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As promessas da Drupa 2008 Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Sex, 01 de Agosto de 2008

Drupa 2008

O que já era esperado por todos se confirmou. A impressão digital foi o atrativo maior da Drupa 2008, numa cesta de opções tão farta que chegava a confundir.

Porém, diferente das edições anteriores — os primeiros sistemas foram apresentados em 1995 — ela estava despida da aura futurista, tinha cara de indústria gráfica, perfeitamente integrada naquele ambiente, a despeito dos vários protótipos espalhados pela feira, que devem entrar em linha somente nos próximos dois anos. Mas, caro leitor, a Drupa é especial justamente por isso: os expositores estão lá para apontar o que está por vir, mostrar o hoje com os olhos no amanhã.

A apresentação de soluções digitais para um número muito maior de produtos e a significativa evolução dos sistemas jato de tinta — tão marcante que mesmo antes de seu início a feira já era chamada de inkjet Drupa — permitiu, também, que a tecnologia superasse o estigma dos dados variáveis. Estigma porque um dos principais benefícios da impressão digital, a incrível capacidade de imprimir informações diferentes a cada folha, acabou sufocando-a, mascarando o entendimento global da tecnologia como um processo de impressão que, como os demais, tem limites, adequações, vantagens e desvantagens dependendo da aplicação. “Vimos sinais mais do que evidentes da consolidação de uma nova tendência: impressoras jato de tinta de alta performance, tanto em termos de qualidade quanto de velocidade”, afirma Manoel Manteigas de Oliveira, diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris. “Havia equipamentos que ainda são uma promessa. No entanto, também encontramos impressoras completamente funcionais, produzindo livros, jornais, material transpromocional e outros. A impressão digital ganhou novo impulso, numa linha de desenvolvimento que pode significar outra revolução tecnológica.”

Com raras exceções, os fornecedores abandonaram o discurso do confronto entre a impressão digital e a offset e, na prática, o gráfico está optando pelo uso concomitante. Mesmo porque, mais do que a inkjet Drupa, essa foi a integration Drupa, com a explosão dos sistemas híbridos. A indústria de máquinas já havia percebido o potencial da combinação do que de melhor cada processo tem e, agora, ampliou esse modelo de forma expressiva, unindo offset, flexografia, serigrafia e impressão digital, em composições as mais diversas. Isso sem falar na incorporação dos recursos de acabamento e até mesmo de pré-impressão (leia-se gerenciamento de cores) às impressoras, e a inserção de novos dispositivos em linha em sistemas de pós-impressão. “A convergência dos processos é uma realidade”, afirmou Antonio Dalama, diretor da Rotatek, ainda durante a feira. Concentrando suas apostas nas impressoras híbridas, o empresário confidenciou que não quer nem ouvir falar em ampliar a produção da fábrica em São Paulo. “Quero me concentrar na área de projetos. Mais do que nunca é o cliente quem define a configuração da máquina.”

Para os que insistem em vaticinar o fim do offset, a morte do processo já tem data marcada. Frank Romano, professor emérito do Rochester Institute of Technology, RIT, e futurólogo do setor gráfico, afirmou em conversa com Fabio Mortara, presidente da Abigraf São Paulo e diretor da Paper Express, que em 2020 será vendida a última máquina offset no mundo. Já em sua palestra na Drupa Compass Sessions, seminário realizado nas manhãs de 30 de maio a 11 de junho, o especialista preferiu não se comprometer, apesar de mostrar um gráfico comparativo da evolução dos sistemas, onde o offset aparece em claro declínio. “O offset resistirá até o momento em que a impressão digital conseguir fazer exatamente o que ele faz, principalmente cores especiais e rentabilidade em altas tiragens. Os fabricantes de impressoras digitais até dizem que conseguem reproduzir cores especiais, mas os testes que acompanho nos Estados Unidos mostram que os resultados ainda não são satisfatórios”, disse Frank Romano durante a palestra An Overview on Innovations and Future Trends in Offset Printing, algo como uma visão geral das inovações e tendências na impressão offset.

Três dias antes, também na Compass Sessions, François Martin, diretor de Marketing da HP para Artes Gráficas, disse que em 15 anos a tecnologia digital superará a offset. “Neste ano serão impressas digitalmente 10 bilhões de páginas. Em 2016, serão 100 bilhões de páginas digitais.” Em campo oposto, Bernhard Schreier, presidente da Heidelberger Druckmaschinen AG, ao dar sua opinião sobre o diálogo entre offset e digital, afirmou que essa não é mais uma discussão tecnológica e sim de aplicabilidade. “A aplicação é que define a escolha. A pergunta que deve ser feita é: o que eu quero fazer?”, disse o executivo em entrevista exclusiva.

E para que a resposta a essa pergunta caiba numa impressora offset todos os fabricantes levaram para Düsseldorf set ups incrivelmente curtos, com trocas de trabalho em média 30% mais rápidas do que foi apresentado na Drupa de 2004, resultados alcançados em função do alto grau de automação, na esteira da evolução da mecatrônica (mecânica, eletrônica, mais tecnologia da informação). “O maior benefício da aplicação da mecatrônica nas máquinas planas é a viabilização das trocas simultâneas”, afirmou Michael Nitsche, da manroland Druckmaschinen AG, durante a palestra Value Added Printing: Creating Additional Benefit in Sheetfed Offset Printing, literalmente, Valor Agregado na Impressão: Criando Vantagens Adicionais na Impressão Offset a Folha.

Obviamente, a obsessão pela produtividade estava em todo o canto, não só nos espaços reservados à impressão offset. “A meta é a otimização máxima dos processos, com a menor intervenção humana possível, algo que representa um diferencial na Europa, mas vai na contramão da realidade que temos por aqui, onde a mão-de-obra não tem o mesmo peso na composição dos custos”, comenta Simone Ferrarese, coordenadora técnica do Curso Superior e de Pós-Graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Ainda dentro do tema offset, mais precisamente com relação aos sistemas planos, vale destacar mais duas tendências. Os bons resultados obtidos com a incorporação de dispositivos em linha para o enobrecimento do papel, sobretudo laminação, e a corrida aos grandes formatos e às máquinas menores. “Percebemos uma retomada dos investimentos nos formatos 1/2 folha e 1/4 de folha e o lançamento de máquinas grandes, de 122 × 162 cm, o que revela a estagnação do formato 75 × 105 cm”, comenta Silvio Isola, presidente do Conselho Diretivo da ABTG e diretor da Gegraf. “O alvo das máquinas menores é a pequena tiragem e das maiores principalmente o segmento de embalagens.”

A preocupação com a questão ambiental foi uma boa surpresa. Nas apresentações à imprensa, quase todos os fabricantes enfatizaram esse ponto. Além da grandiosidade e organização, os dois pavilhões ocupados pela Heidelberg serão lembrados pela inusitada presença de bonecos de alces ao lado dos equipamentos, sinalizando que ali havia algum dispositivo ou processo ecologicamente correto. Defensor da ecoeficiência, Silvio Isola ressalta também a evolução nos insumos, como as tintas com bases vegetais, como o milho, a soja e o látex, e a substituição do álcool pela água nos sistemas de molha.

Outra tecnologia que amadureceu foi o JDF (Job Definition Format). Duas ações contribuíram para isso: a aceitação e incorporação do formato pelos desenvolvedores de softwares, sejam eles grandes players como a Agfa e a Kodak ou pequenas empresas — como pôde ser visto no DIP, Drupa Innovation Parc, que ocupou o pavilhão 7 —, e a adequação dos sistemas de acabamento ao formato. Aliás, quem foi à feira de olho na pós-impressão sentiu a força da integração dos processos e, especialmente, uma boa variedade de opções para materiais impressos digitalmente.

A seguir, depoimentos de técnicos e empresários sobre o que mais chamou a sua atenção na maior feira do setor gráfico de todos os tempos.

“O que estamos vendo sinaliza claramente o vigor da indústria gráfica e a aposta no aumento da demanda pela comunicação impressa.”
Reinaldo Espinosa, presidente executivo da ABTG e diretor da gráfica RWA

“A evolução dos sistemas de cura Electron Beam, EB, ou secagem por radiação ionizante, e a consolidação das tintas UV para embalagens alimentícias foram duas das mais significativas tendências para o segmento flexográfico. Por outro lado, percebemos o avanço da offset no campo das embalagens flexíveis, ambiente dominado pelo flexografia, oferecendo custos mais competitivos para as menores tiragens.”
Élcio de Sousa, coordenador técnico da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

“O desenvolvimento das matérias-primas foi marcante e me surpreendeu a presença de vários fornecedores de papel auto-adesivo e filmes, expondo pela primeira vez na Drupa.”
Davidson Guilherme Tomé, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Etiquetas Adesivas, Abiea, e diretor da Gráficos Sangar

“Chamou minha atenção a tendência dos grandes formatos para as máquinas rotativas offset e, em especial, a flexibilidade de uma rotativa híbrida da Goss, 96 páginas, apta a imprimir jornal e material que exige secagem a quente, com três torres coldset, duas heatset e duas dobradeiras. As rotativas de grande formato ainda têm pouco espaço no cenário brasileiro atual, mas esse é o futuro para a indústria gráfica de alta capacidade. Consolidação de mercado e parques gráficos com um número menor de máquinas, porém versáteis, rápidas e com set up curto.”
Luiz Bonásio, diretor geral da Globo Cochrane

“Destaco os avanços na impressão digital, materializados na impressora rotativa inkjet da HP, nos softwares envolvidos em todo o processo produtivo e nos sistemas de acabamento, muito mais velozes e com acertos mais rápidos. Quem quiser continuar competitivo terá mesmo de investir.”
Sander Luis Uzuelle, diretor da gráfica São Francisco, de Ribeirão Preto, SP

“Os fabricantes de fotopolímeros, que são poucos, mostraram novas alternativas para redução do custo do clichê na flexografia. Na mesma linha, vimos equipamentos para impressão em banda estreita trabalhando sem clichês, com a gravação direta no cilindro através do CtP.”
Carlos Ribeiro de Paiva, vice-presidente da Associação Brasileira Técnica de Flexografia, Abflexo/FTA-Brasil

“As grandes novidades estavam nos softwares para acelerar e otimizar o acerto das máquinas. Interessante também a incorporação de sistemas de laminação e de cortes especiais em linha na impressão offset, mas tenho dúvidas com relação à chegada desse tipo de equipamento a curto prazo no Brasil. Diferente da Europa, onde visitei, por exemplo, uma gráfica especializada na produção de embalagens para perfumes, somos generalistas por aqui, o que pode inviabilizar o maior investimento numa máquina como essa.”
Robison Borges, diretor comercial da Stilgraf

“Apesar dos insumos continuarem caros, a impressão digital já é uma alternativa real ao offset, sobretudo nos materiais promocionais. São equipamentos mais baratos, rápidos e de boa qualidade final, que podem reduzir os custos da gráfica.”
Rubens Marques, diretor da gráfica Atrativa

 

Lançamentos

A Drupa conseguir reunir em Düsseldorf, na Alemanha, 1.971 expositores, de 52 países, espalhados por 19 pavilhões, totalizando 170.000 m² de espaço de exposição, o equivalente a 40 campos de futebol. Entre os dias 29 de maio e 11 de junho, seus estandes foram visitados por 391.000 pessoas, procedentes de 138 países. Agora, um número que não conseguimos encontrar em nenhum lugar foi o total de produtos expostos e divulgados durante a Drupa. Será que alguém conseguiu contar? Numerações à parte, o que apresentamos a seguir é um pequeno resumo do que de mais interessante foi mostrado na Drupa 2008, sobretudo no campo da impressão, uma visão geral das inovações que atraíram o público, especialmente os 3.600 brasileiros que estiveram na feira.

 

AGFA
Praticamente metade do estande da Agfa foi ocupado por sistemas digitais de impressão, entre impressoras de grande formato e soluções industriais. Um dos destaques foi a Dotrix Modular, impressora digital inkjet colorida para embalagens flexíveis e cartuchos. Capaz de trabalhar com vários substratos, incluindo papéis até 250 g/m² e materiais plásticos, a máquina atinge velocidade de 24 metros por minuto, número que promete ser elevado aos 30 metros por minuto em pouco tempo. A máquina utiliza tintas UV, tem alimentação a bobina, com formato máximo de 63 cm, e 900 dpi de resolução, alcançada através de 48 cabeçotes de impressão.
Outra inovação foi o software Apogee Media, plataforma de workflow editorial para gerenciamento de ativos digitais especialmente projetada para designers e fornecedores de serviços de criação que trabalham com qualquer mídia impressa ou baseada na web. A Agfa levou ainda o Synaps, papel sintético de alta qualidade. Utilizando como base o poliéster modificado, o produto tem na secagem rápida uma de suas vantagens, podendo ser usado tanto em máquinas offset quanto em sistema inkjet UV.


BIELOMATIK

Especializada em sistemas de acabamento e RFID (etiquetas inteligentes), a alemã Bielomatik mostrou cinco linhas de produção com velocidade aprimorada. Entre elas o sistema de encadernação espiral totalmente automático, 33% mais veloz que a versão anterior no formato A4, com velocidade de 80 exemplares por minuto para produtos com mais de 100 folhas e 120 exemplares no formato A5 (o dobro da velocidade anterior nesse mesmo formato). Para materiais com menor número de páginas, a velocidade no formato A5 chega a 160 exemplares por minuto.

 

 

 

 

BOBST
A Visioncut 106 é a nova máquina da Bobst para corte e vinco que já está sendo produzida pela Bosbt no Brasil. Com alimentador robotizado e registro lateral ótico, atinge velocidade de até 9.000 folhas por hora, com formato máximo de folha de 1.060 × 760 mm. O sistema trabalha desde papéis de 70 g/m² até cartão ondulado de 4 mm de espessura.

Porém, uma solução aparentemente simples foi o que mais atraiu atenções. A tecnologia de plasma Openair, da Plasmatreat, empresa norte-americana que fechou acordo com a Bobst, agora sua representante exclusiva para o segmento de embalagens. A inovação está no uso do plasma em condições atmosféricas normais e em linha para o pré-tratamento de superfícies, ampliando a capacidade de adesão do material. Largamente utilizado pela indústria automobilística, eletrônica, têxtil, entre outras, a tecnologia Openair promete reduzir custos e ampliar a velocidade de produção à medida que possibilita a diminuição do uso dos adesivos no fechamento dos cartuchos. Para testar na prática sua eficácia, os visitantes recebiam um cartucho fechado com cola branca dos dois lados, um com e o outro sem o tratamento. Só era possível abrir o lado tratado com o rompimento das fibras do papel. O sistema pode ser instalado em máquinas para fechamento de cartuchos da Bobst ou de outros fabricantes.


DAINIPPON SCREEN
Programada para ser comercialmente lançada em meados de 2009, a Truepress Jet SX é uma impressora digital colorida com tecnologia jato de tinta. Semelhante à máquina desenvolvida pela Fujifilm, o equipamento tem a alimentação do papel parecida com uma máquina offset, com controles como espessura do papel, só que com as folhas entrando em posição inversa (retrato e não paisagem). Utilizando tecnologia de impressão single-pass, na qual o papel a ser impresso passa sob cabeçotes inkjet fixos, sendo a imagem criada numa única passada, a máquina aceita folhas de até 530 × 740 mm.


DRENT GOEBEL

A atração foi a impressora offset rotativa cinco cores VSOP 850, voltada para a indústria de embalagens flexíveis, cartuchos, rótulos e etiquetas adesivas, equipada com secagem UV e EB (Electron Beam). Trabalhando com bobinas de até 850 mm e sleeves ao invés de cassetes completos de impressão, é possível realizar a troca de trabalhos em apenas 10 minutos. Atendendo as necessidades da indústria alimentícia por embalagens livres de solventes e compostos orgânicos voláteis (VOC), a máquina incorpora unidade de cura EB exclusivamente desenvolvida para ela.

 

 

DUPLO
Focada no acabamento de impressos digitais, entre as soluções que a Duplo apresentou estava a DSF 5000, máquina para a produção de livretos reunindo alceamento, dobra, grampeação e corte com acerto automático de formato. Modular, o sistema permite troca de trabalho em 50 segundos, papéis no formato mínimo de 120 × 210 mm e máximo de 364 × 525 mm, gramaturas de 64 a 300 g/m², com velocidade de 5.000 exemplares por hora. Outro lançamento foi o sistema para aplicação de verniz UV, tanto para impressão digital quanto offset, Ultra 205A. Compacta e totalmente automática, a máquina atinge velocidade de cobertura de 36,5 metros por minuto, trabalhando gramaturas de 120 a 350 g/m² e papéis com largura de até 521 mm. Ideal para fotolivros, capas, brochuras e pôsteres.


EFI
As novas ferramentas dos servidores de impressão digital em cores Fiery, a QS3200r, nova integrante da família de impressoras digitais UV de grande formato da Vutek, e a inkjet Jetrion 4000 UV foram os principais lançamentos da EFI. Destinada aos fabricantes de etiquetas com tiragens de até 50.000 unidades, a Jetrion 4000 imprime full color em etiquetas até 139 mm de largura.

 

 

 

 

FUJIFILM
Um dos protótipos da Drupa estava no estande da Fuji, a Jet Press 720, impressora digital inkjet colorida de alta velocidade. Trabalhando no formato máximo de impressão de 720 × 520 mm e resolução de 1.200 dpi, com quatro níveis de variação de cinza, o equipamento utiliza tecnologia piezelétrica e velocidade de 180 folhas (equivalentes ao A4) por minuto. O que chama atenção, porém, é o sistema de alimentação da máquina — a entrada do papel —, muito semelhante a uma impressora offset convencional, incorporando controles como regulagem de espessura do papel. Empregando jato de tinta base água, a impressora é compatível com papéis revestidos, sem apresentar problemas como encanoamento e rugas.

A Fuji também mostrou uma solução da inglesa FFEI, a Emblaze. Trata-se de um sistema digital para aplicação de verniz UV localizado em uma única passada, que pode ser aplicado em materiais impressos em offset, máquinas digitais ou que combinem os dois processos. Através da variação do tamanho da gota, o equipamento pode alterar a aparência do acabamento, a partir do mesmo verniz base, inclusive variando de brilhante para fosco. Disponível no primeiro semestre de 2009, o sistema atinge velocidade de 4.500 folhas A4 por hora, com folhas no formato máximo de 605 × 750 mm.


GALLUS

O primeiro fruto do desenvolvimento conjunto entre a Gallus (que faz parte do Heidelberg Group) e a BHS é a impressora Gallus ICS 670, voltada para a produção de cartuchos de formato médio, com tiragens médias e longas. Flexível, incorpora recursos como hot e cold stamping, laminação, relevo e impressão UV flexográfica. Atinge velocidade de 350 metros por minuto e até 220 metros por minuto com o sistema plano de corte e vinco em linha.

 

 

 

GOSS
Não se trata de uma máquina nova, mas de um conceito inovador que vem bem a calhar com as necessidades de flexibilidade do gráfico brasileiro, mesmo o voltado às altas tiragens. Trata-se da impressora offset rotativa Goss Flexible Printing System (Sistema de Impressão Flexível), FPS, voltada para a produção de jornais e impressos comerciais. Com um desenho diferenciado e compacto (do primeiro ao último conjunto de cilindros a distância vertical é de 2,7 metros), a máquina atinge o formato de 96 páginas tablóide, combinando impressão heatset e coldset. A troca de chapas pode ser automática ou semi-automática e a abertura deslizante das torres de impressão facilita a desmontagem e montagem dos cilindros de impressão. As mudanças de formato numa rotativa FPS de quatro cores podem ser feitas em cerca de 90 minutos.

 

 

HAMADA

Voltada para o mercado de pequenas tiragens, a Hamada lançou na Drupa a versão 1/2 folha do sistema de aplicação de verniz ultravioleta UV-Master. Com velocidade de até 6.000 exemplares por hora, o equipamento pode aplicar verniz UV total e localizado e aceita papéis de espessura de 0,1 a 0,3 mm. Ainda em fase de teste no Japão, ocupou lugar destaque no estande a impressora offset Weihai Hamada 466, quatro cores, totalmente automática, que atinge velocidade de 15.000 folhas por hora, no formato 660 × 480 mm (1/2 folha).

 


HEIDELBERG
Com tantas possibilidades, é difícil escolher os destaques do maior expositor da feira, que ocupou dois pavilhões, o 1 e o 2, e máquinas espalhadas por outros 10 estandes. A Drupa 2008 marcou a estréia da Heidelberg no formato extragrande com as impressoras offset planas Speedmaster XL 145 e XL 162 e a ênfase da companhia no segmento de embalagens. Destinadas à produção de embalagens, livros, revistas e material comercial, incorporam limpeza simultânea da blanqueta e dos cilindros de impressão. Os dois modelos produzem até 15.000 folhas por hora nos formatos 106 × 145 e 121 × 162 cm, respectivamente. Dependendo de como são equipados, trabalham com materiais de espessuras entre 0,06 e 1,6 mm. Para os formatos médios, a novidade foi a offset plana Speedmaster XL 75-6+L, formato 50 × 70 cm e velocidade de até 18.000 folhas por hora. Capaz de imprimir substratos de 0,03 à 0,8 mm de espessura, comporta aplicações especiais como cold foiling e um conjunto totalmente integrado de secadores UV.

Em pós-impressão, vale ressaltar a nova dobradeira Stahlfolder KH 82. Voltada para gráficas que trabalham com tiragens mais altas ou necessitam de rapidez de acerto, a Stahlfolder KH 82 traz unidade de dobra automática, velocidade de até 230 metros por minuto e tempo de acerto até 80% inferior ao do modelo anterior, a KH 78.


HORIZON
Dentre os lançamentos na área de acabamento, já compatíveis com o formato JDF, um dos destaques foi a StitchLiner6000, alceadora-grampeadora direcionada a finalização de brochuras com tiragens de até 10.000 exemplares. Modular e de rápido ajuste, o equipamento pode ser configurado para executar o vinco, grampo e corte trilateral ou apenas o alceamento. Atinge velocidade de 6.000 exemplares por hora. Para a aplicação de capas, duas novas encadernadoras merecem destaque: a BQ-470 e a HCB-2. A primeira, com ajuste automático, alimentação manual e velocidade de até 3.000 livros por hora, pode trabalhar com adesivos EVA (hot-melt) e PUR. A HCB-2 foi projetada para a colocação de capa dura em impressos sob demanda, como fotolivros. Operada manualmente e com design ergonômico e display touchscreen, a máquina trabalha com papel auto-adesivo e gaze fornecidos pela Horizon para a montagem da capa, aceitando livros de até 304,8 × 304,8 mm e lombadas de 3 a 25 mm, com produção de 180 livros por hora.

 

 

HP
A Hewllet Packard ocupou o terceiro maior estande da Drupa, atrás apenas da Heidelberg e da manroland. E, como a Tecnologia Gráfica previu há duas edições (veja matéria HP antecipa novidades, TG n?º 60), realmente fez brilhar os olhos dos gráficos. Apresentando o maior portfolio da indústria para impressão digital em cores, estava em seu estande o equipamento mais comentado da Drupa: a HP Inkjet Web Press, primeiro modelo da nova divisão da HP, a Inkjet High-Speed Production Solutions, IHPS, no qual foi investido US$ 1,4 milhão. Trata-se de uma impressora rotativa jato de tinta com formato 762 mm e alta velocidade — até 122 metros por minuto ou 2.600 impressões 4×0 no formato carta por minuto — para a produção de jornais, livros, malas diretas e material transpromocional com resolução de 600 dpi. Prometida para 2009, tem preço estimado em US$ 2,5 milhões.

Também está prometido para 2009 o início das vendas da HP Indigo W7200, direcionada à impressão de livros sob demanda, malas diretas personalizadas de alto volume e impressos transpromocionais. Empregando tecnologia de impressão eletrofotográfica líquida (liquid electrophotographic printing, LEP) e alimentação a bobina, a impressora pode produzir até sete milhões de imagens no tamanho A4 coloridas ou 30 milhões de imagens monocromáticas por mês, com resolução de 2.400 × 2.400 dpi. O equipamento promete produzir 240 páginas A4 em quadricromia por minuto, com área de imagem de 317 × 980 mm e papéis com gramatura de 40 a 350 g/m².

Cabe ainda falar da HP Designjet L65500, a primeira de uma linha de equipamentos de grande formato para sinalização que usa as novas tintas HP Látex. Base água, esse insumo utiliza tecnologia de dispersão de polímeros em meio aquoso (látex) para atingir performance comparável às tintas base solvente, reduzindo o impacto ambiental das impressões e oferecendo alta versatilidade para aplicações em ambientes internos e externos. Com tecnologia inkjet térmica, aceita rolos de 264,16 cm, mas só estará disponível em 2009.

 

INFOPRINT
A InfoPrint Solutions Company, uma joint venture entre IBM e Ricoh, expôs a nova impressora digital monocromática de folhas soltas e alta produção, EMP 156. Com velocidade de até 156 ppm, inclui avançada tecnologia para manuseio de papel, maior qualidade de impressão e volume de produção mensal de até 4,5 milhões de impressões.


KBA
Para Frank Romano, a KBA foi, na área de impressão offset, quem apresentou mais novidades. Os alvos foram automação de processo, estandardização, qualidade, produtividade, novos consumíveis e sistemas ecologicamente corretos. Entre os novos dispositivos destacados pelo guru da indústria gráfica estão o QualiTronic, sistema de inspeção que escaneia folha a folha sem perda de velocidade; o QualiTronic Professional, recurso de medição e controle de densidade em linha, que exige apenas 60 folhas para o ajuste; e o DriveTronic SPC, sistema para troca de chapas que realiza essa operação em 60 segundos, independente do número de unidades de impressão da máquina.

Essas ferramentas permitiram que fossem produzidos, no estande da KBA, 15 trabalhos diferentes, cada um com 520 folhas boas, em 59 minutos e 36 segundos. Eles foram impressos numa Rapida 106, offset plana, folha inteira, a pedido de um cliente dos Estados Unidos e sob os olhares atentos dos visitantes. Todas as impressoras expostas rodavam com sistema waterless ou livre de álcool.


KOMORI

Os visitantes ficaram encantados com os impressos que saiam da offset plana Lithrone SX629 CF+C+E, seis cores equipada com cold foiling (película de douração a frio) em linha, verniz UV e gravação em relevo. Com formato 1/2 folha estendido, 610 × 750 mm, permite área máxima de imagem de 585 × 740 mm, 12,5% mais larga que a do modelo anterior, enquadrando-se principalmente às especificações do mercado norte-americano. Além dos recursos já citados, outros podem ser agregados como corte e vinco em linha. A impressora pode, é claro, ser usada convencionalmente com seis cores já que nem o cold foiling nem as unidades gravação em relevo precisam ser utilizadas em todos os trabalhos.

Ao lado, estava a Lithrone LSX640+C, também seis cores mais verniz, com formato 750 × 1.050 mm. Vem com nova e mais rápida troca de chapas (F-APC), completamente automática. O novo sistema de iniciação rápida de impressão KHS-AI, integrado à linha SX40 tem uma função de auto-aprendizado que atualiza progressivamente todas as configurações de impressão.

 

 

 

KURZ
Entre as novidades em fitas para hot stamping, a Kurz mostrou a Luxor/Alufin LX, versátil e com boa adesão em diversos tipos de superfície, como impressos que receberam verniz UV ou verniz de dispersão aquosa e substratos laminados com polipropileno orientado (OPP). O Trustseal, dispositivo ótico de autenticação usado em documentos de segurança, foi aprimorado. Baseado em estruturas óticas difrativas, suas principais características são agora complementadas por três novos elementos: Nanopic, Latent Contrust e Overlapping Dynakey. O primeiro consiste de imagens com uma resolução superior a 50.000 dpi que podem ser combinadas com os recursos existentes do Trustseal e validadas utilizando-se uma lente de aumento de grande ampliação. Dynakey é um elemento oculto que se torna visível somente quando um filtro especial é colocado sobre ele. O novo recurso Overlapping Dynakey é sobreposto ao motivo principal do Trustseal, sem obstruir o principal desenho visível e apresenta um efeito de movimento quando visto através do filtro. Latent Contrust é um desenvolvimento adicional do elemento inicial Contrust do Trustseal, um recurso visível a olho nu que exibe uma inversão de contraste positivo-negativo, claro-escuro quando girado a 90°.


MANROLAND
Ocupando o segundo maior espaço da feira, a MAN Roland, agora manroland, enfatizou a agregação de valor ao impresso em máquinas offset. Isso através de dispositivos em linha como o InlineSorter, para a ejeção de folhas; o Inline Inspector, para a análise e monitoramento das folhas; o Inline Embosser, para a aplicação de baixo e alto relevo em linha e gofragem para rótulos; o Inline Foiler Prindor, para a aplicação de cold stamping em linha utilizando duas unidades de impressão; e o Inline Observer, com câmeras para o acompanhamento do papel em toda a impressora. Para o segmento de pequenos formatos, a manroland expôs a Roland 50 em versão XXL, no formato 36 × 52 cm, cinco cores e velocidade de 13.000 folhas por hora. A novidade está na incorporação do conceito de alta performance das máquinas maiores para esse formato, com a inclusão de dispositivos automáticos. Na outra ponta estava a Roland 900 XXL, formato 1.260 × 1.620 mm, que roda na mesma velocidade do menor modelo, voltada para a produção de livros e embalagens.


METRICS
Primeira empresa brasileira a participar do Drupa Inovation Parc, DIP, a Metrics lançou na Drupa uma nova plataforma de automação de processos para a indústria gráfica. Baseado na tecnologia de softwares on-line, o Metrics Printware incorpora as novas tecnologias de automação de processos gráficos, permitindo a integração de toda a cadeia de negócios, envolvendo clientes, gráficas e fornecedores, através de ambiente colaborativo baseado na web e protocolos abertos como JDF. A nova plataforma integra todos os elementos da manufatura numa espécie de “esteira” de planejamento e controle, abrangendo vendas, chão de fábrica, materiais e pessoas envolvidas na fabricação e na gestão do negócio. Com estrutura modular, o sistema comporta um amplo conjunto de funcionalidades, como inovadores recursos de automação de orçamento associados à gestão financeira e a módulos de relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros.

 

 

 

MITSUBISHI
Seguindo a tendência do valor agregado, a Mitsubishi mostrou a impressora offset plana Diamond V3000LX, seis cores, formato 705 × 1.050 cm, equipada com forno para secagem UV e IR. O novo sistema de alimentação permite o uso de papéis mais finos, com espessuras de 0,04 mm até 1 mm. Outra inovação é o Diamond Color Navigator, sistema simplificado de ajuste da cor, que possibilita o controle através de tela touchscreen ao invés das chaves de controle convencionais.


MÜLLER MARTINI

Valorizando o design e a ergonomia de suas linhas de acabamento, a Müller Martini levou para a feira a Prime 140, sua nova alceadora-grampeadora. Detalhes como o uso da nova cor da empresa, azul laser, e superfícies de vidro para facilitar a visualização do operador ao interior da máquina estão presentes. Os novos cabeçotes grampeadores são capazes de trabalhar com fios de metal mais finos (0,45 mm de diâmetro) e o sistema de cabeçotes volantes permitiu reduzir o tempo de ajuste da máquina.

Integração é o norte da SigmaLine, sistema integral para a produção digital de livros, baseado no formato JDF. A partir do material produzido numa impressora digital e baseado nos dados gerados na criação do arquivo, o equipamento corta, dobra, alceia e faz a encadernação, com produtividade e qualidade para atender o segmento de pequenas tiragens.


PRESSTEK
A empresa apresentou seus dois modelos de impressora offset DI sem água, 52DI e 34DI, com a opção UV. São indicadas para serviços que exigem troca rápida de trabalhos e pequenas tiragens. Ao incorporar a opção de impressão UV, as impressoras ganham maior flexibilidade. Tempo mais rápido de secagem e alta fidelidade na reprodução em substratos não porosos resulta em trocas mais rápidas de serviços na produção de etiquetas, malas diretas, embalagem e impressão comercial em geral. A tinta de secagem rápida também oferece mais durabilidade e qualidade na impressão de vinil, filme e plástico. A 52DI aceita formato máximo de folha de 510 × 360 mm e a 34DI de 340 × 460 mm.


RYOBI
A Ryobi realizou a avant-première de sua primeira máquina em formato folha inteira, a Ryobi 1050. Concentrado na alta produtividade, o formato do equipamento contempla papel até 108,5 cm. O fabricante aproveitou para mostrar também a versão 1/4 de folha da Ryobi 524 GE.

 

 

 

 

ROTATEK
A empresa marcou presença com duas impressoras offset híbridas: uma rotativa com troca de formatos por camisas, a Universal, e outra semi-rotativa, a Brava. Esta última estava configurada com cinco unidades offset, uma de impressão flexográfica e um troquel, voltada para a produção de rótulos adesivos com tiragens inferiores a 10.000 unidades. A Universal também estava com cinco unidades offset, uma flexográfica, cold stamping, aplicação de verniz total ou localizado, guilhotina rotativa e sistemas de controle como videoinspeção. Capaz de rodar com cartão, papel e plástico, permite a troca de substrato em 12 minutos.


SHINOHARA
Anovidade na impressora offset plana 52 VHC 5/0 UV foi a incorporação da unidade de corte e vinco em linha. A máquina trabalha com formato máximo de folha de 370 × 520 mm, com velocidade de 15.200 folhas por hora. Na 75 VHC 5/0 com verniz base água em linha o diferencial está no dispositivo de aplicação de holograma e cold foiling na saída da máquina. A impressora atinge 17.000 folhas por hora no formato máximo de 585 × 750 mm.

 

 

XEROX
A principal estrela do portfolio que a Xerox levou para a Drupa foi a nova versão de sua impressora digital para folhas soltas, a iGen4. Equipada com cerca de 400 novos componentes, subsistemas e tecnologias patenteadas pela Xerox, a nova máquina oferece qualidade de imagem de alta definição, produzindo imagens mais nítidas com cores de alta definição. Entre eles, o equipamento incorpora autocontrole de densidade, com sensor de amplitude total para detectar automaticamente e eliminar variações de densidade e traços durante o processo de impressão, e novo método que combina tinta seca e carrier — substituindo o tradicional revelador —, produzindo uma uniformidade de cor mais consistente da primeira à última cópia impressa, e a cada novo trabalho de impressão. Com o sistema, os operadores não necessitam mais interromper o equipamento para trocar o revelador. A impressora iGen4 roda a uma velocidade de até 110 páginas por minuto, com folhas no formato 364 mm × 572 mm, suportando ampla variedade de papéis, inclusive num mesmo trabalho.

 

Texto publicado na Edição 62