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A evolução tecnológica da impressão do papel-moeda no Brasil Imprimir E-mail
Escrito por Margareth Meza   
Sáb, 01 de Novembro de 2008

Bate-Papo com a Tecnologia

A produção de cédulas foi o tema do primeiro Bate-Papo com a Tecnologia deste ano, com a palestra A Evolução Tecnológica da Impressão do Papel-Moeda no Brasil. O evento teve como convidado o diretor técnico da Casa da Moeda, Carlos Roberto de Oliveira.

BATE-PAPO COM TECNOLOGIA

O evento, organizado pela ABTG no auditório da Escola Senai Theobaldo De Nigris, aconteceu no dia 13 de maio, data em que foi instaurada a Impressão Régia no Brasil, há 200 anos.

Do que é feito o dinheiro

Durante a apresentação, Carlos de Oliveira mostrou diversas tecnologias voltadas para impressos de segurança, pouco conhecidas por profissionais que atuam em gráficas convencionais. Segundo o diretor técnico, o processo calcográfico confere às notas textura relevográfica, sensível ao tato e muito importante na verificação da autenticidade. A tipografia é responsável pelos números e assinaturas do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central. O offset seco é direcionado à impressão de tarjas, fundos de segurança e também para a realização do registro frente-e-verso. Esse dispositivo garante cópia coincidente nos dois lados da nota, impressos simultaneamente.

Nas cédulas não se utiliza a quadricromia convencional, a combinação cyan, magenta, amarelo e preto, ou seja, o sistema de cores CMYK. As notas possuem cores especiais, definidas cuidadosamente e codificadas pela escala Pantone. Cada tinta passa por testes físicos e químicos para que seja verificada a resistência à luz, a processos de lavagem, entre outros agentes.


Do Buril ao software

Na década de 1960, quando foram realizadas as primeiras tentativas de impressão do dinheiro brasileiro, o sistema de offset seco foi implantado na Casa da Moeda. No entanto, por medidas de segurança e produtividade, a matriz era relevográfica, gravada em chapas de latão, e não planográfica, com diferenciação entre óleo e água, como no offset úmido.

Segundo o diretor “atualmente, são empregadas chapas em polímero, diferentes das utilizadas no mercado comercial. Elas são mais resistentes e com processo de gravação menos nocivos ao homem e ao meio ambiente por dispensar a aplicação de vários produtos químicos no processo de gravação”.

Inicialmente, os layouts das cédulas eram elaborados à mão por artistas formados pela Escola Nacional de Belas Artes. Depois de aprovados, precisavam ser submetidos a provas de prelo ou cromalim, posteriormente eliminadas pelas impressoras digitais. “A gravação dos originais, para a impressão calcográfica, era feita por um método denominado talho doce. Para isso, o gravador usava uma ferramenta chamada buril para fazer os sulcos na chapa de aço-doce”, explicou Oliveira.

Hoje, a criação das cédulas e a pré-impressão são executadas em computação gráfica, por meio de softwares desenvolvidos especialmente para a Casa da Moeda. “O grande marco desse avanço é a digitalização do talho doce e das provas das gravuras, empregando as tecnologias jato de tinta e laser”, comentou o palestrante.


O futuro da moeda

A Casa da Moeda do Brasil estuda, agora, a substituição de alguns sistemas para torná-los mais eficientes, econômicos e ecologicamente sustentáveis. A previsão é que sejam adotados em 2010. Uma das inovações previstas é a troca da calcografia convencional pela calcografia orlof, que possui entintagem indireta, como o offset. “Haverá muito mais economia de tinta, já que, hoje, é impossível colorir apenas os olhos de um indivíduo, deixando-os azuis, por exemplo. Com esta metodologia, somente uma determinada área da chapa será entintada, o que acarretará em menor geração de resíduos”. Outra técnica em estudo pela instituição é a flexografia, amplamente testada e aplicada em outros países. “Com esse processo a nota durará praticamente o dobro do tempo, já que possibilita a aplicação do verniz com secagem ultravioleta”.


Mais de 300 anos de história

A Casa da Moeda do Brasil (CMB) é um órgão do Governo Federal, vinculado ao Ministério da Fazenda. Foi criada em 1694 pela Coroa Portuguesa e o objetivo era a fabricação de moedas com o ouro proveniente das minerações. Em 1695, foi iniciada em Salvador, sede da primeira CMB, a cunhagem de moedas genuinamente brasileiras. Nesse período, foram produzidas versões de 1.000, 2.000 e 4.000 réis, cunhadas em ouro, e também de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis, confeccionadas em prata. A linha ficou conhecida como série das “patacas”.

Anos mais tarde, a CMB foi transferida para o Rio de Janeiro, então capital da República. No início, operou em instalações provisórias e, em 1868, passou a atuar em um prédio localizado na Praça da República, região central da cidade. Essa planta foi modernizada e, em 1969, cinco diferentes variações de cédulas foram lançadas ao mesmo tempo. Em 1984, um novo complexo industrial foi construído para abrigar a CMB. O espaço fica no Distrito Industrial de Santa Cruz, zona oeste do município, e possui cerca de 110 mil metros quadrados de área construída.

Para saber mais
www.casadamoeda.com.br

Texto publicado na Edição 63