, a resistência que a cor oferece quando exposta à luz direta do sol, à luz difusa do dia ou à luz ar­ti­fi­cial. Isso significa o mesmo que durabilidade da tinta, do substrato ou da peça como um todo.
Para se com­preen­der a importância da solidez é preciso pensar que todos os processos de reprodução utilizados em tecnologia gráfica têm um tempo de durabilidade de sua coloração. A partir de certo momento, as cores começam a desbotar, até que o impresso se torna totalmente diferente do original. Além da luz, há outros fatores que atingem a solidez das cores impressas: os raios ul­tra­vio­le­ta, o oxigênio, o ozônio, a poluição atmosférica e o contato com agentes ácidos como molduras ou embalagens em cartão ou papel com pH não neutro.

Grupo de estudos da Theobaldo De Nigris
Um grupo de alunos da Theo­bal­do De Nigris, do curso técnico de Tecnologia Gráfica, elaborou um estudo que investigou as seguintes questões: Qual o tempo de durabilidade da prova impressa, ou seja, quanto tempo ela permanece colorimetricamente estável? Que tipo de substrato utilizar: homologado ou não homologado?
Nesse estudo, quatro marcas de papel para prova digital — dentre elas duas homologadas pela instituição alemã Fogra — foram analisadas a fim de se pesquisar por quantos dias a prova digital iria se manter fiel aos valores iniciais, ou seja, qual seria a sua validade. A análise da va­ria­ção colorimétrica foi feita imprimindo-se uma tira Ugra/Fogra Media Wedge V3 sobre dois lotes de amostras de cada papel e expondo-as a duas condições de iluminação:

Ensaio da interação papel e tinta sem influência da luz – Lote da condição 1
As amostras foram acon­di­cio­na­das no escuro, sem nenhuma incidência de luz, e verificaram-se as va­ria­ções colorimétricas das ­­áreas coloridas da escala. O objetivo desta condição é procurar entender as va­ria­ções possíveis, independentemente da ação de fatores ambientais, es­pe­cial­men­te a luz.
As medições das cores impressas foram rea­li­za­das por meio de espectrofotômetro por um pe­río­do de 60 dias, duas vezes na semana.

Ensaio da NBR ISO 12040 – Lote da condição 2
As amostras foram analisadas utilizando-se o método descrito na NBR ISO 12040. Essa norma especifica um procedimento para ava­lia­ção da solidez das cores e foi usada com o objetivo de se estimar o impacto sobre as áreas coloridas das tarjas, em um pe­río­do de tempo de 300 dias de luz de escritório. Diferentemente da condição 1, esse lote sofreu a ação da luz em conjunto com as possíveis va­ria­ções da própria interação do substrato com as tintas. A norma utiliza como ensaio de durabilidade das cores (inkfastness) um equipamento cons­ti­tuí­do de uma cabine com lâmpadas de arco de xenônio com filtros opcionais, que simula uma superexposição à luz. Para se controlar essa exposição foi utilizada a escala de azul até que seu step 3 ficasse desbotado de modo similar ao step 3 da escala de cinza. O equipamento, conhecido como Xenotest, possui lâmpadas de xenônio de alta potência, o que possibilita a simulação de tempo de exposição à luz do dia. Sua lâmpada possui uma distribuição espectral bastante próxima à D50, luz normalizada pela CIE.
As amostras foram expostas juntamente com a escala de azul, simulando uma exposição equivalente a 300 dias de luz de escritório.

Ensaio da cor dos substratos
Visando conhecer os substratos utilizados nos ensaios foram feitas leituras espectrais dos mesmos. O ensaio em questão foi feito utilizando-se dois espectrofotômetros X-​­Rite i1, um com filtro UV e outro sem. A diferença dos resultados de leitura dos dois instrumentos pode ser atri­buí­da aos alvejantes ópticos. Os fabricantes de papel adi­cio­nam esses componentes a fim de dar um aspecto mais branco ao papel, com um entendimento de que o mercado percebe pa­péis mais azulados como mais brancos e, portanto, mais desejáveis.

Resultados
Ao final dos ensaios foi possível observar que as amostras que não tiveram contato com a luz, condição 1, mantiveram os valores das ­­áreas coloridas sem va­ria­ções significativas. No entanto, as amostras expostas da condição 2, que foram submetidas ao ensaio da NBR ISO 12040, sofreram va­ria­ções colorimétricas, algumas consideráveis. Se observarmos os requisitos da norma de provas físicas con­tra­tuais, NBR ISO 12647-7, uma das amostras de papel de prova se mostrou não conforme (Tabela 1).
Procurando-se estabelecer uma relação entre a instabilidade do substrato e seu con­teú­do de alvejante óptico, observou-se que esse substrato foi justamente aquele que apresentou a maior diferença entre a curva espectral feita com filtro UV e aquela feita sem filtro UV, indicando a presença de alvejantes ópticos (OBA) na composição do papel. Esse resultado insatisfatório demonstra que alguns substratos de prova são mais suscetíveis, em relação à solidez, à luz que outros. O estudo mostra também que há no mercado brasileiro pelo menos um substrato não conforme e isso pode comprometer a comunicação na cadeia produtiva, além de causar pre­juí­zos a clien­tes e fornecedores.
Uma conclusão importante deste estudo foi que, sempre que for necessária a preservação da prova por longos pe­río­dos de tempo, os impressos devem ser acon­di­cio­na­dos de modo a não serem expostos à luz de escritório ou do sol. Assim sendo, o estudo demonstra que provas contratuais feitas com boas práticas e respeitando os requisitos da NBR ISO 12647-7 podem ser utilizadas, desde que feitas sobre substrato adequado, por um pe­río­do de tempo bastante ra­zoá­vel, de até 300 dias.

Kátia Irie Teruya e Rafael Petermann são ex‑alunos do curso técnico de pré‑impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris. Colaboraram Bruno Mortara e Marlene Dely Cruz, do Naipe – Núcleo de Apoio a Inovação e Pesquisa, na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Referências
TERUYA, K. Estudo da variação colorimétrica em impressão para prova digital / Katia Irie Teruya, Moisés Pacífico Fagundes dos Santos Silva, Rafael Petermann, Valéria Crisci; Orientação, Edigar Antunes. Trabalho de Conclusão de Curso – Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, 2011.

Texto publicado na edição nº 81

 
O que é e para que serve o código QR? Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 05 de Dezembro de 2011

O código QR é um símbolo bi­di­men­sio­nal. Foi inventado em 1994 pela Denso, uma das principais empresas do grupo Toyota, e foi aprovado como padrão in­ter­na­cio­nal pela ISO (ISO/IEC 18004) em junho de 2000. Este símbolo bi­di­men­sio­nal era destinado ao uso no controle de produção de peças automotivas, mas acabou se espalhando por toda a economia. O código QR é visto agora todos os dias e em todos os lugares pelo mundo, sobretudo por quatro razões:

  • Possui características su­pe­rio­res aos códigos de barras li­nea­res, como a possibilidade de agregar muitos dados em alta densidade e dar suporte a caracteres kanji (caracteres da língua japonesa com origem em caracteres chineses)
  • Pode ser usado por qualquer pessoa sem custos, uma vez que a Denso abriu mão dos direitos de patente para o domínio público
  • A estrutura dos dados não é um requisito padrão para os usos atuais
  • A maioria dos telefones celulares no Japão e nos principais paí­ses já é de smartphones, equipados com câmeras que permitem a leitura de códigos QR, acessando ime­dia­ta­men­te informações na web, SMS ou até chamadas telefônicas.

História dos símbolos 2D
Em 1970, a IBM desenvolveu os símbolos UPC compostos de 13 dígitos de números de computadores para permitir a leitura automática em sistemas computacionais. São ainda amplamente usados em sistemas de ponto de venda (POS). Em 1974 apareceu o código 39, que pode armazenar 30 dígitos alfanuméricos. Em 1994, após sucessivos desenvolvimentos, surge o código QR, que pode conter até 7.000 caracteres, incluindo os kanji. Os códigos bidimensionais geralmente contêm quantidade de dados muito su­pe­rior se comparados aos símbolos li­nea­res, como um código de barras — aproximadamente 100 vezes mais informação — e, portanto, sua leitura é um processo mais complexo que necessita de muito mais tempo de processamento.

A norma ISO 18004
A norma ISO 18004 tem como título In­for­ma­tion technology – Automatic iden­ti­fi­ca­tion and data capture techniques – Bar code symbology – QR code. Segundo a norma, o código QR “é um grafismo ma­tri­cial cons­ti­tuí­do por um conjunto de módulos nominalmente quadrados dispostos em um padrão global quadrado, incluindo um padrão único, localizador encontrado em três cantos do símbolo e destinado a facilitar a localização de sua posição, tamanho e inclinação. Uma ampla gama de tamanhos de símbolo é prevista em conjunto com quatro níveis de correção de erro. As dimensões do módulo são especificadas pelo usuá­rio para permitir a produção de símbolos por uma grande va­rie­da­de de técnicas”.
Um código QR pode codificar em seu in­te­rior diferentes unidades ou valores. Entre estes pode armazenar dados numéricos (algarismos 0–9); dados alfanuméricos (algarismos 0–9, letras maiúsculas A–Z e outros nove caracteres: o espaço, $ % * + – / : . ); dados de 8 bits ou de 1 byte Latim ou Kana; e caracteres kanji. Pode também representar dados bi­ná­rios, em que um módulo escuro é um binário 1 e um módulo branco é um zero binário.
Seu tamanho, sem incluir a zona de “silêncio”, pode ser de 21 por 21 módulos até 177 por 177 módulos, correspondendo às versões 1 a 40, com incrementos de 4 módulos para cada lado.
Os dados armazenados em um QRC podem ser (para o tamanho máximo – versão 40-L):

  • Dados numéricos: 7.089 caracteres
  • Dados alfanuméricos: 4.296 caracteres
  • Dados de 8 bits: 2.953 caracteres
  • Dados em kanji: 1.817 caracteres

O QRC tem a capacidade de correção de erros de leitura, através de re­dun­dân­cias. Isso facilita seu uso em celulares e outros periféricos móveis de menor resolução e sua impressão por equipamentos de média resolução. Há quatro níveis de correção de erro que permitem a recuperação de dados: o nível L, com 7%; o nível M, com 15%; o nível Q, com 25%; e o nível H, com 30%.

A alta performance do código QR
O código QR tem a capacidade de leitura de alta velocidade, em todas as direções (360°), pro­por­cio­nan­do aplicações até então nunca imaginadas. Normalmente, a leitura do QR é feita através de um sensor CCD, como o de um celular. Os dados da linha de varredura capturada pelo sensor são armazenados na memória. Em seguida, através do soft­ware de interpretação, são analisados os detalhes e encontrados os padrões identificadores, bem como a posição, o tamanho e o ângulo de leitura do código QR. Depois é feita a decodificação do símbolo. Em símbolos bidimensionais, a sua leitura pode demorar muito tempo até detectar a posição/ângulo/tamanho do símbolo, além de problemas de precisão.
Com o código QR, o leitor encontra os padrões de po­si­cio­na­men­to em três cantos, o que permite uma alta velocidade de leitura em todas as direções. A relação entre posições em preto e em branco, numa linha de leitura dos padrões de po­si­cio­na­men­to, é sempre 1:1:3:1:1, quando lido de qualquer direção. Ao detectar esse po­si­cio­na­men­to o leitor é capaz de identificar a posição do código QR, e por consequência o tamanho (L) e o ângulo (θ) (1 e 2).

Leituras distorcidas
Quan­do o código QR estiver colado em uma superfície curva ou o leitor estiver inclinado, a imagem resultante fica distorcida e dificulta sua leitura. Para corrigir esta distorção, esse código tem padrões de alinhamento arranjados com um intervalo regular dentro do intervalo de símbolo.
A va­ria­ção entre a posição do centro do padrão de alinhamento, estimada a partir da forma ex­te­rior do símbolo e da posição do centro real do padrão de alinhamento, é calculada para conter os ma­pea­men­tos a fim de identificar a posição central de cada célula, corrigida. Isso tornará legível um código QR praticamente ilegível (3).

Funcionalidade de correção de erros
No código QR há dados para a restauração de sua fun­cio­na­li­da­de, tornando-o resistente a borrões ou símbolos danificados. Ele possui quatro níveis diferentes de correção de erro — 7%, 15%, 25% e 30% da área do símbolo. A fun­cio­na­li­da­de de correção é implementada de acordo com os borrões ou danos da imagem e são chamados de código Reed-​­Solomon. Estes estão dispostos na área de dados do código QR. Com essa funcionalidade, os códigos podem ser lidos corretamente mesmo quando estiverem sujos ou danificados até o nível de correção de erro, aumentando a sua utilidade e permitindo aplicações inéditas para códigos já existentes (4).

Outras funcionalidade do código QR
O código QR tem uma fun­cio­na­li­da­de que permite vincular um único símbolo a diversos outros, dividindo-o em até 16 símbolos. O exemplo mostrado na Figura 5 é aquele em que um único código QR é dividido em quatro símbolos e cada símbolo tem um indicador que mostra em quantos símbolos o original foi dividido. Isso permite que se utilize o código QR e em impressos com pouquíssimo espaço. Outra função é o mascaramento, es­sen­cial para leituras em condições de sujeira em mer­ca­do­rias ou produtos. Para isso, o processamento de um código QR passa por máscaras que permitem distinguir de modo não ambíguo o que é branco e o que é preto. Existem oito padrões de máscara. A ava­lia­ção será feita para cada um deles e aquele com o melhor resultado de ava­lia­ção, juntamente com o resultado do cálculo EX-OR, será armazenado na área de dados.


Uma fun­cio­na­li­da­de interessante para algumas aplicações é a encriptação dos dados contidos no código QR. A menos que a tabela de conversão entre o tipo de caracteres e os dados armazenados seja decifrada, ninguém será capaz de ler aquele código QR. Finalmente, é importante destacar como fun­cio­na­li­da­de a chamada “marcação direta” sobre embalagens flexíveis feitas por impressoras laser ou matriciais. Para os símbolos marcados diretamente, a forma da célula não tem ne­ces­sa­ria­men­te de ser quadrada, como mostrado na Figura 6. Pode-se ler bem no verso ou pela frente, assim como em substratos de baixa refletância, como plásticos ou vidros transparentes.

Perspectivas de adoção do código QR
As oportunidades em mercados desenvolvidos estão literalmente explodindo, ba­sea­das na adoção de smartphones e nas estatísticas de leituras de código QR:

  • 80% dos consumidores dos Estados Unidos têm celulares
  • 35% dos celulares são smartphones
  • 75% dos pro­prie­tá­rios de smartphones têm leitores de código QR
  • Os consumidores que leem códigos QR são mais velhos, têm maior grau de escolaridade e renda acima da média na­cio­nal.


Exemplos de aplicações de códigos QR

A seguir elencamos alguns exemplos de aplicações do código QR na Austrália, China, Hong Kong, Japão, Coreia, Cingapura e Taiwan, paí­ses mais avançados em sua utilização.
Consumo e redes sociais
Ralph Lauren
Durante o Aberto de Tênis dos Estados Unidos, a Ralph Lauren apresentou códigos QR em seus anún­cios impressos, malas diretas e nas janelas da loja para levar usuá­rios ao seu site. No site, o consumidor podia comprar produtos da marca.
Adegas Portuguesas utilizam códigos QR em rótulos para construir uma rede so­cial online de amantes do vinho chamada Adegga.
Consumidores que compram vinho leem o código QR com o celular e são levados a uma página sobre aquele vinho no adegga.com. Lá podem ler os co­men­tá­rios de outras pes­soas sobre o produto e verificar os preços.
Mapas
Mapas impressos estão utilizando códigos QR para melhor orien­tar os turistas no Japão. Em uma área de montanhas, rios e florestas, com muitos sí­tios naturais termais e templos, por exemplo, os códigos QR fornecem um link para um site no qual o usuá­rio pode se­le­cio­nar um interesse particular (por exemplo, história, acomodações, templos, museus), e um mapa do Goo­gle é exibido com as posições relevantes em destaque e a posição do usuário.
Emissão de passes de transporte
Desenho do Sistema

  • Na primeira vez a aplicação precisa que se preencha o formulário que leva a informação da aplicação.
  • A aplicação de renovação necessita somente do tempo de duração e o código QR na passagem velha dá as informações necessárias.

Vantagens de se usar o código QR

  • Serviço instantâneo e eficiente de renovação de passes de transporte.

Controle de produtos alimentícios
Desenho do Sistema

  • Os dados do QR no prato de sushi podem sempre ser escaneados.
  • Todo o sushi que durar mais que 55 minutos é descartado.

Vantagens de se usar o código QR

  • O controle de qualidade dos pratos de sushi é realizado e sua frescura é garantida.

Controle de gado na Austrália
Desenho do Sistema

  • Uma etiqueta código QR grudada no rabo do animal é usada para rastrear os movimentos em fazendas de gado.
  • Se surge alguma doença como ‘vaca louca’ então cada animal tem uma identidade única e as fazendas podem ser controladas melhor.

Vantagens de se usar o código QR

  • A capacidade de correção de erros ajuda a gestão com sujeira na leitura.
  • Sistemas off-​­line podem ser construídos já que o gado possui identificação.

Controle de alimentos em Taiwan
Desenho do Sistema

  • Cada pacote de vegetais tem um ID único com um código de produto QR rastreável.
  • O código QR no pacote tem o nome do vegetal, número de identificação GS1 data de embalagem e código de rastreabilidade.
  • O ministério da Agricultura (C.O.A.) de Taiwan desenvolveu uma conexão móvel via web.

Vantagens de se usar o código QR

  • O código QR pode facilitar o processo de rastreabilidade e permitir aos varejistas segregar pacotes de vegetais que não estiverem mais frescos.
  • Lojistas podem também obter informações sobre plantadores ao escanear as etiquetas com o código QR que os levam à fazenda através do sistema móvel via web desenvolvido pelo ministério da Agricultura (C.O.A.) de Taiwan.

Cobrança por empresas em Taiwan
Desenho do Sistema

  • A empresa FarEasTone (FET), de Taiwan, codificou o link de pagamento (URL) na conta do usuário.
  • O cliente lê o código QR impresso na sua conta e o celular vai direto à página de pagamento de sua conta de celular, através da internet.

Vantagens de se usar o código QR

  • Isso facilita o pagamento de contas de celulares, sem computadores ou ida a bancos.

Bibliografia
http://en.wikipedia.org/wiki/Matrix_barcode
ISO/IEC 18004: ISO Standard on QR Code 2005 Bar Code Symbology Specification.
JIS-​­X0510: Japan Industrial Standard.
JAMA-​­EIE001: Japan Automobile Manufacturers Association Standard.

GB/T 18284: China National Standard.
KS-X ISO/IEC 18004: Korea National Standard.
TCVN7322: Vietnam National Standard.
GS1 Japan Handbook 2007.
2D Code and Barcode Image Generator: Denso Wave Incorporated, Japan.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré-​­Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 80

 
Norma 12647-8: Uma possível solução tropicalizada para as provas Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 03 de Outubro de 2011

Uma das questões que me impeliram a escrever este artigo foi a percepção de que as provas digitais contratuais, baseadas na ISO 12647-7, estão presentes ainda em uma quantidade relativamente restrita de empresas, notadamente nas grandes cidades, especialmente nas capitais. Ferramentas importantíssimas para a cadeia produtiva, as provas deveriam ser muito mais disseminadas. O que impede que isso aconteça?
A primeira razão é a complexidade de um sistema de provas certificado, de sua operação, as constantes calibrações, insumos e custo unitário caros e baixa produtividade. A maioria das gráficas acaba utilizando um equipamento a laser, eletrofotográfico, para produzir provas, mas sem nenhum critério de calibração ou simulação de impressão. A ISO, percebendo isso, fez a norma 12647-8, que tem como título original Tecnologia Gráfica – Controle de processos para a produção de separações de cores, prova e impressão – Parte 8: Provas de Validação diretas a partir dos dados digitais.
Trata-se de uma versão mais flexível da Parte 7, já conhecida do mercado brasileiro, como sendo a norma de controle de produção de provas contratuais. Por flexível entendamos menos restritiva, pois, se por um lado o objetivo é o mesmo — simular em uma impressora digital uma impressão feita em outro processo ou tipo de equipamento —, por outro foi concebida voltada para os processos com base na eletrofotografia, sabidamente mais produtivos e com custo unitário significativamente menor, porém menos precisos.

A família ISO 12647
Para quem já ouviu falar na 12647 e ainda não teve a oportunidade de se debruçar sobre a norma aí vai um resumo. É a família de normas de processo gráfico, a nossa principal norma, que consiste de várias partes: Parte 1, Parâmetros e métodos de medição; Parte 2, Offset plano ou rotativo com forno; Parte 3, Offset rotativo sem forno sobre papel de jornal; Parte 4, Rotogravura editorial; Parte 5, Serigrafia; Parte 6, Flexografia; Parte 7, Provas contratuais e Parte 8, Provas de validação.
A primeira parte da 12647 é de 1996 e a última está prestes a sair do forno do TC130 da ISO.

O contexto da norma
Nos fluxos de trabalho gráficos há sempre a necessidade de uma representação visual da aparência do arquivo a ser impresso, normalmente utilizada como parte do acordo entre o cliente e a gráfica. Esta representação constitui a garantia das características de cor, curvas tonais, registro, completeza de grafismos, tamanho etc. Ao simular o processo de impressão que será utilizado para a tiragem total, a prova de contrato ajuda o impressor a controlar e comparar os resultados obtidos em máquina, offset por exemplo, sabendo que aquela prova é a expectativa do cliente.

Por que uma Parte 8?
Por serem complexos, os sistemas de provas contratuais são relativamente caros e exigem operação e manutenção cuidadosa. O preço, as constantes calibrações e os cuidados com insumos e operação tornam o produto da Parte 7 (12647-7), as provas contratuais, mais adequado a empresas bem estruturadas e com cultura e controles de qualidade já implantados.
Para as demais empresas, que não desejam fazer um investimento específico em sistemas de provas — mas que investiram em sistemas de produção em eletrofotografia (equipamentos baseados em toner, comumente chamados de impressoras a laser) —, foi concebida a Parte 8, com tolerâncias maiores e padrões mais simples de serem atingidos. Sim, é verdade que ainda assim é preciso calibrar, possuir um espectrofotômetro etc., porém a grande vantagem é que a impressora é aquela mesma na qual são feitos os trabalhos de tiragens maiores, isto é, a impressora digital de produção.
O produto final da Parte 8 é uma prova de validação. As provas de validação não devem substituir provas certificadas contratuais de acordo com a ISO 12647-7, e, sempre que uma gráfica puder fazer ou contratar fora uma prova contratual, estará no caminho adequado.
No entanto, no Brasil há inúmeros casos nos quais não há uma prova contratual no raio de centenas de quilômetros e, para eles, uma prova de validação se torna uma ferramenta preciosa para a gráfica, no sentido de se comprometer a entregar um produto com aquela aparência, e para o cliente, que concorda em aceitar o produto final desde que tenha aparência semelhante àquela da prova de validação.

Valores de cor do substrato das áreas de impressão
A escolha do substrato a ser utilizado para criação de uma impressão de validação é baseada no conhecimento do substrato que o cliente usará na impressão final ou de produção e as capacidades do equipamento. A melhor escolha é utilizar o mesmo substrato da produção final. Quando não se conhece o substrato em que será feita a produção final, aquele utilizado para a impressão de validação deve ser de cor branca na face e sem nada impresso no verso, para não influenciar as medições a serem feitas.
Em aplicações em que o substrato a ser utilizado para a impressão de produção é conhecido mas não é compatível com o equipamento para criar a impressão de validação, o substrato selecionado pode ser impresso para simular o final, com fina camada de toner (o RIP deve ser ajustado para isso) e a diferença de cor entre a simulação e o substrato final deve ser menor que Delta E de 3.
Quando houver possibilidade de se medir com um instrumento de laboratório adequado (com luz incidente em 75° com um instrumento em conformidade com a norma ISO 8254-1), o brilho do substrato de validação deve ser de até 15 unidades de brilho em relação ao substrato de impressão de produção. Quando não houver um instrumento em mãos, é aconselhável que se siga o brilho do substrato final, seja ele sem brilho, fosco, semibrilho ou brilho.

Os requisitos de cor
Os requisitos de simulação de cores para as provas de validação são definidos com restrição menor que a da Parte 7. Em comparação com a norma de provas contratuais ISO 12647-7, podemos ver que houve uma adaptação clara (um aumento das tolerâncias em quase todos os requisitos) com relação às capacidades de qualidade e repetibilidade dos equipamentos de eletrofotografia (impressoras digitais).

Uniformidade por folha impressa do sistema de impressão de validação
Um dos parâmetros que a norma regulamenta e se detém de maneira mais específica é quanto à uniformidade na folha. É sabido que em sistemas baseados em toner a distribuição do mesmo pode apresentar defeitos, como a falta de cobertura em áreas fortemente entintadas após uma sequência de impressões da mesma página (starving). Para isso, a norma propõe a impressão de test forms, que devem apresentar um desvio padrão menor que 1,5 em L*, a* e b* e uma diferença máxima de cor Delta E Cielab de 2.
Os test forms devem resultar em leituras na mesma folha com desvios menores que Delta E de 2, o que garante que o toner recebeu uma distribuição homogênea ao longo da folha de produção.
Um ponto bastante importante em um sistema capaz de gerar provas de validação é que este seja capaz de repetir a “façanha” a qualquer momento. A diferença de cor Cielab máxima entre as amostras de cada cor não deverá exceder Delta E de 2,5 nos sólidos (chapados) e Delta E de 3 nas áreas reticuladas.

Outros aspectos de qualidade
Quando se pretende certificar um sistema de provas de verificação por um laboratório credenciado, as análises são mais profundas quanto à qualidade e confiabilidade do sistema. É aqui que uma certificação de uma gráfica se separa de uma certificação 
de um equipamento específico.
Neste contexto, para o atributo de permanência das cores deve-se esperar o período de estabilização de impressão especificado pelo fabricante e devem ser efetuados testes de abrasão mecânica, solidez de tinta, brilho do conjunto de tintas, reprodução da escala tonal e poder de resolução do sistema de provas. Para cada um destes atributos a norma traz uma série de ensaios a serem feitos.
Além disso, a norma solicita que sejam impressas junto aos grafismos do cliente as seguintes informações:

  • Nível de conformidade (impressão de validação de acordo com a norma ISO 12647-8)
  • Nome do arquivo
  • Nome do sistema de validação
  • Tipo de material de substrato
  • A condição de impressão simulada
  • Data e hora da produção
  • Data e hora da última calibração
  • Tipos de corantes
  • O perfil de gerenciamento de cores utilizado
  • Nome e versão do RIP
  • Tipo de revestimento
  • Tipo de simulação de papel

Conclusão
A indústria gráfica irá se beneficiar com a tradução e adoção da norma ISO 12647-8 no Brasil, tarefa que se inicia em breve no âmbito do ONS27, na ABTG. É uma tarefa que normalmente demora cerca de um ano e, assim que a norma estiver traduzida, pretendemos fazer uma cartilha para 
disseminar mais facilmente seus conceitos.
Se conseguirmos espalhar a ideia e as tecnologias da norma ISO 12647-8 sem desestimular aqueles que já investiram ou pretendem investir em sistemas mais precisos de provas — as de contrato, ou Parte 7 —, o mercado gráfico terá centenas ou milhares de gráficas com condições de criar uma prova de referência para seus clientes a um custo bastante razoável e com enormes benefícios para as relações comerciais — o cliente sabe o que espera receber e o impressor sabe aquilo que deverá imprimir —, dando um novo dinamismo 
para a comunicação impressa.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 79

 
Um olhar sobre as certificações de sustentabilidade Imprimir E-mail
Escrito por Heidi Tolliver-Nigro   
Qua, 06 de Julho de 2011

Do ponto de vista do editor e do homem de compras, trabalhar com uma gráfica am­bien­tal­men­te certificada simplifica mui­to o processo de tornar o seu produto um impresso “verde”. Não apenas o ciclo de vida do papel é garantido, mas todo o processo de impressão.
Para as gráficas, no entanto, a decisão de certificar-se pode não ser tão clara quanto para um clien­te. Os custos podem ser elevados e o processo requer um investimento de tempo significativo e permanente. Embora a certificação possa am­pliar as ofertas de trabalho, o retorno dos investimentos desses programas pode ser incerto. Algumas gráficas também estão desenvolvendo seus pró­prios programas de sustentabilidade, independentes das organizações ofi­ciais de certificação.

Informações básicas sobre certificação ambiental
Existem dezenas de certificações ba­sea­das em padrões reconhecidos na­cio­nal ou in­ter­na­cio­nal­men­te que abrangem todos os aspectos do processo de impressão, desde a fabricação de papel até a impressão, encadernação e acabamento. Algumas das certificações mais conhecidas, porém, são relativas somente ao papel. Cada sistema de certificação de papel usa padrões um pou­co diferentes, abrange diferentes aspectos da ca­deia de custódia e requer diferentes porcentagens de teor de fibras certificadas para fornecer um selo indicando a certificação do produto final.
Entre os programas de certificação de papel, o mais conhecido é o Forest Stewardship Coun­cil (FSC), cria­do por uma organização in­ter­na­cio­nal não governamental e pela Sus­tai­na­ble Forestry Ini­tia­ti­ve (SFI), que cui­da das florestas da América do Norte. O Programme for the Endorsement of Forest Cer­ti­fi­ca­tion [Programa para Reconhecimento de Certificação Florestal] (PEFC), conduzido por uma organização in­ter­na­cio­nal que reconhece uma va­rie­da­de de sistemas de certificação na­cio­nais e re­gio­nais das florestas, também é bem estabelecido e conhecido.

O fabricante e a certificação de papel
Ao procurar projetos de certificação am­bien­tal, um editor ou comprador da indústria gráfica pode buscar apenas por papel certificado (pelo SFI ou pelo FSC) ou exigir que a gráfica em si também seja certificada. Gráficas com certificações am­bien­tais (SFI ou FSC) foram submetidas a uma ava­lia­ção da ca­deia de custódia, desde as compras de papel até o ge­ren­cia­men­to de re­sí­duos.
Para as gráficas, o custo da obtenção de uma certificação na fábrica pode chegar à casa das dezenas de milhares de dólares. A ­maior parte dessa despesa refere-se ao pagamento das empresas de au­di­to­ria e o custo final é determinado pelo tempo que os au­di­to­res gastam com:

  • Reu­niões preliminares e preparação geral
  • Reu­niões de pré-​­au­di­to­ria e preparação
  • Preparação de documentos e coleta de ma­te­riais
  • Visitas à empresa
  • Trabalho pós-​­au­di­to­ria
  • Análise de relatório e respostas.

Além dessas despesas, a gráfica vai se deparar com custos menos ób­vios, como ter toda a equipe dedicando tempo e atenção ao processo de certificação. Gráficas, editores e clien­tes podem comprar papel am­bien­tal­men­te certificado mesmo que a gráfica não seja certificada. Nesse caso, no entanto, o selo da certificação não poderá ser impresso no produto final (folheto, revista, livro). Uma gráfica certificada pelo SFI pode comprar o papel e usar o selo do SFI.

Requisitos para certificação
Como exemplo do que é necessário para se obter uma certificação, aqui estão alguns dos requisitos básicos para os fabricantes durante a produção de papel certificado pelo FSC. A certificação exige:

  • Não alterar florestas ou qualquer ou­tro habitat natural
  • Res­pei­tar os di­rei­tos in­ter­na­cio­nais dos trabalhadores
  • Não utilizar produtos químicos perigosos
  • Res­pei­tar os di­rei­tos humanos, com es­pe­cial atenção aos povos indígenas
  • Res­pei­tar todas as leis apli­cá­veis

Identificar e fazer a gestão adequada das ­­áreas que necessitam de proteção es­pe­cial (in­cluin­do lo­cais de interesse cultural ou sagrado e habitats de ani­mais ou plantas em extinção).
Apesar de o FSC afirmar que tem as exi­gên­cias mais rigorosas, ou­tras certificações oferecem proteções similares. Assim, adquirir um papel com uma certificação am­bien­tal significa que o papel foi produzido com fibra obtida legalmente a partir de ma­dei­ra pro­ve­nien­te de florestas bem manejadas e colhida por meio de práticas sus­ten­tá­veis de gestão florestal.
O processo de certificação para uma gráfica é mais abrangente. Para obter o selo Sus­tai­na­ble ­Green Print Partnership, por exemplo, a empresa deve atender a requisitos for­mais relativos a:

  • Uso de práticas sus­ten­tá­veis, in­cluin­do o cumprimento de toda a regulamentação
  • Manutenção de uma política de sustentabilidade
  • Manutenção de um sistema de gestão da sustentabilidade
  • Adoção das melhores práticas para design, pesquisa responsável de ma­te­rial, gestão e sistema de controle para reportar o progresso e adequação.

Seja qual for a escolhida, as certificações são fei­tas para uma fábrica e empresas com múltiplas plantas devem submeter cada unidade à ava­lia­ção, de forma independente. Normalmente, também há processos separados de certificação para encadernação, acabamentos di­fe­ren­cia­dos e para envelopes.
Para conseguir uma certificação am­bien­tal é preciso passar por uma au­di­to­ria rea­li­za­da por um profissional qualificado, sendo válida por um pe­río­do limitado de tempo, geralmente dois anos. Um processo de certificação pode também in­cluir ou­tros requisitos. No caso do SGP, as gráficas certificadas devem apresentar um relatório de progresso ­anual e comprometer-se com pelo menos um projeto de melhoria contínua a cada ano.
As taxas das vá­rias certificações va­riam mui­to. Para obter a certificação do SGP os ho­no­rá­rios e as despesas in­cluem (em dólares):

  • Taxa de inscrição (de $ 295 a $ 595)
  • Taxa básica de fiscalização ($ 1.500)
  • Despesas de via­gem do au­di­tor
  • Relatório de Ações Corretivas (CAR) (de $ 75 a $ 100 por hora)
  • Taxa de renovação ­anual (de $ 250 a $ 400).

As taxas são geralmente mais bai­xas para as gráficas que detêm participações em as­so­cia­ções da indústria, como Printing In­dus­tries of America, Flexographic Technical As­so­cia­tion e Spe­cialty Graphic Imaging As­so­cia­tion.

Os benefícios da certificação
O fato de determinada certificação am­bien­tal valer o tempo e o di­nhei­ro ne­ces­sá­rios para adquiri-la, isso vai depender das pre­fe­rên­cias e demandas dos prin­ci­pais clien­tes da gráfica, bem como das pre­fe­rên­cias filosóficas dos pro­prie­tá­rios da gráfica. Marqueteiros e grandes contas corporativas, em es­pe­cial, veem a certificação como parte de sua imagem corporativa ou imagem da marca, mas mesmo pequenas gráficas com clien­tes menores também optam por fazer esse investimento.
Bai­xar uma lista de gráficas certificadas pelo SFI é como ler um lista de “Quem é Quem” da indústria gráfica. Na lista mais recente do site da SFI, há cerca de 3.000 gráficas com empresas que va­riam de pequenas e localizadas, como a Bea­con Printing (em Waldorf, Maryland, nos Estados Unidos), até grandes empresas com vá­rias fábricas, como a Que­be­cor World, a RR Donnelley, e a xpedx.
A Lightning Sour­ce Inc. (LSI), empresa de grande porte na área de impressão sob demanda, localizada em LaVergne, Tennessee (EUA), está entre as empresas que mais fizeram investimentos em certificação am­bien­tal: a empresa possui os selos FSC, SFI e PEFC. Em ja­nei­ro de 2011, a LSI en­viou um e-​­mail para seus clien­tes, informando-os sobre o status da sua certificação de Ca­deia de Custódia (CoC). O link dirigia o lei­tor a uma página que descrevia como o modelo de impressão sob demanda da LSI beneficia o meio am­bien­te através da redução de re­sí­duos de papel, desperdício de energia, emissões de gás de efei­to de estufa, polpa e lotação de aterros, espe­cial­men­te devido à redução de estoques de produtos prontos des­ne­ces­sá­rios. A página também destacava o processo de aquisição da Ca­deia de Custódia e como a certificação está re­la­cio­na­da a um ­maior comprometimento da companhia com o meio am­bien­te. Além disso, cada uma das três prin­ci­pais certificações de papel são descritas e os lei­to­res eram convidados a fazer o down­load de có­pias dos certificados da LSI.

Certificação para gráficas menores
Mesmo as gráficas menores investem em certificações am­bien­tais. E da mesma forma que as empresas grandes, elas trilham esse caminho mui­tas vezes a pedido de clien­tes específicos. Uma vez certificadas, essas empresas podem optar por manter a certificação como parte de um compromisso am­bien­tal mais amplo. As gráficas irmãs Gerardi Press e DigitalXPress (em Rockaway, New Jersey, EUA) se enquadram nessa categoria. A Gerardi Press obteve a certificação FSC há dois anos em resposta à demanda dos clien­tes. “[O investimento no setor offset] foi motivado diretamente por clien­tes grandes que estavam abraçando a ini­cia­ti­va verde”, disse o gerente David Mar­fie­wicz. “A certificação foi necessária até mesmo para orçar os projetos. Isso foi o que nos levou a aderir à certificação. Uma vez aprovados, nós usamos a nossa certificação como ou­tro ponto positivo a ser divulgado para nossos clien­tes. A certificação do setor digital é menos voltada para o clien­te”, afirmou Mar­fie­wicz, “mas achamos que isso vai se transformar em uma necessidade à medida que os clien­tes pedirem tiragens maio­res e com con­teú­do mais relevante”.
Outros pro­prie­tá­rios de gráficas acreditam que as certificações devem ser motivadas por algo mais do que a possibilidade de am­pliar as vendas ou satisfazer determinados clien­tes. “A adoção de práticas de sustentabilidade deve ser fei­ta por ser a coi­sa certa, e não para ganhar uma licitação”, ressaltou Jim Branch, vice-​­presidente de desenvolvimento de ne­gó­cios na Pre­ci­sion Services ­Group (Orange Coun­ty, Califórnia, EUA). A empresa é certificada pela Rain­fo­rest Al­lian­ce e pelo Forest Stewardship Coun­cil. Branch acredita que “fazer a coi­sa certa” também é uma decisão ra­cio­nal para os ne­gó­cios. “Quan­do os clien­tes podem escolher, a maio­ria opta por uma empresa com essa mentalidade”.
Branch crê que, assim como grupos como o FSC e FSI foram bem sucedidos ao apontar que o papel pode ser uma opção sustentável, a certificação das gráficas também irá se tornar mais importante. “O que destaca uma empresa em relação aos concorrentes do mercado é poder mostrar a seus clien­tes po­ten­ciais que ela tem uma ini­cia­ti­va ecológica abrangente ao longo de todo o processo de produção”.

Compromisso sem certificação
Enquanto alguns duvidam que clien­tes prefiram dar ­apoio a um negócio comprometido com a sustentabilidade am­bien­tal, uma companhia não precisa ne­ces­sa­ria­men­te ter um certificado am­bien­tal para ter um compromisso com a sustentabilidade. Na verdade, uma certificação pode real­men­te prejudicar os ne­gó­cios da gráfica se a obtenção do selo representar uma restrição severa nos recursos da empresa. “A certificação FSC/SFI significa muito menos agora do que há três ou quatro anos”, observou Mic­key Gulley, chefe de operações da RGI, em Atlanta (EUA), que mantém as duas certificações. “Agora tantos pa­péis vêm de florestas manejadas que os clien­tes se interessam menos em colocar um selo em seus produtos. Con­ti­nua­mos mantendo nossas certificações, e elas nos tornam aptos para trabalhos para os ­quais não se­ría­mos ele­gí­veis sem elas, mas esse número está di­mi­nuin­do. Do ponto de vista da marca, acho que um programa forte e global de sustentabilidade, registros e divulgação são mui­to mais eficazes do que um monte de selos”.
Joe Hill, gerente geral da The Dot Printer (de Las Vegas, EUA), acrescentou: “Nós nos tornamos certificados pelo FSC há dois anos, devido aos pedido de alguns clien­tes, principalmente os clien­tes das ­­áreas de jogos e da hotelaria, que queriam mostrar a ­ideia de uma cons­ciên­cia verde vinculada à identidade da empresa para seus clien­tes glo­bais. No entanto, à medida que eles perceberam atrasos na aprovação dos ma­te­riais (provas), o objetivo mudou de pou­par o meio am­bien­te para pou­par di­nhei­ro e a necessidade do selo desapareceu”.
A demora ocorre por cau­sa da verificação que pode ser exigida para trabalhos com certificação am­bien­tal. O FSC, o ­maior e mais conhecido órgão de certificação, por exemplo, exige que todas as provas sejam por ele avaliadas antes de serem submetidas ao clien­te. Gráficas dizem que esta etapa adi­cio­nal de verificação e revisão pode au­men­tar em 24 horas ou mais o processo de aprovação. Segundo Hill, entre a cons­ciên­cia crescente sobre o uso de pa­péis certificados am­bien­tal­men­te e o au­men­to no gasto e tempo ne­ces­sá­rios para con­cluir um trabalho, a empresa foi solicitada a produzir apenas um único trabalho FSC no ano passado.

Nosso ponto de vista
O debate sobre certificações am­bien­tais representa o momento que as empresas estão vivendo e é provável que esse cenário mude em um futuro próximo. Nos pri­mei­ros anos de implantação das certificações, quando as ini­cia­ti­vas para sustentabilidade eram menos comuns, os selos de certificações am­bien­tais davam mui­to destaque a uma empresa. À medida que mais empresas assumiram a ban­dei­ra verde, mais gráficas estão se envolvendo e ganhando ­maior visibilidade.
Mui­tos dos que adotaram as práticas “verdes” logo no início desenvolveram programas concretos. Seu sucesso incentivará gráficas menos comprometidas filosoficamente. Conforme o tempo passa, as editoras e os compradores de produtos grá­fi­cios terão ­maior dificuldade para escolher dentre os diferentes programas de sustentabilidade. Nesse contexto, as certificações independentes podem se tornar mais importantes.
Gráficas interessadas em programas de certificações am­bien­tais precisam saber quanta importância seus clien­tes dão para programas for­mais de sustentabilidade. Elas precisam cons­cien­ti­zar os clien­tes de que é possível garantir a sustentabilidade am­bien­tal utilizando ma­té­rias-​­primas certificadas. Mesmo que a empresa se recuse a investir em um programa formal de certificação, ela deve trabalhar com algum tipo de projeto para sustentabilidade e informar seus clien­tes sobre estes esforços.
Editoras e compradores do mercado gráfico devem reconhecer que as certificações am­bien­tais são uma ma­nei­ra útil de di­mi­nuir a confusão e simplificar o caminho rumo à responsabilidade am­bien­tal. Mas precisam estar dispostos a olhar as gráficas não certificadas com seus pró­prios programas independentes de sustentabilidade, com foco em gráficas que acompanham seus processos e mantêm registros de seu progresso. Quem optar por trabalhar com empresas que não contam com um programa de sustentabilidade deve considerar o uso de con­su­mí­veis certificados. Discute-se ain­da se a pegada de carbono é sempre in­fe­rior à de ou­tros con­su­mí­veis, mas a fibra utilizada para ­criar o papel é colhida de forma responsável e o processo produtivo é responsável também.

Olhando além dos selos
Um número crescente de vozes está pedindo cau­te­la quanto à simplificação de decisões am­bien­tais, fei­tas com base apenas nas certificações. Isso porque mui­tas certificações abrangem apenas uma fatia do processo. Um exame de todo o ciclo de vida útil de um produto pode evi­den­ciar que alguns produtos não certificados ou com certificações am­bien­tais menos conhecidas acabam dei­xan­do, de fato, pegadas am­bien­tais menores.
Phil Rie­bel, consultor am­bien­tal para a indústria de celulose e papel, argumenta que os pa­péis certificados pelo Forest Stewardship Coun­cil (FSC) são altamente promovidos como a escolha ecologicamente correta, mas que o ge­ren­cia­men­to da fábrica de papel também deve ser levado em consideração (o que a certificação FSC não faz). Segundo Rie­bel, deve-se considerar caso a caso, levando em conta que todo o ciclo de produção tem um grande impacto am­bien­tal, para con­cluir se real­men­te o produto certificado pelo FSC é a melhor escolha.
Em uma publicação recente no blog da Risi, provedora de informações para a indústria mun­dial de produtos flo­res­tais, Rie­bel fez a seguinte afirmação: “Pa­péis com fibra reciclada e/ou certificada pelo FSC podem ter o dobro da pegada de carbono de um papel fei­to de ma­dei­ra ou certificado pelo SFI/PEFC, apenas por não utilizarem com­bus­tí­veis fós­seis e energia comprada. Eles também podem ser produzidos em fábricas que têm ‘desempenho am­bien­tal’ abai­xo da média, em comparação com as melhores práticas da indústria. Por exemplo, uma fábrica de celulose de-​­inked [celulose fei­ta com papel impresso de modo analógico ou digital do qual se retira a tinta], produzindo a partir de papel reciclado, pode estar depositando todos os seus re­sí­duos sólidos em aterro se não for equipada com a tecnologia de cal­dei­ra adequada para quei­mar sólidos re­si­duais do processo de de-​­inking de forma a gerar energia, ou se a fábrica não tiver uma alternativa de eliminação de re­sí­duos”.
Essas fábricas podem ter custos significativamente mais elevados e maio­res impactos am­bien­tais devido à manutenção de aterros, em relação a uma fábrica moderna que trabalhe com derivados de ma­dei­ra e reu­ti­li­ze a maioria de seus re­sí­duos sólidos. Esses problemas de “desempenho am­bien­tal” podem também se aplicar a ou­tros parâmetros, tais como qualidade das águas re­si­duais e emissões de gases de efei­to estufa, para citar alguns.
Essa questão do ciclo de produção vai além do papel. Há mui­tas in­dús­trias aplicando selos am­bien­tais em diferentes produtos com a esperança de que isso au­men­te suas vendas. A preo­cu­pa­ção é que, ao acei­tar um selo como garantia su­fi­cien­te do impacto am­bien­tal de um produto, a indústria pode estar observando o cenário de forma mui­to genérica e esquecendo ou­tras opções, igualmente positivas. Selos e certificações são ­úteis para tomar decisões ge­rais, mas não são os únicos fatores a serem considerados. Eles são apenas um ponto de partida.

Tradução autorizada do The Seybold Report, volume 11, número 3, 7 de fevereiro de 2011.

Texto publicado na edição nº 78

 
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