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Os três pilares da sustentabilidade Imprimir E-mail
Escrito por Marta Vaz e José Pires de Araujo Júnior   
Qui, 07 de Julho de 2011

O desenvolvimento sustentável é hoje um objetivo global, envolvendo organizações não go­ver­na­men­tais, empresas privadas, governos e a so­cie­da­de em geral. Cons­truir processos sus­ten­tá­veis implica em rea­li­zar, sistematicamente, ações que visam não só a preservar os ecossistemas e a bio­di­ver­si­da­de, mas também a melhorar as condições so­cioe­co­nô­mi­cas das comunidades nas ­quais a organização está inserida.
Um grande número de ferramentas, in­cluin­do diversas certificações, está disponível para o gestor que deseja produzir de forma sustentável. No entanto, a sustentabilidade ­apoia-se sempre em três pilares: o econômico, o so­cial e o am­bien­tal.


As certificações ambientais
Sistemas de certificação, com sua abrangência ou limitação, podem prover uma estrutura ope­ra­cio­nal para verificar se os produtos são manufaturados, processados e dis­tri­buí­dos de ma­nei­ra sustentável. Uma certificação adequada pode ­criar diversas vantagens para a empresa, como:

  • Participação em mercados mais seletivos
  • Melhoria contínua de desempenho
  • Melhoria da relação da organização com seus fornecedores.

Principais certificações
FSC
– Forest Stewardship Coun­cil (Conselho de Manejo Florestal), cria­do em 1993. Através dele foi cria­da uma certificação, ou selo, que estabelece requisitos de sustentabilidade para os produtos flo­res­tais a partir de 10 prin­cí­pios e 57 cri­té­rios. Inclui a ava­lia­ção das plantações e de ras­trea­bi­li­da­de da ca­deia de fornecimento de produtos flo­res­tais.
ISO 14001 – Cria­da em 1993, a norma da In­ter­na­tio­nal Or­ga­ni­za­tion for Stan­dar­di­za­tion estabelece requisitos de um sistema de gestão am­bien­tal com foco na melhoria contínua e prevenção da po­lui­ção.
OHSAS 18001 – Cria­da por um grupo de certificadoras in­ter­na­cio­nais, a norma estabelece requisitos para controle da saú­de ocu­pa­cio­nal e segurança dos colaboradores com foco na prevenção e melhoria contínua.
SA 8000 – Cria­da em 1997, a norma é ba­sea­da na Declaração Universal dos Di­rei­tos Humanos e nas Convenções da Organização In­ter­na­cio­nal do Trabalho. Estabelece requisitos para atendimento de cri­té­rios, como não utilização de mão de obra infantil e forçada, discriminação, práticas disciplinares e remuneração, ho­rá­rios de trabalho, di­rei­to à as­so­cia­ção, livre ne­go­cia­ção e saú­de e segurança.
ISO 26000 – Con­cluí­da em 2010 pela In­ter­na­tio­nal Or­ga­ni­za­tion for Stan­dar­di­za­tion, apresenta diretrizes de responsabilidade so­cial (sem ter caráter de sistema de gestão) e orien­ta organizações de diferentes portes e naturezas (pequenas, mé­dias e grandes empresas, governos e organizações da so­cie­da­de civil, entre ou­tras) a incorporá-​­las em sua gestão, e não somente às empresas. A ISO 26000 utiliza a termologia responsabilidade social (RS), e não responsabilidade so­cial em­pre­sa­rial (RSE).
GLOBAL G.A.P. – Cria­da pelos varejistas eu­ro­peus para controle de sua ca­deia de fornecimento de produtos pri­má­rios, como café, frutas, flores, carnes, está ba­sea­da no atendimento de cri­té­rios am­bien­tais, so­ciais e de saú­de e segurança. Os objetivos dos programas de certificação não são ­criar bar­rei­ras não ta­ri­fá­rias para o processo de in­ter­na­cio­na­li­za­ção, mas sim mostrar às comunidades compradoras que as empresas estabeleceram e cumprem regras mínimas de conduta.

Meio ambiente
A crescente preo­cu­pa­ção com o meio am­bien­te tem levado empresas no mundo todo, inclusive no Brasil, a buscar alternativas de produção mais limpa e ma­té­rias-​­primas menos tóxicas, a fim de reduzir o impacto de seus processos. Segmentos da so­cie­da­de, cons­cien­ti­za­dos quanto aos problemas am­bien­tais, têm induzido essas empresas a buscar uma relação mais sustentável com o meio am­bien­te. Acei­ta-se cada vez menos a exacerbação do lucro obtido à custa do comprometimento do meio am­bien­te. Dian­te disso, a indústria tem sido forçada a investir em modificações de processo, aper­fei­çoa­men­to de mão de obra, subs­ti­tui­ção de insumos, redução de re­sí­duos e ra­cio­na­li­za­ção de consumo de recursos na­tu­rais.

Responsabilidade social
Ela nasce de um contexto in­ter­na­cio­nal em que temas como di­rei­tos humanos, di­rei­tos do trabalhador, meio am­bien­te e desenvolvimento sustentável ganham vulto na discussão entre os paí­ses-​­membros das Nações Unidas, resultando em diretrizes que, de certa forma, orien­tam a formulação con­cei­tual da Responsabilidade So­cial Em­pre­sa­rial – RSE.
Esse tema, bem como o da preservação am­bien­tal, consagrou-se como preo­cu­pa­ção das Nações Unidas a partir da Conferência Rio’92. Desde aquela época, intensificou-se a discussão in­ter­na­cio­nal e au­men­tou o número de convenções sobre o meio am­bien­te, que se somaram a ou­tros acordos já existentes. A partir disso, a ONU ­criou uma série de diretrizes sobre as questões de responsabilidade so­cial, dando aos governos poderes para que estes possam exigir das organizações o res­pei­to pelos di­rei­tos humanos, pela soberania e pelo desenvolvimento econômico local.

Economia
Segundo o con­cei­to mais amplo de sustentabilidade, não basta a uma empresa simplesmente buscar o lucro. Resultados devem in­cluir ganhos am­bien­tais e so­ciais. Isso leva as empresas a considerar, como parte integrante de um plano de ne­gó­cios, a inclusão de metas em­pre­sa­riais com­pa­tí­veis com o desenvolvimento sustentável dela mesma e da so­cie­da­de. Ao mesmo tempo em que representa um desafio, a busca pela sustentabilidade pode representar novas oportunidades de ne­gó­cios. A tendência de os consumidores preferirem produtos e serviços sus­ten­tá­veis é o exemplo mais evidente de vantagens competitivas que podem advir de práticas sus­ten­tá­veis como estratégia de ne­gó­cios.
Já há alguns anos se verifica, também, uma tendência mun­dial dos investidores preferirem empresas sus­ten­tá­veis como destino de seus recursos. Nos Estados Unidos foi lançado, em 1999, o índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones Sus­tai­na­bi­lity Index – DJSI), que acompanha o desempenho fi­nan­cei­ro de empresas líderes no campo do desenvolvimento sustentável.
A Bolsa de Valores de São Pau­lo (Bovespa) ­criou, em 2005, um índice semelhante ao DJSI, através do qual os investidores podem encontrar empresas so­cial­men­te res­pon­sá­veis, sus­ten­tá­veis e ren­tá­veis para aplicar seus recursos. Tais aplicações, denominadas Investimentos So­cial­men­te Res­pon­sá­veis (SRI), consideram que empresas sus­ten­tá­veis geram valor para o acio­nis­ta no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, so­ciais e am­bien­tais. Essa demanda veio se fortalecendo ao longo do tempo e hoje é amplamente atendida por vá­rios instrumentos fi­nan­cei­ros no mercado in­ter­na­cio­nal.

Iniciativas de sustentabilidade no setor gráfico
O setor gráfico bra­si­lei­ro, que completou 200 anos de existência em 2008, abrange um universo de pelo menos 19 mil empresas, res­pon­sá­veis por cerca de 220 mil empregos diretos e faturamento girando em torno de R$ 23 bi­lhões. No Estado de São Pau­lo existem 6.172 gráficas, que empregam cerca de 90 mil pes­soas e faturam R$ 15 bi­lhões.
Apesar de diversas ini­cia­ti­vas de empresas e ins­ti­tui­ções no sentido de implementar métodos de produção mais limpa e de destinar corretamente seus re­sí­duos, a indústria gráfica bra­si­lei­ra, de um modo geral, ain­da está pouco cons­cien­te da sua importância e sua responsabilidade com as ações sus­ten­tá­veis. Essa tomada de cons­ciên­cia e de atitude é dificultada pelo fato de a grande maio­ria das gráficas ser composta por micro e pequenas empresas, com gestão pou­co pro­fis­sio­na­li­za­da.

Marta Vaz é empresária do setor gráfico e aluna do curso de pós-​­graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. José Pires de Araújo Jr. é professor de graduação e pós-​­graduação na mesma escola.

Texto publicado na edição nº 78