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Calcografia Imprimir E-mail
Escrito por Juliana Coelho de Almeida   
Sex, 05 de Novembro de 2010

A calcografia, também conhecida como talho doce, considerada um processo precursor da rotogravura, é uma das principais tecnologias de impressão de títulos fiduciários no mundo. Seu princípio de funcionamento inclui procedimentos típicos de offset, flexografia e, claro, rotogravura. Trata-​se de um processo direto de reprodução gráfica, com máquinas alimentadas a folha ou bobina, que utiliza como forma de impressão uma chapa revestida com metais, cuja imagem gravada é encavográfica (áreas de impressão em baixo-​relevo). Imprime-​se sobre suportes flexíveis ou semirrígidos, com tintas pastosas de secagem por óxido-​polimerização e penetração.
Uma característica peculiar da calcografia é a existência de uma única forma para todas as cores, as quais são impressas simultaneamente, de modo similar ao dry offset. Para explicar melhor o processo, vamos compará-​lo às tecnologias de impressão mais conhecidas.
Assim como na impressão offset, as tintas usadas na calcografia são pastosas e, portanto, são necessários rolos distribuidores para se obter uma tintagem uniforme. A tinta estratificada pelos rolos distribuidores é transferida para cilindros entintadores, nos quais as zonas que deverão receber tinta estão em relevo. Esse cilindro pode ser constituído de um revestimento de PVC ou possuir, cola da sobre sua superfície, uma chapa de letterpress. A ilustração representa o cilindro porta-​­chapa recebendo tinta dos entintadores magenta e cyan.
Como a tinta calcográfica é pastosa, ela deve ser aquecida entre 40° e 50°C para garantir o preen­chi­men­to e pos­te­rior saí­da dos grafismos da forma de impressão. A chapa calcográfica, ao ser entintada, recebe tinta tanto no in­te­rior dos sulcos (grafismos) como em sua superfície (contragrafismo). Antes da impressão é necessário que a tinta do contragrafismo seja retirada. Essa limpeza pode ser fei­ta de duas ma­nei­ras: atrito do cilindro porta-chapa contra uma manta de tecido ou contra um cilindro revestido com uma fina camada de borracha, ambos embebidos em uma solução de limpeza.
Nas duas alternativas, tanto a manta quanto o cilindro devem girar em sentido inverso ao porta-​­chapas, permitindo dessa ma­nei­ra a limpeza das ­­áreas de contra­grafismo e a manutenção da tinta somente no in­te­rior dos alvéo­los.
Após a limpeza, ocorre a impressão, sob pressões mui­to elevadas, da ordem de até 10.000 N/cm. Devido a essa pressão e às elevadas profundidades dos grafismos entalhados na forma calcográfica — que podem chegar a 600 µm —, as imagens impressas produzidas por esse processo adquirem um relevo característico. Também é possível a reprodução de “imagens latentes”, a partir de sofisticadas técnicas de gravação. Esse é o caso, por exemplo, na sigla CNH nas car­tei­ras na­cio­nais de habilitação, que pode ser vista sob determinado ângulo.
Cerca de 60% da tinta aplicada sobre a chapa calcográfica não é apro­vei­ta­da no processo de impressão, pois é misturada à solução limpadora ou absorvida pelo pano na limpeza do contragrafismo. Para minimizar essa perda pode-​­se usar um cilindro de pré-​­limpeza. Esse dispositivo permite o recolhimento de parte da tinta aplicada no contra​­grafismo antes de sua mistura com a solução limpadora. Porém, essa solução só é possível em uma única cor e quando sua localização na chapa permite tal recuperação. Uma vez recuperada, essa tinta deve ser reu­ti­li­za­da o mais rapidamente possível, pois, em função das altas temperaturas a que é submetida, perde pou­co a pou­co suas características e re­sis­tên­cias.
Como todos os processos de impressão, a calcografia também possui va­riá­veis que exigem monitoramento e controle durante a produção, como:
Temperatura da tinta – Quan­to menor a temperatura da tinta, mais difícil sua entrada e saí­da dos sulcos da chapa calcográfica, exigindo ­maior pressão de impressão. Contudo, temperaturas mui­to altas podem reduzir dema­sia­da­men­te a viscosidade da tinta, cau­san­do, por exemplo, o au­men­to na espessura das linhas.
Saturação da solução de limpeza – A solução deve pe­rio­di­ca­men­te ser trocada, pois sua saturação interfere diretamente na efi­ciên­cia da limpeza, acarretando problemas como a impressão do contragrafismo.
No Brasil a calcografia é bastante utilizada para fins artísticos, com adoção de técnicas ma­nuais de gravação de formas e reprodução gráfica. Já em escala in­dus­trial, o sistema é empregado na produção de impressos de segurança, como selos car­to­riais, selos de bebidas e cédulas, entre ou­tros. Neste último segmento, a adoção de técnicas ma­nuais de gravação e reprodução são coi­sas do passado. Equipamentos de última geração permitem a gravação de formas com alto nível de detalhamento, enquanto as impressoras pos­suem os mais modernos dispositivos de ajustes e controles do processo.

Juliana Coelho de Almeida é técnica de Ensino de Rotogravura e Flexografia da Escola Senai Theobaldo De Nigris

Texto publicado na edição nº 74