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ExpoPrint 2014, a grande feira da indústria gráfica na América Latina Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 20 de Outubro de 2014

Para muitos ela já está entre as três maiores feiras do setor no mundo. Números à parte, o que se viu foi o espalhamento da tecnologia digital, a preocupação com a oferta de equipamentos cada vez mais flexíveis e a ampliação das ferramentas de gestão, tanto no nível administrativo quanto de produção.

Otimizar recursos é crucial

Flexibilidade foi um dos termos mais utilizados pelos expositores na ExpoPrint Latin America 2014, rea­li­za­da entre os dias 16 e 22 de julho, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O conceito estava no slogan que a KBA adotou para a feira, nomeou uma das apresentações da Heidelberg, caracterizava as soluções de fornecedores de impressão digital como Xerox e Oki e estava na ponta da língua dos técnicos por toda parte. O objetivo era responder à urgência da indústria gráfica no sentido de otimizar os recursos já instalados, permitindo não só que o gráfico ofereça produtos de maior valor agregado quanto ingresse em novos mercados.
No maior estande da feira, o da Heidelberg, a multiplicidade de opções trazida pela combinação dos processos offset e digital foi destaque. Ao mesmo tempo em que demonstrava a impressora offset plana Speed­mas­ter CX 102-5+L com secagem LE UV (lâmpadas ul­tra­vio­le­ta com baixo consumo de energia), enfatizando a possibilidade de o equipamento rodar substratos como papel-​­cartão, metalizados e plásticos, a equipe enfatizava a presença da Linoprint C 901 Plus, impressora digital colorida, igualmente voltada para o segmento de impressão co­mer­cial, que se integra ao fluxo de trabalho da gráfica através da ferramenta Prinect. Segundo An­dreas Forer, vice-​­presidente mun­dial para a área digital da Heidelberg, a empresa está mudando para se tornar mais flexível, e no segmento digital o caminho são as par­ce­rias com a Ricoh, Fujifilm e Gallus (da qual a Heidelberg adquiriu o controle recentemente). Ainda este ano deve ser apresentado o primeiro fruto do projeto que vem unindo Fujifilm e Gallus para o desenvolvimento de sistemas de produção in­dus­trial a jato de tinta. Trata-​­se de uma impressora de etiquetas que combina impressão flexográfica a jato de tinta para produção de baixas tiragens e etiquetas personalizadas. “Temos de nos adaptar à rea­li­da­de do mercado, o que inclui o investimento na impressão digital e o fortalecimento em serviços e consumíveis, que hoje já representa 30% de nosso faturamento”, disse Stephan Plenz, membro do Conselho de Administração 
da Heidelberger AG, durante a feira.
Interessada em acomodar as demandas de gráficas que buscam uma produção mais ma­leá­vel, a KBA levou para a ExpoPrint a impressora offset Rapida 105-6 L, seis cores mais verniz. “Estamos investindo na customização dos equipamentos de acordo com as necessidades de cada clien­te, visando tempos de acertos cada vez mais curtos, flexibilidade em substratos e acabamentos especiais”, disse Ralf Sammeck, vice-​­presidente executivo da KBA para offset plana. Voltado para o segmento de embalagem, o equipamento imprime no formato até 740 × 1.050 cm, em substratos até 1,2 mm (papel-​­cartão) e 1,6 mm (microcorrugado) com op­cio­nal.
Na Oki, a chance de am­pliar o leque de produtos estava caracterizada nas impressoras digitais C941 e C711WT, ambas utilizando o toner branco. A primeira, lidando com gramaturas de até 360 g/m2, no formato A3+, e a segunda, desenhada para o formato A4 e gramaturas de até 250 g/m2. Com o uso do branco o objetivo é quebrar os limites no desenvolvimento de produtos como cartões personalizados com acabamentos brilhantes ou em mí­dias escuras e impressão em películas transparentes.
Flexibilidade também foi a promessa de uma das vá­rias linhas expostas pela Xerox, a iPrint. Fruto da aquisição da Impika, trata-​­se de um sistema integrado de produção frente e verso com um único motor, projetado para aplicações transacionais, transpromo e malas diretas. Pode ser usado tanto em mí­dias tratadas quanto em papel comum, empregando uma nova geração de tintas de alta densidade, atingindo velocidade de 375 metros por minuto, com resoluções que chegam a 1.200 × 600 dpi.

Tudo ao mesmo tempo agora

“O gráfico está mais bem informado e perdeu o medo do digital. Ele está voltando a ter um norte”. Essa afirmação diz muito sobre o que foi a ExpoPrint 2014. E foi feita por um pro­fis­sio­nal que po­de­ría­mos chamar da velha guarda, Antonio Dalama, diretor da Rotatek. A tecnologia digital não estava na feira para provar nada, exceto sua capacidade de caminhar em muitas direções. A própria Rotatek, desenvolvedora de sistemas que combinam offset, flexografia, tipografia, rotogravura e serigrafia, aproveitou o evento para divulgar a recente parceria com a Durst para a co­mer­cia­li­za­ção de impressoras digitais rotativas inkjet para produção de etiquetas.
No estande da Canon estavam lado a lado as impressoras Océ Va­rioP­rint 6000 Ultra+ e a linha de grande formato imagePrograf. A primeira, focada na produção de materiais monocromáticos de grande volume e a segunda, em provas de cor, fine art, fotografia e cartazes. O modelo apresentado na feira já representa a quarta geração da família Va­rioP­rint, como explicou Tadeu Cris­tia­no da Silva Faria, analista de mar­ke­ting da Canon. “Agora ela atinge 180 lpi (linhas por polegada) ou 600 × 1.200 dpi e está disponível em velocidades de 160 ipm (imagens por minuto) a 314 ipm, trabalhando com formato até SR A3 e gramaturas entre 60 e 300 g/m2.” O alvo é o mercado edi­to­rial, aplicações transacionais e de mar­ke­ting direto. A impressora jato de tinta imagePrograf 8400 SE levada para a ExpoPrint utiliza seis cores (há modelos até 12 cores) e se adequa a 
produção de peças para sinalização interna.
Na Fujifilm, que investiu cerca de US$ 1 milhão na feira, a versatilidade da tecnologia digital foi evidente, com soluções para impressão co­mer­cial, edi­to­rial, embalagens e grandes formatos. Tal diversidade está em grande parte fundamentada no fato de a Fujifilm adotar uma produção verticalizada, responsabilizando-​­se pelo desenvolvimento e fabricação das tintas e dos cabeçotes de impressão.
Expostas pela primeira vez fora da Europa e Ásia, estavam a impressora jato de tinta Jet Press 720 e a solução de grande formato Onset R40i. A Jet Press 720 utiliza o formato meia folha (B2), preen­chen­do, segundo a Fujifilm, uma lacuna existente entre o offset e os demais sistemas digitais. Com produtividade de 400 m2/hora, a Onset R40i baseia-​­se em uma plataforma de arquitetura escalonável, com configurações que vão das quatro cores padrão até sete cores (ou oito canais de tinta, sendo duas unidades de impressão para a tinta branca). Com resolução de 1.200 dpi, a Onset R40i imprime mí­dias de até 1.600 × 3.140 mm com até 50 mm de espessura, produzindo 80 folhas por hora no formato total.
Também para o segmento co­mer­cial e edi­to­rial, a Ricoh lançou na ExpoPrint 2014 a Ricoh Pro C901S Graphic Arts +. Com ampla versatilidade de mídia e opcionais de acabamento integrados, o sistema tem resolução de 1.200 × 1.200 dpi e velocidade de 90 páginas por minuto independente do tipo de mídia, peso ou mesmo na versão duplex, aceitando substratos de até 300 g/m2. A segunda novidade foi a Ricoh Pro L4160, impressora colorida de grande formato que representa a entrada da Ricoh no segmento de sinalização. Empregando tinta látex aquosa, imprime até seis cores, incluindo laranja, verde e branco, com formato de 1,60 m de boca.
No estande da HP os visitantes estavam interessados sobretudo na HP Indigo 10000, impressora digital de qualidade offset em formato meia folha (B2), segundo Fernando Alperowitch, diretor da unidade de ne­gó­cios HP Indigo na América Latina. O equipamento disponível durante o evento foi adquirido pela Forma Certa no início do ano, é o 110‒º equipamento vendido no mundo desde o seu lançamento, o 11‒º na América Latina e o terceiro no Brasil. A empresa destacou ainda a HP Indigo 7800, alimentada por folha, que oferece novos recursos, incluindo a habilidade de imprimir diretamente em substratos sintéticos e cartões plásticos, além de uma nova ex­pe­riên­cia de ge­ren­cia­men­to de cores com um espectrofotômetro em linha, e a HP Indigo WS6800, alimentada por rolo, que oferece ao mercado de etiquetas e embalagens tempos de retorno mais rápidos por meio de ge­ren­cia­men­to de cores automático e novos recursos de tintas para aplicações expandidas. “Encontramos aqui na feira dois perfis de clien­tes: aqueles que já estão no digital e querem saber o quê e como podem fazer mais através da tecnologia, e os que ainda não estão. Esses não perguntam mais sobre o fun­cio­na­men­to da tecnologia e sim sobre custos e como podem entrar nessa área”, disse Fernando Alperowitch. E complementou: “A HP está focada em maior produtividade e menor custo de produção. Vendemos tinta. Quan­to mais páginas por minuto melhor”.
O estande da T&C esteve movimentado não só pela força da marca Epson, mas pela presença da impressora jato de tinta S75, da Scodix. Empregando secagem UV, a máquina aplica camadas de polímero de alto brilho sobre materiais impressos em offset e digital, sem alteração das cores já impressas, crian­do efeitos de acabamento. Desde seu lançamento há quatro anos, 110 unidades foram vendidas. No Brasil, onde o sistema está sendo co­mer­cia­li­za­do pela T&C desde 2013, cinco máquinas estão instaladas. A que estava na feira, inclusive, seguiu para uma das poucas gráficas com estande na ExpoPrint, a Compulaser, há 25 anos no mercado paulista. “Vimos na Scodix a oportunidade de oferecer um di­fe­ren­cial ao mercado”, afirmou Talita Moser, gerente de produto. A empresa levou para a feira o Guia Pro­fis­sio­nal – Gráficos e Designers, que traz uma série de recursos e acabamentos, incluindo os efeitos cria­dos pela Scodix.
Outra jato de tinta que despertou a curio­si­da­de dos visitantes foi a 1024 UV MVP, da Direct Color Systems, representada no Brasil pela Agabê. Solução para pequenos formatos, a impressora de mesa com cura LED UV, fabricada nos Estados Unidos, faz impressão tri­di­men­sio­nal em madeira, metal, cerâmica, plástico, vidro, entre outros materiais, e vem se destacando na impressão de texturas e braille. O equipamento utiliza jogo de seis cores, incluindo transparente e branco, tem área de impressão de 254 mm × 610 mm, resolução de até 5.760 dpi, sendo capaz de imprimir em substratos 
de até 15 cm de espessura.
Com dimensões bem maiores e para um mercado distinto, a impressora flatbed Anapurna M2540 foi uma das soluções mostradas pela Agfa. Específica para mí­dias rígidas ou em folhas, utiliza seis cabeças de impressão de 12 picolitros para cada cor (CMYK + Lc + Lm) mais duas cabeças de 42 picolitros para o branco. Sua mesa de 2,54 m × 1,54 m possui oito zonas de vácuo diferentes para garantir melhor fixação da mídia e evitar ao máximo a 
necessidade de utilização de fita adesiva.

Integração já

“A informação é mais importante que a impressão”, sentenciou Bruno Cia­lo­ne, consultor, durante a ExpoPrint. Conversamos sobre a visão dele da feira e a tônica foi a falta de atenção com a qual o gráfico continua a tratar o fluxo de trabalho. “Não dá para pensar em um equipamento de dois milhões de dólares sem olhar para o work­flow”, disse Bruno. Sem a adoção de ferramentas que integrem as vá­rias etapas da produção e ela à administração, o es­pe­cia­lis­ta argumenta que se perpetua o modelo de ilhas de excelência. “Tudo continua fragmentado.”
Se falta ao gráfico a visão do todo, sobram instrumentos para fazer a liga. Na linha de frente dos soft­wares de gestão, a Agfa estava presente com três soluções: Apogee Asanti, work­flow 100% em português que possibilita a integração total do processo gráfico, digital e híbrido; Apogee Storefront, solução para web-​­to-print; e a nova geração do Arkitex, voltado para o controle do fluxo de trabalho do segmento de jornais.
O pacote da Fujifilm para essa área é o XMF, cons­truí­do em torno da arquitetura modular Adobe Mercury RIP, ba­sea­da em Adobe PDF Print Engine e na arquitetura aberta JDF. A solução fornece um conjunto de recursos de preflight, ge­ren­cia­men­to de cores, imposição e reticulagem de imagens, para uma grande va­rie­da­de de dispositivos de saí­da como CtPs, sistemas de prova e impressoras digitais. Também inclui ferramentas para a cria­ção de perfis de mídia, importação de perfis ICC e cria­ção de curvas de li­nea­ri­za­ção e ganho de ponto.
A Starlaser aproveitou a feira para apresentar pela primeira vez em um evento in­ter­na­cio­nal a solução para produção de embalagens e rótulos PackZ, da qual é distribuidora exclusiva no Brasil. Trabalhando com documentos PDF como formato nativo, o aplicativo reú­ne uma série de fun­cio­na­li­da­des que otimizam a entrada e saí­da de arquivos no fluxo de trabalho gráfico. Entre os destaques está o CloudFlow, um conceito ba­sea­do em nuvem para recepção e envio de documentos PDF, bem como o CloudFlow Space, uma área para edição de PDF que oferece con­fia­bi­li­da­de e a integração com aplicativos gráficos líderes do mercado, como o pacote de design da Adobe.
Os visitantes puderam conferir também as novas fun­cio­na­li­da­des dos aplicativos da família Enfocus Pitstop, uma série de soft­wares e ferramentas que possibilitam a cria­ção de work­flows PDF. Entre eles está o Enfocus Pitstop PRO, um plug-​­in para o Adobe Acrobat voltado a fluxos de trabalho de grandes volumes de arquivos que otimiza os processos de conversão e preflight em documentos PDF voltados a uso gráfico.
Re­cuan­do o olhar e pousando-​­o nos processos que antecedem o início de qualquer trabalho e que depois correm em paralelo e integrados à produção, a feira apresentou igualmente vá­rias alternativas. A EFI atraiu atenções com seu sistema de gestão composto por módulos independentes, entre eles o IQuo­te, módulo orçamentista recém-​­atua­li­za­do, que acaba de ganhar o InterTech Technology Award, conferido pela Printing In­dus­tries of America (PIA). Com base na especificação do produto, o IQuo­te é capaz de indicar a melhor forma de produzir, comparando as milhares de alternativas possíveis, e crian­do um roteiro de produção que inclui formatos, operações, máquinas e todos os insumos que serão necessário. O sistema fun­cio­na pela Internet, possibilitando respostas rápidas aos clien­tes. Ao fechar o pedido, instruções detalhadas são en­via­das para o Planejamento e Controle de Produção (PCP), organizando e agilizando a entrega do produto final. Ao término da produção é possível ava­liar a rentabilidade de cada pedido e fazer ajustes para os novos orçamentos.
A Calcgraf mostrou na feira mais de dez novas soluções. A ferramenta para web-​­to-print (B2B) foi bastante procurada. Ela envolve portal de acesso dos clien­tes aos serviços da gráfica e permite o ge­ren­cia­men­to de pedidos via internet. Consultas, compras recorrentes, entre outras operações, são via­bi­li­za­das pelo portal, aproximando o clien­te da gráfica. O novo sistema oferece, inclusive, recursos que possibilitam a integração do site da gráfica com portais de e-​­commerce externos (B2C) e ao ERP (Enterprise Resource Planning) da gráfica. Independente, a nova ferramenta poderá ser adotada tanto por empresas que usam o Webgraf quanto o GPrint, os dois sistemas de gestão 
desenvolvidos pela empresa.
Expandindo o alcance do Webgraf, a Calcgraf mostrou seis novas ferramentas: Controle de Suprimentos, NF-e e NFs-​­e, PCP, Consultas Gerenciais, recursos adicionais do CRM e Orçamento Grandes Formatos. No GPrint, as novidades foram o módulo de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) geração 3.0, a nova versão do Pós-​­cálculo, o Warehouse Management System (WMS), o novo PCP e o módulo de Apontamento Automatizado.
Focada em produtividade, a Ecalc divulgou na ExpoPrint as novas fun­cio­na­li­da­des da versão atua­li­za­da do ePlan, aplicativo de PCP que reú­ne ferramentas que permitem uma visão total de todos os processos diá­rios de uma gráfica, desde a entrada de um novo serviço até o melhor di­re­cio­na­men­to para os equipamentos de saí­da, controle sobre des­per­dí­cios, ocio­si­da­de, gargalos, incluindo 
a localização de problemas.

Preocupação ambiental

Cresce em ritmo constante o investimento dos fornecedores de produtos am­bien­tal­men­te amigáveis. E os expositores da ExpoPrint procuraram evi­den­ciar cada detalhe que aponte nesse sentido. Já na entrevista coletiva rea­li­za­da pela Heidelberg poucos dias antes do início da feira, a empresa divulgou que todos os equipamentos em exposição te­riam certificado de carbono neutro e que se­riam oferecidos 
com a opção de compensação de carbono.
Na sea­ra dos consumíveis, esse esforço ficou ainda mais claro. A Heidelberg levou para a feira a linha Saphira Eco, incluindo chapas, tintas, vernizes, cola e soluções de limpeza e molha cumpridores de rigorosos cri­té­rios ambientais. Sob o mesmo guarda-​­chuva foram lançadas na feira a tinta Saphira LE UV, in­gre­dien­te fundamental da tecnologia Low Energy (lâmpadas ul­tra­vio­le­ta com baixo consumo de energia) apresentada na impressora offset plana Speed­mas­ter CX 102‑­5+L; e a linha Saphira Low Mi­gra­tion, consumíveis de baixa migração di­re­cio­na­dos à 
produção de embalagens de alimentos.
A chancela de baixa migração estava em outros estandes, como no espaço da Sun Chemical e da Overlake. Na Sun Chemical foi usada para caracterizar a linha de tintas e vernizes Sunpak LMQ, voltada para produtos ali­men­tí­cios, far­ma­cêu­ti­cos e de tabaco. Na Overlake, referenciou o lançamento da família Over­food, composta por vernizes à base de água para contato direto com alimentos. De acordo com Francisco Veloso, diretor da empresa, muitas embalagens produzidas no Brasil não respeitam a regulamentação da agência governamental e os vernizes Over­food podem ajudar os convertedores a cobrirem essa lacuna. Para comemorar seus 20 anos de atua­ção, a Overlake levou para a feira seu novo catálogo, desenvolvido para apresentar 20 produtos, entre vernizes aquosos, UV e óleo resinosos di­re­cio­na­dos es­pe­cial­men­te à produção de embalagens. Entre eles está a linha de vernizes 3D, que simula o efeito 3D 
com um custo acessível.
A Printcor estava com uma linha completa de vernizes à base de água e especiais, além das tintas UV para secagem LED da francesa Brancher, e das tintas à base de ­óleos vegetais da asiá­ti­ca Kings­wood. “Hoje praticamente 60% das tintas usadas pelo segmento gráfico brasileiro são importadas em função do custo. Temos de nos ajustar a isso”, afirmou Marco Zorzetto, gerente in­dus­trial da Printcor. Na He­lio­co­lor o visitante pôde conhecer a nova linha de vernizes à base de água Ecolacqua Renewable, que traz ma­té­rias-​­primas de fontes renováveis em sua composição. A família de produtos tem efeitos como alto brilho, acetinado, fosco e soft feel.
Já na etapa que antecede a impressão, a preo­cu­pa­ção am­bien­tal manifestou-​­se nas chapas e sistemas de gravação. De acordo com Jeffrey Clarke, que assumiu o comando da Kodak em março deste ano, a participação de mercado da América Latina, em es­pe­cial do Brasil, é destaque em algumas novas soluções da Kodak, como nas chapas offset sem processamento químico da linha Sonora e o CtP Flexcel NX, para gravação de chapas flexográficas. Marcelo Chimelli, diretor co­mer­cial e de mar­ke­ting da IBF, comentou que os clien­tes estão em busca de redução de custo ope­ra­cio­nal, necessidade respaldada pela linha de chapas offset Ecoplate. No espaço da Konita Brasil, os visitantes encontraram a chapa térmica livre de 
processamento químico KTP-NP.

Diversidade em acabamento
Para a fase de finalização dos produtos não faltaram opções na ExpoPrint 2014. A Furnax levou vá­rias soluções, como a corte e vinco automática Hércules 1060 com aquecimento para corte de substratos plásticos, papel, cartão e micro-​­ondulado. Os sistemas de pós-​­impressão compunham com a impressora offset Komori uma linha completa de produção. A Renz, es­pe­cia­li­za­da em sistemas de encadernação e plastificação, foi para a feira com um estande 50% maior do que na edição de 2010, com impacto positivo no volume de vendas, de acordo com Mário Hinrichsen, gerente geral. A empresa lançou a InLine 360, sistema modular de perfuração e encadernação com capacidade de até 120 ciclos/min e troca automática de formato.
Voltada para o mercado de embalagens de alta produção, chamou atenção no espaço da Bobst a Novacut 106 ER. Lançada mun­dial­men­te na ExpoPrint, a máquina de corte e vinco oferece separação de cartuchos em linha. Capaz de produzir até 7.000 caixas por hora, a Novacut 106 ER entrega pacotes de cartuchos empilhados, destacados e separados, prontos para processamento pos­te­rior, sem a necessidade de separação ma­nual de recortes. Cinco unidades foram vendidas na feira para clien­tes da Argentina, Índia e Europa.
Já para o segmento de mar­ke­ting direto, a Pitney Bowes expôs o novo Mailstream Engage, sistema de acabamento de envelopes para malas diretas. Capaz de inserir até três encartes, rea­li­za o envelopamento a partir de pa­péis nos formatos A4 ou Carta, com gramatura entre 110 e 160 g/m2. É capaz de inserir cartões até 92 mm × 165 mm, com sistema de fechamento em hot melt, em velocidade de 600 até 1.350 envelopes/hora.
Na área edi­to­rial, a Müller Martini mostrou a nova versão da máquina de costura para livro Ventura MC ­Tween, que permite inserir encartes de tamanhos e gramaturas diferentes aos dos cadernos principais. No campo das grampeadeiras, o interesse do público pela Presto II Digital ­Ready mostrou, de acordo com Carlos Pace, gerente geral, a busca por redução de custos através da automação dos processos e corte de tempos parados.

Resultado surpreendente
Há 10 anos, quando a Afeigraf foi cria­da em função da promoção de uma nova feira para a indústria de impressão gráfica, fez-​­se a opção pelo modelo quadrienal, aos moldes da Drupa. Nesta terceira edição, ao que parece, esse desenho colaborou não só para que os expositores e a própria organização do evento se preparassem adequadamente, mas também para que a feira como que sublimasse o mau humor da economia na­cio­nal em 2014. Os números oficiais da feira dão conta disso: foram 48.866 visitantes, movimento 37% maior em relação à edição an­te­rior, que geraram ne­gó­cios da ordem de US$ 400 milhões (US$ 300 milhões em 2010). O público teve à sua disposição 40 mil metros quadrados de feira, ocupados por cerca de 300 expositores, que demonstraram mais de 750 marcas. Contribuiu decisivamente para o clima de otimismo que andou pelos corredores a presença dos estrangeiros, ma­jo­ri­ta­ria­men­te latino-​­americanos, que somaram 4.082 pes­soas, contra 1.258 em 2010. Entre os muitos argentinos que visitaram a feira estava Carlos Pedrini, chefe do departamento de planejamento, logística e produção da Arte Grafico Edi­to­rial Argentino, sub­si­diá­ria do Grupo Clarín. Pela primeira vez em uma feira no Brasil, Carlos impressionou-​­se com a evolução da impressão digital, sobretudo no segmento de embalagem. O técnico afirmou ter feito vá­rias cotações e já estava preparado para voltar à feira no dia seguinte.
A próxima edição da ExpoPrint Latin America será em 2018. A feira terá cinco e não mais sete dias, mudança solicitada por vá­rios expositores, e ocorrerá entre o final de março e o início de abril, desta vez no Expo Center Norte, na capital paulista.

Senai e Sistema Abigraf dão seu recado


Fernando Caparroz, instrutor do Senai, foi o vencedor da
Shots Copa Latina 2014

O Senai-​­SP, a Abigraf, a ABTG e a ABTG Certificadora também marcaram presença na feira. O Senai, com quatro escolas com cursos específicos para o setor gráfico, preparou uma programação es­pe­cial de palestras técnicas. Rea­li­za­da dia­ria­men­te, no próprio estande do Senai, a grade atraiu bom público, com média de 20 pes­soas por palestra. Ao todo, 22 palestras foram rea­li­za­das em seis dias, abordando 13 temas. O espaço foi ainda ocupado pelas finais da Shots Copa Latina 2014, competição de classe mun­dial em habilidades na área gráfica usando o Shots (simulador para treinamento em impressora offset). Patrocinado pela Sinapse Print Simulators, foi a primeira vez que a competição aconteceu na América Latina, e as finais, compostas por cinco exer­cí­cios, foram disputadas entre Guido Vilca, da gráfica pe­rua­na Biblos, e Fernando Caparroz, instrutor de impressão offset da Theo­bal­do De Nigris, que se sagrou vencedor. Abigraf, ABTG e ABTG Certificadora divulgaram durante o evento todos os seus serviços ao setor, assim como a Two Sides, organismo cria­do para desmistificar declarações enganosas com relação ao impacto am­bien­tal das in­dús­trias de papel e gráfica, cria­da em 2008 e agora apoiada por 42 entidades empresariais brasileiras, 
entre elas o Sistema Abigraf.

Artigo publicado na edição nº 90